Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Informática e Internet



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Meu livro na Livraria Cultura
 Meu livro na Martins Fontes
 De Roswell a Varginha, meu livro na Tarja Livros
 De Roswell a Varginha na UFO
 O Escritor Proibido
 Writer with R (IN ENGLISH)
 AUMANACK
 Revista UFO
 Tarja Editorial
 Scifi News
 De Roswell a Varginha no Orkut
 Renato A. Azevedo no Orkut
 Letras ao Vento...
 O Bardo
 Conselho Jedi SP
 X Fonte
 INFA
 Vigilia
 Brasilis 2027
 A Rocha Natalina
 O Caso Guabiraba
 O Dossiê
 Irmãos
 O Dia em que o Brasil parou
 Artigo The Wilhelm Scream
 Cristina Lasaitis
 Xeque Mate
 BondGirl Patthy
 Terrorzine
 Fernando Trevisan - Leituras
 Pegadas de um Dinossauro
 Conspirações
 Meu artigo sobre Carl Sagan na Ufo 130
 UFO: A persistência dos céticos nada abertos
 Profana?Eu?
 Estilhaços de Alma
 Estronho
 Pensamentos Randômicos
 Alien Girl
 César Maciel (Perry Rhodan e FC)
 Angel no Infinito...
 Cidade Phantastica
 Blog Julio Verne
 Papo de Quadrinho
 Luciana Muniz
 Fontes da Ficção
 COSMOS Carl Sagan 29 anos
 Fotoblog
 Aumanack no Twitter
 Escritor com R no Twitter


 
ESCRITOR COM "R"


Retomando as atividades, e está chegando a Copa do Mundo

Muita, muita coisa aconteceu desde o mais recente post neste blog há mais de um ano.

A notícia mais triste, que chocou a literatura fantástica brasileira, foi o encerramento de atividades da Tarja Editorial. Por essa editora lancei meu primeiro livro, De Roswell a Varginha, além de ter participado das antologias A Fantástica Literatura Queer Volume Laranja, e Retrofuturismo. Se vocês forem ao site da Tarja Livros, poderão conseguir algumas dessas obras.

No final de 2013 tivemos O Hobbit: a Desolação de Smaug, filme fantástico e que me fez ficar sonhando com Tauriel... Apesar de alguns reclamarem das mudanças em releção ao livro do grande J.R.R. Tolkien. A maioria destes parece não entender que as linguagens literárias e cinematrográficas são diferentes. Brevemente, espero, conseguirei escrever um prometido artigo a respeito para o site Aumanack, que aliás, vocês devem visitar clicando aqui!

Vimos o adeus de mais um Doctor Who, Matt Smith, e dissemos olá para o mais novo Doutor, Peter Capaldi. Cosmos retornou, honrando a maravilhosa obra-prima do inesquecível Carl Sagan, agora apresentado por Neil deGrasse Tyson. Novos mundos foram descobertos, incluindo o mundo habitável mais próximo do nosso, e mais antigo também, Kapteyn b. Ah, e leiam o conto inspirado pela descoberta, é sensacional!!!

E nesta semana, claro, tem a tal da Copa do Mundo. Alguns têm protestado, dizendo "não vai ter copa", coisas e tais. Mas agora, após bilhões serem gastos na preparação, e outros tantos roubados? Por que não protestaram há anos, quando o Brasil se candidatou? Uns e outros estão prometendo bagunça, aliás, esquecendo-se da mais elementar regra da convivência: seu direito termina onde começa o meu, e vice-versa. De fato, toda civilidade e respeito foram esquecidos desde os desfiles de escola de samba, ou melhor, os protestos de junho de 2013, conforme foram assim classificados em entrevista pelo cantor Lobão.

Nenhum direito de ninguém pode se sobrepor ao direito de outros. Essa é uma das noções mais básicas da democracia, que esse pessoal ignorante que gosta de brincar de revolução parece se esquecer. O resultado são transtornos como os que vivemos hoje aqui em São Paulo, em mais uma greve promovida por uma minoria. O Brasil tem muito mesmo a aprender em termos de democracia.

Quanto à Copa, quem genuinamente gostar de futebol, o que não é meu caso, seja feliz e aproveite, se bem que acho um exagero imenso o quanto anda se falando do tal Neymar. Tenho a leve impressão, diante do tom das reportagens, que ele vai ganhar a Copa sozinho. Ou então, na grande decisão por pênaltis na final, vai precisar fazer o último chute, que deve converter ou então será a derrota. Ele corre para a bola, e com muita "categoria" dá... como se chama mesmo? Ah, sim, uma "cavadinha", e a bola vai parar nas mãos do goleiro, como já ocorreu.

Enfim, mesmo detestando futebol é inevitável acabar acompanhando em épocas de Copa do Mundo, e é sempre esse clima de oba-oba. Quando ao mais, só posso dizer que vença o melhor.

E abaixo, como o assunto principa deste blog sempre será a Ficção Científica, um conto da Lista, Multiverso aliás, do qual em breve eu espero ter grandes novidades.

A LISTA: A COPA DOS CLONES

“Esporte é saúde, esporte é alegria. Futebol, a alegria do povo. Mentiras, nada mais que grosseiras mentiras, repetidas a exaustão até que se tornem verdades, como o Brasil é o país do futuro, caldeirão cultural exemplo de convivência, tantas incontáveis imbecilidades que os pobres de espírito aceitam sem questionar!”.

Rubens olhou para a tela onde o texto luzia. Em outra janela, os inúmeros emails que recebera, a maioria absoluta o xingando e amaldiçoando, e alguns mais exaltados até contendo sórdidas ameaças de morte. Acendeu um cigarro e soltou largas baforadas. Sabia que retomara um péssimo hábito, mas desde a prisão de seu amigo e mentor, Ademar, era a única forma que encontrava para relaxar.

Felizmente, uma pequena mas consistente porcentagem das mensagens, pelo contrário, o encorajava. Manifestavam apoio incondicional, várias vindas de estudantes muito aplicados, com notas excelentes em matemática, física ou química, mas que foram mesmo assim reprovados e impedidos de se formar.

Acontece que havia uma nota para educação física, e outra específica para futebol. E pelo Brasil afora, aqueles que não eram íntimos da bola, e nem queriam ser, estavam mais e mais se tornando cidadãos de segunda classe.

Rubens lembrava-se das Olimpíadas, dois anos antes. Revoltados com os privilégios para a delegação do futebol, os demais atletas competiram em protesto pela bandeira olímpica. O governo fez de tudo para que a transmissão do evento se concentrasse no futebol, mas após poucos dias de medíocre audiência, a cobertura voltou a normalidade, sob protestos oficiais.

“Aqueles atletas desonram a tradição esportiva nacional e seu próprio país”, afirmaram raivosamente os ministros da Casa Civil, Cultura e Comunicação Social. Tentaram por todos os meios colar nos atletas a pecha de antipatriotas e traidores.

A seleção de futebol não chegou ao pódio. O restante da delegação quebrou novamente o recorde de medalhas conquistadas.

Rubens lembrava-se do começo de tudo. Vinte anos de ditadura militar e crescimento econômico medíocre, o povo queria viver, queria liberdade e alegria. Coincidentemente com a abertura democrática, o futebol conquistou dois títulos em duas copas seguidas, e o Brasil se tornou pentacampeão.

“Os bons tempos de Pelé e tantos craques estavam de volta”, diziam peças publicitárias da época.

Depois tudo arrefeceu, e o jejum de conquistas foi ligeiramente aplacado por outros esportes. O sucesso dos mesmos, ao mesmo tempo em que o futebol vivia em crise, motivou uma reação dos cartolas.

Aproximando-se da classe política, conseguiram vários privilégios negados a outros esportes ou manifestações culturais. O resultado era o que se via na última década. Tudo, absolutamente tudo, para o futebol. O resto... era o resto!

Campeonatos cada vez mais onipresentes. Cada jogador, disputado pelos times a peso de ouro, sempre com salários milionários. Espaço na mídia, dinheiro, poder. Faltava apenas mais uma copa, e finalmente, depois de anos de preparativos, e da formação de uma nova geração de jogadores, eles estavam prontos!

O time brasileiro, liderado pelos atacantes Reginaldinho, Edinho e Marcinho, era chamado de imbatível, estelar, e outros vocábulos inventados por comentaristas sem imaginação. Chegara o dia da final da Copa da Alemanha contra a Argentina, e na imprensa internacional o clássico duelo latino era um dos destaques.

O outro grande destaque era o julgamento, sob acusação de alta traição, de Ademar, o amigo e mentor de Rubens. Este, ao mesmo tempo em que redigia seu texto, enviava tudo para a Lista. Fora apresentado a mesma pelo amigo, e mesmo agora enquanto escrevia, duvidava.

Aquela coisa de múltiplos mundos era nada mais que Ficção Científica para ele. Mas ficava inquieto diante de certas mensagens.

Ocorreu que Ademar descobriu que boa parte do time brasileiro havia sido especialmente preparada, e de formas até então inimagináveis. Alguns jogadores foram tratados com terapia genética, e ele conseguira provas de que o próprio Pelé foi levado a uma insuspeita clínica para coleta de material biológico. O mesmo ocorreu com outros craques, cedendo em segredo material para a grande experiência.

Que, de acordo com uma fonte de Ademar dentro da CBF, e que desapareceu misteriosamente antes de depor como testemunha de defesa, havia sido iniciada muitos anos antes. Dezoito anos, na verdade, a idade do próprio Edinho, que disputava com Reginaldinho a artilharia da Copa. Outros jornalistas levaram fotos do jovem para especialistas, comparando-as com as de Pelé na mesma idade, e o resultado, assombroso, foi uma das provas utilizadas pela defesa. Clonagem, era essa a arma brasileira, para espanto e protesto do resto do mundo.

O próprio governo alemão protestou, ameaçando com o cancelamento da Copa.

Outras confederações igualmente manifestaram seu repúdio, e algumas seleções deixaram a competição. Nada disso abalou a seleção, nem tampouco a CBF ou a FIFA. O governo reagiu prendendo e processando Ademar, colocando contra o mesmo toda a engrenagem legal disponível.

Naquele dia, o mesmo da final da Copa, seria data a sentença. Até mesmo os Repórteres sem Fronteira compareceram. Defesa e acusação se enfrentavam:

- Esse senhor, traindo os princípios da imprensa, de forma sórdida manchou o bom nome de nosso amado país, e em uma de suas manifestações mais ricas, que, da mesma forma que sua música, faz com que nossa grande nação se sobressaia mais e mais no exterior! Este é um atentado contra a auto-estima de nosso povo!

- O nobre colega apenas está fazendo coro com a propaganda oficial! Pois fazer do futebol ou da música questão de orgulho e afirmação nacional, como se fossem drogas de entorpecimento coletivo, inclusive com o fim de perpetuar-se o status quo de atraso que prejudica imensa parcela da população, constitui-se em um eterno motivo de atraso para nosso país, do qual os corruptos aproveitam-se para seu usufruto egoísta!

A batalha começava a ficar feia no tribunal, enquanto naquele mesmo instante a final da Copa acontecia. O juiz teve que pedir moderação aos debatedores, e por fim houve uma pausa para que todos pudessem assistir a partida. Tão confiante estava a seleção, que nem sequer treinaram. Muitos comentaristas concordavam, “nossos craques são os melhores”, diziam.

Primeiro tempo, sem gols. O juiz aproveitou o intervalo para as deliberações finais, e Ademar foi considerado culpado apenas de calúnia contra um símbolo nacional, sob protestos da acusação. O segundo tempo começou, e somente depois seria dada a sentença.

Silêncio pelos seguintes 43 minutos. Aos 45, a Argentina marca. Durante os dois minutos de acréscimo, o time brasileiro tenta, na base do “talento individual”, sem sucesso. A Argentina é campeã.

Reginaldinho, substituído quase ao final, sai chutando tudo pela frente, reclamando de Edinho que não passa a bola:

- Só porque é clone do Pelé e tem privilégios, se acha o máximo! Por isso perdemos!

Ao final os argentinos se abraçam, e poucos brasileiros falam. Marcinho foi um desses. Disse que de nada valeram as injeções, “Prá quê isso, diziam que íamos jogar como os craques de antigamente. Grande coisa!”, encerrou. Reclamou como outros dos privilégios de Edinho.

A acusação exigiu o imediato desligamento dos televisores. A defesa pediu o arquivamento do processo. O juiz, confuso, disse que precisava de mais tempo para novas deliberações. Ademar foi conduzido pelos guardas, aplaudido pelos colegas. Sorriu para Rubens.

Este sentia-se inseguro. Não sabia que desdobramentos poderiam esperar. Mas o fato de as máscaras haverem caído como o fizeram talvez fosse suficiente.

A Lista foi uma série publicada originalmente na revista Scifi News. É vedada a cópia ou reprodução por qualquer meio sem a prévia autorização do autor e da equipe da revista. Esta é uma obra de ficção, e qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência.
Contato pelo email escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 17h08
[] [envie esta mensagem] [ ]



Livros digitais e Dia do Fã 2013

Estacionando um pouco a nave-máquina-do-tempo-portal-dimensional a fim de apresentar algumas novidades!

Posts abaixo comentei a respeito do lançamento em eBook de Filhas das Estrelas:

Eles dizem que agem com absoluta transparência.
Eles dizem que é evidente que não existem conspirações.
Eles afirmam que é absurda a ideia de extraterrestres nos visitando.
Eles estão mentindo!

O contato com alienígenas é um dos temas mais explorados na ficção científica, motivando histórias plenas de fascínio, terror, suspense, ação e mistério. Esses são elementos presentes em Filhas das Estrelas, uma coletânea de seis contos inspirados por histórias, teorias e conspirações a respeito de discos voadores e seres extraterrestres.

Cliquem aqui para conferir, na Amazon (Kindle), ou Saraiva (ePub).

Agora De Roswell a Varginha também está disponível na Amazon:

Fatos surpreendentes vêm sendo resguardados do mundo há mais de meio século. Acobertados por uma política oficial de informações confidenciais, dezenas de documentos conectam dois casos separados que ao se relacionarem provam contatos reais com extraterrestres. Roberto Monteiro, jornalista, e Ligia Barros, policial federal, são amigos de infância, com as famílias unidas, tanto pela tradição militar, como por um mistério do passado. Além da amizade, os dois nutrem um amor secreto, bem como um forte desejo de saber mais sobre fatos obscuros relacionados aos seus avôs.

Quando o jornalista é contatado por um homem emblemático que se apresenta trazendo conhecimentos extraordinários, ele sabe que necessita de ajuda. Por detrás da fachada de uma respeitável empresa de segurança, encontram-se três companheiros de Roberto, investigadores clandestinos, que pesquisam conspirações e fatos ocultos, denunciados por um jornal informal que editam.

Dados: o Exército Brasileiro, a ESA, a FAB, o Cindacta e a NASA estão de posse da cópia desses documentos.

Fato: essa documentação reunida forma a ponte de Roswell a Varginha.

Aguarda-se o pronunciamento das autoridades.

Cliquem aqui e confiram!

E uma outra obra minha está disponível, O Império, o Meteoro e a Guerra dos Mundos:

Após o Astrônomo Imperial alertar a Imperatriz Isabel acerca da aproximação de um bólido celeste, eventos estranhos e ameaçadores passam a acontecer no interior do Brasil. A trilha de destruição causa o acionamento da Armada Imperial, mas a investigação de um jovem oficial e uma audaciosa estudante levam a descobertas incríveis, levando-os a crer que a obra do recentemente famoso escritor H.G. Wells não seja inteiramente fictícia.
 
Já está disponível para a venda por apenas R$ 1,99 o eBook "O Império, O Meteoro e a Guerra dos Mundos", de Renato A. Azevedo. Steampunk.

Então, mais uma vez, cliquem e confiram!

E completando, está chegando o Dia do Fã, e como sempre estarei por lá junto a colegas escritores com grandes novidades!

Dia do Fã 2013

Você não pode perder!!

Venha comemorar com os fãs-clubes de ficção e fantasia mais um Dia do Fã  que será realizado com o apoio da Faculdade Sumaré. As dependências da unidade Sumaré receberão os fãs para um dia repleto de alegria, muitas brincadeiras, exposições, bate papo, desfile de fantasias e muito mais.

Destaco também que Os escritores Renato A. Azevedo (ou seja, eu!) Georgette Silen, Adriano Siqueira e Giulia Moon estarão neste evento com seus livros para um bate-papo e autógrafos.

Data: 23 de março, das 9 às 17h
Local : Faculdade Sumaré – Rua Capote Valente, 1121 – Próximo à Estação Sumaré do Metrô
Telefones: (11) 3067-7999 ou 2103-7999
Entrada franca.

Colabore com nossa Ação Social, não se esqueça de trazer 01Kg de alimento não perecível que será doado para a ACEDEMSP de São Miguel Paulista. Sua ajuda será preciosa para nós.

Então, nos vemos lá!
Até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 14h56
[] [envie esta mensagem] [ ]



Novidades para começar o ano

Já estava na hora de 2013 ter início, hein? Infelizmente neste país o ano só começa após o carnaval, então vamos as novidades!

Havia comentado posts atrás a respeito de minha participação no Talk Show, programa da Just TV apresentado pela excelente Celia Coev. Pois já está disponível online, e se alguém ainda não conferiu, seguem os links:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

O papo com a Celia e o Gilmar Lopes, owner do excelente site E-farsas, foi ótimo! Como é bom debater com pessoas inteligentes e que sabem argumentar, e não com algum mentecaptos, ignorantes e fanáticos (frequentemente reunindo de forma quase sobrenatural essas três "qualidades"...) com que tenho me deparado nos últimos tempos.

Um dos exemplos, ainda a respeito do post abaixo, publicado no dia em que o mundo acabou, 21 de dezembro de 2012, foi uma mensagem que vi no Facebook, de uma pessoa que se dizia "desapontada" pelo mundo obviamente continuar em frente, afirmando que "esse mundo não tem direito de continuar existindo". Ou seja, a criatura considera que pode decretar a si própria juiz de todas as formas de vida neste planeta! Detalhe, a mensagem foi postada por celular. Eu mesmo não uso um celular com acesso a Internet, ou seja, essa postura anti-científica é ridiculamente incoerente com a alta tecnologia que a criatura medíocre carrega e utiliza, não é?

Confesso que fiquei surpreso por ainda não ter sido xingado ou ameaçado diante dos questionamentos quanto aos famosos círculos ingleses, ou agroglifos, em meu artigo Temporada de agroglifos de 2012 na Inglaterra suscita questionamentos, na recente UFO 195. Da maneira como anda o fanatismo, a estupidez, o "ou estão comigo ou estão contra mim ou o planeta"...

Enfim, falemos de boas notícias! A primeira é que Filhas das Estrelas, meu segundo livro lançado em 2011 pela Editora Estronho, está agora disponível também em eBook!



Como sempre brincamos entre nós, escritores fantásticos brasileiros, é permitido alimentar os autores nacionais!

De Roswell a Varginha, meu primeiro livro, igualmente prossegue sua carreira, e vale relembrar que ele marca o início deste universo de ficção científica ufológica, e Filhas das Estrelas é uma coletânea de contos derivados daquele com os mesmos personagens, mas com muitas caras novas surgindo. De novo, apoiem a literatura fantástica brasileira, clicando aqui, aqui, ou aqui.

A outra grande notícia foi minha escalação para a antologia LIVROS, também da Estronho! Para mim, livros representam a liberdade, a possibilidade de viajar para onde quisermos, quando quisermos! Então, o anúncio da antologia, começado com estas fatídicas perguntas: "E se os livros fossem objetos proibidos? Se ler fosse tomado como uma afronta à lei imposta?", me incentivaram de maneira incrível a escrever um conto sobre liberdade, especialmente pelo fato de que o Brasil, infelizmente, caminha para muito em breve o ato de ler um livro em público ser considerado um insulto.

Já tratei aqui diversas vezes das tentativas de censura, como por exemplo neste post, e evidentemente estas prosseguem, testemunho da época abominável de progressivo emburrecimento que vivemos desde 2003. Eles conseguirão tornar irreversível o estado de exaltação a ignorância e mediocridade crescentes neste país? Esperemos que não, e na tentativa de ajudar, ao menos um pouco, a combater esse processo, escrevi o conto A Lista: Batalha pelos livros, muito em breve nessa espetacular antologia! Quero deixar também os maiores parabéns aos demais colegas selecionados, e dizer que estou muito ansioso para ler seus trabalhos!

O primeiro conto de minha série A Lista a ser publicado em livro foi A Lista: Letras da Igualdade, no volume laranja de A Fantástica Literatura Queer. Fiquei muito surpreso com as resenhas favoráveis, tanto no Blog do Pai Nerd quanto no Leitor Cabuloso, generosidade a qual muito agradeço! E ainda agradeço a Yoda por nenhum "militonto" questionar o fato de eu estar nessa antologia mesmo sendo heterossexual, hehehe.

Claro que vocês leitores sabem que A Lista, um fórum de discussão envolvendo participantes situados em incontáveis universos paralelos, teve origem nas páginas de nossa querida revista Scifi News, entre 2004 e 2006, iniciando na edição 81. Alguns destes foram publicados aqui no blog, basta procurar no sistema de busca no alto da página por A Lista que vocês os encontram, combinado?

Um dos assuntos predominantes em todo o desenvolvimento que tenho realizado dA Lista, ao longo desses anos, tem sido justamente a liberdade, além da luta contra a opressão. Então, entrar na LIVROS foi algo que me deixou muito feliz e realizado, e acredito que será uma antologia que deixará uma marca na Literatura Fantástica Brasileira.

E antes de encerrar, um anúncio, apesar de eu não ter o costume de falar a respeito de projetos em andamento: sim, estou trabalhando em um livro dA Lista! Será que saberemos finalmente qual o objetivo deste fórum transdimensional, e de seu misterioso Moderador? Descobriremos quem são os fugidios viajantes insinuados em A Lista 6 (consultem o arquivo do blog)? Só o que posso lhes prometer é que está se tornando o mais longo e complexo romance que já escrevi, e estou fazendo de tudo para que ele seja publicado em 2014, então fiquem na torcida!

Até a próxima!

Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 15h54
[] [envie esta mensagem] [ ]



E mais um fim do mundo aconteceu...

São Paulo, 10 de dezembro de 2012

E então? Onde estão as trombetas do apocalipse, a invasão alienígena, a passagem da terceira para a quarta dimensão, a mudança consciencial, o planeta Nibiru, o planeta chupão, a onda vinda do buraco negro no centro da galáxia, o cinturão de fótons, a passagem da Terra para o outro hemisfério da galáxia, e tantas e tantas e tantas outras inomináveis bobagens ditas a respeito do fatídico 21/12/2012?
Que horas são mesmo? Passa do meio-dia em São Paulo! E então?
Nos últimos dias a onda de besteiras e mistificações andou evidentemente crescendo, com os adeptos do sensacionalismo e do quanto pior e mais grotesco melhor se aproveitando, e mais do que em épocas anteriores do ano lemos e ouvimos a fina flor da estupidez e ingenuidade humana. Isso sem dúvida é comprovação indiscutível que o maior perigo que este planeta, e especialmente a sociedade, enfrenta, vem dos próprios seres humanos!

A aprazível cidade de Apia, em Samoa. Daqui a pouco retorno a ela.

Aconteceu precisamente o mesmo que em todos os finais de mundo anteriores! Nas sábias palavras de meu saudoso e querido mestre Claudeir Covo, um intransigente e incansável caçador de picaretagens: “O mundo é destruído no fim do mundo, e instantaneamente um novo mundo é criado, e ninguém percebe nada”.

Em um outro texto, 2012, Nibiru e Bobagens, alertei quanto aos sempre presentes malucos e espertalhões que exploram a credulidade alheia com inúmeras finalidades. Contudo, continuamos a tomar contato com as mesmas idiotices de sempre, listadas no primeiro parágrafo. A última realmente me deixou extremamente indignado!

“O planeta Terra passará para o outro hemisfério da Galáxia”.

Espero que a maioria absoluta dos leitores possa compreender a enormidade e absoluta estupidez contida na frase! Para sua informação, nossa galáxia é a Via Láctea, possui cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro, e 30.000 anos-luz de altura.
Ano-luz, por sinal, é uma medida de distância, não de tempo. É a extensão que a luz, a 300.000 km/s, percorre ao longo de um ano. Isso é aproximadamente 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros. Se utilizássemos essas medidas mais comuns para medir as escalas cósmicas, os números seriam de tal grandeza que fariam pouco sentido. Assim, o sistema estelar mais próximo, o de Alpha Centauri, está a 4,3 anos-luz, e o nosso sistema solar está a 30.000 anos-luz, aproximadamente, do centro da Via Láctea.
Até Andromeda, a grande galáxia mais próxima, são 2 milhões de anos-luz!
Portanto, são imensas distâncias. O sistema solar evidentemente, como tudo no universo, está em constante movimento e percorre a Via Láctea, por vezes deixando um de seus braços espirais e rumando para o seguinte. Mas esse é um processo que leva milhões de anos. Ou seja, uma “onda de energia vinda do buraco negro no centro da galáxia” teria que ter iniciado seu trajeto há 30.000 anos para nos atingir neste momento! E como saberíamos disso antecipadamente, visto que a informação não poderia viajar mais depressa que a luz!?
Ou seja, somente duas hipóteses podem ser aplicadas a absurda afirmação de que a Terra passará para outro hemisfério na galáxia. Ou o autor da estúpida frase é um completo ignorante em Astronomia e não faz a menor idéia do que está falando, ou sabe o que é uma galáxia, e este caso revela-se muito pior, já que com absoluta certeza saberá então que está conscientemente enganando as pessoas.
Infelizmente, desde sempre existem os que gostam de enganar seus semelhantes, e também os que gostam de ser enganados. Isso explica como sempre se repetem as previsões catastrofistas, e sempre surgem os otários que acreditam.
 
Um dos exemplos mais ridículos, óbvios e onde aconteceu a maior “forçada de barra” quanto à fatídica data de 21/12/2012 foi quanto a algumas interpretações a respeito do agroglifo surgido em Manton Drove, Wiltshire, Inglaterra, encontrado em 02 de junho. Chamado de “relógio solar”, no link realçado acima é mostrado um estudo aparentemente atencioso, que supostamente comprovaria que o desenho aponta para... 21 de dezembro de 2012, sexta-feira, às 00:11:38!
Mas esse tempo ocorreria... onde? No local do agroglifo? Em Londres? Alguma cidade inglesa? Quem sabe outra capital européia?
São Paulo? Buenos Aires? Washington? No arquipélago de Açores? Alguma cidade no oriente? Quem sabe alguma ilhota perdida em um de nossos oceanos?
Percebem o completo e total absurdo dessa interpretação?
Se fosse o local onde o agroglifo foi feito, ele sequer existiria na data supostamente apontada, pois a plantação já teria sido colhida há tempos, e além do mais, em dezembro já estamos no inverno inglês, e o campo estaria coberto de neve!

Infelizmente, nenhum desses argumentos que apelam unicamente à lógica é suficiente para os crentes, místicos ou, como alguns de nós mais afetos a área científica chamamos, “esquisotéricos”. Eles “sabem” que o mundo vai acabar (ou iria...), que ocorrerá uma “mudança consciencial”, que os “irmãos das estrelas, feitos de uma matéria mais sutil, estarão aqui para auxiliar os escolhidos para a passagem da terceira para a quarta dimensão”...
Acho impressionante como essas pessoas sempre falam conosco como se estivessem no alto de seu pedestal de superioridade, fazendo o grande favor de nos salvar! Lembro-me de um Globo Repórter exibido no começo do ano a respeito do tema 2012, sempre enfatizando que essas pessoas acreditam em “mudanças”, em “retorno à natureza”, e coisas afins. Chamou-me a atenção o caso de uma senhora, economista que estava de malas prontas para Corguinho, no Mato Grosso (consultem os links no post 2012, Nibiru e Bobagens destacado acima a respeito). Ela começou dizendo que na data fatídica havia “possibilidade de mudanças climáticas, não só no planeta Terra, mas em todo o universo” (não há ‘sic’ em número suficiente, lamento...). Depois o programa mostrou as malas que essa senhora já havia arrumado: uma com remédios, outra com alimentos que não estragam.
Lembro que se trata do mesmo tipo de gente que advoga o “retorno à natureza”, e a adoção da “sabedoria dos antigos”. Pois vejam a total incoerência: remédios e alimentos que não estragam são produto da “decadente civilização burguesa-capitalista-neoliberal-ocidental”! Se é para retornar para a natureza, por que levar esses confortos da “sociedade consumista corrupta e decadente”? Quanto aos “antigos”, que no caso seriam os índios, lembro-lhes de novo o texto anterior, que traz a informação de que várias tribos no Brasil praticam o infanticídio contra filhos de mães solteiras, gêmeos, albinos ou portadores de deficiência.
Posso afirmar que eu não teria conhecido alguns excelentes amigos se essa “sabedoria dos antigos” fosse aplicada!

Penso que também vale a pena ampliar a discussão para o rumo da Ufologia. Ainda abrimos espaço para pessoas que defendem idéias completamente equivocadas e velhas de décadas, verdadeiros dogmas em uma disciplina que deveria extirpá-los sem a menor hesitação. Um exemplo é a “passagem da terceira para a quarta dimensão”. Albert Einstein, com sua Teoria da Relatividade, comprovou além de qualquer dúvida que nosso universo, nossa realidade, já é quadridimensional, formada pelas três dimensões comumente conhecidas mais o tempo. O que mais me traz indignação é que normalmente essa equivocada manifestação chega vinda de pessoas que abominam a Ciência, que em seu ponto de vista é dogmática e elitista, além de outras bobagens.
Pois essa mesma Ciência, além de evidentemente nos manter vivos com remédios, práticas médicas, alimentos e outros produtos do moderno conhecimento, além de proporcionar contato ininterrupto com a Internet, satélites de comunicação e afins, igualmente tem dado passos gigantescos no avanço do conhecimento nas últimas décadas, enquanto, lamentavelmente, a Ufologia vai se estagnando na discussão dos mesmos casos de sempre, e a eterna promessa do “contato oficial” anunciada há décadas.
Percebam como é absurdo discutir essa tal “passagem da terceira para a quarta dimensão”, quando a Ciência debate animadamente a Teoria das Cordas, que postula uma realidade feita por 11 dimensões! E além disso, no dia em que (ou se) essa mesma Teoria das Cordas for comprovada, será praticamente também obrigatório o reconhecimento de que o nosso universo é somente um de infinitos outros universos paralelos em um grande Multiverso!
São comumente apontados 4 ou 5 tipos de universos paralelos, mas existem os que defendem até 9 formatos diferentes para essas realidades, e o mais impressionante é que todas podem coexistir ao mesmo tempo! Enquanto isso, místicos continuam teimando na quadratura do círculo com a tal passagem da terceira para a quarta dimensão...

Continua abaixo



Escrito por Escritor às 13h09
[] [envie esta mensagem] [ ]



E mais um fim do mundo aconteceu...

Continuação

São os mesmos que reclamam dos “caríssimos instrumentos da Ciência”, que trazem somente “parcos resultados”. Como alguém pode ser tão ignorante a ponto de classificar algo como a Imagem de Campo Ultraprofundo do Telescópio Espacial Hubble de “parco resultado”? Essa extraordinária fotografia, obtida entre 24/09/2003 e 16/01/2004, é considerada por alguns a imagem mais importante já conseguida pela espécie humana. O Hubble foi apontado para a constelação de Fornax, onde nenhum instrumento da época conseguia mostar alguma coisa. O resultado abrange mais de 10.000 galáxias a 13 bilhões de anos-luz de distância!
Neste link, os senhores têm acesso a uma versão dessa imagem com 6200 pixels de lado, e 18 megabytes de tamanho. Essa maravilhosa foto, de tirar o fôlego mesmo dos misticóides que criticam a Ciência, mostra o universo somente 700 milhões de anos após o Big Bang, quando se acredita que ele teve início. A presença dessas mais de 10.000 galáxias comprova que seguramente já havia estrelas e planetas... quem sabe vida? Teriam os elementos mais pesados já sido formados pelas primeiras gerações de estrelas, e incorporados aos primeiros seres vivos desta realidade?
Os arautos da “passagem da terceira para a quarta dimensão”, além de continuar espalhando essa bobagem, continuarão a desmerecer a Ciência após ver essa fotografia? Ignorando que em objetos de uso diário, tais como aparelhos de GPS, a Relatividade de Einstein está não somente comprovada mas é respeitada? O tempo para os satélites desse sistema passa em ritmo diferente do que sentimos aqui, e se o sistema não levar isso em conta, a posição do usuário será exibida com considerável erro. E agora, místicóides e esquisotéricos?

Continuarão apostando na ignorância? Entrarão em seus carros e jogarão o GPS pela janela? Aliás, o orgulho da ignorância e a defesa da mediocridade são algumas das mais conhecidas facetas da época que este país está vivendo desde 2003...

Há incontáveis outros exemplos! As naves Voyager 1 e 2, lançadas em 1977, que revolucionaram nosso conhecimento sobre os planetas gigantes e suas luas e continuam enviando informações até hoje, quando estão a ponto de sair do sistema solar. As várias sondas enviadas a Marte, que comprovaram além de qualquer dúvida a existência de água no passado daquele mundo, quando certamente ele foi habitável, abrindo excitantes perspectivas de que exista vida microbiana no mundo vizinho hoje, a ser conferida pelo fantástico rover Curiosity da NASA.
Ainda temos os telescópios atuais, em terra e no espaço, maravilhas que já nos permitiram descobrir e até enxergar planetas extrassolares, cujo número já passa de 850 mundos! Com pelo menos mais 2300 para serem confirmados, vários na região habitável de seus sóis, e cuja existência teve seus primeiros indícios descobertos por um só desses telescópios, o Kepler da NASA!
Vamos mesmo continuar criticando a Ciência por pura soberba misturada a uma orgulhosa ignorância?

Além disso, seguramente os aproveitadores que adoram alardear o fim do mundo já no ano que vem terão uma nova oportunidade. O cometa ISON foi anunciado em 24 de setembro de 2012 pelos russos Vitali Nevski e Artyom Novichonok, que utilizaram o telescópio ISON (International Scientific Optical Network) instalado em Kislovodsk, tem de acordo com os astrônomos que acompanham sua trajetória a possibilidade de ser um espetáculo.

Continuamos discutindo entre nós, em disputas muitas vezes motivadas somente pelo ego, e nos perguntando porque o governo não responde nossos questionamentos quanto a documentos secretos, enquanto o ex-presidente norte-americano Bill Clinton apóia a construção de uma nave estelar! Por sinal, essa mesma tão criticada Ciência já discute abertamente a famosa velocidade de dobra, popularizada graças a nave estelar Enterprise da série Jornada nas Estrelas, e hoje reconhecida como uma maneira viável de viajar pelo universo!
Estamos debatendo no meio ufológico se é isso que nossos visitantes estão utilizando para viajar entre as estrelas e chegar aqui? Não vamos aproveitar essa porta não aberta, mas escancarada pela própria Ciência as vezes tão crítica contra a Ufologia? Reconheçamos que muitas dessas críticas são merecidas, aliás...
Enquanto a Ciência realiza esses avanços notáveis, por sua própria natureza sempre questionadora, renovando-se, atualizando seus métodos e práticas e aprendendo sempre mais, a Ufologia repetidamente se vê as voltas com os mesmos casos de malucos, aproveitadores, “eleitos” e “escolhidos”. É paradoxal que qualquer pessoa pode se tornar um cientista, bastando ter vontade de se preparar para tanto, e no meio científico os que se destacam são merecidamente lembrados e celebrados por seus feitos e descobertas, enquanto nós frequentemente nos deixamos envolver pelos privilegiados “escolhidos” pelos alienígenas. O que está errado? Por que na Ciência se pode brilhar por mérito, e ainda consentimos que um e outro “privilegiado” roube a cena ufológica?
Lembro quando servi como tradutor para uma apresentação do americano James Carrion. Ele foi diretor da MUFON, a maior entidade de estudos ufológicos do mundo, e sua passagem pelo cargo foi recheada de polêmicas. Quando ele disse não acreditar em agroglifos, as reclamações da audiência foram grandes. Mas uma pessoa não tem direito a opinião? De novo, os assuntos que estão virando dogmas na Ufologia... Depois o entrevistei para a Revista UFO, e ele conta como é considerado até mesmo um acobertador e Homem de Preto por seus questionamentos (que considero justíssimos, aliás), inclusive sobre casos quase sagrados como o de Kenneth Arnold e Roswell. E é a Ciência a dogmática!?
O mais absurdo paradoxo da Ufologia é a real possibilidade de que seres extraterrestres, representantes de uma civilização no mínimo séculos a nossa frente em termos de desenvolvimento científico e tecnológico (e espera-se, social e mental também), estejam nos visitando e escolham um “eleito”, que começa a espalhar a “boa nova”, e devemos acreditar nele... por fé?
Repetindo: seres chegam aqui utilizando uma Ciência mais desenvolvida que a nossa (que está indubitavelmente no caminho certo, aliás), elegem um tipo de “representante”, e devemos simplesmente acreditar em tudo que esse indivíduo fala? Sem a menor sombra de evidências, quanto mais provas?
Para mim, com absoluta certeza, isso simplesmente não é verdade. Os extraterrestres certamente possuem uma lógica alienígena, mas ainda assim é lógica! Eleger um contatado que vive de falar barbaridades só pode significar que a intenção deles é nos enganar!

E continuamos criticando o “dogmatismo” dos cientistas. É questão de tempo para que eles comecem a procurar por gases artificialmente criados nas atmosferas de exoplanetas próximos, quando a nova geração de telescópios entrar em serviço na próxima década. Um dos mais notáveis astronômos da atualidade, Geoff Marcy, descobridor de nada menos que 70 dos primeiros 100 planetas extrassolares, pretende agora se unir ao SETI, o programa de busca por vida extraterrestre. Ele defende procurar não sinais de rádio, mas raios laser, que seriam meios mais efetivos de comunicação entre sistemas solares. E, ainda mais extraordinário, Marcy pretende investigar dados obtidos pelo telescópio Kepler, atrás de sinais de engenharia cósmica como esferas de Dyson! Clique aqui e leia a respeito, é espetacular! E nós, ufólogos? Deixo a questão para que todos que estiverem lendo estas linhas reflitam a respeito.

Fala-se em revolução do pensamento, mudança na consciência humana ou “consciencial” (sic), mas as pessoas esquecem que os grandes avanços na história da civilização terrestre se deram sempre pela gradual evolução. As revoluções que assolaram regiões inteiras do planeta, e que proliferaram no século XX, serviram somente para que o sangue de milhões de cadáveres tingisse de vermelho as mais deploráveis páginas da História.

No texto 2012, Nibiru e Bobagens comentei a respeito do uso de métodos e previsões apocalípticas por parte dos defensores radicais do meio ambiente. Estes tais “verdes” são muito mais espertos que os profetas do fim do mundo dos quais também falei naquele texto, pois não apontam uma data definitiva para o apocalipse. Só destilam suas equivocadas previsões catastrofistas, e depois dizem que, se não seguirem seus roteiros, as pessoas vão se arrepender. Um método totalmente fascista, diga-se de passagem.
Em recente discussão, comentei a respeito de uma dessas tribos que desejam “mudar o mundo”, os ativistas radicais que defendem o uso de bicicletas, e que prejudicam milhões de pessoas em São Paulo quando fazem seus protestos, geralmente na Avenida Paulista. Via essencial do trânsito desta metrópole, aliás, e onde existem, em suas imediações, dezenas de hospitais! Já sei, esses e outros “amantes do planeta” devem odiar as pessoas... Diga-se de passagem, esses cicloativistas sempre estão vestidos com caras roupas esportivas de grife e a bordo de também custosas bicicletas de última geração, usando seu direito a expressão para cassar o direito de ir e vir dos cidadãos a bordo de incontáveis ônibus no congestionamento resultante... O argumento de quem me via como “inimigo do planeta”, e favorável à “bancada da motosserra”? De que as pessoas precisam de um “choque de consciência”, e “sentir o incômodo”, para que mudem de atitude...
O nazismo, o fascismo e tantos outros deploráveis “ismos” começaram exatamente dessa maneira, uma minoria radical e “esclarecida” impondo pela força e violência seus pontos de vista à maioria...

A tal “mudança consciencial” não depende de um fenômeno cósmico imaginário ou de data marcada para acontecer. Cada um pode fazer isso agora mesmo, bastando se dar conta de que o vizinho tem exatamente os mesmos direitos, que evidentemente todos têm, e lembrando de um dos mais elementares ensinamentos: seu direito termina onde começa o meu e vice-versa. Em uma palavra: respeito.
Lembrar que todos dividimos este planeta, e que por enquanto não existe outro disponível onde possamos viver, também ajudaria muito. E evidentemente, conforme postei em 2012, Nibiru e Bobagens, procurar a maior e melhor arma contra charlatões, aproveitadores, picaretas, malucos e espertalhões em geral: o conhecimento.

Por sinal, viram a data acima no começo do texto? Representa o dia em que comecei a escrever este artigo. Como eu sabia que o mundo não iria acabar, teria por acaso algum dom premonitório? Evidentemente que não, apenas um pouco de bom senso, um saudável ceticismo, e uma quantidade razoável de conhecimentos científicos.
E vejam que impressionante, no momento em que estou preparando este texto para ser publicado, visito o site Hora do Mundo, ou o Hora Certa, e na cidade de Apia, capital de Samoa, no Pacífico, já passam de... 05:00 h de sábado, 22 de dezembro de 2012! Ou seja, eles passaram incólumes pelo “Fim do Mundo”!
Perderam DE NOVO, espertalhões, malucos, esquisotéricos, misticóides e catastrofistas em geral!
E agora, mistificadores? Continuarão a fazer pouco de nossa inteligência, e a abusar de nossa paciência?
Após o Iluminismo e a Revolução Industrial, parece estar havendo um recrudescimento das superstições e dos fanatismos, do qual a relativização de valores é um sintoma. E isso é muito, muito perigoso. Prefiro, sempre a razão.



Sigam o conselho de Ginho, personagem do sempre excelente Marcio Baraldi!

Então, para finalizar, repito o conselho final do texto já mencionado, 2012, Nibiru e Bobagens, busquem conhecimento, mas não como um dos espertalhões disse, combinado? Pode salvar sua vida.
E como sempre temos um toque de Ficção Científica aqui no Escritor com R, apreciem os posts abaixo, e conheçam meus livros!

São Paulo, 21 de dezembro de 2012

Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 13h04
[] [envie esta mensagem] [ ]



CONTO: Não Estávamos Prontos

As vezes, não é o apocalipse, o fim do mundo, o evento tremendo que altera tudo o pior. É nossa reação a ele...

Aviso: Este conto cai na categoria pós-apocalíptica, e portanto há cenas de extrema violência. Alerta dado, divirtam-se!

NÃO ESTÁVAMOS PRONTOS
(OU O DIA EM QUE OS IDIOTAS VENCERAM)

“O marianeiro mantinha Camila refém aplicando-lhe uma gravata em torno do pescoço, e uma pistola encostada em sua cabeça, enquanto dizia com certeza fanática:
- Não importa o que farão comigo! Será que vocês não conseguem entender? A Sábia Mariana estabeleceu que agora, após a Grande Catástrofe protagonizada pelos invasores extraterrestres e pelo grande capital do hemisfério norte, nossa única preocupação é defender a Terra!
- É por isso que vocês, seus animais, e só vocês, se acham no direito de usar veículos, obrigando o povo a andar a pé? – perguntou René com seu fuzil apontado. René era experiente, e sequer olhava para mim, tomando posição atrás do pulha. Meu amigo prosseguiu: - E também se achando no direito de matar qualquer um que os contrarie, após o que chamam de julgamento?
Meu Deus, o marianeiro devia ter uns quinze anos, no máximo! Mariana e seus comparsas estão fanatizando e fazendo sua lavagem cerebral nas pessoas cada vez mais cedo! O moleque sequer dava bola para seus companheiros mortos jogados pelo chão. Muito devagar, me posicionei e apontei minha pistola o mais cuidadosamente possível...
- Temos que usar esses veículos ineficientes – disse o jovem – pois são os únicos disponíveis. O planeta tem que ser resguardado, e para qualquer crime contra a Terra a Justiça de Mariana tem que ser rápida e implacável. Você zomba de nós, e sabemos muito bem quem você é, filho de um dos desmatadores! Nós...
Seu cérebro espirrou por entre os olhos quando a bala saída de minha pistola varou seu crânio. Não teve tempo de fazer nada, e Camila felizmente saiu ilesa. Quando saí de meu esconderijo, pensei que ela viria correndo me abraçar, tentando vencer o pânico.
Errei. Camila sequer havia suado. A expressão em seu rosto era puro ódio, e ela apanhou a arma da mão do jovem, e ainda deu outro tiro em sua cabeça, como se certificando que aquela escória estava mesmo morta.
Camila olhou para mim e perguntou:
- Tudo bem, chefe? Para onde agora?”.

Ademar parou de escrever em seu diário, guardou-o e esticou as pernas ao se levantar da cama do quarto que lhe haviam destinado. Camila, ex-funcionária de sua revista, jornalista que escrevia excelentes textos e nunca havia segurado uma arma antes da chegada dos visitantes, era agora uma das mais frias guerreiras de seu grupo.
Eles eram um de muitos grupos de resistência, que tentavam sobreviver como tantos outros a sanha assassina dos novos fanáticos, os radicais da ecologia que passaram a mandar e desmandar no Brasil daquele 2013. Alguns meses após a Grande Catástrofe, as nuvens negras radioativas ainda existiam, agora bem mais dispersas do que antes.
O mundo havia comemorado a chegada de 2012 quase como todos os anos anteriores. Mas havia algo mais no ar, um sentimento de inevitabilidade que permeava boa parte da sociedade. Malucos e místicos haviam conseguido contaminar os setores mais irresponsáveis da imprensa com profecias de Nostradamus, lendas dos índios Hopi e naturalmente as interpretações mais absurdas quanto ao Calendário Maia. E graças a isso, a quantidade de pessoas aguardando o fim do mundo aumentava dia a dia.
Alguns, “felizmente” como pensou Ademar, haviam se suicidado em pânico, e deixaram de ser problema, quando tudo começou. O primeiro aviso veio de uma rede de astrônomos amadores, que detectaram um imenso objeto muito brilhante se aproximando de Marte. Praticamente todos os astrônomos profissionais disseram se tratar de um asteróide, e alguns afirmaram que poderia estar se encaminhando para um choque contra o planeta vizinho.
Mas quando o “asteróide” se desviou do caminho, tomando o rumo direto da Terra, até mesmo os mais céticos entre os cientistas silenciaram.
A histeria tomou conta do mundo. Alguns governos até tentaram alguma forma de censura, absolutamente em vão, especialmente quando o objeto passou pela Lua e ficou parado em um lugar, entre nosso satélite e a Terra, conhecido como Ponto de Lagrange. A precisa manobra para estacionar ali, onde as respectivas gravidades se anulam e um corpo pode ficar parado sem qualquer esforço, deixou muito óbvio o fato de haver uma inteligência por trás do objeto.
Por três dias aquela coisa ficou ali, visível devido a seu brilho, como um sentinela cilíndrico colossal. Os informes davam conta de que tinha perto de quatro quilômetros de comprimento.
O pânico surgiu realmente quando vinte objetos menores se desprenderam do menor, espalhando-se por todo o planeta. Os governos tiveram as mais variadas reações. Chineses lançaram mísseis contra o que se dirigia a Pequim, e espantaram-se pelos mesmos não exibirem o menor resultado. Já o governo brasileiro, sempre cioso da administração do dinheiro público, anunciou a existência de bunkers secretos, construídos “como prevenção devido a preocupação de amplos setores da sociedade com a aproximação do ano fatídico de 2012”, disse a presidente. A verba utilizada havia sido anteriormente destinada a outro projeto megalomaníaco, o famigerado trem-bala, que não atraiu a necessária participação da iniciativa privada.
Durante a fala da presidente, imagens de fundo mostravam os abrigos, dotados de todas as comodidades e suprimentos. Rapidamente foram ocupados, majoritariamente pelos políticos e seus familiares e apaniguados, e ainda sobrou espaço para jogadores de futebol e celebridades da moda.
Os objetos eram vinte naves menores, cada uma com cerca de duzentos metros de diâmetro e formato de disco voador, que passaram a pairar sobre as principais capitais do mundo. Logo se percebeu que eram as capitais do G20, o grupo das vinte maiores economias do planeta, ou seja, aqueles visitantes sabiam muito bem o que estavam fazendo, e obviamente assistiam a nossas transmissões de TV e rádio.
Ademar pegou seu diário e voltou a escrever:

“Penso em René, em como ele se uniu a nosso grupo. Nenhum de nós merecia o que aconteceu, mas com ele é muito pior com certeza. Ver a família ser trucidada por esses fanáticos...
O pai dele, Abelardo Torres, era um dos mais prósperos fazendeiros do interior paulista, da região de Araçatuba. Quantas saudades dos bons tempos que fazíamos congressos de ufologia por lá! Após os governos perderem a cabeça e usarem suas armas nucleares, o pai de René percebeu que a ordem seria subvertida, e decidiu fazer algo a respeito.
Quando os preços da comida, de tudo na verdade, começaram a subir loucamente devido a catástrofe, ele passou a fornecer sem custo algum para as comunidades da vizinhança de sua fazenda, chamou ainda mais gente para trabalhar em suas plantações, tudo com o intuito de ajudar as pessoas a sobreviver. E o que aquela maldita da Mariana Silva fez? Trouxe sua corja, invadiu e depredou a fazenda, e realizou um de seus “julgamentos” contra os “inimigos da Terra”. O pai de René e toda sua família foram mortos, e tudo foi mostrado com requintes de sadismo nos programas sensacionalistas das redes de televisão que ainda funcionavam.
Estávamos semanas depois defendendo um pequeno agricultor da sanha desses animais do ecofanatismo, e em má situação pois eles estavam com o dono do sítio e sua família como reféns. René simplesmente surgiu, matou de pronto ao menos três dos fanáticos, e não nos deixou dar sequer um tiro. Com um porrete, bateu nos pulhas até transformá-los em poças vermelhas no chão.
Me preocupo com esse jeito dele. Até o momento nunca nos deu problema, e espero que saiba tomar as decisões certas quando chegar a hora. Mas René me deixa preocupado”.

Ademar guardou o diário, onde não costumava seguir qualquer ordem cronológica, anotando somente o pensamento de momento, e voltou a observar o quarto que ocupava. O mesmo se situava em uma imensa instalação, um dos muitos bunkers construídos pelo governo brasileiro nos primeiros meses de 2012. Evidentemente haviam sido superfaturados, a tradicional roubalheira motivada pela tal “governabilidade”. Aquele em particular, localizado no norte do estado de São Paulo, era ocupado por políticos ligados ao notório senador João Sarney. O próprio se refestelava com sua família por ali, já que no Maranhão, seu estado natal, não havia nada parecido.
Não que ele não tivesse tentado, naturalmente. Mas subornos já não contavam tanto assim naqueles tempos difíceis. E afinal, aquela região ainda se mantinha relativamente estável, com exceção dos ataques dos marianeiros. O norte e o nordeste estavam largados à própria sorte, mergulhados na barbárie.
O governo brasileiro havia lavado as mãos após a tragédia, e deixado a população em geral completamente abandonada. Algumas cidades ainda funcionavam apesar do racionamento de combustível e energia, mas os focos de violência dignos de guerra civil se multiplicavam a cada dia. Enquanto isso, Sarney e a corja política viviam com todo luxo nos bunkers.
A milícia de Ademar havia se unido a outras quatro para atacar o bunker. Não podiam permitir que aqueles ratos continuassem a viver bem enquanto o povo passava necessidade. Haviam se preparado para um combate feroz contra a guarnição militar que vigiava o bunker.
A surpresa foi imensa quando os soldados ficaram de lado, deixando que agissem. Sem surpresa, muitas figuras importantes do movimento de Mariana Silva estavam em meio aos políticos e suas famílias.
A nenhum deles foi concedido o constrangimento de um dos julgamentos sumários nos moldes dos de Mariana. Foram todos simplesmente mortos e cremados em pilhas. Sarney evidentemente implorou clemência, e foi Camila quem terminou com seu medo com um tiro bem em sua cara.
Agora, a ida ao sul de Minas Gerais não poderia ser mais adiada. Ademar decidiu que nenhuma outra urgência era mais importante. Azhtahr, seu amigo alienígena, lhe havia garantido que existia uma chance de salvar a Terra e a humanidade, enterrada naquela região. Tudo que fazia era para que conseguissem concretizar essa chance.
- Você sempre escrevendo nesse diário, Ademar!
A voz de Camila tirou Ademar de suas reflexões. Ela prosseguiu:
- Uma equipe de soldados se prontificou a ir conosco, embora não saibam para onde.
- Logo iremos falar a respeito com eles – respondeu Ademar.
Camila colocou a mão em seu ombro. Seu chefe mantinha o diário nas mãos, olhando pensativo para o nada. Ela estendeu a mão e ele finalmente lhe deixou pegar o pequeno caderno. Camila abriu as páginas e começou a ler:

“Hoje, exatamente dois de dezembro de 2012, aconteceu uma coisa que esperei minha vida inteira para ver. O primeiro contato entre a Terra e uma civilização extraterrestre. Na verdade, são vários os povos nos visitando.
Houve problemas, infelizmente. Alguns dos visitantes são semelhantes aos que chamávamos, dentro do estudo da ufologia, de reptilianos. Possuem escamas e aparência de répteis, e grupos de fanáticos causaram tumultos em várias cidades do mundo. Estou preocupado especialmente com o novo papa. Primeiro papa brasileiro, mas tinham que escolher justo um que era da tal Pastoral da Terra, apoiado por aquela maluca da Mariana Silva?
Por sinal, ela tem literalmente se atirado em todo e qualquer microfone disponível, gritando que os extraterrestres trazem germes que vão dizimar as formas de vida da Terra, que são um corpo estranho em nosso ambiente e precisam ser expulsos. O papa Genebaldo I se alinha a esse discurso radical.
Mas estou otimista. Estamos vivendo um evento de proporções tão colossais, que acredito que finalmente poderemos deixar essa mentalidade bairrista de lado, e aprender muito com nossos visitantes!”.

- Você sempre foi otimista, Ademar!
Camila fechou o diário e baixou a cabeça, enquanto ele passou o braço sobre seus ombros. Ficaram assim um bom tempo, buscando coragem e determinação para os próximos passos.

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 18h44
[] [envie esta mensagem] [ ]



CONTO: Não Estávamos Prontos

Continuação...

Os visitantes vinham de várias civilizações, e se dividiam em basicamente três grupos. Os mencionados reptilianos, que causaram medo nos corações mais sensíveis, os baixinhos e cinzas que apareciam a profusão em filmes e na literatura ufológica, e finalmente, a maior surpresa do contato, em seres absolutamente idênticos aos humanos. Muitos se submeteram de bom grado a testes nos melhores hospitais das capitais selecionadas, e comprovou-se que em quase nada diferiam de nós mesmos.
Teorias que ufólogos do mundo todo defendiam se viram comprovadas, quando os alienígenas explicaram que, muito tempo atrás, a Terra havia sido um posto avançado de sua confederação de mundos. Por variados motivos, incluindo desavenças e guerras, esse contato foi perdido, e a humanidade terrestre regrediu a barbárie, com quase nenhuma lembrança desse período de ouro. Restaram apenas as lendas dos “deuses que vieram do céu” a permear o inconsciente coletivo dos terrestres.
A revelação de que éramos parentes dos extraterrestres caiu como uma bomba nas mentes mais fracas, e em vários locais do mundo as taxas de suicídio aumentaram assustadoramente. Mas a maioria celebrou de bom grado aquele momento histórico. Como na ocasião em que os alienígenas apresentaram uma série de nomes de pessoas que gostariam de conhecer, todos de ufólogos ao redor do mundo. Ademar e vários colegas representaram com destaque o Brasil.
Os visitantes haviam proposto aos governos a criação de uma série de centros de aprendizagem, onde os melhores alunos poderiam aprender e debater com os extraterrestres. E então as coisas começaram a se complicar, pois os políticos, para variar, exigiram algumas contrapartidas, especialmente ter acesso a tecnologia deles e outras vantagens.
Em meio as semanas de negociações, outros países exigiram tomar parte do contato. Consideravam o envio de delegações insuficiente, e alguns até se disseram prontos para ter os centros de aprendizagem sem qualquer exigência. Mas a maioria dos insatisfeitos reclamava de discriminação. O Irã era um dos mais veementes, e seus líderes faziam discursos irados denunciando que tudo não passava de “invenção ocidental”, e só deixariam de evocar essa idéia se recebessem a visita de representantes.
As delegações costumavam viajar com meios de transporte terrestres entre os países. A ONU acabou entrando no circuito, e com decisiva intervenção dos diplomatas de Brasil, China, Rússia e Índia, os alienígenas acabaram concordando em estender as visitas a outras nações. A Argentina, um dos países que se sentia discriminado, aplaudiu a iniciativa.
O Irã, por sugestão do embaixador brasileiro, foi o primeiro país escolhido para receber os alienígenas. Os visitantes passaram a utilizar naves menores saídas dos imensos discos voadores, que eram veículos triangulares com trinta metros de lado, ainda muito impressionantes. O ponto de pouso determinado pelo governo iraniano, contudo, não foi sua capital Teerã, mas sim uma base militar em meio ao deserto. Como a resolução da ONU determinava que o país visitado apontaria o local de pouso, para lá os alienígenas se dirigiram.
O que houve a seguir foi uma mostra que não há grau de barbarismo e selvageria absurdo o suficiente, que seres humanos não possam superar. Os visitantes foram apanhados de surpresa em uma armadilha, e mesmo que matassem muitos dos iranianos com suas armas superiores, foram dominados pelo número muito superior dos soldados dos fanáticos aiatolás. Os que não foram mortos no ato experimentaram o horror de se tornarem cobaias, no caso dos não humanos, ou a violência sexual sistemática no caso das mulheres, além da tortura para revelarem seus segredos.
A maioria dos países protestou veementemente, enquanto o governo iraniano acusava o Ocidente de tramar contra seu país ao lado dos “invasores infiéis, enviados pelo demônio”. Europa e Estados Unidos ameaçaram com uma ação militar, enquanto Rússia e China, aos quais pateticamente aderiu o governo brasileiro, pediam calma, negociações e respeito à soberania iraniana.
O Irã ameaçava atacar qualquer país a seu alcance, obviamente incluindo Israel, se os extraterrestres tentassem recuperar sua nave. A China, que já tinha seus cientistas na base militar examinando a nave, facilidade sendo vendida por alto preço pelos iranianos, igualmente ameaçou atacar qualquer país que servisse como base para os alienígenas.
A situação agravou-se, e de ultimato em ultimato, as tensões experimentaram uma escalada crescente. Por fim, o principal representante alienígena, Azhtahr, afirmou que não era o objetivo deles provocar ainda mais desavenças nas “disputas infantis terrestres”. Também disse que não poderiam permitir que sua tecnologia servisse para que nações sobrepujassem outras.
A ação alienígena no Irã foi rápida, e em comparação com qualquer ataque militar terrestre, cirúrgica, embora alguns chineses e iranianos tenham morrido. Eles recuperaram sua nave e os sobreviventes de sua tripulação, e pensou-se que o impasse seria superado.
Contudo, o Irã cumpriu a promessa, e lançou mísseis com ogivas de cargas químicas contra Israel. Um projétil com o protótipo de ogiva nuclear explodiu na fronteira entre aquele país e o Egito, causando destruição que não era vista desde a Segunda Guerra Mundial. Israel respondeu, destruindo várias bases militares iranianas.
A China lançou mísseis contra a Inglaterra, para onde os aliens que invadiram o território do Irã haviam se dirigido. Os Estados Unidos acompanharam a Inglaterra e lançaram um ataque maciço contra os chineses, e a escalada de ataques prosseguiu até que cada potência nuclear tivesse utilizado quase todo o arsenal disponível.
As nuvens radioativas se espalharam pelo mundo, e mesmo com arsenais reduzidos devido aos recentes acordos de desarmamento, a catástrofe não poderia ser maior. O restante dos países do hemisfério norte mergulhou na escuridão e no caos, e ao sul do Equador somente se tentava salvar o que ainda podia ser salvo.
Os alienígenas decidiram partir, não antes que um outro ataque, desta vez obra dos fanáticos seguidores de Mariana Silva, os expulsasse também do Brasil, enterrando de vez qualquer esforço de cooperação. O próprio representante Azhtahr desaparecera durante o conflito em Brasília. Com a partida dos extraterrestres, Mariana impôs sua lei, dizendo que tudo que importava agora era recuperar a Terra e sua natureza.
Suas milícias atacavam todos os locais onde ainda existia alguma organização, destruindo plantações e matando quem tentava utilizar veículos a combustível ou gerar energia. Somente métodos “verdes” eram aceitáveis, e logo um clima de terror se espalhou pelo Brasil. Mas com o aumento da violência dos marianeiros, acabou surgindo o movimento de resistência, mergulhando o país na guerra civil.

- Agora finalmente chegou o momento de revelar qual nosso próximo objetivo – disse Ademar no imenso salão de reuniões do complexo. – Dos que têm me acompanhado, somente René e Camila sabem a respeito. Mesmo para meu grupo, não darei ordens que nos acompanhem. Virão conosco aqueles que forem voluntários.
Os representantes de outros grupos e os militares ouviam em silêncio, e Ademar prosseguiu:
- Quando a guerra nuclear irrompeu no hemisfério norte, e antes que as hordas dos marianeiros os expulsassem, o representante Azhtahr chamou a mim e outros ufólogos, e revelou que ainda existia uma esperança para a Terra. Ele disse que seu povo havia saído da Terra pela última vez há cerca de 12 mil anos, não sem antes deixar, em pontos remotos, pequenas bases com amostras de sua tecnologia.
Houve um murmúrio de admiração, e Ademar não se interrompeu:
- Essa tecnologia, segundo Azhtahr, ainda existe, e pode auxiliar a limpeza da atmosfera, a recuperação da biosfera, e até mesmo a cura dos doentes devido a radiação. E uma dessas bases está aqui, no Brasil.
As vozes se elevaram, tanto que muitos pediram silêncio. Depois o ufólogo concluiu:
- Essa base se encontra em São Tomé das Letras, Minas Gerais.

O comboio levou dois dias para chegar à estrada que dava acesso a São Tomé. Por duas vezes precisaram parar a fim de combater milícias dos ecofanáticos, que mantinham sob terror pequenas comunidades que se atreviam a cultivar a terra para seu sustento. Felizmente entre os membros do grupo havia somente feridos, embora tivessem perdido alguns reféns para os marianeiros.
- René, estou preocupado com você – disse Ademar, ao volante do quarto veículo do comboio.
- Se quiser se preocupar com alguém, amigo – respondeu René com frieza – Preocupe-se com aquela vaca da Mariana, quando finalmente a encontrarmos.
- Você só pensa nisso, René? Em vingança?
- Não me resta mais nada.
Ademar sempre se impressionava pelo fato do amigo nunca hesitar antes de responder qualquer pergunta. Especialmente quando o assunto era a guerra. René de novo tivera atuação marcante, matando sem pestanejar quantos marianeiros conseguisse. O ufólogo disse:
- Deveria pensar mais na vida, após finalizarmos esta missão...
- Se finalizarmos esta missão, amigo! Será mesmo que o alien disse a verdade?
Ademar lembrou-se dos momentos de confraternização entre os colegas, suas teorias sobre a presença extraterrestre no planeta finalmente confirmadas... somente para depois tudo se transformar em um catastrófico anticlímax, em grande parte devido a uma velha conhecida: a estupidez humana.
- Não tenho motivo para pensar que ele mentiu. Azhtahr sempre nos tratou com o maior respeito.
- E no entanto, ele e sua gente se mandaram do planeta assim que as coisas ficaram feias. E agora nos pede para que usemos a tal tecnologia que deixaram aqui há milênios, quando poderiam talvez ter impedido toda essa desgraça?
Ademar ia responder, no momento em que passavam pela placa que anunciava a chegada a São Tomé, as primeiras construções da cidade logo adiante, quando tiros foram disparados na direção do comboio. O blindado que ia à frente atravessou na pista para proteger os demais, e dos dois caminhões seguintes saltaram soldados que trataram de responder aos tiros.
Alguns dos militares tombaram, enquanto os demais se dividiram em pequenos grupos e adentraram o matagal que dominava a área. De armas em punho, caçavam os ecofanáticos.
Ademar e René lideraram outros combatentes, e o jovem se adiantou, tirando a longa faca de caça do coldre, quando viu movimento adiante. Um marianeiro atirava com uma metralhadora, e não percebeu nada até o filho de fazendeiros lhe agarrar o queixo e cortar sua garganta com um movimento rápido.
O tiroteio prosseguia ao redor, e nesse momento René virou o morto para examiná-lo melhor, dizendo com voz cheia de ódio:
- Esse animal é o Zecão, o segundo em comando da Mariana Silva!
- Quer dizer que ela está aqui! – disse outro combatente.
- Pior de tudo – disse Ademar ao constatar a realidade. – Ela não estaria aqui se não soubesse porque São Tomé é importante!
Disparos atingiram o chão à sua frente, e eles se reagruparam e tomaram outro rumo. Estavam nas proximidades da entrada da Gruta do Carimbado, que combinava com a localização geográfica dada a Ademar por Azhtahr. Eles procuraram avançar naquela direção, mas dois marianeiros atiravam em tudo que se movia diante deles, protegidos por pedras.
Alguns soldados se aproximaram, e armaram um lançador de granadas de gás lacrimogênio. Miraram e acertaram precisamente a localização dos ecofanáticos. Assim que saíram correndo de seu refúgio, foram mortos a bala.

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 18h41
[] [envie esta mensagem] [ ]



CONTO: Não Estávamos Prontos

Continuação...

Enquanto metade do grupo ficava de vigia, o restante entrou pela gruta correndo. O que quer que Mariana e seus comparsas estivessem fazendo lá dentro, precisavam impedir. Conforme as indicações recebidas por Ademar, em um canto da gruta havia uma passagem anteriormente nunca percebida, e que agora estava aberta. De sobreaviso, avançaram com cuidado, três dos militares a frente com seus fuzis.
Mais disparos que por pouco não os atingiram. O espaço já estava mais amplo, e eles decidiram lançar granadas. Em meio as explosões foram ouvidos gritos, e eles conseguiram passar. Quatro marianeiros muito feridos foram separados de suas armas, e René como sempre encarregou-se de matá-los com tiros na cabeça.
“É a guerra”, pensou Ademar, e seguiram adiante. Finalmente o espaço da caverna se abriu, e perceberam que haviam entrado em um salão colossal anteriormente desconhecido. A distância, construções que a maioria reconheceu como de origem alienígena, pelas semelhanças de arquitetura com os arquivos entregues à humanidade pelos visitantes.
Eram uma dúzia de prédios, o maior deles com sete andares de altura. O salão, percebiam agora, era cavado na dura rocha, e as paredes pareciam de vidro. Repararam também que das paredes saía uma fosforescência que iluminava a tudo, e instintivamente eles nem haviam ligado as lanternas.
Subitamente viram figuras correndo de prédio em prédio, enquanto na praça central em meio a eles um grupo pequeno de pessoas estava reunido. Ademar imediatamente reconheceu em meio a eles a figura muito magra de Mariana Silva, a líder dos ecofanáticos.
Seus comparsas os perceberam primeiro, e ergueram suas armas. Os militares foram mais rápidos e os mataram, restando apenas três que foram desarmados assim que o grupo de Ademar os cercou. O ufólogo apontou sua escopeta para a cabeça da líder, e gritou:
- Sua vagabunda! Todas as pessoas que matou! Todos os que fanatizou com seu fundamentalismo! Eu devia te matar agora mesmo!
Subitamente ela ergueu um pequeno aparelho, e logo perceberam que era um controle remoto. Ao lado dos fanáticos havia caixas de explosivos, e em um instante perceberam suas intenções.
- Será que não percebem? – perguntou Mariana naquele tom professoral e tolerante, que escondia seu absoluto totalitarismo. – Se dependermos dos invasores ou de sua ciência para proteger a Terra, então nós já falhamos!
- Sua maldita! – berrou René. – Não basta a montanha de cadáveres que você e sua laia espalharam pelo país, ainda querem liquidar qualquer chance que tenhamos para arrumar o planeta?
- O planeta irá se curar, com ou sem nossa ajuda, meu jovem – disse Mariana com convicção. – O melhor que podemos fazer é nada. Isso mesmo, nada! A Terra irá se curar sozinha, se a deixarmos em paz.
- Para isso, obviamente, eliminando as pessoas que não concordam com você, sua vaca!
René encarava a assassina de sua família, e ela finalmente percebeu:
- Você deve ser o filho de Abelardo Torres, o latifundiário, não é? Um dos maiores criminosos contra o planeta que já existiram. Sei que deve sentir raiva pelo que fizemos, mas entenda, estamos em uma missão sagrada. Uma missão para salvar o mundo! Uma missão...
René, com um movimento rápido, sacou seu facão e desferiu um golpe, cortando a mão de Mariana que caiu ao chão junto com o detonador que ainda segurava. Seus comparsas ainda tentaram reagir, mas foram mortos pelos demais. A mulher se curvou segurando o braço, de onde saía um rio de sangue, e Ademar apontou-lhe a escopeta bem na cara.
- Como soube deste lugar, maldita? Responda!
Mariana ajoelhou-se, a expressão tomada pela dor. Mas com impressionante autocontrole, ela olhou para o ufólogo e disse:
- O representante dos invasores... Azhtahr... uma das melhores ações deste grupo de defensores do planeta! Conseguimos capturá-lo, e depois de perdermos muito tempo interrogando-o, ele finalmente disse porque tamanho interesse no interior do país... onde nossas milícias sempre observavam suas naves fazendo reconhecimento.
- Onde está ele?
Ademar era a própria fúria, o cano da escopeta a centímetros do rosto de Mariana. Com absoluta calma, ela olhou nos olhos dele e respondeu:
- Um invasor, carregado de germes alienígenas prontos a contaminar o ambiente de nosso paraíso, a Terra... Claro que nunca poderíamos compactuar com isso, e após obtermos o que queríamos...
Ademar começou a contrair o dedo, apertando o gatilho e pronto a mandar aquela louca para o inferno, quando René pôs a mão em seu ombro, dizendo:
- Amigo, por favor... Não faça isso. Já fez o suficiente, e além do mais, pelo que essa vaca fez com meu pai, você prometeu.
Ademar queria atirar. Queria acabar com aquela maluca de uma vez por todas. Mas cedeu, e deu-lhe as costas. René apanhou um pedaço de cano de metal que achou no chão, e ficou olhando para a mulher que destruíra sua família, meses antes.
O primeiro golpe foi bem no rosto, e Mariana caiu. René desferia mais e mais golpes, enquanto Mariana tentava se proteger instintivamente. Mas ele batia mais e mais, descontando meses de dor e ódio. Mesmo depois que, sem reação, Mariana Silva já estava morta, ele continuou batendo, em meio a uma poça de sangue.
Um soldado veio correndo, avisou um oficial superior, e este examinou melhor o controle que Mariana segurava. Depois deu um grito, chamando a atenção de todos:
- Atenção! O controle que a maluca segurava era falso! As bombas colocadas nos prédios estão armadas para explodir por temporizadores, o que vai acontecer em dois minutos!
René continuou batendo no cadáver da líder ecofanática, e Camila e Ademar tiveram que puxá-lo:
- Vamos logo, amigo, não adianta mais! – disse Camila.
Correram o mais que conseguiam. Quando chegaram a metade do longo túnel de entrada, uma série de explosões foi ouvida, enquanto a caverna se enchia de poeira.

Demorou horas para que conseguissem entrar de novo. Ao chegarem ao salão, viram que nada havia restado.
Todos os prédios da pequena cidade alienígena haviam ruído, e demoraria muito tempo para verificar se algo poderia ser salvo dos escombros. Se houvesse alguma coisa ali que pudesse ajudar na recuperação da Terra, estava irremediavelmente perdida.
Ademar ainda insistiu, e ele e alguns outros passaram a vasculhar os pedaços de pedra destruídos. Um e outro objeto estranho foi encontrado, mas nada de significativo, nada que combinasse com a descrição de Azhtahr.
Camila examinava o resto de uma parede, coberta com símbolos extraterrestres, quando perguntou:
- Estão sentindo isso?
Ademar e outros se aproximaram, enquanto ela tentava ouvir atentamente. De repente, mais alguém disse:
- Parece algo vibrando.
- Sim – disse mais alguém. – Dá para sentir um estremecimento no chão.
Começaram a remover alguns escombros, e depois de vários minutos descobriram um tipo de portal em forma de ogiva, semelhante a porta de uma igreja. Ademar pediu que duas pessoas ficassem de guarda, e avançou pelo enorme corredor com os demais.
Da mesma forma que no salão, o amplo corredor tinha as paredes que emitiam fosforescência, eliminando a necessidade de lanternas. Andaram por muito tempo, mais de uma hora, e perceberam que o corredor fazia voltas, sempre descendo.
Depois de mais de duas horas de caminhada, chegaram a mais um portal em forma de ogiva. Este, no entanto, estava fechado.
Procurando, encontraram um tipo de fechadura, coberto por limo e teias de aranha. Depois de limparem a tranca, repararam que bastava ser movida. Também perceberam outra coisa, a vibração estava bem mais forte.
Ademar girou a tranca, e a imensa porta se abriu, revelando um espaço escuro. Estenderam as mãos para apanhar suas lanternas, mas subitamente o local se encheu de luz.
Era mais um salão imenso, muito maior que o que existia no nível superior da caverna. As paredes eram bem mais regulares, testemunhando que aquele espaço havia sido cavado não se sabia há quanto tempo.
E, no centro do enorme salão, estava a fonte da vibração que sentiam.
Um imenso disco, pousado sobre várias traves, de pelo menos duzentos metros de diâmetro. Tinha um estilo que se assemelhava a uma versão anterior das naves dos visitantes, e reconheceram em sua fuselagem os mesmos símbolos do povo do representante Azhtahr.
Camila, Ademar e René se abraçaram, e os demais comemoraram em júbilo.
Seria este o presente de Azhtahr para eles?
Nesse instante, ouviram passos apressados atrás de si. Eram as pessoas que ficaram vigiando a entrada do segundo túnel, e a maioria dos que haviam ficado lá fora, na entrada da caverna. Alguns estavam feridos, e o oficial comandante disse:
- O inimigo retornou com reforços. Um grupo grande e bem armado, que nos acuou e entrou na caverna atrás de nós. Devem chegar aqui em poucos minutos, e nos superam em número.
Todos ficaram assustados, mas mesmo assim começaram a aprontar as armas. Logo eles começaram a ouvir o som de uma multidão chegando correndo e se posicionaram para tentar resistir aos ecofanáticos.
Eles vinham correndo, gritando “pela Terra”, “por Mariana”, e “morte aos invasores e seus comparsas”. Os primeiros tiros começaram a ecoar, e Ademar e seu grupo se prepararam para responder.
No instante em que os primeiros marianeiros irromperam como uma horda enlouquecida no imenso salão, as vibrações aumentaram, um zumbido cada vez mais forte começou a sair do disco, e finalmente o salão foi envolvido em uma claridade ofuscante.

FIM

Espero que tenham gostado!
Se sim, gostaria de sugerir livros, que são ótimos presentes de Natal!

De Roswell a Varginha: link 1, link 2, link 3.

Filhas das Estrelas: link 1, link 2.

Outro evento muito legal que aconteceu foi minha participação no programa Talk Show da Just TV, que vocês podem assistir clicando abaixo:

Parte 1; parte 2; parte 3; parte 4.

Bem, certamente não será este o último post do ano, pois ainda temos o grande evento daqui a uma semana, no fatídico dia 21/12/2012! Mas fiquem calmos, porque garanto que os mistificadores e picaretas vão levar o deles, combinado? Até lá!

E-mail para contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 18h38
[] [envie esta mensagem] [ ]



ATUALIZAÇÕES E EVENTOS

Esses últimos meses têm sido muito intensos, daí a falta de atualizações. Mas vamos às novidades!

Entrevista comigo para o Portal Cranik, do amigo Ademir Pascale.

Outra entrevista que concedi para o Concertos de Leitura. Falamos de mercado editorial, preço de livros, papel versus digital, e claro, muita Ficção Científica!

O que mais? Neste artigo para o Aumanack descrevo o extraordinário projeto 100 Year Starship, que pretende estudar formas de incentivar desde o desenvolvimento tecnológico, passando por gestão de negócios e técnicas administrativas, para que em um século se possa construir uma nave estelar! Em recente evento realizado, uma cadeira foi ocupada pelo ex-presidente Bill clinton, e um dos tópicos das discussões foi a viabilidade da velocidade de dobra! Leiam o artigo!

A velocidade de dobra, aliás, foi tema até de uma bela reportagem em uma conhecida revista.

Neste outro texto comento a magnífica HQ Astronauta: Magnetar, que abre o selo Graphic MSP, uma obra-prima do quadrinista Danilo Beyruth.

Já conhecem meus livros De Roswell a Varginha (Tarja Editorial), e Filhas das Estrelas (Estronho), claro!

E está chegando O IV Evento Cosmos!

Cosmos - foi uma série de TV realizada por Carl Sagan e sua esposa Ann Druyan, produzida pela KCET e Carl Sagan Productions, em associação com a BBC e a Polytel International, veiculada na PBS em 1980. A série Cosmos é um dos mais formidáveis exemplos da amplitude e eficácia que a divulgação científica pode atingir por meios audiovisuais, quando servida por uma personalidade carismática como Carl Sagan e por meios técnicos adequados.

Descrição
Carl Sagan foi o criador da série televisiva Cosmos, que foi lançada no Brasil em 1982 e obteve grande sucesso no mundo inteiro. O tema principal da série era a Ciência e as relações dela com a vida na Terra e em seus episódios foi possível conhecer um pouco mais sobre os outros planetas, quasares e questões ecológicas que afetam diretamente a sobrevivência da raça humana no planeta.
O grande mérito da série e do cientista foi ter antecipado problemas ambientais que nos afetam hoje em dia, como o efeito estufa e o aquecimento global.

Confiram a programação completa do evento clicando aqui, que acontece no Planetário Municipal de São Paulo e Escola Municipal de Astrofísica no próximo final de semana, dias 1 e 2 de dezembro.

Finalmente, gostaria de publicar aqui minhas palestras já apresentadas, e elogiadas também! Se o leitor é professor e se interessar, basta entrar em contato!

2012: Profetas do Fim do Mundo e Aproveitadores – Muita confusão e desinformação tem sido propagandeadas acerca da suposta profecia maia apontando 2012 como o fim do mundo. Nesta palestra são apresentadas diversas figuras que, ao longo da História, profetizaram inúmeros “finais de mundo” que evidentemente não aconteceram, como 2012 se tornou um fenômeno pop, as ameaças que de fato rondam o planeta e a humanidade, e como o discurso de certas figuras públicas se aproxima do que dizem os “profetas do fim do mundo”.

Pausa, fiz um post no blog UFO comentando as maluquices sobre 2012, fim de mundo e outros assuntos apocalípticos, aliás.

Exploração e Colonização: o Sistema Solar e Além – A humanidade sempre explorou, fazendo as mais importantes descobertas que alteraram profundamente nosso modo de vida. A nova fronteira da exploração é o espaço, e se não possuímos ainda as fabulosas naves da ficção científica, com nossos robôs e telescópios temos realizado uma nova era de descobrimentos que revolucionaram nosso entendimento do universo e de nosso lugar nele. Nesta palestra são abordadas as histórias dessas viagens de descobrimento, os meios com que foram realizadas, e o que está por vir no futuro próximo.

Extraterrestres: Ficção, Ciência, e Polêmica - Ao longo de mais de um século, os extraterrestres têm capturado a imaginação  da humanidade. Desde a publicação de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, as pessoas fazem a pergunta: eles existem?  Na ficção, produções literárias, televisivas e cinematográficas têm explorado a exaustão as mais variadas facetas da vida extraterrestre.  As descobertas científicas parecem indicar que é questão de tempo a comprovação da existência de vida fora da Terra. Mesmo assim, as polêmicas ainda existem, a exemplo das declarações do astrofísico Stephen Hawking, alertando que a chegada de alienígenas à Terra pode ameaçar nossa espécie. Nesta palestra, será traçado um panorama a respeito das múltiplas formas com que enxergamos aqueles que Carl Sagan descreveu como "nossos irmãos e irmãs no Cosmos".

Tenho dois vídeos desta, gravados no Evento Cosmos 2012, aqui e aqui

Viagens espaciais tripuladas - O ser humano sempre teve o impulso inato de explorar, e graças a isso saímos das cavernas, realizamos as grandes navegações e descobrimentos, e já começamos a explorar nosso sistema solar. Seguindo o "pequeno passo" de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua na missão Apollo 11, será apresentado um histórico das principais missões espaciais já realizadas, além de projeções para o futuro.

E finalmente, nesta terça, 27 de novembro, estarei no programa Talk Show da JustTV, conversando com a apresentadora Celia Coev, a partir das 20 horas. Não percam!

Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 21h37
[] [envie esta mensagem] [ ]



NO DIA 20 DE JULHO, DÊ UM LIVRO NACIONAL DE PRESENTE

Depois de um tempo sem atualizar (e tem gente que acha a vida de escritor mole...), aqui vamos nós!
Estou participando da campanha NO DIA 20 DE JULHO, DÊ UM LIVRO NACIONAL DE PRESENTE, ótima iniciativa do amigo Ademir Pascale. Basta entrar neste link e escolher entre dezenas de livros dos autores fantásticos nacionais, todos com desconto.

Claro que DE ROSWELL A VARGINHA e FILHAS DAS ESTRELAS estão na promoção, então aproveitem, hein?

Também a convite do amigo Ademir, participei de dois excelentes projetos!

Terrorzine 26 Especial Alienígenas.

E-Book Invasão Alienígena.

Os links estão aí acima, os dois totalmente gratuitos.

E a Rio+20, hein? Menos 20 parece ser o QI de algumas figuras que dizem que "o mundo está morrendo", e "estão destruindo o planeta". Recomendo este artigo do Xico Graziano, publicado no Estadão de 26/06/2012, comprovando que a ignorância e a soberba é que ameaçam a civilização humana. O mundo? O mundo vai bem, obrigado, e com certeza não precisa ser salvo! Temos que salvar são as pessoas, com educação, conhecimento, ciência e tecnologia, para que aprendam a respeitar o meio ambiente.

Aproveito e divulgo também as sinopses de dois livros com meu nome neles! A primeira é de A Fantástica Literatura Queer Laranja, do Leitor Cabuloso. O pessoal tem gostado muito de meu conto A LISTA: LETRAS DA IGUALDADE, o que me dá uma grande satisfação, obrigado!

A segunda é de meu segundo livro, Filhas das Estrelas, pelo Concentrófoba. Também mando um grande obrigado para a Cláudia pela resenha muito legal!

No último 16 de junho estive ao lado dos amigos Adriano Siqueira, Marcelo Paschoalin e Georgette Silen na GALLIFREYCON 2012, que foi absolutamente estupenda! A cobertura desse primeiro evento de Doctor Who em São Paulo, com várias fotos, está como não poderia deixar de ser no Aumanack! Parabéns ao pessoal do Timelords BR pelo belo trabalho!

A TV Cultura está de parabéns pela brilhante iniciativa de exibir Doctor Who, trazendo de volta nossa boa, velha e querida Ficção Científica para o horário nobre da TV aberta, e o resultado só poderia ser o imenso sucesso da Gallifreycon. A edição 2013 do evento, quando a série completa 50 anos, já está sendo planejada! E se acha que o tempo vai demorar muito a passar até lá, atente para esta explicação do Doutor!

 

Então, até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 14h54
[] [envie esta mensagem] [ ]



AS PEGADAS DO UNA

Terça feira de manhã, tudo calmo na Pousada Gerânios em Peruíbe. O recente Congresso de Ufologia que durou de sexta a domingo havia sido um sucesso, e todos os participantes que ficaram ali já haviam retornado para suas cidades.
Flavia sempre ficava um pouco triste, pois gostava de ver a casa cheia de gente. Mas um pouco de sossego também valia a pena, e ela fora dormir decidida a acordar bem tarde. Mas isso não aconteceu, pois seu sono foi interrompido por volta de 7:30 da manhã pela campainha insistente.
Pensou que estivesse sonhando, mas o som era bem real. Conformada, vestiu uma camisa de flanela que estava jogada na cadeira ao lado da cama e desceu as escadas esforçando-se por terminar de acordar.
Aproximando-se da porta ouviu vozes familiares:
- Você não se meta a besta com a Flavinha, Batista! Nosso tempo aqui é curto!
- Só eu, né, Franco? Pior mesmo é ter idade para ser pai dela e ficar chavecando...
- Vocês dois querem parar? Vamos ver o que nossa amiga tem para mostrar, e depois ir para casa! Não gosto de deixar a central sem ninguém muito tempo.
- Como se não a monitorasse via satélite 24 horas por dia, Leandro!
Flavia abriu a porta depois de ajeitar o melhor que podia os belos cabelos loiros, e sorridente disse para os três amigos de longa data:
- Mas queridos, o Congresso de Ufologia já acabou! Será que estão tão ocupados desvendando tantas conspirações que se esqueceram?
Enquanto distribuía beijos e abraços para os três, e os convidava para entrar, Flavia acrescentou:
- Fiquei triste porque não vieram ficar aqui comigo!
Batista passou o braço pelos ombros da gerente da pousada, dizendo ante o olhar furioso de Franco:
- Fla, querida, tivemos problemas de última hora...
- É, um amigo nosso teve uns problemas, e fomos ver o que podíamos fazer – disse Franco pegando a outra mão de Flavia. – Infelizmente, não muito.
Enquanto a moça fazia o café e buscava um dos bolos que havia deixado na despensa, ouvia as histórias do trio, depois de perguntar:
- Mas então, e o amigo de vocês, porque não puderam fazer nada por ele?
- É complicado, Fla – disse Batista – pois ele foi declarado como maluco e internado em um sanatório de segurança máxima em Minas Gerais.
- Conhecemos esse cara faz tempo – comentou Franco. - Chegava mesmo a ser um pé no saco, nos perseguindo com suas teorias malucas. Via conspirações em tudo, até naqueles bueiros que explodiam no Rio de Janeiro!
- Mas descobrimos que algumas coisas que ele investigou podem ser verdade! – completou Batista.
Os dois literalmente competiam pela atenção de Flavia, coisa que fazia Leandro sorrir. Reparando nisso ao trazer o bolo, e conhecedora da sisudez do hacker negro, Flavia riu e comentou:
- Olha, meninos, não conheço nada desse assunto, mas vendo que Leandro, justo ele, está rindo de vocês... não sei não!
Os dois amigos olharam para Leandro com ar feroz, e ele respondeu com sua habitual expressão de pouco caso. Flavia, já se servindo de café, olhou na tela do laptop do hacker e perguntou, diante das notícias:
- Agora vocês estão acompanhando o caso desse tal de Cachoeira? Já estão preparando a próxima edição dO Farol, imagino. Vai sair também algum artigo sobre esse amigo de vocês?
Antes de responder, os três se serviram de café. Flavia já estava no bolo, e depois do primeiro bocado acrescentou:
- Meninos, O Farol fez um sucesso enorme aqui na pousada durante o Congresso! Na noite de sábado tivemos até um debate se o jornal de vocês tinha a mesma credibilidade da Revista OVNI! O pessoal ficou discutindo as notícias das últimas edições, acho que arrumei mais leitores para vocês.
Franco ia responder, mas Flavia ainda disse:
- Quando eu comentei que conhecia as pessoas que o publicam, então...
- Flavia, ficou doida!? – perguntou Leandro. – Já falamos com você para nunca mencionar nossos nomes, e...
O hacker olhou para os demais, e ficou claro que haviam percebido que Flavia estava brincando. A moça riu também, dizendo:
- Claro que eu não ia dizer, né!? Que amiga acha que sou?
Todos acabaram rindo, e depois de mais xícaras de café e pedaços de bolo, se acomodaram no sofá e nas poltronas da sala de entrada, e foi Batista que começou o assunto que os havia trazido até ali:
- Então, Fla, mas não foi só sobre O Farol que vocês comentaram sábado passado, não é mesmo? Da última vez que estivemos aqui, pesquisando os fenômenos estranhos de Peruíbe, vocês nos ajudou muito, e agora parece que viu algumas coisas esquisitas no mês passado, de acordo com o e-mail que mandou?
Flavia assentiu, e foi pegar seu próprio laptop. Abriu um arquivo, e foi mostrando uma a uma as fotos que havia tirado. Os Faroleiros imediatamente se interessaram, pois eram mesmo muito estranhas.
A moça ia mostrando as fotos na tela do computador uma a uma enquanto explicava. Em algumas das fotos aparecia o pé de Flavia dentro de uma pegada ao menos um terço maior que o dela, e como ela salientou também era bem funda.



- Como se fosse alguém muito pesado – completou Flavia. – E parecia um pé calçado, não havia sinal de dedos nem nada.
As outras eram ainda mais esquisitas. Eram pés pequenos, similares aos de uma criança de sete ou oito anos, mas separados por ao menos um metro e meio, que era o tamanho da passada.
- Um sujeito bem alto e provavelmente bem magro – disse Franco – e com pernas bem longas.
- Exatamente o que pensei! – concordou Flavia.



- E isso foi há um mês, Fla? – perguntou Leandro.
O hacker quase nunca a chamava assim, o que fez a moça sorrir e responder:
- Que bom que me chamou de Fla, querido! – disse rindo. – Sim, umas hóspedes queriam conhecer a Barra do Una, e lá fomos nós. Foi onde tirei as fotos. Aqui no fundo desta outra imagem podem ver o Rio Una, que demarca a Juréia. Cruzá-lo é proibido, só com autorização do Ibama.
- A Juréia é conhecida por suas lendas e fenômenos estranhos – disse Batista. – Fizemos algumas pesquisas lá, mas já faz bastante tempo.
Como os três estavam muito interessados, e inclusive logo arrumaram uma pen drive para copiar as fotos, Flavia perguntou se não gostariam de conhecer a região. Os Faroleiros concordaram, e ela pediu alguns minutos para tomar banho e se arrumar.
Minutos depois Flavia descia as escadas, vestindo bermuda, camiseta e uma blusa larga e esvoaçante por cima. Trazia ainda um chapéu e bolsa, e assim que trancou a Pousada entraram no carro do trio.
Era uma Kombi das antigas, ainda com o pára-brisa dianteiro dividido em dois vidros, e Flavia notou que tinha menos janelas que o habitual. Perguntou:
- Meninos, que Kombi diferente é esta?
O furgão tinha somente duas janelas em cada lateral, incluindo as das portas. Da metade para trás era fechado com somente pequenas aberturas de ventilação. Franco, que dirigia, foi explicando todo orgulhoso:
- Fla, esta é uma Kombi Camburão fabricada em 1973. Foi muito usada na repressão durante o período da ditadura militar. A parte de trás era fechada, e a terceira porta da lateral direita revelava uma porta interna com grade.
- Ou seja – intrometeu-se Batista – era uma cela móvel.
A Kombi tinha uma elegante pintura estilo saia e blusa, azul até a parte inferior dos vidros e branco na parte de cima. Por dentro era toda transformada, os assentos dianteiros eram altos e individuais, não havia a separação metálica atrás destes, e havia mais dois assentos individuais na metade dianteira do veículo. Na parte de trás, fechada somente por uma tela plástica de correr, os Faroleiros haviam instalado uma central de informática com computadores e equipamentos de vigilância.
- E uma pequena despensa com geladeira, além de banheiro químico, claro – completou Batista. – Nunca sabemos quanto tempo poder durar uma vigília ou vigilância, não é mesmo?
Flavia, sentada no assento dianteiro direito ao lado de Franco, riu enquanto ia indicando o caminho. Na parte de trás, Leandro não parava de mexer nos computadores, enquanto Franco ia explicando mais detalhes do veículo:
- O motor continua refrigerado a ar, mas agora é 1.6 com dois carburadores de 40 mm, colocamos rodas e pneus maiores e freio a disco. E temos ar condicionado inclusive!
- Um luxo só, hein, meninos? – riu Flavia.
O mais velho dos Faroleiros ainda explicou que no painel, ao lado dos simples instrumentos originais e restaurados da perua, havia no centro uma tela digital com mais informações como giro do motor e temperatura, e uma segunda tela onde eram exibidas as informações do GPS.
A Kombi andava muito bem, e logo eles subiam pela estreita estrada que levava ao Guaraú, uma das localidades mais conhecidas de Peruíbe. Batista se lembrou de uma coisa, e assim que viu o que procurava no paredão de pedra a direita deles, disse:
- Cuidado com o trânsito, Franco, e encosta aqui a esquerda!
Leandro ameaçou protestar, mas Flavinha olhou a direita e viu o que chamara a atenção de Batista:
- O Portal da Serpente, lógico! Vocês vão gostar, meninos!
- Como se já não o conhecêssemos – resmungou Leandro.
Os quatro desceram e ficaram diante do incomum desenho no rochedo. O Portal da Serpente era uma das atrações de Peruíbe, e corriam muitas lendas a respeito. Dizia-se que em determinadas noites era possível ver luzes estranhas e mesmo seres não humanos surgindo diante dele, além de alguns relatarem que bastava bater com a mão na rocha para constatar que era oca.
- E não é que é oca mesmo!? – exclamou Batista, impressionado. Era sua primeira vez visitando o local.
- Pode ter uma área oca bem onde está batendo, e dai? – perguntou Leandro, que de qualquer forma fotografava o grupo diante do rochedo. Eu e Franco já tínhamos constatado que o resto do Portal não é nada oco.
Por curiosidade, o hacker a seguir apanhou uma bússola simples que sempre trazia no bolso, e a aproximou do Portal. Os demais acompanhavam suas ações, e se admiraram quando Leandro exibiu uma expressão de surpresa. Ele disse que precisava ver uma coisa, e voltou para a Kombi, enquanto Flavia e os rapazes continuavam observando o Portal.
Eles logo perceberam que o motor da Kombi havia sido ligado, e Leandro a manobrou para estacionar bem diante da formação rochosa. Ligou o pisca-alerta e fez pouco dos demais veículos que passavam buzinando, enquanto falava com os demais pela janela:
- O detector MAD está sinalizando uma emanação eletromagnética vinda do Portal! É incrível!
Enquanto Batista entrava na Kombi para verificar, Franco explicou a Flavia que o MAD era a sigla em inglês de Detector de Anomalias Magnéticas. Aparelhos do tipo foram muito utilizados em aeronaves na Segunda Guerra Mundial pelos aliados a fim de localizar os submarinos nazistas no Atlântico. A seguir o mais velho dos Faroleiros disse a moça que a antena do aparelho havia sido colocada no teto da Kombi, na parte da frente da capota onde antes existia uma sirene.
Os demais logo se acomodaram e eles seguiram em direção ao Una, enquanto Leandro explicava que o campo magnético diretamente adiante do Portal da Serpente tinha uma intensidade um pouco superior ao campo normal da Terra.
- Será que as lendas locais são verdadeiras, e o Portal da Serpente é mesmo um portal?

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 17h48
[] [envie esta mensagem] [ ]



AS PEGADAS DO UNA

Continuação...

Menos de duas horas depois eles chegavam a Barra do Una. Evidentemente, um mês depois de Flavia haver visto as pegadas, não havia mais nada. Mas Leandro levou um detector magnético portátil, ao mesmo tempo em que Batista usava um Contador Geiger. A moça procurou se orientar, e finalmente apontou os locais na praia onde havia visto e fotografado as pegadas.
- O que mais pode contar, Fla? – perguntou Batista.
- Lembro que as pegadas pequenas com passadas longas vinham do mar, e seguiam em direção a mata – disse Flavia. – Já as outras, as pegadas fundas, iam na direção do mar, mas as duas terminavam de repente! Parecia que quem as fez simplesmente sumiu no ar!
Os Faroleiros confirmaram que havia leituras, a de radiação estava um pouco acima do normal mas sem ser perigosa, e o campo magnético variava segundo a mesma intensidade e frequência detectada no Portal da Serpente.
- O que aconteceu aqui? – perguntou Leandro.

O portal funcionou, e ele conseguiu cruzar.
Aquele mundo era estranho, mais estranho do que jamais poderia imaginar, e definitivamente mais do que as sondagens haviam revelado.
O traje, adaptado no formato esquisito dos nativos, era pesado e desconfortável. Para conseguir cruzar o abismo entre as realidades, foi necessário que o invólucro acondicionasse uma pequena porção de seu próprio espaço-tempo.
Saiu voando, observando as estranhas formações daquele mundo, e alguns dos nativos que andavam lá embaixo, seja por si mesmos ou com veículos primitivos. Decidiu pousar nas proximidades, em uma faixa de material granulado onde os suportes do traje afundaram bastante.
A própria consistência da camada fluida que envolvia aquele mundo era estranha, e ele definitivamente não estava disposto a se arriscar no fluido mais grosso e viscoso que observava a pouca distância.
Subitamente, de dentro desse fluido, saiu um pesadelo ambulante. Muito fino e alto, dando longas passadas com seus suportes corporais finos em sua direção. O ser indescritível parou diante dele, e em sua mente o visitante ouviu:
- Tenho certeza que você, como eu, não é natural deste mundo. Creio, aliás, que nem sequer nasceu neste universo, estou certo?
Ele se assustou. Era impensável que em sua primeira viagem conseguisse comunicação com um nativo daquela realidade. Perguntou:
- Como consegue se comunicar comigo?
- Um velho truque que minha raça possui. Somos experientes em fazer contato com outras culturas. O que o traz aqui?
- Pesquisa. Faço parte de uma equipe científica, e fui escolhido para fazer um primeiro reconhecimento. Não esperava me comunicar com ninguém.
- Imagino que tenha utilizado o portal da pedra...
- Se está se referindo a passagem acondicionada no material sólido, sim.



- Muito bem. Se suas intenções forem de exploração pacífica, podem continuar a visitar este mundo. Mas esteja alerta que os nativos ainda estão muito atrasados, e alguns deles podem se assustar muito. Também podem ser muito perigosos.
O visitante agradeceu, ao mesmo tempo em que um alarme começou a soar. A energia residual de seu próprio espaço-tempo, e que alimentava o traje, estava escasseando.
- Creio que é o momento de voltar para casa – disse o outro. – Faça uma boa viagem, e fiquem em paz.
Ele agradeceu, e acionou os comandos. Saiu voando, e desapareceu assim que voltou a cruzar o Portal da Serpente.
Astar concentrou-se, e sua forma cinza e longilínea, própria para explorar o oceano, voltou a transformar-se no ser pequeno e marrom, de olhos vermelhos e três calombos na cabeça. Ele acentuou a concentração, e no mesmo instante estava diante do Portal.
Sentira que as intenções daquele ser interdimensional eram verdadeiras. Por isso não se preocupou em fechar a passagem. Satisfeito, teleportou-se novamente para um determinado lugar na Juréia, pois como sempre tinha muito a fazer.

Flavia havia se trocado na Kombi, vestido um biquini e mergulhado no mar para aproveitar a brecha de Sol no dia nublado. Agora, sentada sobre uma toalha na praia, observava os rapazes.
- E aí, será que vale a pena entrevistar os moradores locais? – perguntou Batista.
- Segundo o que Flavia contou, as pegadas devem ter sido feitas de madrugada – comentou Franco. – É improvável que alguém tenha visto algo.
- Mas os dados são mesmo insteressantes – disse Leandro. – Sempre podemos retornar para fazer mais pesquisas. A Juréia é uma região que sempre me interessou, e vocês vão concordar que o Falcão recolheu dados interessantes em nossa última vigília aqui.
Falcão era um aeromodelo dotado de câmeras fotográficas e uma série de sensores que eles frequentemente levavam em suas investigações. Acomodado em um compartimento que era acoplado ao teto da Kombi, era montado e lançado em poucos minutos, e na visita anterior dos Faroleiros, captara estranhas leituras de energia em maio as matas da Juréia. Infelizmente, eles ainda não haviam obtido licença do Ibama para investigar a região a fundo.
- Então, meninos? – perguntou Flavia deitada de bruços na toalha. – Não vão aproveitar o mar?
- Não viemos preparados, Fla – comentou Batista sem graça, tentando não deter o  olhar muito tempo na bela visão da moça de biquini.
Conformada, Flavia levantou-se, agitou a toalha, e ao lado deles caminhou até a Kombi. Assim que entrou voltou a pôr a cabeça para fora, perguntando em tom de quem estava brava:
- Vocês não têm nenhuma câmera escondida nessa coisa, né?



Franco, gaguejando, garantiu que não. Os demais riram, e a loira sorriu e fechou a porta, terminando de se vestir em instantes.
Novamente com todos acomodados eles retornaram a Peruíbe. Passava de uma da tarde, e Fla sugeriu:
- Meninos, estão com fome? Tem um restaurante ótimo aqui no Guaraú.
Os Faroleiros concordaram, e foram todos almoçar. Enquanto comiam e conversavam animadamente sobre a aventura, não repararam em um rapaz de longos cabelos loiros, de camisa branca e calça jeans, que passou distraidamente diante do restaurante.
Astar sorriu diante de mais essa oportunidade em que ficava próximo dos Faroleiros. “Um dia, amigos, um dia”, pensou, e desapareceu em uma esquina.



Gostaram? Os Faroleiros e outros personagens estão em meus livros De Roswell a Varginha (Tarja Editorial), e Filhas das Estrelas (Estronho), e os links para comprá-los estão disponíveis neste blog. Apóie a literatura fantástica nacional!
Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 17h44
[] [envie esta mensagem] [ ]



LÁZARUS

Um mundo vampiresco como você nunca viu

Eu e Georgette Silen, a autora de Lázarus, ficamos amigos quando ela estava organizando a antologia da Editora Literata, UFO: Contos Não Identificados. Ela acabou me convidando para participar, e o resultado foi excelente, com todos os autores envolvidos criando contos muito bem construídos e interessantes, dentro do tradicional tema ufológico tão caro a nossa Ficção Científica Brasileira.



Na época ela já havia publicado Lázarus, pela editora Novo Século, uma narrativa de vampiros que demorei um pouco até adquirir (autografado, claro, hehehe), na magnífica Jedicon 2010 a que ambos comparecemos. E ainda demorei um pouco a começar a lê-lo, pois convenhamos, o subgênero vampiresco tomou de assalto nossa Literatura Fantástica, e as vezes enjoa um pouco pela imensa e quase onipresente quantidade de livros.

Mas finalmente comecei a ler, e não consegui parar mais! É verdade que a história da museóloga brasileira Laura Vargas, viúva e com uma filha de 16 anos, Cínthia, demora-se um pouco nas minúcias de sua trajetória, a decisão de mudar-se para Bristol e trabalhar no museu daquela cidade, todos os detalhes de tão complicado evento... mas realmente é nos detalhes descritos por Georgette que vamos nos apaixonando pela riqueza da narrativa.

Tudo começa a ficar mais interessante quando sabemos da onda de misteriosos assassinatos ocorrendo na cidade, e quando a própria Laura, em uma festa do museu, vê dois olhos vermelhos na distância, seu primeiro “contato imediato” com um mundo surpreendente...

Antes que me perguntem (ô, fama!), não, tais olhos vermelhos não são de alienígenas, hehehe. Além da chefe, Clementine, Laura conhece na referida festa Robert, com quem viverá um romance tão tórrido quanto impossível, já que... bom, o spoiler já está dado no prefácio assinado por Helena Gomes!

Uma coisa que sempre me chamou a atenção e virou clichê no mundo dos vampiros é que os romances normalmente sempre são do vampiro com a humana. Não lembro de uma história de vampira com humano (se bem que temos um no livro, mas não entro aqui em maiores detalhes por óbvias razões). Georgette seguiu esse clichê, mas existem autores que não sabem usar tais construções (né, James Cameron???), e outros que sabem. E Georgette foi de uma rara competência nesse sentido.

O que mais me impressionou em Lázarus veio de como o livro contradisse totalmente uma opinião minha! Sempre tomei os vampiros como criaturas de magia (tenho algumas vampiras de minha autoria, confiram aqui), por isso as vezes estranho o enfoque dado, por exemplo, em produções como Underworld, ou mesmo a ótima animação Batman versus Drácula. Aliás, para mim é esta última que melhor explora a faceta científica do vampiro.

Mas neste caso, essa contradição entre a forma como vejo o vampiro e a história escrita por Georgette foi uma agradável surpresa, e que me fez chegar a uma surpreendente constatação: Lázarus é, afinal, um livro de Ficção Científica! Muito mais que de Fantasia, o que de fato é surpreendente, e ainda lembro que a “pegada” do conto de Georgette em UFO é de Fantasia, mesmo sendo uma história com alienígenas.

Os vampiros de Lázarus são uma espécie a parte, e todo o contexto científico apresentado acaba explicando boa parte das lendas relativas a esses seres. Creio que posso dar um alerta: os vampiros de Georgette, em sua maioria, andam de dia! Mas calma, felizmente não brilham como purpurina, ou seja, são vampiros e não fadinhas, hehehe.

Essa agradável constatação surgiu quando li a descrição do riquíssimo mundo dos vampiros, com suas várias raças, diferenciando os que foram transformados, dos que já nasceram assim, e dos que foram concebidos... Dividimos a surpresa da própria Laura, o que só contribui para aumentar a identificação com os personagens, permeada por altas doses do “sense of wonder” tão perseguido por todos nós, escritores!

Também ficamos sabendo que existe uma Ordem que assinou há séculos um acordo de paz com os vampiros, prevenindo uma sangrenta guerra que custaria incontáveis vidas dos dois lados. Somos apresentados ao clã que existe em Bristol ao qual Laura se incorpora, e ficamos fascinados com a descrição de tipos exóticos em uma certa reunião que acontece periodicamente, entre a Ordem e os vampiros.

O núcleo humano, Cínthia, David, Georgiana, Jean e Ben convive muito bem com os vampiros Carlo, Josh, Morgana e... alguns dos nomes já citados! Outros surgem depois, com os quais imediatamente simpatizamos, como Solomon e Jamal. Tenho uma certa predileção pessoal por personagens antigos e sábios, como Carlo e estes dois últimos, e é importante dizer que a participação de todos é fundamental, com cada um encaixando-se e tendo função essencial na história.

As vezes, tive a impressão de que Georgette conseguiu elaborar um mundo paralelo tão rico e complexo de forma que lembra muito o de O Senhor dos Anéis do Professor J.R.R. Tolkien! Só faltou mesmo línguas específicas para os vampiros. Quem sabe nas sequências?

E nenhuma trama, claro, pode funcionar bem sem um vilão. E o líder supremo da Ordem, Avelar, é com certeza o tipo de vilão que amamos odiar. Frio, dissimulado, e absolutamente enlouquecido pelo poder, desde o princípio se interessa por Laura e esse interesse aumenta ainda mais quando nossa heroína tem o fatídico encontro com o Lázarus. O “dom” de Laura pode muito bem ser a gota que faltava para derramar o conteúdo do balde de traições e maquinações, e que provável e fatalmente levará a guerra.

Enfim, não há muito mais o que possa ser contado sem “spoilar” o livro. É evidente que, com tantas reviravoltas, a vida de Laura será preenchida com muita angústia e decisões dolorosas, especialmente para seu amado Robert. Georgette conseguiu produzir uma história de amor sem nenhuma gota de “melosidade” adolescente, e merece os maiores parabéns por uma trama inspiradora, instigante e emocionante! E sim, as sequências deverão se seguir muito em breve, pois a história de Lázarus está bem longe de terminar!

Fica a vontade de que as sequências sejam logo lançadas, para que saibamos o que será de Laura, Robert e seus amigos. Lázarus não é para corações fracos, e com certeza é um livro obrigatório para o fã de nossa querida Literatura Fantástica. Está mais que recomendado!

Até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 17h55
[] [envie esta mensagem] [ ]



DIA DO FÃ, porque é bom ser nerd!

Hoje "todo mundo" é nerd
Mas não aceite imitações! Nerd que é nerd despreza tudo que é denunciado no post abaixo.
Nerd que é nerd aceita o outro e acolhe as diferenças.
Nerd que é nerd lê livros.
Nerd que é nerd adora ciência.

E como este é um blog nerd acima de tudo, alguns anúncios:

- Mais uma edição do Terrorzine, organizado por Ademir Pascale, está disponível, com o tema Big Foot, ou Pé-Grande, ou Mapinguari, ou algum de seus congêneres.

- Sobre Nibiru, 2012 e o fim do mundo, escrevi um post em meu blog da UFO que vocês acharão bastante esclarecedor. Em minha palestra no Dia do Fã abordarei o tema desses malucos profetas do juízo final.



- Já adquiriram De Roswell a Varginha? E Filhas das Estrelas? Que tal aproveitar e passar no Dia do Fã para pegar meu autógrafo?

E porque somos nerds, estamos sempre preparados!

 

Inclusive para viajar no tempo!


 


E finalmente, nerd que é nerd se encontra no DIA DO FÃ!

Data: 25 de Março de 2012 – Domingo
Horário: 9h00 as 17h00
Local: Estação Ciência Rua Guaicurus, 1394 – Lapa – São Paulo
Telefone: (11) 3673-7022 – fax: (11) 3673-2798
Estação Ciência: http://www.eciencia.usp.br
Como chegar: http://www.eciencia.usp.br/ec/localizacao.html

Ingresso:
O ingresso é apenas aquele cobrado pela estação, R$ 4,00 – R$ 2,00 meia entrada.
 
Ação Social no Dia do Fã: Pedimos que todos levem 1Kg de alimento não perecível. Os alimentos arrecadados serão doados para a ACEDEMSP, instituição que cuida de crianças e jovens excepcionais no bairro de São Miguel Paulista em São Paulo.



PALESTRAS E ATIVIDADES NO AUDITÓRIO
(PROGRAMAÇÃO SUJEITA A ALTERAÇÃO SEM PRÉVIO AVISO)

PATRULHA ESTELAR/YAMATO-EXIBIÇÃO DE EPISÓDIOS 9H ÀS 9:45H

PERRY RHODAN - COMPARAÇÃO ENTRE VÁRIOS OUTROS UNIVERSOS(VÍDEOS) 9:45H ÀS 10:30H

RENATO AZEVEDO -  2012: PROFETAS DO FIM DO MUNDO E APROVEITADORES  10:35H ÀS 11:25H

MESA REDONDA - O FUTURO DA FICÇÃO X O FUTURO DA REALIDADE - F.F.E.S.P. , CJSP, BSG E CONVIDADOS - 11:30H ÀS 12:20H

BATTLESTAR GALACTICA – EXIBIÇÃO DE EPISÓDIO - 12:20H ÀS 13:00H

SILVIA REIS - ASTERÓIDES, COMETAS E ATIVIDADE SOLAR. FIM DO MUNDO EM. 2012? DAS 13:00H ÀS 13:50H

CONSELHO BRANCO SOCIEDADE TOLKIEN – TOCA SP – O HOBBIT DO LIVRO AO FILME DAS 14:00H ÀS 14:50H

JOGOS VORAZES - ATIVIDADE SURPRESA - 14:50H ÀS 15:40H

SORTEIOS DOS FÃ CLUBES - 15:40H ÀS 16:20H

DESFILE DE FANTASIAS - 16:30H

Aguardamos vocês!

Até a próxima!
contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 18h10
[] [envie esta mensagem] [ ]



A semana em que nos trataram como idiotas

Bem, quer dizer, existem por aí (especialmente no governo), aqueles que nos tratam como idiotas 24 horas por dia, 365 dias por ano, não é mesmo?

Começou com a tal cena deprimente no programa mais deprimente da TV. Antes de mais nada, estupro é crime e tem que ser severamente punido.
Mas no Big Bosta, perdão, no BBB?
Respondo com outra pergunta: existe alguma coisa de verdade no BBB? Não está tudo no roteiro?

Toda a celeuma começou quando os vídeos disponibilizados no pay-per-view foram parar na Internet, e começaram a se espalhar os boatos de que Monique, inconsciente, fora estuprada por Daniel. A mãe do rapaz  exigiu satisfações da Globo, no canal aberto o sujeito foi tirado do programa sem satisfações ao público, e até o diretor afirmou que a acusação contra o rapaz era "racista". Aliás, houve sim satisfação, um tal de "comportamento inadequado". Ah, beber doses industriais de álcool nas festas do programa e protagonizar cenas constrangedoras, o que todos os participantes fazem, é adequado, então, né?

Enfim, como este blog é para todas as idades, irei poupar os ilustres leitores dos detalhes da investigação que já virou caso de polícia, fartamente explorado, aliás, pelos exploradores da desgraça alheia dos demais canais. Resta evidente que tudo faz parte do plano, claro, pois todos no BBB seguem o roteiro, e para comprovar que tudo seguiu o plano, vejam só:

Expulsão de Daniel faz ibope do BBB disparar 80%. Ou seja, tudo de acordo com o plano, hehehehe.

Mas falando de futilidade, eles se superaram com o caso "menos Luiza, que está no Canadá". Que a Internet é usada e abusada para espalhar porcarias todos sabemos, mas a nulidade passou de todos os limites, com as pessoas literalmente se comportando como gado, seguindo um atrás do outro para espalhar a frase por aí. O que não entendo é por que essa garota (nada contra ela pessoalmente), merece todo esse destaque?

O que ela produziu? Ou criou? Ou fez?

Nada.

E no entando, todos os telejornais falaram da tal Luiza. A Globo, de novo, exagerou, foi SP TV, Jornal Hoje, JOrnal Nacional e Jornal da Globo com a Luiza. Tantos produtores culturais que dão um duro danado e batalham por migalhas no espaço da mídia, e acontece isso, uma celebridade instantãnea surgida do nada por pura futilidade.

E já existe até marketing para se faturar em cima, como mostra o Estadão desta sexta! As cifras são mesmo espantosas!

Realmente não entendo marketing vendendo... nada.

Claro que há esperanças, como o recém criado site Senseaboutscience.org. Destina-se a explicar as barbaridades ditas pelas famigeradas celebridades palpiteiras!

O Senseaboutscience.org publicou um artigo intitulado Celebridades e Ciência 2011, listando os maiores equívocos científicos dos famosos, que frequentemente fazem afirmações sem qualquer cuidado ou conhecimento de causa. Por exemplo, o comentarista político Bill O´Reilly afirmou que não compreende como as marés funcionam. O apresentador Simon Cowell afirma injetar suplementos de vitaminas por via intravenosa, e a participante de reality show Nicole Polizzi disse que o mar é salgado devido ao esperma das baleias.

A iniciativa é mais do que válida, pois lamentavelmente as chamadas celebridades deveriam policiar-se mais e não dar declarações absurdas. Aqui no Brasil até mesmo a Ufologia teve sua cota de palpites infelizes por parte de famosos (extração de óleo negro de abduzidos, e o Ovni da Tiazinha que era o dirigível da Goodyear), e lembramos ainda o constrangedor vídeo de atores protestando contra a controversa usina de Belo Monte. Aliás, atorzinho reduzir a questão energética no Brasil a hora de assistir a novela quebrou o recorde, hein?

Aqui no Brasil, felizmente, começa a reação contra as idiotices das celebridades palpiteitas, como no vídeo Tempestade em Copo D´Água, produzido por gente que entende de números e fatos, e não de fanatismos e dogmas eco-fanáticos.

E para qualquer pessoa minimamente informada, complexos vitamínicos só são eficientes para quem tem severos problemas de saúde, as marés são causadas pela ação da gravidade lunar, e o mar é salgado devido aos milhões e até bilhões de anos da água dos oceanos dissolvendo rochas e minerais nas costas.

Mas felizmente a semana não foi só de baixarias e futilidades. A própria Globo (e não sou um dos que vêem a emissora como a encarnação de todos os males, de jeito nenhum), tem nos brindado com a sensacional minissérie O Brado Retumbante.

Um dos detalhes que me chamaram a atenção foram os caracteres com os nomes de locações "pendurados" e em meio as paisagens, lembrando bastante os de Fringe. E depois, claro, as sutis mas contundentes críticas a classe política! Vejamos algumas cenas:

No primeiro capítulo, quando o presidente Paulo Ventura chega para sua primeira reunião ministerial, vemos nas mesas as plaquetas com os MUITOS ministros presentes, representando suas pastas: Ministério da Economia Informal, Ministério da Criança, Ministério do Adolescente, Ministério da Pesca Fluvial, Ministério da Igualdade Racial (o ministro é branco), Ministério da Diversidade Racial (o ministro é negro). Típico de um governo que leiloa os ministérios para a "base aliada", não é mesmo?

Isso é que é herança maldita!

Lembrando, aliás, que O Brado Retumbante se passa em uma realidade paralela, onde a capital legislativa é Brasília, e a capital administrativa é o Rio de Janeiro, como acontece com alguns países.

O segundo capítulo abre com um vídeo sobre a vida de Paulo Ventura (Domingos Montagner, o Capitão Herculano da sensacional novela Cordel Encantado), que está sendo apresentado a ele como uma peça de propaganda. Ele desliga bruscamente, dizendo que tanta puxação de saco dói, e perguntando onde é melhor gastar o dinheiro público: em educação, saúde e segurança, ou em propaganda?

No terceiro capítulo, em discurso a nação, Paulo apresenta seu projeto da Lei de Responsabilidade Pública, ainda dizendo que as minorias organizadas estão contra ele, mas apelando para a maioria desorganizada fazer pressão a fim de que o projeto seja aprovado. No previsível resultado da votação, o clima muito se assemelhou ao da não aprovação das Diretas Já em 1984, sensacional! E graças ao voto secreto de Suas Excelências, introduzido na votação por manobra da oposição, que coisa! Parece um país nem tão distante...

O poderoso senador que comanda dos porões a República (não sabemos seu estado, mas pode ser o Maranhão...), vivido por Miele, e o ex-ministro preso por falcatruas mas que deu a volta por cima e agora é o presidente da câmara de deputados, vivido por José Wilker, são os grandes vilões. E claro, as tramóias de bastidores as vezes fazem o Sindicato de Arquivo-X parecer um bando de Papais Noéis inocentes...

Soa muito irônico o aviso colocado nos créditos finais: "Esta é uma obra coletiva de ficção baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade".

A série é ótima, a crítica a classe política brasileira bem contundente, com personagens claramente inspirados em políticos bem conhecidos, ou seja, a Globo merece os parabéns pelo serviço que está prestando ao Brasil com essa produção. Pena sermos obrigados a assisti-la tão tarde da noite, após o programa que mostra os rituais exóticos das subcriaturas.

E, para terminar o post, gostaria de sugerir uma visita ao Cranik, site do amigo Ademir Pascale, que publicou uma entrevista comigo. E claro, podem aproveitar os links disponíveis lá e aqui no blog e adquirir meus livros, DE ROSWELL A VARGINHA e o recém lançado FILHAS DAS ESTRELAS.

Até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 16h31
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]