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ESCRITOR COM "R"


O Plantão dO Farol

Edição extra, 23/11/2009

Cara a cara com o obscurantismo: a visita de Ahmadinejad.

É um jogo muito perigoso aquele onde o Brasil entra agora, recebendo em seu
território, em visita oficial, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
O Irã, que enfrenta crescente tensão com os países europeus e os Estados
Unidos, devido a seu suspeitíssimo programa nuclear, tem tudo a lucrar com
essa visita. E o Brasil, uma potência emergente para onde as atenções das
demais nações da Terra se voltam cada vez mais, preparando-se inclusive para
receber a Copa do Mundo de Futebol em 2014, e os Jogos Olímpicos de 2016,
tudo a perder com o tresloucado gesto.

Infelizmente, a política externa brasileira, que durante décadas foi questão
de Estado, tornou-se não apenas questão menor, de governo, mas questão
partidarizada. Basta ver como são condenadas pela atual cúpula do Itamaraty
coisas como as guerras no Iraque e Afeganistão, além dos abusos dos direitos
humanos na Base de Guantánamo.
Contudo, em importantes votações no âmbito das Nações Unidas, a atual
diplomacia brasileira frequentemente alinha-se a países que praticam coisas
ainda piores do que as descritas no parágrafo acima. Alinhou-se ao Sudão
quando não condenou o genocídio naquela região da África, alinhou-se a
Síria, Cuba e Venezuela em seus constantes desrespeitos aos mesmos direitos
humanos que cobra dos países desenvolvidos.
Hipocrisia é algo com que se convive habitualmente em política externa, mas
para tudo existe um limite. Como quando o atual presidente brasileiro
criticou os protestos motivados pelas indiscutíveis fraudes nas recentes
eleições do Irã, que mantiveram Ahmadinejad no poder. Protestos estes que já
renderam mortes de oposicionistas, e renderão mais já que vários deles foram
condenados a morte nos tribunais de exceção do fanático regime dos aiatolás.

E é este o governo despótico cujo representante está sendo hoje recebido em
Brasília. Ahmadinejad configura-se como o típico pária internacional que é o
regime do Irã, por sua repugnante negação do Holocausto, e sua patética
verborragia onde prega a destruição de Israel.
Esse é o mesmo Irã que precisa importar gasolina, mesmo literalmente nadando
em um mar de petróleo, recurso natural do qual é riquíssimo mas que não
possui os meios para refinar, pois suas instalações petrolíferas são
defasadas e de manutenção deficiente. Mas ao invés de investir nesse setor,
o governo dos aiatolás preferiu tocar um nebuloso projeto de desenvolvimento
de energia nuclear.

“Para fins pacíficos”, qualquer representante iraniano não se cansa de
repetir. Contudo, essa pesquisa é realizada em instalações fortificadas e
secretas, incluindo a planta localizada na cidade de Qom, construída dentro
de uma montanha. Em nova derrapada da política externa brasileira, aliás, no
encontro de chefes de estado em setembro, na cúpula do G-20 em Pittsburg,
EUA, Ahmadinejad assegurou ao presidente brasileiro que não existia tal
instalação, que as grandes potências o acusavam de construir em segredo.
Apenas poucas horas depois em que o governo brasileiro defendeu o Irã
dizendo confiar que a tal fábrica não existia, as provas foram apresentadas,
e o governo iraniano reconheceu sua existência.

Novo vexame da política externa brasileira!

Esse é o comportamento de uma nação que busca energia nuclear para fins
pacíficos? E que mais grave ainda, prega a destruição de outro país? E é
esse presidente que foi recebido no Brasil neste lamentável dia!

E ainda mais alarmante, são conhecidas as ligações do fanático regime dos
aiatolás com diversos grupos terroristas ao redor do mundo. Aqui em O Farol
já denunciamos diversas vezes a existência de células e financiadores de
terroristas na região da Tríplice Fronteira, em Foz do Iguaçu. Consta que
até mesmo o homem mais procurado (e menos achado) do mundo, Osama Bin Laden,
já visitou a região em meados de 1995.
Nossos contatos em Brasília nos informaram acerca de grande movimentação na
embaixada do Irã nos últimos dias. Isso inclui não apenas pessoas vindas
daquela região do sul do Brasil, mas também representantes de certos
auto-intitulados “movimentos sociais”, na verdade grupelhos radicais
atuantes no Brasil e em toda a América Latina. Não é segredo, pois também já
denunciamos tais criminosos aqui em O Farol em inúmeras edições, que tais
grupos armados e criminosos manifestam simpatia pelos terroristas islâmicos
e desejam cooperar com os mesmos.
Não precisamos lembrar os atentados ocorridos na Argentina, em 1992 na
embaixada de Israel em Buenos Aires, e na associação judaica Amia, também em
Buenos Aires em 1994, que resultaram em mais de 100 vítimas fatais e
centenas de feridos. O governo argentino afirma possuir provas do
envolvimento de agentes do Irã nos atentados.

Mas por conveniência puramente econômica e ideológica, nada disso importa
para o governo brasileiro. A atual linha terceiro-mundista da diplomacia
brasileira defende que o Brasil não seja “apenas mais um” entre os países
desenvolvidos, mas o líder inconteste dos países emergentes e do Terceiro
Mundo. Mesmo que isso signifique apoiar governos assassinos e párias
internacionais.

Finalmente, todos vocês, estimados leitores dO Farol, se lembram quando
denunciamos há alguns anos que um laboratório de biologia da Unicamp fora
arrombado, e um contêiner com um material biológico raro e estranho em seu
interior roubado. Rastreamos graças a nossas fontes esse material até Foz do
Iguaçu, onde a grande imprensa apenas noticiou uma briga de gangues em plena
Ponte da Amizade.
Tratou-se, na verdade, de uma operação contra uma célula terrorista que
pretendia manejar o tal material biológico com o fim de criar uma arma para
ataques terroristas devastadores.
Não pudemos encontrar provas concretas, mas apenas evidências de que esse
material de que falamos foi desenvolvido a partir de pesquisas de
substâncias recolhidas em Varginha, no primeiro semestre de 1996.
Um vírus alienígena para o qual não há cura é o sonho de todo terrorista do
mundo.
Sabemos que as pesquisas prosseguem, em laboratórios no território
brasileiro muito mais secretos e sofisticados. Tais pesquisas não se resumem
a biologia e engenharia genética, decerto, mas também ao terreno da
nanotecnologia. Avanços consideráveis tem ocorrido nessas áreas nos últimos
tempos em nosso país, tudo relacionado a pesquisa de materiais oriunda dos
eventos do Caso Varginha.

E surpresa! Pesquisa conjunta em nanotecnologia é um dos assuntos a serem
tratados entre o governo brasileiro e o presidente do Irã em sua visita ao
Brasil.

Novamente alertamos. O Irã tem tudo a ganhar dessa visita, e o Brasil, tudo
a perder. Simples assim.

O perigo nunca foi tão grande! Mas como sempre, nós dO Farol iremos
prosseguir em nossa missão, trazendo as senhoras e senhores, nossos
leitores, as verdades inconfessáveis que eles não desejam que sejam
conhecidas!
Aproveitamos para sugerir que conheçam nosso trabalho desde o princípio,
adquirindo o primeiro volume de nossas investigações, sob o título DE
ROSWELL A VARGINHA, disponível nos links ao lado.

Até a próxima!

Contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 18h15
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Criaturas das trevas, Muro de Berlim, Apagão e mais

Muitas e muitas novidades hoje, que gostaria de comentar com vocês!

Comemorou-se os 20 anos da queda do Muro de Berlim. Quando será que ele vai
cair para a esquerda brasileira?

A Globonews apresentou na semana passada uma sensacional edição do programa
Espaço Aberto, Ciência e Tecnologia, com o tema Ficção Científica, vejam:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1152644-7823-ENTENDA+POR+QUE+E+MAIS+DIFICIL+FAZER+FICCAO+CIENTIFICA+NOS+DIAS+DE+HOJE,00.html

O evento que nós do Aumanack realizamos na Livraria Cultura do Shopping
Bourbon Pompéia no último sábado, dia 7, foi um sucesso total! Sob o tema
Vampiros e Lobisomens, e aproveitando o iminente lançamento do filme Lua
Nova nos cinemas, foram apresentados vídeos, realizados debates, sorteios, e
todos que compareceram nos elogiaram bastante.
Quero agradecer as pessoas que compraram meu livro, De Roswell a Varginha,
mesmo sendo uma obra de Ficção Científica sobre alienígenas que foi
"penetra" em um evento de vampiros e lobisomens!
Por sinal, abaixo deste post ainda se encontra disponível meu primeiro conto
de vampiros.
Vai aqui um obrigado ao Twilight Universe, que nos ajudou nessa empreitada,
e o convite para que confiram no Aumanack (www.aumanack.com), como foi o
evento. E aguardem, pois vem mais por aí!

E vocês, onde estavam diante do "micro-incidente" da noite do dia 10? Um
apagão atinge metade do país, especialmente sua região mais desenvolvida e
importante, e algum pulha chama de "micro-incidente"! Mas quem vai falar
agora é o pessoal dO Farol, em mais um...

O Plantão dO Farol
Edição extra, 12/11/2009

Respondam rápido, caros leitores: os senhores acreditam em coincidências?
No último dia 8, o aclamado programa 60 Minutes, da rede norte-americana
CBS, investigou a afirmação, contida em um discurso do presidente Barack
Obama, de que “Sabemos que invasores cibernéticos têm colocado a prova nosso
sistema interligado de energia e que, em outros países, ataques assim
jogaram cidades na escuridão”, em suas palavras.
“Coincidentemente”, poucos dias depois, na terça 10 de novembro, o Brasil se
viu enfrentando o maior blecaute da década. O apagão durou quatro horas, e
deixou todos quantos dele foram vítimas angustiados e sob os mais diversos
tipos de ameaça.
O governo? Ora afirma que “o sistema é forte”, ou que “foi apenas um
micro-problema”, e ainda, “não tem nada a ver com o apagão de 2001”.
Sim, caros senhores, tem a ver!
Tem a ver com a inoperância e o pouco caso da classe política para com a
sociedade, como sempre. Mas vamos aos fatos!

A CBS, no mencionado programa (que pode ser assistido em
http://lit.ly/2vfAYY ), afirmou depois que chegou ao nome do antigo chefe da
inteligência Mike McConnell, que afirmou que ataques de cyberterroristas
seriam os responsáveis pelos apagões no Rio de Janeiro em 2005, e no
Espírito Santo em 2007. Ele também disse que suspeita que hackers estejam
planejando ataques similares contra os Estados Unidos.

Por zelo profissional, nós dO Farol devemos lembrar que os EUA já foram,
diversas vezes, atingidos por blecautes nas últimas décadas. Uma das mais
famosas foi o grande blecaute de 9 de novembro de 1965 (curiosamente,
próximo da data do novo apagão brasileiro). Naquela época, trinta milhões de
pessoas em oito estados americanos e em Ontário, Canadá, ficaram sem
energia. Mas apenas três horas depois a força foi restabelecida.
Contudo, as causas do blecaute não foram descobertas. Um dado surpreendente
é que, no momento do apagão, objetos voadores não identificados foram
observados próximo a instalações hidrelétricas, e muitos foram os ufólogos,
incluindo os pioneiros Donald E. Keyhoe e J. Allen Hyneck, a teorizar que os
UFOs poderia ter sido os responsáveis.

A equipe investigativa dO Farol ainda não conseguiu determinar se ovnis
foram avistados durante o novo apagão do dia 10 de novembro. Entretanto,
obtivemos relatos esparsos de observações de objetos luminosos que estamos
averiguando, e o mais inusitado: testemunhas, observando desde São Paulo,
observaram por trás da Serra do Mar uma série de fachos verticais de luz,
que se originaram do solo e se direcionaram para cima.
Nós dO Farol ficamos muito interessados nessa descrição, e logo voltaremos
ao assunto.

Quanto ao possível ataque cyberterrorista, é nosso dever informar que é
mesmo alta a probabilidade de que tenha mesmo sido o caso. Por mais que
agentes do Ministério das Minas e Energia e a própria Agência Brasileira de
Inteligência tentem negar, essa é uma possibilidade que está sendo
investigada por algumas pessoas.
Nós dO Farol obtivemos informações de que pode ter sido um ataque planejado,
obviamente em uma escala bem maior que aquele que causou os problemas de
2005 e 2007, e executado por profissionais treinados em países estrangeiros.
Levantamos dados que nos fazem acreditar que tais cyberterroristas tenham
realmente se deslocado para território nacional, ou ao menos de países
vizinhos, a fim de lançar um ataque coordenado, derrubando as linhas de
transmissão que levam a energia de Itaipu a região mais desenvolvida do
Brasil, o sudeste.
O ataque teria inclusive sido antecipado, devido ao alerta dado pelo 60
Minutes, que no mesmo final de semana foi averiguado por órgãos da imprensa
brasileira.

E qual a razão disso, os caros leitores perguntam?
Países que necessitam de um inimigo externo, a fim de distrair sua própria
sociedade oprimida por regimes totalitários, costumam chegar as últimas
consequências a fim de conseguir o que desejam.
E como pessoas bem informadas que os senhores, caros leitores, são, já devem
estar imaginando de quem estamos falando! Vamos aos fatos!

O presidente Lugo, do Paraguai, recentemente envolvido em um escândalo a
respeito de seus filhos ilegítimos, ele que é um ex-padre, acaba de trocar
diversos militares de alta patente de suas forças armadas. E desde que
estava em campanha presidencial, nas últimas eleições em seu país, vem
trombeteando seu direito a revisão do Tratado de Itaipu, assinado ainda nos
anos 1970 entre Brasil e Paraguai.
Lamentavelmente, o governo brasileiro concordou com a absurda exigência
paraguaia, aumentando a quantia paga aquele país pelo Brasil, e os senhores
leitores podem aguardar aumentos na conta de luz por conta disso.

Atentem para o fato de que certos grupos radicais de esquerda de nosso país,
disfarçados como “movimentos sociais”, foram unanimemente a favor das
exigências paraguaias.

Tais grupos igualmente não perdem uma oportunidade de se manifestar a
respeito do mais novo déspota sul-americano, Hugo Chavez da Venezuela.
O ditador, não é segredo para ninguém que saiba usar as faculdades mentais,
comanda um governo fascista, caótico, incompetente e que está levando seu
país ao desastre. Ridiculamente, sugeriu que diante da falta de energia na
Venezuela, fruto de suas estatizações e aparelhamento partidário da máquina
pública, os venezuelanos tomem banhos de apenas três minutos, e usem
lanternas para visitar o banheiro a noite.
A penúria nos mercados venezuelanos, com produtos de primeira necessidade
faltando, é apenas mais uma mostra da incompetência governamental de Hugo
Chavez.
E agora que ameaça declarar guerra contra a Colômbia, ante o acordo deste
país com os Estados Unidos, Chavez ainda tem se aproximado ao Irã,
permitindo vôos diretos entre os dois países, e aumentando a cooperação com
o país dos aiatolás em diversos campos, incluindo o nuclear.
E não precisamos lembrar do perigo que isso representa.

E tampouco precisamos lembrar que qualquer pessoa com um mínimo de senso
comum pode ver se desenhando no futuro próximo. Pois o país que possui o
maior potencial de incomodar os planos hegemônicos e fascistas de Hugo
Chavez é o Brasil.
Não foi por outro motivo que o tirano venezuelano apoiou Lugo, do Paraguai,
em suas exigências. E quando Correa do Equador, ou Moralez da Bolívia,
aprontaram contra os interesses brasileiros, por trás destes estava a mão
cheia de petrodólares de Chavez.
O ditador da Venezuela também esteve por trás da patacoada ocorrida em
Honduras, transportando para a embaixada brasileira o presidente deposto
daquele país e transformando-a em um circo.
O governo brasileiro, como sempre, foi dócil aos comandos do comandante Hugo
Chavez. Estrila contra os Estados Unidos e a União Européia, mas comporta-se
de maneira servil para os “companheiros”.

Então, chegamos ao âmago da questão. É fora de dúvida que Chavez vê o Brasil
como inimigo, que passará a fustigar tão logo aconteçam as eleições de 2010
e o candidato do atual governo perder a disputa.
O sudeste é absolutamente estratégico para o Brasil, e foi o sudeste a
região atingida pelo apagão, impedido de receber energia de Itaipu. A mesma
usina que os radicais a mando de Chavez já ameaçaram invadir em diversas
ocasiões.
Temos informações de que os cyberterroristas envolvidos na ação que resultou
no blecaute foram regiamente pagos pelo Irã. E isso está sendo
convenientemente acobertado pela futura visita do presidente daquele país,
Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil dentro de menos de duas semanas.
Lembrando que esse indivíduo é o mesmo que nega o Holocausto, e que prega
que “Israel seja eliminado do mapa”.
Relembrando as suspeitas do senhor McConnell, listadas acima, o quadro com
que nós dO Farol nos deparamos, e apresentamos aos senhores, caros leitores,
está completo!
Tratou-se de um treino, patrocinado por Hugo Chavez e seu grupelho de
apoiadores, entre os quais grupos radicais de esquerda brasileiros, com o
fim de realizar um teste. Convenientemente, um teste que revelou exatamente
aos inimigos do Brasil na América do Sul onde atacar, a fim de colocar o
“imperialista do sul”, como somos chamados, de joelhos.
Os hackers responsáveis foram treinados e patrocinados pelo Irã, que com
isso os preparou para seu próximo passo: um ataque similar contra o que
esses fanáticos chamam de “grande Satã”, os Estados Unidos.

Mas ainda podemos listar mais uma informação impressionante para nossos
estimados leitores. Em edições anteriores dO Farol, já fizemos alusões a um
possível caso de queda de um ovni na região norte, próximo a rodovia
Acará-Moju, em algum ponto dos três meses finais de 1977, em plena Operação
Prato da FAB.
Temos bons motivos para acreditar que os militares realizaram experiências
de vôo com essa nave em 1986, próximo ao famoso acontecimento da Noite
Oficial dos UFOs, em 19 e 20 de maio de 1986.
Sabemos que a nave recolhida durante o Caso Varginha não é nem remotamente
similar a esse modelo obtido quase uma década antes. É infinita e
incompreensivelmente mais avançada, razão pela qual permanece muito bem
guardada em uma instalação ultra-secreta do Exército, a Arma envolvida em
Varginha.
Já a primeira nave tem sido esmiuçada por cientistas nos últimos anos, e
sabemos que alguns apagões em um período anterior podem estar relacionados a
experimentos com essa nave.
Aparatos ultra-secretos já teriam sido construídos pelos mais capazes
cientistas brasileiros, dentro do projeto de estudos desse veículo
extraterrestre. E sabemos que uma coisa que falta para um teste efetivo de
tais aparatos é justamente energia, em imensas quantidades.
Temos informações que os tais fachos de luz descritos anteriormente poderiam
ser testes de um desses aparatos não identificados. E para isso, teria sido
necessário desviar quase que a totalidade da energia da hidrelétrica de
Itaipu!

Sim, sabemos que ambas as teorias, a do ataque cyberterrorista e a do teste
de um dispositivo ultra-secreto, são mutuamente excludentes.
Será mesmo?
Fato, ou ficção? Deixemos para os senhores leitores dO Farol decidirem por
sua própria conta. Uma coisa, entretanto, sabemos que é pura ficção: as
desastradas declarações de governo e políticos, situação e oposição, diante
de mais este absurdo perpetrado contra o povo brasileiro!

Estejam alertas, caros leitores! O Farol continuará trazendo aos senhores as
verdades que eles não desejam que sejam conhecidas. Aproveitamos para
sugerir que conheçam nosso trabalho desde o princípio, adquirindo o primeiro
volume de nossas investigações, sob o título DE ROSWELL A VARGINHA,
disponível nos links ao lado.
Até a próxima!

contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 16h44
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Vampiros, para um Feliz Halloween

Halloween. Dia das Bruxas.
Existe gente que não gosta dessa comemoração em 31 de outubro,
considerando-a uma "festa importada". Alguns até defendem a instituição
desse dia como o Dia do Saci.
Acredito que há espaço para todos. O Folclore brasileiro é riquíssimo, e eu
mesmo já experimentei utilizar alguns de seus elementos em minhas histórias.
Vejam aqui mesmo no blog, no conto Zé da Pinga, que o Zé chama os aliens de
"sacis".
Enfim, falou de Dia das Bruxas falou de criaturas da noite, e entre estas
com certeza as mais populares são os vampiros! E a onda vampírica na
literatura brasileira continua firme e forte, e até fiz algumas experiências
de embarcar nela como poderão ler abaixo, uma série de três curtos contos
que juntei em um só.

Em tempo, lembrem que está chegando nosso Encontro Vampiros e Lobisomens na
Livraria Cultura, hein? Cliquem no Aumanack ( www.aumanack.com ), para todas
as informações.

E se ainda não leram, convido-os a ler meu livro de Ficção Científica, De
Roswell a Varginha (Tarja Editorial). O assunto aqui são contatos
extraterrestres, mas é literatura fantástica também, aproveitem, olhem os
links ao lado!

E vamos aos vampiros! Gostaria somente de avisar que o conto que segue NÃO É
ADEQUADO PARA MENORES. Prossiga por sua conta e risco, combinado? Leia e
feliz Dia das Bruxas...

VAMPS

A noite de Halloween havia caído, naquele ano, em plena sexta feira, e o
diretório acadêmico acabou realizando uma comemoração.
Como era habitual, muita cerveja e música, as garotas dos outros cursos,
engenharia civil, direito, administração, compareceram em peso. Era difícil
para Eduardo e seus amigos se decidir por uma. Durval, já meio bêbado,
comentou:
- Meu, só tem gostosa, pena que nossa turma não é assim!
Como estudantes do terceiro ano de engenharia eletrônica, já estavam
habituados a frequentarem as aulas com predominância masculina nas salas.
Todos riram do comentário. Até mesmo os que já namoravam aproveitavam a
ocasião para “chavecar” um pouco. Eduardo, líder da turma, já noivo de
Manuela, era um destes. Foi quando a notaram.
Nissei, magra, mas de corpo escultural. Rostinho delicado, um anjo, cabelos
bem cuidados presos em rabo de cavalo. Camisa branca, saia curta preta,
meias brancas e sapatos pretos. Nem parecia universitária. Caio, já na sexta
lata de cerveja, disparou:
- Meu, eu acabei de ver essa “mina”, quando fui ver a Susana no primeiro ano
de Economia. Muito gostosa, não conseguia parar de olhar!
Todos riram, e alguns se levantaram para ir “catá-la”, mas Eduardo se
adiantou, dizendo:
- Não mesmo, caras, essa é minha!
- A Manuela vai ficar muito interessada nisso, riu Durval.
O outro olhou sério, e respondeu enquanto tirava a aliança da mão direita:
- Enquanto não subir ao altar tá liberado, vocês sabem...
Riu, e saiu andando. A garota havia encostado em um canto, observando a
festa com jeito tímido, abraçando os livros na altura do peito. Eduardo a
mediu de cima a baixo várias vezes, pegou no balcão duas latas de cerveja, e
parou bem junto da recém chegada:
- Oi, tudo bem? Quer uma cerveja?
Ela sorriu levemente, pegando a lata e bebendo um gole. Eduardo virou-se
para a turma, que fazia micagens sem parar em sua direção, lançou-lhes um
olhar autoritário, e encostou na parede ao lado da garota, cuja altura mal
chegava a seus ombros.
“Essa tá no papo!”, pensou de si para si, enquanto perguntava:
- Está gostando da festa?
Ela nada disse, mas um “han-han” afirmativo animou Eduardo. Ele começou a
falar, dizendo seu nome, o curso que frequentava, e finalmente, perguntou:
- E seu nome, qual é?
A garota olhou para Eduardo, e ele sentiu uma estranha sensação diante
daqueles olhos escuros, perdidos no rosto lindo e delicado. Finalmente, com
voz angelical, ela respondeu sorrindo:
- Geiza.
Ele novamente sentiu que valia a pena prosseguir, e pousando o braço em seus
ombros, perguntou:
- Gostaria de ir a algum lugar mais tranquilo?
Ela observava o ambiente, aquelas cerca de quarenta pessoas dançando,
bebendo e conversando no salão, a decoração cheia de fantasmas, morcegos,
algumas abóboras, e olhou para Eduardo, séria. Depois, virou o rosto, para a
mão pousada em seu ombro, beijou-a com extrema delicadeza, voltou-se para
ele e respondeu:
- Claro, por que não?
Em instantes estavam em uma sala vazia nas proximidades. O som alto era
ouvido com clareza, e Geiza largou os livros e a bolsa em uma das cadeiras,
sentando-se ao lado de Eduardo na mesa do professor.
Ele não se fez de rogado, beijando o pescoço da garota, que parecia
resistir. Suas mãos deslizavam por sua perna, até chegar embaixo da saia.
Geiza pareceu se assustar, pois o empurrou com as mãos em seu peito,
dizendo:
- Ei, você não está sendo muito apressado?
Eduardo, contrariado, a pegou pelos ombros, deitando-a na mesa, dizendo a
poucos centímetros de seu rosto:
- Então, por que concordou em vir para cá? Você vai gostar, eu prometo...
Voltou a beijá-la, sufocando seus protestos, enquanto enfiava a mão por
baixo da saia de Geiza. As pequenas mãos dela tentavam impedi-lo sem êxito,
quando deitou-se sobre ela, já tentando desabotoar a camisa. Parecia que a
débil resistência de Geiza apenas incentivava Eduardo a ir adiante:
- Você vai gostar, fofinha, relaxe... Deixe rolar, não resista...
Por um momento, ele parou, observando o rosto belo e delicado da garota.
Finalmente, Geiza abriu os olhos, encarando-o, sorrindo de um jeito bem
sacana:
- Deixar rolar? Uhn... tudo bem!
Agarrou o pescoço de Eduardo com uma força que o surpreendeu, derrubando-o
no chão. O universitário ainda estava zonzo com a surpresa, quando Geiza
caiu sobre ele, travando seus movimentos. Eduardo olhou para ela em pânico,
e a última coisa que viu foram os olhos vermelhos, e as presas que
despontavam em sua boca.
Geiza lançou os dentes sobre o pescoço dele, rasgando a pele e bebendo o
líquido quente com avidez.
Instantes depois levantava, vitoriosa e satisfeita, em pleno êxtase. Viu um
lenço despontando no bolso da calça dele, arrancou-o e limpou os lábios
sujos de sangue com o mesmo.
Observou a expressão apavorada, lívida e sem vida de Eduardo, jogando o
lenço sujo sobre o corpo.
Apanhou a bolsa e os livros, saindo calmamente da sala. O som da festa ainda
era ouvido, e Geiza caminhou na direção contrária. Seu celular tocou nesse
instante, ela atendeu, e disse:
- Você me pega em frente ao pátio? Ótimo, estarei lá!
Chegou ao local combinado, saindo sem problemas do campus, olhando para as
estrelas no céu, e dizendo, feliz e saciada:
- Adoro o Halloween!

Os mesmos dois rapazes que ela vira na noite anterior, em frente a casa
noturna especializada em pagode e gafieira, voltaram a aparecer.
Ela veio andando pela calçada, passando por dois outros bares e uma oficina
mecânica, ainda aberta aquela hora da noite. E em todos esses, a platéia
masculina a olhava com avidez, e quando havia mulheres presentes, estas
lançavam-lhe olhares de pura inveja.
Mais de uma começou a gritar com o namorado, ou o que fosse, “por ficar
olhando para aquela vagabunda!”, conforme Deise ouviu. Não que ela ligasse,
estava mais interessada em outras coisas.
Continuou andando. Vestia um sobretudo de couro que terminava um pouco acima
dos joelhos. O som dos saltos altos das botas de couro parecia música aos
que a observavam passar. A pele cor de café com leite, os cabelos longos e
muito lisos, os olhos negros e o sorriso frouxo dos lábios carnudos e
vermelhos levavam vários dos homens por que passara a soltar um “gostosa!”,
“vem cá, meu bem...”, ou “quer ser minha namorada?”, além, claro, de
propostas muito mais indecentes.
Deise nem ligou. Não havia absolutamente nada ali que a preocupasse. Sua
atenção estava focada apenas nos dois rapazes, um mulato e um negro, altos e
fortes, mal saídos da adolescência. Passou por eles, lançando a cada um
olhar cheio de segundas e terceiras intenções.
Eles estavam em um grupo de amigos, e todos começaram a olhá-la e fazer
aqueles comentários de baixíssimo nível. Por um momento, Deise lembrou de
outros tempos, quando se sentia ofendida. Que boba era, na época! Agora,
tudo era diferente. Ela descobriu, finalmente, que o poder sempre fora dela.
Parou e voltou-se, percebendo que os dois haviam se adiantado. Os amigos, lá
da porta da casa noturna, riam e faziam piadas sem parar.
Deise veio andando, passando pelos dois, parando e dando as costas ao grupo,
que não parava de gritar. Olhando de forma sedutora para ambos, desamarrou a
faixa da cintura do sobretudo, e o abriu de uma vez, para que apenas seus
dois escolhidos a vissem.
A expressão deles, um misto de surpresa, admiração e excitação, ao vê-la
totalmente nua por baixo do casaco, sozinha já compensaria pela aventura.
Pelos segundos que Deise se exibia, eles não conseguiram tirar os olhos de
seu corpo perfeito.
Quando julgou que já era suficiente, voltou a fechar o sobretudo. Os dois
mantinham uma expressão de absoluta estupefação, e Deise se voltou e sorriu
para a turma, que não parava com sua bagunça. Virou-se e caminhou para a
dupla, passando os dedos pelo queixo de cada um como um convite.
Andou até uma viela no final do quarteirão, ao lado da última casa, que
estava abandonada. Entrou no lugar escuro, onde havia amontoados de lixo
aqui e ali, e parou perto de uma lata de lixo. Voltou-se, e viu os dois,
parados a pouca distância.
Sem pudores, Deise abriu o casaco, desta vez tirando-o e o deixando sobre a
lata de lixo. Exibiu-se nua, só de botas e com um sorriso orgulhoso nos
lábios.
Eles não esperaram mais, e logo Deise tinha os dois para si, um a abraçando
por trás e agarrando seus seios, outro a possuindo pela frente, ao mesmo
tempo que passava as mãos por todo seu corpo. Era um ato selvagem, quase
animalesco, e eles já estavam sem fôlego logo depois de começarem.

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 14h18
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Vampiros, para um Feliz Halloween!

Continuação...

Mas não Deise, que era quem, na verdade, possuía a ambos naquela viela
escura. E na escuridão, o rapaz a sua frente não reparou quando ela trouxe a
cabeça do outro para perto, enterrando os dentes em seu pescoço.
Ela estava tão excitada que bebeu o sangue todo em instantes. Só quando seu
amigo caiu sem vida, é que o outro sentiu que algo parecia errado.
A meia luz, viu o amigo caído, abriu a boca para dizer algo, mas o corpo
escultural de Deise o distraía. A abraçava e apalpava sem parar, e
finalmente a beijou. Foi quando sentiu.
Sentiu sua boca sendo rasgada, o sangue escorrendo, e a voz que não saía.
Quando finalmente a mulata o largou, tentou gritar ao ver, em um jogo de
luzes e sombras, os compridos caninos em sua boca. Mas já não tinha mais
forças.
Em um último orgasmo, ela o mordeu no pescoço, bebendo o restante do sangue
ainda quente. Um segundo corpo sem vida caía ao chão.
Deise apoiou-se na parede, satisfeita e saciada, acariciando seu corpo nu.
Instantes depois, apanhou o celular no bolso do sobretudo, e teclou um
número. Quando Geiza atendeu, disse:
- Já estou indo te pegar para passarmos na casa da Maria. Tá, tchau!
Apanhou o sobretudo, e sem vesti-lo saiu caminhando nua até o carro,
estacionado no final da viela. O som dos saltos das botas era a única coisa
que se ouvia.
Minutos depois, um sedã negro estacionava diante do pátio da universidade, e
Geiza entrava pela porta de trás. A nissei trocou um beijo de bochechas com
Deise, enquanto admirava as formas da mulata, agora de short preto e blusa
de alças cinza metálica. Perguntou:
- E minha roupa, você trouxe?
Deise riu, e respondeu:
- Por que vai se trocar? Os rapazes adoram esse look colegial...
Geiza não respondeu, tirando a roupa e vestindo uma saia xadrez vermelha,
sandálias de salto alto com tiras que se enrolavam em suas pernas, e um top
branco. Adorava chocar as pessoas com seu visual, e depois de passar para o
banco da frente, soltou o rabo de cavalo e começou a arrumar os cabelos,
prendendo-os em duas tranças, uma de cada lado.
- Será que Maria já acordou?
Deise ouviu a pergunta de Geiza, e deu de ombros. Em alguns minutos, de
qualquer forma, ela acordaria com a chegada das amigas.

Maria era promoter. E, como tal, ninguém parecia ligar para o fato de que
dormia de dia, e trabalhava a noite.
Trabalhar não era bem o termo, ao menos para ela. Agitar seria bem mais
adequado, pois amava o que fazia. Gostava da noite, das festas, do
glamour...
Acordou com o telefone tocando, e antes de atender viu que já eram quase
onze da noite. A festa começaria a meia noite, e felizmente, o galpão onde
seria realizada não era longe. Além do mais, as amigas viriam buscá-la.
Imaginando serem elas, atendeu, mas ouviu uma voz masculina:
- Oi, será que te acordei?
- Uhn, acordou sim...
- Desculpe.
- Que nada, adoro ouvir sua voz... Estou com saudades...
- Maria, você sabe como me sinto.
Reinaldo era jornalista e escritor, e eles mantinham um caso havia uns cinco
meses. Na verdade, era difícil conciliar horários, mas quando se viam...
Maria mordeu os lábios de saudade e desejo, e disse:
- Sabe muito bem que jamais faria algo contra sua vontade... Só quero seu
carinho, sua paixão... Seu tesão...
Ele suspirou, ficando alguns segundos em silêncio. Se contasse aos colegas,
certamente o mandariam a um hospício. Quando Maria revelou seu segredo,
Reinaldo a princípio não acreditou. Maria teve que revelar-se, mostrar sua
verdadeira natureza.
Fora arriscado, e o mais difícil para ela era se controlar quando faziam
amor, ou apenas estavam juntos, assistindo a algum filme na televisão como
se fossem um casal comum. Reinaldo realmente havia se afastado com medo após
a revelação, e sumido por vários dias. Mas logo voltava a vê-la, atraído
talvez por aquele gosto do proibido, do sacrílego, de ser um humano
namorando alguém... que não era exatamente o que se chama de normal!
- Ainda está aí? - perguntou Maria sussurrando.
- Sim.
- Estou com saudades, queria te ver... Tenho um ingresso reservado prá você,
vem, vai...
Custava a Reinaldo resistir quando ela estava assim, carente, falando
daquele jeito tão meigo, tão sensual... Mas também tão perigoso! Lembrou-se
da primeira vez que a viu, fazendo... Foi a coisa mais chocante que já havia
visto, mas era ao mesmo tempo tão fascinante... A atração que nutria por ela
aumentou ainda mais, tornando-se quase um vício.
Era isso! Um vício! Uma mania, uma maldição, da qual ele deveria se livrar!
Mas veio a sua mente a imagem de Maria, doce, meiga, bela e delicada, os
cabelos castanho-escuros meio encaracolados, caindo em cachos sobre os
ombros, o jeito de menina, o corpo escultural, a pele alva e macia, seu
cheiro, seu toque...
- Desculpe - ele respondeu - hoje realmente não posso, amanhã tenho que
levantar cedo.
- Ah, que pena...
Ela levantou-se, puxando o lençol de cetim que cobriu parcialmente seu corpo
nu. Do outro lado do lençol, algo pesado caiu ao chão, fazendo um barulho
que Reinaldo não pôde deixar de ouvir, pois perguntou:
- O que foi isso?
Maria olhou na direção de onde viera o barulho, mordendo a ponta do dedo, e
pensando no que dizer. Finalmente, respondeu:
- Reinaldo, você sabe que não exijo exclusividade... e sabe também que não a
concedo... Para mim, basta ouvir sua voz, e o ver e tocar ocasionalmente...
Mas sempre haverá outros.
Ele suspirou, lembrando como aquela situação já o havia deixado bravo
anteriormente. Entretanto, o tempo de convivência já o havia ensinado que
Maria era diferente. E, de qualquer forma, poderia dar-se por satisfeito, e
disse isso a ela:
- Bem, ao menos sei que, por agora, tenho a certeza de acordar na manhã
seguinte, depois de dormir com você.
Lembrou-se da última vez em que fizeram amor, quando, tomada pela excitação,
Maria havia mudado. Reinaldo viu ali, em sua face demoníaca, os olhos
vermelhos e os longos caninos, a face da morte, de sua própria morte... Mas
logo a garota voltava ao normal, carinhosa como sempre, embora ele
continuasse sentindo um certo incômodo, principalmente quando ela o beijava
no pescoço.
- Acho que daqui a duas noites poderei ir ver você.
- Que bom, querido, é minha noite de folga! Esperarei ansiosa...
- Não me diga que está ansiosa! Para falar a verdade, isso ainda me assusta
um pouco!
- Nunca farei mal a você, querido. Bem, sabe que há outra opção...
- Prefiro que, como das outras vezes que mencionou, deixe esse papo de me
transformar de lado. Ao menos por hora.
Ela, como sempre, ficou um pouco frustrada, mas Reinaldo adivinhou que
instantes depois Maria estava sorrindo, daquela forma adorável que fazia.
Perguntou:
- E o cara dessa noite, quem era?
- Humpf! Um chato, participante de um desses reality shows... Queria porque
queria participar da festa!
Reinaldo se arrepiou, mas novamente, aquela deliciosa sensação do proibido
superava em muito o arrependimento, de saber de tudo aquilo e nada mencionar
a ninguém. Esqueceu-se daquilo, e disse:
- Então, até daqui duas noites. Te amo.
- Também te amo, tchau.
Maria desligou, e constatou que seu “convidado” ainda vivia. Vestiu um
roupão e chamou um táxi, despachando no mesmo o sujeito. Seu dom de ilusão
faria o taxista esquecer quem era ela, e onde havia apanhado aquele
passageiro moribundo.
Ela subiu, tomou um banho rápido, e terminou bem a tempo de receber as
amigas, enrolada na toalha. Deise e Geiza a ajudaram na escolha da roupa, e
depois de muitos palpites Maria escolheu um conjunto de blazer e saia
(curtíssima!) pretos, e uma camisa branca. Sapatos de salto alto faziam a
combinação perfeita e elegante, adequada a promoter e dona da festa.
Logo, as três chegavam ao galpão, onde uma grande multidão se amontoava.
Roupas e fantasias de todos os tipos, vozes altas e muita animação. Quando
Maria e amigas chegaram, a turma abriu alas. As três examinavam atentamente
cada alma ali presente, escolhendo qual deveria entrar e qual não, e quais
seriam depois servidas aos pouquíssimos convidados vip...
A meia noite em ponto, a festa começou. Seria um Halloween e tanto!

Contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 14h17
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O novo Aumanack, e mais de meu livro

A grande notícia da semana é que finalmente conseguimos colocar no ar o novo
site Aumanack! O link continua o mesmo e obviamente está na relação aí ao
lado, mas para facilitar:

http://www.aumanack.com

Visitem, escrevam, mandem sugestões, prestigiem... Mesmo porque agora basta
clicar em Equipe e vocês poderão nos conhecer mais!
Aproveitando, no próximo 7 de novembro faremos nosso primeiro evento,
dedicado ao lançamento do filme Lua Nova e a esses seres fantásticos que são
vampiros e lobisomens. Será na Livraria Cultura do Shopping Bourbom Pompéia,
então passem lá no Aumanack e inscrevam-se!



E para encerrar este curto post, mais opiniões sobre De Roswell a Varginha,
meu livro:

"O dia em que faremos contato com os extraterrestres não demora mais que
algumas páginas na literatura de ficção científica de Renato Azevedo.
Coeditor do site Aumanack, colaborador também da Revista Ufo, o paulistano
lança o livro ''De Roswell a Varginha'' (Tarja Editorial), o primeiro de uma
série inspirada em relatos sobre objetos voadores não-identificados... Com
uma trama recheada de conspirações e traições, o livro tem combustível para
explorar o espaço editorial brasileiro, que verifica um crescimento do
público interessado em ficção científica. Afinal, não é de hoje que o tema
faz sucesso também nos cinemas."
Francismar Lemes, jornalista Folha de Londrina
http://www.bonde.com.br/folha/folhad.php?id=526&dt=20090402

"Fabuloso e espetacular. Muito jornalistico e cheio de informações
enriquecedoras. Parabéns Renato:-)"
Adriano Siqueira
http://www.adoravelnoite.com/

Só tenho a agradecer a todos pela imensa generosidade em seus comentários, e
assegurar que continuarei sempre batalhando pelo justo e merecido espaço de
nossa boa, velha e querida Ficção Científica!
Não se esqueçam de conferir mais opiniões e comentários sobre De Roswell a
Varginha abaixo, nos posts anteriores.

Então, é isso, e de novo reforço o convite, venham nos conhecer no próximo
dia 7 de novembro, e prestigiar nosso primeiro Evento Aumanack.
Até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 17h55
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De Roswell a Varginha, Ano Um

Hoje é dia de comemoração aqui no Escritor com R!

Mas antes, algumas palhinhas do que andei assistindo nesta semana que
passou.
Na terça, conferi a cabine de imprensa de Distrito 9, pela qual mando os
maiores agradecimentos a Sony Pictures.
O filme é absolutamente sensacional! Uma Ficção Científica com conteúdo
riquíssimo, daquelas que denunciam sem hesitação como alguma classe de seres
humanos consegue ser muito, muito idiota.
Tenho orgulho em ter escrito a primeira nota a sair na imprensa brasileira a
respeito, para a UFO 157, na minha coluna Imprensa Ufológica.
Na próxima semana, um artigo completo de minha autoria será publicado no
Aumanack, e também no site da UFO. E falando em site, recomendo um que vem a
ser um blog do alienígena Christopher:

http://www.mnuspreadslies.com/index.php



Distrito 9 estréia dia 16 de outubro, não percam!

Na quinta finalmente consegui assistir Up, e sabem tudo aquilo que todo
mundo anda dizendo?

É verdade!
O filme é maravilhoso, traz uma história emocionante e divertida, e é uma
lição de vida! É Pixar, então... bom, assistam!

E finalmente, hoje se completa um ano de uma grande vitória, uma vitória
suada que resultou de muito trabalho, dedicação e paixão. O lançamento de
meu primeiro livro, De Roswell a Varginha, pela Tarja Editorial!
Antes de mais nada, quero agradecer aos editores, Richard e Gian, que
acreditaram neste projeto.
Em seguida, gostaria de pedir desculpas a minha amiga e colega Cristina
Lasaitis, pois copiei descaradamente a idéia que ela teve para também
comemorar um ano de seu livro, Fábulas do Tempo e da Eternidade.
Não vou falar de De Roswell a Varginha, mas deixarei outros amigos falarem
dele...



http://cristinalasaitis.wordpress.com/2008/10/25/na-trilha-dos-ufos/
O mais recente lançamento da Tarja Editorial, De Roswell a Varginha, vem
especular sobre os acontecimentos mais surpreendentes da ufologia e as
artimanhas dos governos e juntas militares para acobertar os fatos. Ninguém
mais indicado para abordar a questão do que Renato A. Azevedo, que é
colaborador de longa data da Revista UFO e tem contato com estudiosos da
ufologia.
O livro traz uma mescla de ficção policial com documentário ufológico e
lembra um pouco os episódios da série Arquivo X... De Roswell a Varginha é
uma leitura rápida, muito movimentada e instigante, que não deixa desvanecer
as interrogações de um passado recente, levando-nos a repetir a pergunta que
nunca se calou. Afinal, o que foi que aconteceu? (Cristina Lasaitis).

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3281895-EI6622,00-Resenha+Ficcao+cientifica+ufologica.html
É obviamente um texto de ficção ufológica, primeiro de uma série claramente
influenciada por Arquivo X, mas também pelos caminhos e descaminhos da
ufologia brasileira - o principal ponto de interesse do livro... Eu
certamente espero que, no prosseguimento desta série, Renato A. Azevedo se
concentre mais nesse aspecto da ufologia como subcultura brasileira...
(Roberto de Souza Causo).

http://bloginsonia.wordpress.com/2009/01/07/resenha-de-roswell-a-varginha-renato-a-azevedo/
Com uma escrita rápida e prazerosa o livro começa apresentando o caso
Roswell no Novo México em 1947, passando pelo Forte Itaipú em 1957 até
chegar à Varginha, em Minas Gerais, no ano de 1996, descrevendo os casos de
aparições de OVNIs nessas regiões.... A trama e o clima de mistério nos faz
relembrar do mega sucesso dos anos 90, Arquivo X e tem diversos elementos
que remetem a série... O livro é excelente e super recomendado para os fãs
do gênero. (Tiago Castro)

http://aguarras.com.br/2008/10/07/de-roswell-a-varginha-de-renato-azevedo/
De Roswell a Varginha tem na sinceridade a sua maior qualidade. É um livro
feito por alguém que entende do assunto... De certo modo, acho que todos
torcem para que exista algo que nos faça arregalar os olhos novamente, que
nos faça gritar surpresos, que traga de volta o sentimento infantil de
encarar o desconhecido pela primeira vez... (Eric Novello)

http://radartrash.blogspot.com/2009/08/de-roswell-varginha.html
É um livro de ficção, um thriller rápido e gostoso de se ler. Acho que para
"começo de conversa" foi ótimo.
O autor do livro é Renato Azevedo, que tem bastante experiência na área. Ele
é membro do conselho editorial da revista UFO e já colaborou para a Sci Fi
News, além de ter escrito outros livros de ficção científica. E o melhor de
"De Roswell a Varginha" é justamente quando o autor destila seus
conhecimentos sobre os casos em questão. Os relatos impressionam pela
riqueza de detalhes, o que nos faz ficar em dúvida sobre o que é fato e o
que é ficção... Espero que a ideia de uma série de livros frutifique, pois a
literatura de ficção científica no Brasil ainda é escassa, pouco conhecida,
e trabalhos como esse só trazem benefícios. (Carlos Eduardo Vilaça)

http://azhiel.wordpress.com/2008/10/26/de-roswell-a-varginha/
O livro é um verdadeiro tributo aos amantes da ficção. Um romance digno dos
antigos livros de mistério e ficção que tanto nos fascinam, com mistérios,
personagens carismáticos e um verdadeiro enredo. (Azhiel)

OBRIGADO a todos vocês, aqueles que leram e mandaram tantos elogios, dizendo
até que parece um filme, e por sinal, quando sai o filme?
Pois é, eu adoraria ver a história de De Roswell a Varginha na telinha ou na
telona. Produtores brasileiros, os sul-africanos realizaram provavelmente a
Ficção Científica do ano com Distrito 9, bem que poderiam procurar a nós,
autores da FCB, não é mesmo?

Roberto, Ligia, Batista, Leandro, Franco, Silvia, Reynolds, todos eles
personagens de De Roswell a Varginha, apareceram também em outras histórias,
incluindo alguns contos publicados aqui mesmo no Escritor com R. Vejam os
links aí ao lado, Brasilis 2027, A Rocha Natalina, O Caso Guabiraba, O
Dossiê, Irmãos, e O Dia em que o Brasil Parou.
E mais um conto ambientado nesse mesmo universo entrou no ar hoje, Um Dia
Normal de Trabalho e a Conspiração Global, publicado no site Fontes da
Ficção:

http://fontesdaficcao.wordpress.com/

Quero por isso agradecer aos colegas também escritores, J. Modesto, James
Andrade e Nelson Magrini pela oportunidade.

Ainda me supreendo como o universo que estreou em De Roswell a Varginha
tornou-se prolífico. Foram vários contos baseados nessa história, e já tenho
três livros registrados que são sequências do que vocês leram ou ainda vão
ler nesse livro da Tarja Editorial.
Que, por sinal, está com uma promoção bem bacana, sete livros incluindo o
meu, vejam em:

http://www.tarjaeditorial.com.br/promocao/promocao_7livros.htm

Ou então, se quiserem seu exemplar de De Roswell a Varginha já autografado,
escrevam para mim, o e-mail está abaixo, combinado?
Obrigado novamente a todos os amigos e amigas que tanto torceram por mim,
esta vitória é dedicada a vocês.
Até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 18h34
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Distrito 9 no Festival do Rio

O Festival do Rio 2009 começa na Cidade Maravilhosa nesta quinta, 24 de
setembro, e vai até 8 de outubro. A página do festival é:

http://www.festivaldorio.com.br/site2009/

Diversos filmes concorrem, mas um deles em particular merece todo o destaque
aqui.
Distrito 9 (District 9), teve um orçamento de 30 milhões de dólares e se
pagou no primeiro fim de semana lá nos Estados Unidos, onde estreou ainda em
agosto. Estréia aqui em 16 de outubro (sabe como é, os camelôs precisam
faturar algum com seus DVDs piratas...).

Um dos destaques do filme é a produção a cargo de Peter Jackson, premiado
com o Oscar pela trilogia O Senhor dos Anéis. Outra característica do filme
que merece comentários é a luta contra o racismo em meio a temática
puramente de Ficção Científica.
Confiram mais a respeito em:

http://www.d-9.com

E também na revista UFO 157, Imprensa Ufológica (minha seção, aliás):

http://www.ufo.com.br/index.php?arquivo=notComp.php&id=4461

Na história do filme, os alienígenas chegaram há quase 30 anos, e quando
todo mundo pensou que seria ótimo utilizar sua tecnologia, má notícia: ela
só funciona com o DNA deles. Resultado, foram confinados em uma autêntica
favela, o Distrito 9 do título, e são controlados por uma multinacional, a
MNU. Em meio a uma operação em District 9 que parecia de rotina, um agente é
infectado por uma substância estranha e passa a ser caçado. Apenas no
Distrito 9 ele conseguirá esperança.

Aqui no blog já havia sido comentado esse filme que promete muito, em:

http://escritorcomr.blog.uol.com.br/arch2009-08-02_2009-08-08.html#2009_08-03_16_24_49-8051826-0

Finalmente, comemorando dois anos de Tarja Editorial, vamos todos nos
encontrar em 26 de setembro, próximo sábado, a partir das 19 horas lá no
Bardo Batata.
Na ocasião, estará disponível uma batata suíça especial em homenagem a
Adoniram Barbosa, o músico que mais flertou com São Paulo em sua obra, além
do conjunto Demônios da Garoa.
Quem pedir a batata Adoniram Barbosa irá ganhar sem custo extra um exemplar
do primeiro livro da Tarja, VISÕES DE SÃO PAULO - ENSAIOS URBANOS.

O livro traz 50 ensaios independentes, por 50 autores, retratando das mais
diversas formas e gêneros, esta Paulicéia que tanto nos inspira.
O Bardo Batata ( www.bardobatata.com.br ), fica na Rua Bela Cintra 1333.

Este Escritor com R estará presente, então compareçam e venham bater um
papo. Inclusive sobre meu livro também, De Roswell a Varginha, combinado?

Até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 18h01
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Atualização com muitos assuntos!

Depois de bastante tempo, estava bem na hora de atualizar o blog!
Temos novos links ao lado, podem conferir por favor!

Já foram ler o conto erótico da minha amiga Roberta, lá no Escritor
Proibido. Então, se forem maiores, estejam convidados, o link também está aí
na direita.

Nesse mesmo lado encontra-se o link do Aumanack, sempre atualizado com as
mais variadas notícias. Vale destacar uma bem legal, com imagens do
presidente Barack Obama nos jardins da Casa Branca promovendo a candidatura
de Chicago para as Olimpíadas de 2016.
Numa brincadeira com o time americano de esgrima, Obama fez alguns lances,
empunhando... um sabre de luz!
Como destaquei no artigo, cada país REALMENTE tem o presidente que merece!

Fico aqui pensando, sempre repentem para nós, desde tenra infância, que o
Brasil é o país do futuro, que aqui não há tragédias (e os políticos, o que
são?), que o brasileiro é criativo, que Deus é brasileiro...
Vai ver Ele colocou essas criaturas subdesenvolvidas na arena política para
a gente parar de dizer esta última, quem sabe?

Quanto a criatividade, pensei no seguinte. Quem acompanha novelas?
Francamente, a parte diferenças mínimas, são todas absolutamente iguais!
Vejam os Estados Unidos, por outro lado, e darei apenas três exemplos,
ligados a nosso gênero preferido, a boa, velha e insubstituível Ficção
Científica.
Star Trek, Star Wars, e Stargate.
As três tratam de viagens espaciais, nas três os humanos se encontram com
criaturas estranhas, e nas três há muito debate filosófico da melhor
qualidade.
Entretanto, é impossível confundí-las!
Enquanto aqui... bom, já falei das novelas, mas se quiserem buscar outros
exemplos, estejam a vontade.
Então, brasileiro é criativo mesmo?
Ou os brasileiros de fato criativos são afogados pelo peso da indústria
estabelecida, para que seus figurões continuem sempre em alta?

Muitos vão ter a impressão que estou manifestando inveja quanto aos
americanos. Bom, honestamente, é inevitável sentir sim!
Nâo há como não invejar uma cultura que teve, entre outras coisas, isto
aqui:

http://www.coverbrowser.com/

Cliquem em Pulps dentro desse link. Vejam a imensa quantidade e variedade de
publicações trazendo histórias dos mais variados autores. Aliás, a grande
maioria entre essas revistas era de Ficção Científica, e publicaram caras
como Asimov, Lovecraft... Foi nessas revistas que os mestres se formaram, e
hoje todos fazemos idéia do que deve significar ser fã de Ficção Científica
nos EUA.
Eles tem um presidente que empunha um sabre de luz!

Já nós...
Melhor encerrar esse tema deprimente por aqui, afinal! Não sem antes abrir
espaço para um novo...

O Plantão dO Farol

Edição extra, 18/09/2009

Mais uma vez, caros leitores, cumprimos nosso dever de transmitir a vocês os
fatos que muitos não querem que a sociedade conheça!

Eles dizem que não existem conspirações. Que tudo está na melhor das
normalidades democráticas, que “nunca antes neste país” houve tanta
liberdade.
Mas obviamente, quem ainda retém a capacidade de pensar por si próprio sabe
que tudo isso não passa de uma grande mentira! Das muitas que nos contam
diariamente, como a que reza que o Brasil é o país do futuro, que o
brasileiro é cordial, criativo e batalhador... tantas e tantas, repetidas a
exaustão até que sejam aceitas como verdades!
Estejam atentos, caros leitores: existe um processo sub-reptício e perverso
em curso, destinado a calar a liberdade de expressão na América Latina,
processo esse que experimentamos também aqui no Brasil.

Terça passada foi comemorado o Dia Internacional da Democracia. E o que o
senador Ribamar afirmou em seu discurso? Que “a mídia é inimiga das
instituições”.
No mesmo dia em que o governo argentino, sob a nefasta liderança dos
Kirschner, aprovava uma lei para aumentar o controle do estado sobre a
mídia. Quase simultaneamente ao anúncio do governo do Equador de que prepara
pacote semelhante.
Esses fatos ocorreram ao mesmo tempo em que ministros das relações
exteriores da União de Nações Sul-Americanas se encontravam em Quito,
pressionando a Colômbia quanto a seu acordo com os Estados Unidos a fim de
permitir a continuidade do pacto militar entre estes dois países.

Um sujeito em especial tem particular interesse em todos esses fatos. O
virtual ditador da Venezuela, Chavez. É evidente para qualquer pessoa
alfabetizada que este detestável personagem pretende estender seu domínio
totalitário por toda a América Latina, e para isso conta com seus comparsas,
Correa do Equador, e Moralez da Bolivia.
Os Kirschner na Argentina, e Lugo do Paraguai, igualmente se alinham as
pretensões totalitárias do caudilho venezuelano. Lamentavelmente, o governo
brasileiro, iludido por sua política de boa vizinhança, parere não querer
perceber o perigo representado por Chavez.
Vejam que eles estão literalmente cercando o Brasil, basta ver no mapa!
O venezuelano já arquitetou acordos militares com Rússia e Irã, este último
particularmente sensível na questão nuclear, e nenhum governo da região
ergueu o tom. Já o governo legítima e democraticamente eleito da Colômbia
negocia um acordo com o governo americano e todos estrilam, fazendo coro com
o ditador Chavez.
O governo brasileiro, especialmente, já lavou inúmeras vezes as mãos no
tocante ao grupo terrorista e traficante das Farc, que já invadiram
território brasileiro e tem conhecidos laços com grupelhos similares de
nosso país. Mas ridiculamente protesta contra a iniciativa colombiana de
combate a esses terroristas com auxílio norte-americano. Joga assim, pela
janela, qualquer papel de verdadeiro e responsável protagonista que nosso
país poderia ter. O fascista Chavez agradece!

Enquanto isso, no plano interno temos nossos próprios fascistas, e nenhum
deles de fato equipara-se ao já mencionado senador Ribamar. Ele não apenas
diz que a imprensa é inimiga das instituições, como atua com todas as forças
para calá-la. Como exemplo vemos a censura que logrou estabelecer contra um
grande jornal de São Paulo, por ato de um desembargador do TJ de Brasília
com quem mantém íntimas e nada éticas ligações.
Pior foi o TJ haver declarado o referido desembargador suspeito, mas não ter
tornado nula a ação! O Brasil, então vai por meio de decisões desses juízes
de primeira instância igualando-se a ditaduras que censuram a livre
expressão e manifestação.
Lembramos que o senador Ribamar foi fiel servidor da ditadura militar no
período de 1964 a 1985, quando foi elevado de vice a presidente em razão do
falecimento do titular. Voltemos ainda a um assunto que nos é muito caro
aqui nO Farol, o dos arquivos de discos voadores, e quem era congressista e
aliado da ditadura em 1977, durante os extraordinários dias da Operação
Prato? Ribamar. Quem era presidente em maio de 1986, durante os eventos da
conhecida Noite Oficial dos UFOs? Sim, ele mesmo, Ribamar! Alguém ainda se
pergunta por que só a duras penas os documentos classificados a respeito
desses dois casos estão sendo liberados?
O agora senador Ribamar notoriamente conhece cada milímetro dos corredores
do poder de Brasília, aos quais sempre retorna devido ao voto de cabresto
que detém no Maranhão, seu estado natal. Ele é o ápice do coronelismo
eletrônico, controlando praticamente toda a mídia de seu estado. E já
denunciamos em passadas edições do Farol que o grupo de mídia comandado por
Ribamar já fez inclusive experimentos secretos com controle da mente usando
mensagens subliminares.
Esse é o exemplo de mídia que o senador Ribamar, atual presidente daquela
casa legislativa, gosta! Sob seu controle, louvando suas “realizações” como
“estadista”. Nos permitimos aqui reproduzir um trecho do editorial do grande
jornal desta capital paulista, O Estado de São Paulo, sob censura a mando de
Ribamar: “Também na terça-feira, aproveitando a passagem do Dia
Internacional da Democracia, o presidente do Senado voltou a se dar ares de
estudioso das realidades contemporâneas para dizer que a ‘mídia passou a ser
uma inimiga do Congresso, uma inimiga das instituições representativas’.
Segundo a teoria conspiratória com que busca se desforrar da imprensa por
ter exposto o oligarca velhaco por trás do suposto estadista, a mídia se
volta contra o Legislativo porque passou a competir com ele pela
prerrogativa de ‘representar o povo’, um completo disparate”.
Estamos totalmente ao lado de nossos colegas de O Estado de São Paulo para
que essa odiosa censura caia, pois todos sabemos muito bem quem são os
verdadeiros inimigos das instituições.

E ainda um outro fato ocorreu nesses mesmos dias, a aprovação da chamada
minirreforma eleitoral. O grande destaque, evidentemente, foi a tentativa de
estabelecer censura na Internet, com o que “vossas excelências” pretendiam
controlar a livre circulação de idéias durante a campanha eleitoral de 2010.
Uma idéia absurda e estapafúrdia, felizmente destinada ao completo fracasso.
Foi essa constatação, mais a veemente reação das pessoas esclarecidas e
verdadeiramente preocupadas deste país, que fez com que os congressistas
voltassem atrás.
Igualmente em edições passadas dO Farol denunciamos reuniões secretas no
Congresso Nacional, na calada da noite, especialmente durante 1996 e 1997,
onde foi discutida a tentativa de um pequeno grupo de “caciques” políticos
de apossar-se de informações a respeito do Caso Varginha. Um dos
participantes, evidentemente, foi Ribamar. Não se admita que o atual
governo, que publicamente se diz satisfeito por nas eleições de 2010 “não
haver nenhum candidato da direita troglodita”, seja aliado desses coronéis.
Eles sabem. Sabem de tudo. E não querem que você saiba.

Estejam alertas, caros leitores! E eles podem tentar, mas não conseguirão
nos calar. O Farol continuará a trazer a vocês as verdades que eles não
querem que você saibam. Enquanto isso, o primeiro volume de nossas
investigações aqui nO Farol encontra-se disponível, sob o título DE ROSWELL
A VARGINHA, bastando clicar nos links ao lado.



Até a próxima!

Contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 16h21
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Mais Steampunk, e outras coisas

Uma das coisas que não teve espaço para comentários no post anterior foi o
novo conto postado em meu blog de contos eróticos, O Escritor Proibido.
Intitulado Amigas e a Noite, é de autoria de minha amiga (e ótima
escritora!) Roberta Nunes. O link está ao lado, mas o próprio nome diz, é
proibido para menores, depois não mandem mensagens iradas, combinado?
E aproveitem e visitem o blog Profana, Eu?, também da Roberta, o link
igualmente está ao lado!

Pausa para falar de coisas desagradáveis. Como se não bastasse a torrente de
notícias que nos causam um indescritível asco, agora a classe repugnantes de
criaturas sub-humanas, mais conhecidos como políticos, pretende censurar a
Internet!
Sim, é isso mesmo: querem equiparar o Brasil a poucas republiquetas que
tentam controlar o que não pode ser controlado, a livre circulação de idéias
que está na própria essência da Grande Rede, durante as eleições do ano que
vem. Obviamente irão fracassar, e isso é tão patente que uns e outros já
começam a dizer que não é bem assim, o projeto de reforma eleitoral (que só
beneficia a eles, bem entendido), será modificado...
A censura imposta a rádios e TVs já é uma obscenidade, pois um desses
subdesenvolvidos pode falar a maior barbaridade no também indecente horário
eleitoral gratuito, e ninguém pode depois corrigir.
Por que vocês acham que os políticos festejaram o voto para os analfabetos?
E por que querem nos calar? Porque o povo mantido na ignorância acredita que
eles só tem as melhores intenções, que o pré-sal é nossa segunda
independência (quanto será que custou para nossos bolsos a incessante
exibição daquelas chamadas da Petrobrás na TV?), e outras mentiras
equivalentes.
E assim mais e mais a politicalha vai deixando claro que todos são iguais, e
é necessário mesmo uma faxina geral na política brasileira. E esse
sentimento é perigoso, por ser terreno propício ao surgimento dos
"salvadores da pátria".
E nesta semana em que se completaram 70 anos do princípio da Segunda Guerra
Mundial, vale a pena lembrar que Hitler posava de salvador da pátria também,
com os resultados apocalípticos que qualquer um bem informado conhece.
Assim, para simbolizar a politicalha nacional, essa imagem que encontrei no
site de humor Kibeloco vem bem a calhar...



Leituras, como sempre ando as voltas com um monte! Recomendo o mais novo
álbum de Calvin & Haroldo, A Hora da Vingança, da Conrad, sensacional!
Acabei finalmente de ler o Paradigmas 1, da Tarja Editorial, e quero dar os
parabéns a todos os autores, muito bons os contos. Ah, e um deles também é
da Roberta Nunes!
Estou lendo dois ao mesmo tempo da Coleção Biblioteca UFO, UFOs na Rússia e
OSNIs, valem a pena.

Finalmente, voltando a falar em Steampunk, tentei encontrar algumas imagens
pela net para ilustrar meu conto Aurora, abaixo, e procurando "steampunk
blimps" ou "steampunk airships", encontram-se coisas muito legais. Me
fascina a estética desse movimento. Uma das imagens que achei mais parecida
com as idéias de meu conto abaixo é esta:



E descobri que mais uma vertente fantástica seguiu-se ao Stempunk, o
Dieselpunk. Se o primeiro localiza-se na coordenada temporal próximo da Era
Vitoriana, o Dieselpunk se situa mais entre os anos 1920, 30 ou 40, e até
mesmo 1950.
Agora já temos aviões, foguetes, carros bem estilosos, e até foguetes como
nessa imagem:



Um exemplo com o qual me deparei nesse movimento é o filme, muito legal por
sinal, Capitão Sky e o Mundo de Amanhã. E começo a perceber que um conto que
postei neste blog há um tempo, Céu de Guerra: O Último Dia, ficou de maneira
involuntária bem próximo da estética desse novo movimento:

http://escritorcomr.blog.uol.com.br/arch2008-05-25_2008-05-31.html

Enfim, é bom ver que a criatividade não tem limites!
Então, novamente os convido a ler meu conto stempunk Aurora, logo abaixo, e
claro, meu livro "ufopunk" De Roswell a Varginha na Livraria Cultura, na
Martins Fontes, ou na Tarja Livros, sirvam-se nos links ao lado, e até a
próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 14h24
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Steampunk, AURORA

Demorou, mas cá está seu Escritor!
O gênero steampunk surgiu nos EUA, na esteira do cyberpunk. Este último todo
mundo já deve conhecer, Matrix, etc...
O steampunk, ou vaporpunk, pode ser descrito como uma ficção científica
retrofuturista. Seus fãs admiram Julio Verne entre outros autores, e o
enfoque é a tecnologia industrial e a vapor (daí o steam), presente ente o
final do século XIX e o princípio do século XX.
Um bom exemplo pode ser a HQ A Liga Extraordinária, de Alan Moore. E como é
um gênero muito visual, até com Star Wars andaram fazendo brincadeiras,
imaginem o R2-D2 a vapor:

http://www.sillof.com/C-Steampunk-SW.htm

Aqui no Brasil o gênero é divulgado pelo pessoal do Steampunk Brasil:

http://www.steampunk.com.br/

E claro, a Tarja, a editora pela qual saiu meu livro, De Roswell a Varginha,
publicou a primeira obra do gênero no Brasil, Steampunk, confiram no site da
Tarja Livros aí ao lado.
Enfim, resolvi experimentar dentro do Steampunk, e escrevi o conto abaixo,
espero que gostem e comentem.

AURORA

Rogério Daminelli chegou cedo ao Observatório Astronômico de Congonhas.
Havia tirado folga na noite anterior, mas não se sentia tão descansado
assim. Havia passado a noite com sua amada, Guinevere Alves, e as doces
lembranças lhe faziam esquecer qualquer cansaço.
Funcionários passavam diante da porta de seu escritório a todo instante,
limpando, fazendo manutenção e demais serviços requeridos para o
funcionamento da instalação. Rogério passou os olhos pelos jornais da manhã
que haviam sido deixados sobre sua mesa. “Argentina comemora sucesso no
lançamento de seu primeiro foguete”, dizia em letras garrafais a primeira
página de um deles. Um outro comentava algo a respeito das discussões no
Congresso Imperial, no Rio de Janeiro, e um jornal local debatia um projeto
de tornar aquele planalto onde se localizava o observatório no extremo da
zona sul de São Paulo, em um aeródromo para pouso de dirigíveis.
O jornal que mais chamou sua atenção foi o que estampava uma belíssima
imagem do cometa Donatti VI na primeira página. Descoberto por seu antigo
mestre, o Professor Salvadore Donatti, o cometa vinha proporcionando um belo
espetáculo nas últimas semanas. Quase todos os projetos de observação no
telescópio, que com seu espelho de 3,20 m de diâmetro era o maior da América
do Sul, eram dirigidos ao cometa.
Rogério estava a ponto de iniciar suas tarefas burocráticas, depois de
posicionar sobre a mesa um daguerreótipo de Guinevere, quando um sino soou
as suas costas, precedido por um sobro de ar pressurizado. Ele virou-se, e
viu que havia chegado uma cápsula de correspondência pelo tubo pneumático.
Quase todas as repartições públicas, como era o caso do observatório, eram
ligadas por aquele sistema, que permitia que mensagens chegassem muito mais
depressa do que se enviadas pelo correio. Funcionava bem, mas seguramente
não era páreo para o novíssimo telégrafo sem fio que, entretanto, era bem
mais caro.
Rogério levantou-se, apanhou o cilindro e o abriu, tirando um envelope que o
surpreendeu. Primeiro, por ter um selo oficial da Marinha Aérea. E segundo,
por ter, no nome do remetente, o nome de Salvadore Donatti.
O jovem astrônomo leu apressadamente a mensagem, e não pôde acreditar em seu
conteúdo. Releu-a mais uma vez, e uma terceira, até se convencer. A seguir
chamou uma secretária, pedindo-lhe para mandar parar o primeiro bonde a
vapor que surgisse.

Cerca de duas horas depois, um pouco além do que estava marcado na mensagem,
Rogério encontrava-se na plataforma de trens da Central dos Imigrantes, na
região industrial da zona leste de São Paulo. Era para lá que vinham,
subindo desde o litoral, os trens carregados de imigrantes de vários países.
Muitos italianos e espanhóis haviam chegado nos últimos tempos, e na verdade
passavam muito pouco tempo ali, na antiga Hospedaria dos Imigrantes. Com a
impressionante industrialização do Brasil após o segundo conflito com o
Paraguai, a necessidade de trabalhadores para as fábricas aumentava dia a
dia.
Muitos orientais abarrotavam o lugar, e Rogério lembrou-se de haver lido que
imigrantes do Japão estavam chegando em ritmo cada vez maior. Estava nisso,
tentando não perder de vista sua exígua bagagem, quando uma sirene
totalmente diferente chamou a atenção de todos.
Havia um trem parado na plataforma, e aos gritos, os funcionários empurravam
os imigrantes que ainda não haviam desembarcado, enquanto empregados da
plataforma os puxavam e gritavam para o maquinista mover logo a composição.
A sirene soou mais uma vez, e finalmente o trem moveu-se, sendo desviado
para uma via lateral algumas dezenas de metros adiante.
A mensagem dizia que Rogério deveria embarcar em um trem oficial, mas quando
esse veículo parou diante da plataforma, mal pôde acreditar no que via. Ao
contrário do ruído conhecido das locomotivas a vapor, o da máquina imensa
diante dele era mais suave, parecendo um silvo, acompanhado de baforadas de
fumaça branca de três chaminés postadas sobre a parte dianteira e inclinadas
para trás. Nas rodas não havia nada semelhante aos pistões e engates das
familiares Marias-Fumaça. Rogério teve a impressão de ouvir um zumbido, que
associou a algum tipo de motor elétrico.
- Ei, você! Rogério Daminelli! Vai ficar só admirando, ou vai subir a bordo?
Atrás da locomotiva engatavam-se apenas três vagões, e o homem que lhe
gritou era um militar com farda de serviço muito mal-encarado. Rogério,
intimidado, entrou com sua bagagem e acomodou-se num assento apontado pelo
militar. O homem sentou-se no assento do outro lado do corredor, depois de
ordenar via um microfone no canto da cabine que o trem partisse.
Com um silvo e o bem mais nítido zumbido de motores elétricos, o trem
acelerou, enquanto o militar falou:
- Sou o sargento Sebastião Nogueira, encarregado de levá-lo a Base Militar
de Peruíbe.
- Prazer, sargento...
Rogério estendeu-lhe a mão, mas o militar a ignorou, examinando-o de alto a
baixo. O astrônomo não resistiu a curiosidade e perguntou:
- Nunca havia visto uma locomotiva oficial de último tipo como esta, e nem
encontrei muitas notícias a respeito. Como ela funciona?
- Ah, está perguntando desta banheira? Um tipo novo, mais veloz destas
geringonças. Funciona a vapor e eletricidade, claro!
Explicou em poucas palavras que o motor não utilizava pistões, mas um novo
tipo de turbina a vapor para fazer girar um gerador elétrico. Esse gerador,
por sua vez, alimentava baterias que vertiam sua energia para os motores
elétricos nas rodas.
- É uma beleza, doutor, espere para ver quando sairmos da cidade!

Nogueira tinha razão. Mal saíram de São Paulo, e a locomotiva acelerou de
uma forma como jamais Rogério havia visto.
Reparou que, em um canto da parede frontal, havia um painel com diversos
relógios. Enquanto a impressionante máquina descia o último trecho da Serra
do Mar, já na reta, ele viu a velocidade registrada no ponteiro do maior dos
instrumentos:
- Meu Deus! Mais de cento e cincoenta quilômetros por hora!? Como é
possível?
Fazia poucos minutos que a impressionante locomotiva, puxando apenas mais
dois vagões, havia deixado para trás a balbúrdia da enorme Hospedaria dos
Imigrantes, na zona leste da cidade, e o grande marcador de velocidade
instalado na parede dianteira do vagão já apontava aquele número.
- Não me pergunte, doutor! – disse Nogueira. – Os técnicos que constroem
estas coisas falam uma língua própria. E nem sei dizer porque tive que ir
buscar o senhor em São Paulo. Não nos dizem muito, na verdade, no Exército.
O senhor sabe como é, os chefes mandam, a gente obedece!
As turbinas a vapor emitiam seus silvos enquanto atingiam a máxima rotação,
fazendo girar geradores elétricos que por sua vez alimentavam os motores nas
rodas principais, que zumbiam e faziam o monstro de aço avançar velozmente.
A velocidade impressionante foi mantida na ferrovia que percorria toda a
costa, rumo ao sul. Não fazia nem duas horas que haviam saído de São Paulo.
Rogério sentou-se, e buscou colocar em ordem os pensamentos. Sabia que, por
muitos anos, o Professor Donatti trabalhava para o governo imperial.
Esporadicamente trocavam cartas, e Daminelli lembrou-se do teor das últimas,
um assunto que ele e seu mestre discutiam muito na faculdade, mas que o
Professor depois lhe aconselhou a esquecer. Mas, como sempre acontece quando
temos uma paixão por certas coisas, Rogério ainda se correspondia com alguns
outros colegas, que também se dedicavam a perscrutar aquele mistério.
A linha do trem se afastou um pouco da costa, seguindo por uma rede de
viadutos que ficavam cerca de doze metros acima do nível do mar, em meio a
vegetação exuberante da Mata Atlântica. Nogueira chamou sua atenção para os
primeiros sinais de atividade militar:
- Já estamos no território da Base de Peruíbe, doutor! Veja lá, acho que
demos sorte, vamos poder ver mais uma tentativa de lançamento...
Rogério aproximou-se da janela, e viu uma rede de pequenos edifícios. Ao
longe, o que parecia um cais avançando para o mar. A cerca de dois
quilômetros da costa, ele pôde divisar uma espécie de plataforma, onde
existia algo similar a uma torre.
Entretanto, no instante seguinte a “torre” ergueu-se para o céu, apoiada em
uma torrente de fogo e fumaça. O projétil, que vinha a ser segundo o
sargento o mais novo teste de um foguete brasileiro, subiu, subiu... apenas
para se desfazer em uma devastadora explosão, a uma altura que Rogério
estimou como de três quilômetros.
- É, doutor... – disse Nogueira, tirando o quepe e coçando os ralos
cabelos. – Essas coisas explodindo, e os argentinos continuam a nossa
frente... vai mal...

Finalmente, o trem reduziu a velocidade para parar em um posto de controle.
A viagem a partir dali precisava de autorização, pois estavam entrando na
parte mais vital e secreta da Base Militar de Peruíbe. Era uma instalação
utilizada tanto pela Marinha e pelo Exército, e com o advento dos dirigíveis
militares, dos quais o Brasil aos poucos estava se tornando uma das
principais potências, também era utilizada no teste de novos protótipos,
tanto do Corpo Aéreo do Exército, quando da Marinha Aérea, cada uma delas
subordinada a sua respectiva Força.
Quando o Imperador Pedro II ainda era vivo, havia começado um movimento para
a criação de uma força de aeronaves independente das outras duas. Os
oficiais se rebelaram, logo antes da Intentona Republicana, que fora
esmagada pelas forças imperiais. Após a morte de Pedro II, o novo Imperador
comprometeu-se a deixar cada Arma com sua divisão aérea após as juras de
fidelidade dos comandantes, sem concentrar as operações em uma terceira
Força independente.
Rogério ainda não conseguia entender como pudera ser convocado. A mensagem
de Donatti não era clara, e mais ainda, trazia instruções específicas para
ser queimada logo após lida. O jovem astrônomo chegou a conclusão de que
teria mesmo que esperar.
E não teve que esperar muito. A sua esquerda, desfilavam os inúmeros
edifícios da base, instalações de montagem, hangares para as diversas
classes de dirigíveis, ancoradouros para navios, alojamentos... até que viu
uma outra edificação.
Aquela colossal construção despontou e rapidamente dominou todo o campo
visual de Rogério. Inteiramente em madeira, tinha uma altura descomunal, que
ele calculou como mais de sessenta metros. Mas seu comprimento foi o que
mais o impressionou. O trem seguia em frente com velocidade reduzida, e o
imenso edifício continuava passando pela janela. Passando... passando...
O trem parou finalmente em uma pequena estação, e Nogueira mandou que
apanhasse suas coisas. Rogério obedeceu, e saiu atrás do militar. O trem
voltou a andar assim que desembarcaram, logo desaparecendo na distância.
Nogueira estendeu uma folha a um soldado que aguardava atrás de uma mesa,
que a leu rapidamente e logo a carimbou.

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 10h57
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Steampunk, AURORA

Continuação...

Nogueira virou-se, ficando de frente para Rogério, mas falou para alguém as
costas do astrônomo:
- Muito bem, Professor, ele agora é problema do senhor!
Bateu uma continência desleixada, e sumiu por uma porta. Rogério virou-se, e
duas coisas chamaram sua atenção.
A primeira foi o Professor Donatti, sempre elegantemente vestido com cartola
e casaca. A outra, as suas costas e além da amurada da pequena estação e dos
trilhos da ferrovia, eram as enormes portas do gigantesco hangar se abrindo,
e o maior dirigível que Rogério já vira saindo por estas.
- Ah, caro Rogério, há quanto tempo! – Donatti o abraçou, e a seguir
virou-se, arrastando o jovem e ficando a seu lado, contemplando o
espetáculo. – Que bom que chegou a tempo de ver nossa obra-prima saindo do
hangar pela primeira vez!
O hangar deveria medir ao menos seiscentos metros de comprimento. O imenso
dirigível saía pelas portas, sendo puxado por tratores a vapor e
estabilizado por centenas de operários que seguravam amarras. Em grandes
letras na fuselagem, estava estampado o nome da impressionante nave.
“AURORA”.
O dirigível, de 250 metros de comprimento segundo Donatti, já havia saído do
hangar. Mas era apenas a metade dianteira da aeronave... Acoplada em sua
traseira, uma estrutura cilíndrica com dez metros de diâmetro, encimada por
uma cúpula e apoiada no centro de uma estrutura em treliça reforçada de
vinte metros de comprimento, e a seguir um novo envoltório idêntico ao
primeiro.
Duas unidades de 250 metros cada acopladas, uma adiante da outra, com uma
estrutura que pareceu familiar para o astrônomo exatamente no meio,
totalizando mais de 500 metros de comprimento. Alheio a sua estupefação, o
Professor Donatti perguntou:
- Então, como é ter sua visão tornada realidade?
Rogério estava sem fala. Nem em seus maiores delírios poderia imaginar que
sua proposta, que ele próprio era o primeiro a admitir ser visionária e
provavelmente impossível, fosse materializada daquela forma.

Ainda foram necessários dois dias de preparativos, e finalmente o Aurora
decolou em um belo entardecer. A sofisticação do monstruoso dirigível de
mais de meio quilômetro impressionou Rogério. Ele, que também tinha a
formação de engenheiro, impressionou-se com os detalhes da máquina. Logo que
informado de que subiriam até 20 quilômetros de altitude, teve a impressão
de que sua mente não conseguiria processar a informação. Felizmente, logo se
lembrou dos estudos na faculdade, quando se falava de cabines pressurizadas
para vôos em elevadas altitudes. Foram muitos os colegas a fazerem piada
quanto aquela possibilidade. Se eles pudessem estar ali agora!
Ele logo descobriu que um dos lugares preferidos para ficar era no domo de
observação, no topo do envoltório dianteiro. Uma cúpula de vidro deixava
livre a visão para cima, e aquele céu estrelado da primeira noite, quando já
haviam superado os oito quilômetros de altura, o lembrou de porquê havia
escolhido aquela profissão.
A visão de um dos dois domos laterais, que também existiam no envoltório
traseiro, também era de tirar o fôlego. As cidades fracamente iluminadas lá
embaixo eram um espetáculo extraordinário. Mas ainda havia uma coisa que lhe
estava incomodando. Quando perguntou a razão daquilo para o Professor
Donatti, este apenas lhe pediu com um sorriso triste que aguardasse.
Aquela missão era comandada pelo Almirante Arthur Coimbra, uma figura
impressionante e homem de confiança do antigo e do atual Imperador. Era uma
figura nobre e imponente, e mais que tudo, chamava a atenção sua mão direita
mecânica, que usava no lugar da original. Coimbra havia perdido a mão em um
duelo com o próprio Deodoro da Fonseca, líder da Intentona Republicana.
Tornara-se um dos maiores heróis do Império do Brasil ao vencer o duelo de
sabres mesmo assim, matando Deodoro, de quem antes fora muito amigo, e
encerrando a curta mas sangrenta revolta.
Da tripulação de quarenta membros ainda faziam parte duas pessoas da
Inteligência do Exército, a Coronel Suzana do Rosário e sua subordinada
Capitã Maria Celeste. Rosário era uma negra forte e orgulhosa, que já
nascera livre após a abolição proclamada quase ao mesmo tempo do estouro do
segundo conflito paraguaio.
- Rogério Daminelli, pensei que nunca mais o veria...
Maria Celeste, uma bela ruiva de pele clara e longos cabelos ondulados,
aproximou-se e segurou firme a mão dele. O Professor Donatti, com quem
Rogério conversava antes assuntos sem muita importância, mostrou-se
surpreso.
- Também é um prazer voltar a vê-la... devo chamá-la de Capitã?
A moça sorriu, aproximou-se e beijou-o na bochecha, cochichando:
- Para você, será sempre Maria...
As duas militares os cumprimentaram e dirigiram-se para a ponte de comando.
Donatti, sorrindo e voltando a colocar a cartola no lugar, virou-se para o
jovem e disse:
- Pelo que vejo, esta viagem poderá não ser apenas de trabalho para você,
meu amigo.
Rogério explicou que Maria Celeste fora uma paixão adolescente, seus
colégios eram vizinhos, e por um longo tempo eles se corresponderam até
perderem contato.
- Foi sem dúvida uma imensa surpresa saber que ela agora faz parte do
Exército, professor. Mulheres militares! Bem, os tempos estão mesmo mudando,
não?
O jovem astrônomo rememorou o brilho mais intenso que o normal nos belos
olhos castanhos da moça. Rogério se surpreendeu ansiando por uma conversa
mais prolongada com ela.
- Então meu jovem – disse o Professor Donatti tentando trazer Daminelli de
volta a realidade. – O que está achando do passeio?
- O passeio está ótimo, Professor – respondeu Rogério. – Na verdade,
frequentemente me apanho sentindo uma ansiedade incrível de sentar no posto
do telescópio, e estudar seu cometa.
Donatti riu, e perguntou:
- Acha que viemos investigar o cometa? Agora que ele está se afastando após
o periélio, a passagem mais próxima do Sol?
- Confesso que isso também me surpreendeu, Professor, mas qual outro motivo
seria?
Donatti novamente lhe pediu mais um pouco de paciência, emendando:
- Recomendo que vá dormir, meu caro. Teremos um dia cheio amanhã!

Após uma noite de revisão e  testes no completíssimo equipamento astronômico
e curtas horas de sono, houve o desjejum do primeiro amanhecer a bordo e a
seguir todos foram convocados para um pequeno salão de reuniões, anexo aos
aposentos do Almirante Coimbra.
O militar, esmeradamente trajado e sem nunca deixar de portar o sabre, o
mesmo com que tirara a vida de Fonseca, anunciou:
- Bem, meus amigos, estamos aqui hoje para que finalmente todos sejam
informados acerca dos objetivos de nossa missão. Como sabem, a maior
preocupação corrente na alta cúpula das Forças Armadas é com o rápido
desenvolvimento tecnológico da Argentina.
- Eles lançaram recentemente um foguete de grande porte, evento esse para o
qual tiveram a gentileza de convidar observadores dos países vizinhos. Nossa
equipe que testemunhou esse portento voltou realmente impressionada. Os
argentinos, ao que parece, conseguiram manobrar a distância o projétil,
utilizando-se de algum tipo de telégrafo sem fio. Pelo mesmo meio, o foguete
enviou algumas informações, incluindo a altitude atingida, próxima de 40
quilômetros sobre a Terra.
Um murmúrio de admiração tomou o pequeno recinto, e até mesmo o comandante
do dirigível, Coronel Benedito Gonçalves. O Professor Donatti comentou:
- Malditas geringonças elétricas!
- Mas o fato, Professor – disse Coimbra – É que nossos vizinhos estão, por
todas as informações que pudemos levantar, mais adiantados do que nós, em
termos de eletricidade e foguetes.
- Certamente – disse a Coronel Rosário. – A fim de contrabalançar nosso
avanço em dirigíveis e navegação aérea.
- Análise muito acertada, cara Coronel – respondeu o Almirante. – Não nos
iludamos! Desde nossa segunda intervenção no Paraguai, os argentinos estão
se armando.
Aquelas análises pareciam muito estranhas a Rogério. Naturalmente lera muito
a respeito da escalada das tensões com o país vizinho, mas não conseguia
imaginar o que diabos aquilo poderia ter em comum com o objetivo obviamente
científico e astronômico daquela nave.
- Vejo que nosso jovem amigo parece um tanto confuso. – comentou Coimbra. –
Professor, se quiser fazer sua apresentação...
Donatti levantou-se e agradeceu. Um auxiliar aprontou o dispositivo que
projetava imagens em uma superfície de tela branca, na parede frontal do
salão, e fechou as cortinas das janelas.
Todos puderam ver imagens da Lua, e Rogério reconheceu o recente eclipse que
puderam testemunhas, enquanto Donatti dizia:
- Estas imagens foram tomadas no recente eclipse lunar, ocorrido em 23 de
maio de 1891. Mostram a região da cratera Aristharcus, onde algo muito
interessante parece estar ocorrendo...
As imagens mostravam claramente algum tipo de brilho, fagulha ou explosão
nas proximidades da cratera. Rogério subitamente teve a nítida sensação de
que sabia porque o haviam convocado. Mas ainda não conseguia ligar aquele
assunto com a tensão militar com a Argentina, a menos que...
- Este é, então, o objetivo de nossa missão. – disse Donatti. - E também o
motivo de temos convocado sua presença aqui, meu caro Rogério!
- Professor – principiou Rogério, tentando não gaguejar – Deve saber muito
bem que, em meu trabalho no Observatório Astronômico de Congonhas, não me
ocupo com esses fenômenos...
- Mas continua a se corresponder com conhecidos a respeito – comentou a
Coronel Rosário. -  Não é?
Rogério ficou surpreso de saberem. Donatti completou:
- Não fui a favor de que eles examinassem sua correspondência, meu amigo. Na
verdade, toda esta coisa me parece um absurdo...
- Professor – disse o Almirante Coimbra – temos que saber!
- Acha mesmo, Almirante – perguntou Donatti – que há qualquer possibilidade
de os argentinos estarem enviando pessoas para viajar em seus foguetes?
- Sabemos pelos nossos espiões que o mesmo modelo, exibido para os
observadores internacionais, já havia voado com sucesso no ano passado! Quem
saberá em que nível eles se encontram agora?
- Honestamente, Almirante, – disse Donatti, largando em uma mesa a batuta
que usava para apontar características específicas nas imagens exibidas. –
que os argentinos conseguiram viajar até a Lua?
- Como explica esses fenômenos de luminosidade em uma área tão específica,
como acaba de nos mostrar?

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 10h55
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Steampunk, AURORA

Continuação...

Rogério olhou os demais, e seus rostos de incredulidade não deveriam ser
muito diferentes de sua própria expressão. Características lunares
transitórias. Esse era o nome dos estranhos fenômenos que astrônomos, desde
a invenção do telescópio e até mesmo antes, vinham testemunhando sobre a
superfície lunar. A maioria absoluta dos homens da ciência os descartava
como simples alucinações ou erros de observação. Uns outros poucos ainda
diziam que podiam ter origem em algum tipo de atividade geológica, como
terremotos e vulcões, no próprio satélite natural.
A idéia de que esse tipo de fenômeno se devesse a ação de supostos
visitantes da Lua...
A discussão entre Donatti e Coimbra chegou a um ponto de impasse, e
finalmente o Almirante virou-se para Rogério e perguntou:
- Senhor Daminelli, o que tem a dizer? Costuma estudar de forma privada
esses estranhos fenômenos, não?
Todos se voltaram para ele, o que para Rogério era incômodo. Entretanto,
fazendo força para se manter calmo, levantou-se e dirigiu-se aos presentes:
- Senhoras e senhores, de fato, nunca deixei de me interessar pelos
fenômenos lunares transitórios. Com alguns poucos colegas, tenho estudado
esse assunto em segredo, mas não chegamos a qualquer conclusão. Devo
lembrá-los de que são testemunhados desde a invenção do telescópio.
- E quanto a possibilidade de os argentinos estarem chegando a Lua com seus
foguetes? – perguntou Maria. Sua voz continuava doce e profunda como sempre.
- Capitã, já faz um bom tempo que não me dedico a engenharia, apesar de
conhecer a absoluta maioria das técnicas que, entre outras coisas, tornaram
o Aurora possível. Mas quanto a ir ao espaço...
- Seria necessária uma velocidade extraordinária para isso, não seria? –
perguntou o Coronel Gonçalves.
- Sim senhor – respondeu Rogério. Cerca de 28.000 quilômetros por hora, e
isso apenas para nos manter em órbita ao redor da Terra. Para atingir a Lua,
seria necessário escapar da atração gravitacional de nosso planeta, com uma
velocidade de pelo menos 40.000 km/h.
- Duvido seriamente, – disse Donatti – que os argentinos disponham de
máquinas capazes de tremenda façanha. Na verdade, considero extremamente
improvável que seja possível, mesmo em cem anos! Para mim, os senhores estão
prestando excessiva atenção aos romances daquele tal francês, Júlio Verne,
isso sim!
A discussão enveredou pelas conquistas técnicas, e Donatti aproveitou para
falar do fabuloso telescópio a bordo:
- O Telescópio Pedro II, batizado em honra a nosso falecido Imperador e
patrono das ciências, tem um espelho principal de 2,70 m de diâmetro. A
altitude que o Aurora chegar, superior a 20 km, deve ser capaz de
proporcionar uma visão muitíssimo superior a qualquer engenho maior baseado
em Terra, por ficar sobre a maior parte da atmosfera do planeta. Lembra-se
de como riram de nós quando você propôs a idéia, caro Rogério?
Ele se lembrava. Um telescópio suspenso nos céus, acima das nuvens, onde a
turbulência da atmosfera seria consideravelmente reduzida, seria capaz de
fazer observações muito mais precisas.
- Quem sabe, professor – disse Rogério ao final da reunião. – O próximo
avanço talvez seja um telescópio situado no espaço!
- Esses engenheiros e suas bugigangas mecânicas – disse Donatti. – E como
pretende operá-lo, ou fazer retornar as fotografias dos astros que
porventura forem observados?
- Na Base de Peruíbe – disse o Coronel Gonçalves. – já estão sendo feitas
pesquisas a fim de traduzir daguerreótipos e mesmo fotografias em algum tipo
de código. Este código seria transmitido via telégrafo sem fio, e no destino
seria traduzido a fim de compor novamente a imagem. Claro, ainda estamos
muito distantes de resultados práticos.
Donatti seguiu resmungando contra as “engenhocas”, enquanto o Almirante
Coimbra disse:
- Bem, mesmo que discordemos quanto as informações, todos estamos
conscientes dos objetivos da missão. Estou confiante de que darão o seu
melhor para cumpri-la.
Todos aquiesceram, e foram distribuídas tarefas. A dos dois astrônomos, com
uma reduzida equipe de auxiliares, seria colocar o telescópio de prontidão.
Seria noite de Lua cheia, e teriam muito trabalho pela frente.

As primeiras observações haviam sido muito promissoras, e depois de algumas
horas de trabalho noite adentro, Rogério e o Professor Donatti decidiram
fazer uma pausa.
O refeitório de bordo se localizava no invólucro traseiro, e uma de suas
paredes se confundia com o domo de observação do lado esquerdo da aeronave.
Eles comeram alguma coisa, e depois ficaram em silêncio observando o
majestoso panorama.
O Aurora havia atingido uma altitude de 20.240 metros, valor exibido em
instrumentos colocados ao lado do domo, e de cada uma das maiores janelas da
aeronave. O dirigível exibia uma sofisticação incomum para uma aeronave
militar, com cabines pequenas mas confortáveis, e o ambiente interno era
mantido graças aos controles de pressurização e temperatura.
- Faz pensar esse panorama, não? – perguntou Donatti.
- E como, Professor – respondeu Daminelli. – O mundo parece menor a cada
dia. Lembro quando saí de São Paulo, precisando aguardar a partida do trem
que trazia novas levas de imigrantes.
- As divisões estão se diluindo e as distâncias encolhendo rapidamente, meu
jovem! E o avanço da tecnologia está nos levando a explorar novas
fronteiras. Olhe lá fora, veja a curvatura da Terra! Chegou a imaginar que
observaria o mundo desta prodigiosa altitude de vinte quilômetros, enquanto
escrevia sua tese?
- Cheguei a imaginar sim, Professor, mas a realidade que antecipamos em
nossas entusiasmadas conversas é muito mais surpreendente. E igualmente
espantoso foi ver o senhor trabalhando com os militares. – Rogério disse em
tom mais baixo.
Uma sombra desceu sobre os olhos de Donatti. Ele virou o rosto e tornou a
olhar para fora, enquanto dizia:
- Sim, a esta altura, percebemos que as fronteiras pouco sentido fazem... A
própria guerra parece ainda mais estúpida, não concorda?
Daminelli insistiu:
- Professor, o senhor sempre repudiou os militares, como agora trabalha com
eles?
- Meu filho... – disse o Professor sacudindo a cabeça em negação. – Lembra
de nossas conversas enquanto eu o auxiliava em sua tese, nosso sonho em
comum agora tornado realidade com este telescópio volante, e a frustração
diante dos parcos recursos investidos na ciência e no conhecimento?
Naturalmente Rogério se lembrava, e Donatti não o esperou para prosseguir:
- Não pude recusar, meu jovem, quando me fizeram a proposta. Permita que eu
diga que tampouco eu deixei de estudar as anomalias lunares. E quando o
próprio Coimbra me ofereceu o cargo de diretor científico deste projeto, a
cobiça me dominou.
Rogério conhecia aquela sensação. E entendia perfeitamente. A sede pelo
saber era uma ânsia, uma compulsão irresistível. Ele sabia que acabiaria
fazendo a mesma coisa.
- Bem, Professor, tampouco eu resisti, pois estou aqui com o senhor. O que
acha de retornarmos ao trabalho?
Donatti pareceu mais animado. Tentando abrir um sorriso, mesmo que a sombra
ainda dominasse sua expressão, colocou a inseparável cartola na cabeça e
respondeu:
- Bem dito, meu jovem. Vamos, as estrelas nos aguardam!
Os dois cientistas saíram do refeitório e retornaram ao observatório. Em uma
mesa próxima, separada da que eles ocupavam por um biombo igual a vários que
existiam no pequeno salão, a Coronel Rosário pôs-se a refletir sobre o que
acabara de ouvir.

A primeira noite de observações para valer fora promissora. Menos pelos
resultados das observações na cratera Aristharcus, e mais pela
impressionante capacidade do telescópio.
O Aurora mantinha-se em posição enquanto eram feitas as observações
astronômicas, girando o menos possível. As turbinas a vapor produziam muito
menos vibrações do que os motores convencionais, mas seria impossível
operá-las a altitude em que estavam.
O dirigível tinha um conjunto de caldeira e turbina principal em cada
envoltório, mais uma caldeira e uma turbina secundários. Os conjuntos
principais, já testados em aeróstatos daquela classe, com 250 m de
comprimento, funcionavam bem até 5.000 m de altura, caindo consideravelmente
de desempenho em altitudes superiores. No Aurora, os conjuntos principais
operavam até essa altitude, propulsionando geradores que alimentavam os
motores elétricos, em número de quatro em cada envoltório, que por sua vez
giravam as hélices.
A grandes altitudes, dependiam inteiramente dos conjuntos menores, que
funcionavam pressurizados. O maior volume de carga do Aurora era ar
comprimido para a atmosfera de bordo e as caldeiras secundárias. Tinham uma
autonomia planejada, tanto em termos de cilindros de ar comprimido quando de
óleo combustível, para uma semana.

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 10h53
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Steampunk, AURORA

Continuação...

Rogério, perturbado com alguns dos resultados da observação, aproveitou sua
folga para um rápido lanche na cozinha de bordo, e depois subiu pela escada
em caracol até o domo de observação. Ali, não conseguia se cansar de
observar o céu límpido e estrelado, e a impressionante vista da face redonda
da Terra, nitidamente visível no horizonte.
- Vejo que está gostando de nosso brinquedo...
O som das botas, idênticas as de montaria, denunciou a aproximação de
alguém, e aquela voz aveludada só poderia ser de uma pessoa. Maria Celeste
tirou o quepe, sacudiu os longos cabelos escarlate que deixou cair sobre os
ombros, e ficou ao lado de Rogério observando o firmamento. Era estranho
para ele ver uma mulher de calças, mas teve que reconhecer que havia
elegância na vestimenta de Maria. Calças brancas, botas negras e polidas
mais o fardão azul e vermelho do Exército a deixavam muito atraente.
- O mundo parece tão pequeno olhando daqui de cima, não acha?
- Acho, Maria, que parece muito menor quando olhamos para cima através do
telescópio. Parece muito menor agora, na verdade...
Ela se aproximou ainda mais, ficando bem junto a ele. Rogério podia sentir
seu perfume, enquanto Maria dizia:
- O que andaram descobrindo? Ouvi dizer que não encontraram nada em
Aristharcus.
Ela disse isso, e o abraçou, cingindo-o com os braços sobre seus ombros.
Rogério tentou resistir, mas finalmente acabou prendendo seus braços ao
redor da cintura de Maria.
- Mas encontramos muita coisa em outras regiões... – disse ele. – Coisas
surpreendentes, que duvido muito que sejam obra dos argentinos... quando
apresentarmos nosso relatório...
Não pôde falar mais nada, pois Maria o afogou em um beijo ardente,
apertando-o contra si. Rogério não pensou em mais nada, na missão, naquele
mistério, nem mesmo em Guinevere, a amada que ficara aguardando-o em São
Paulo.
Maria abriu a camisa por baixo do fardão, mostrando que não usava nada por
baixo. Aproximou o rosto de Rogério de seus seios, e inclinou-se para trás
em êxtase. Logo o astrônomo via que ela começava a tirar sua roupa, ao mesmo
tempo que deixava cair as calças ao chão.
Ali mesmo fizeram sexo, quente, desesperado, quase animalesco.
Ficaram abraçados por vários minutos depois, deitados e olhando o
firmamento. Rogério hesitou várias vezes, mas por fim começou a perguntar:
- Por que...
- Por que, você pergunta, meu amor? – ela disse sorrindo. – Porque se tem
alguma coisa que a guerra nos ensina, é que devemos aproveitar enquanto
estamos vivos. Convenções sociais, etiqueta...
Ela se levantou, nem tinha se dado ao trabalho de tirar as botas, apenas
voltou a cobrir seu corpo nu com as roupas, e quando terminou olhou mais uma
vez para ele. Tinha lágrimas nos olhos e disse, sorrindo apesar de tudo:
- As coisas que temos que fazer por nosso Império... Não perca tempo com
regras e imposições estúpidas, Rogério querido! Os bons momentos são tão
raros, é melhor que estejam para sempre na lembrança, do que no
arrependimento de nunca tê-los vivido.
Sem mais nada a dizer, ela se virou e desceu.

A terceira e quarta noites a bordo foram as mais produtivas. O Telescópio
Pedro II, levado aquelas alturas pela impressionante nave, deveria ter
produzido as mais nítidas imagens da Lua jamais tomadas.
O aparato possuía três posições de observação, possíveis graças ao mesmo
número de complexos arranjos de espelhos e prismas. Muito similar a um novo
instrumento desenvolvido para os barcos submarinos que estavam sendo
prototipados pela Marinha, instrumento este batizado de periscópio. Mesmo
com uma dessas naus submersa, esse instrumento permitia que se observasse a
superfície da água.
Donatti e Daminelli eram auxiliados por Alfonso Queirós, jovem aprendiz e
secretário do Professor. Normalmente o rapaz ficava no posto de observação
principal, ajustando continuamente a posição e estabilidade do telescópio
por meio de polias e roldanas de controle milimétrico. Para assegurar que
nenhuma vibração decorrente do funcionamento do Aurora atrapalhasse as
observações, todo o conjunto flutuava em um recipiente de óleo grosso, e era
ligado ao corpo do restante da estrutura por meio de braços apoiados em
rótulas de borracha.
O equipamento era de uma sofisticação e complexidade que desde o primeiro
momento impressionaram Rogério. Em seus rascunhos iniciais, nem em sonho
havia imaginado aqueles detalhes.
Mas os resultados das observações foram o mais surpreendente de tudo. Os
militares, Rosário, Celeste ou Coimbra, frequentemente se uniam aos
astrônomos. Até mesmo o Coronel Gonçalves apareceu no começo da quarta
noite. Todos faziam questão de lembrar aos astrônomos que o objetivo era a
Lua e seus estranhos fenômenos, sob protestos da equipe científica que
também gostaria de dedicar algum tempo aos demais corpos celestes.
O Professor Donatti chegou mesmo a realizar algumas rápidas observações do
Cinturão de Asteróides, de Marte, Júpiter, Saturno e demais planetas. Mas o
assunto das anomalias lunares não lhe saía da cabeça, nem de seus colegas.
Haviam realmente encontrado coisas impressionantes.

- ... Coisas essas, meus amigos – disse Donatti na preleção das onze da
manhã do quinto dia – que em nossa opinião, eliminam total e absolutamente
qualquer hipótese desses fenômenos lunares inexplicáveis serem resultado de
ação humana!
As fotos exibidas no projetor de imagens não deixavam margem a qualquer
dúvida. Rogério era especialista em fotografias astronômicas, e o Aurora era
equipado com a aparelhagem mais avançada disponível. Não poderia haver
qualquer engano.
- Vejam aqui – disse Donatti apontando uma imagem da cratera Archimedes. –
Em Aristharcus, onde nos concentramos na primeira noite, não observamos
absolutamente nada de anormal, então organizamos nossas vigílias e
observações em outros locais de nosso satélite. Em Archimedes, pudemos obter
estas imagens.
Rogério, ao lado de Donatti durante a apresentação, dirigiu-se aos demais:
- Pudemos flagrar essas estranhas sombras sobre Archimedes. O mais
surpreendente foi quando tentamos aumentar a aproximação ao máximo
possível. – Uma nova imagem surgiu na tela, e o astrônomo prosseguiu - Mesmo
com esta imagem desfocada, pode-se ver claramente que as sombras são
projetadas de enormes objetos cilíndricos, sobre a cratera.
- Eles estaria flutuando sobre a cratera? – perguntou a Coronel Rosário. –
Dirigíveis?
- Não, senhora Coronel – respondeu Rogério. – Com absoluta certeza não, pois
não existe atmosfera na Lua.
As discussões quanto as impressionantes imagens seguiram com comoção cada
vez maior, até que Donatti interveio:
- Senhoras e senhores, não foi apenas isso que descobrimos na Lua!
Numa sucessão de imagens, eles exibiram novas provas fotográficas de
estranhos fenômenos luminosos, objetos que pareciam possuir contornos
geométricos, e o mais surpreendente, segundo Rogério, foram as descobertas
em dois locais:
- Primeiro, no Mar da Tranquilidade, uma grande área escura quase no centro
da Lua, facilmente visível quando esta se apresenta na fase cheia. Tiramos
fotos nas últimas noites, em diversos horários, para recolher o maior número
possível de informações...
As imagens mostravam o relevo pontilhado de pequenas crateras, depressões, e
um conjunto de ao menos cinco objetos parecidos com torres ou edifícios,
acompanhados a pouca distância por um espigão bem maior. As torres reluziam
ao Sol, e produziam nítidas sombras na superfície lunar.
O segundo conjunto de fotos mostrava, conforme Donatti explicou, a cratera
Kepler. Nas proximidades desta, silhuetas nítidas que também produziam
sombras, e que causaram profunda impressão no Almirante Coimbra:
- Meu Deus... são pirâmides!? Na superfície da Lua? Se parecem com os
monumentos de Gizé, no Egito!
O Almirante acompanhara o falecido Imperador Pedro II em várias de suas
viagens, inclusive na visita ao país das pirâmides, no norte da África.
Todos estavam mudos de espanto, e Donatti, com um sorriso nos lábios,
concluiu:
- Uma única conclusão, no tocante aos objetivos de nossa missão, pode advir
das provas que aqui apresentamos as senhoras e senhores. É impossível que os
argentinos tenham construído esses portentos em nosso satélite natural.
Absolutamente impossível.
- Mas então... por quem? – perguntou a capitã Celeste estupefata.
- Quem pode saber, minha cara capitã – devolveu Donatti. – Estamos em uma
época maravilhosa, de deslumbres científicos formidáveis, e notáveis
conquistas em todos os campos do saber. Ao que consta, em suas primeiras
experiências com o telégrafo sem fio, o próprio Marconi em pessoa jura haver
captado transmissões em línguas desconhecidas, e vindas de aparentemente
lugar algum. Nós astrônomos estamos convencidos de que o vasto Universo
acima de nós é muito mais amplo e misterioso do que qualquer um de nós pode
imaginar. Então, se nós estamos aqui na Terra, quem sabe em outros
planetas...
- Pessoas de outros planetas, está dizendo? – perguntou a Coronel Suzana do
Rosário. – Isso é loucura!
- Será mesmo? – questionou Rogério. – Apresentamos aqui provas, cara
Coronel, evidências irrefutáveis de que existe algum tipo de construção na
Lua. Veja, tais estruturas são gigantescas! Nem com os recursos das nações
mais ricas e avançadas tecnologicamente de nosso mundo reunidos, poderíamos
empreender algo assim! Ainda não!
- Certamente será impossível por muitos anos ainda – concordou o Coronel
Gonçalves.
As conversas seguiam tensas, e Donatti se preparava para exibir outras
imagens, quando um oficial subalterno veio chamar o comandante do dirigível.
Gonçalves voltou dali a poucos minutos, com notícias devastadoras:
- Lamento informar que teremos que interromper a missão e voltar...

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 10h51
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Steampunk, AURORA

Continuação...

Simplesmente, mesmo os cálculos tendo sido realizados no Centro de
Processamento Matemático Autônomo da Base de Peruíbe, que contava inclusive
com um tabulador elétrico concebido pelo americano Herman Hollerith, que
concebera um engenho similar, mas muito menor, a fim de obter os resultados
do censo norte-americano de 1890 em um terço do tempo normalmente utilizado,
não foram precisos o suficiente. O ar comprimido havia se exaurido com muito
maior rapidez do que supunham, e a autonomia de uma semana revelou-se bem
menor.
- Contra os duros fatos, Coronel – comentou o Almirante Coimbra – não há o
que possamos fazer. Por favor, comece os preparativos para a descida.
- Sim senhor!
Gonçalves tomou todas as providências. A energia de que dispunham não era
suficiente sequer para bombear o escasso ar que havia lá fora para os
compartimentos inferiores dos envoltórios, com o que o dirigível se tornava
mais pesado e descia. Foi necessário expelir aos poucos o hidrogênio dos
bolsões internos principais.

Correndo para o observatório, Rogério tinha a intenção de auxiliar nos
trabalhos de organização das informações obtidas. Saindo por uma das
escotilhas, deparou-se com Maria, que vinha em sentido contrário.
- Parece que nosso tour terminou.
Ela parecia ter o dom de surpreendê-lo. Daminelli não conseguiu decifrar sua
expressão, quando a moça o agarrou e deu-lhe um longo beijo. Depois, sem
dizer nada, prosseguiu em seu caminho.
O astrônomo a viu desaparecer na curva do corredor e depois, ainda tomado
pela surpresa, retomou seu caminho.

A Coronel Rosário apressou-se para dentro da pequena sala do telégrafo sem
fio, quando recebeu o recado de que a resposta a sua mensagem de menos de
uma hora antes havia chegado. Leu a curta nota, com ar cada vez mais
preocupado. Depois a rasgou em pequenos pedaços e guardou no bolso.
- Tudo bem, Coronel? – perguntou o sargento que cuidava do equipamento.
- Claro que sim, sargento – respondeu ela, com expressão decidida. – Quando
chegam ordens, devemos cumpri-las, certo?
- É para isso que servimos ao Imperador, Coronel.
- Exatamente...
Ela rapidamente puxou o punhal que sempre trazia no lado esquerdo do
quadril, com o qual cortou a garganta do sargento. O jovem caiu sobre o
equipamento sem soltar qualquer grito. Rosário apanhou um papel de dentro da
farda, abriu-o e conferiu o esquema que ali havia com a aparelhagem diante
de si. Puxou alguns fios, trocando as conexões, e depois afastou-se
depressa.
Poucos minutos depois, perigosas fagulhas começaram a saltar do equipamento
em curto-circuito.

Aurora já estava a sete mil metros de altitude, atingindo as primeiras
nuvens. Foi dada a ordem de acender as caldeiras principais, e restaurar a
energia com os dois conjuntos de turbinas a vapor. Na caldeira do envoltório
traseiro, um jovem tenente aproximou-se de uma das tampas posteriores com um
pequeno recipiente nas mãos.
Embora vestisse a farda da Marinha Aérea, sua lealdade residia com o
Exército. Fora precisamente instruído a realizar aquela ação, e uma medalha
lhe fora prometida. Ele abriu uma pequena portinhola, e sentiu o calor
escaldante vindo do interior da caldeira, recebendo quantidades cada vez
maiores de óleo combustível que começava a queimar. O tenente jogou ali o
recipiente, confiante em ter cumprido sua missão.
Mas ele nunca receberia uma medalha por seu feito, pois instantes depois de
fechar a portinhola, uma devastadora explosão o aniquilou, bem como todos
que estavam na traseira do envoltório posterior.

- O que foi isso?
O Professor Donatti fizera a pergunta, quando ele, Rogério, Coimbra e
Gonçalves estavam na sala de comando principal, no envoltório dianteiro,
quando a explosão se fez ouvir. Tendo já atingido menos de três mil metros
de altitude, já podiam abrir as janelas externas.
Alfonso foi o primeiro a colocar a cabeça pra fora, e viu grandes pedaços em
chamas caírem da parte de trás da nave. Os demais logo constataram a
tragédia, e notícias devastadoras chegavam, trazidas pelos soldados.
Rapidamente Gonçalves os colocou a par de tudo, após falar com os
subordinados:
- A caldeira traseira explodiu por algum motivo que ainda não sabemos. O
pessoal expeliu o restante de hidrogênio dos compartimentos da metade
posterior daquele envoltório, mas o fogo se alastra. E a sala de telegrafia,
neste envoltório, igualmente está em chamas.
As reservas de água estavam reduzidas, e usaram o que restava para tentar
combater o incêndio, mas com poucos resultados. Gonçalves finalmente deu a
ordem de evacuar a seção traseira do Aurora:
- Iremos nos separar, é a única forma.
Todos olharam ao redor, e Donatti e Alfonso não estavam.
- Onde estão aqueles dois? – perguntou Coimbra.
- Devem ter ido ao telescópio, Almirante – respondeu Rogério. – ainda
restaram lá muitas chapas que batemos na noite passada.
- Tolo! Não há como separarmos a parte traseira, sem abandonarmos também o
telescópio. Vai despencar e morrer!
- Dê-me alguns minutos, Almirante, e os trago de volta!

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 10h49
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Steampunk, AURORA

Continuação...

Depois de alguns instantes, Coimbra cobriu a mão metálica com uma luva, e
disse:
- Vou ajudar os homens da ciência... nós militares, sempre temos que salvar
sua pele, afinal!

Na parte inferior do compartimento do telescópio, o ruído das explosões na
parte traseira era ainda mais apavorante. Por cima, sem a sustentação
daquela parte, o Aurora começou a pender para trás.
Alfonso fez várias viagens pelo estreito túnel que conectava o compartimento
ao envoltório dianteiro, e conseguiu trazer a maioria das chapas. O
Professor Donatti ia recolhendo-as.
Depois de uma última olhada, entrou no estreito corredor, quando deu com o
Professor Donatti.
- Professor, o que houve?
Donatti não dizia nada. Subitamente, um disparo, e o Professor estremece por
um instante, para finalmente cair para frente, nos braços do fiel auxiliar.
- Professor! – grita Alfonso. Mas quando olha adiante, percebe que o fim
chegara também pra ele.
A Coronel Rosário fechou a porta, isolando-os da metade dianteira do Aurora,
e acionou um comando atrás de uma portinhola. Alfonso sentiu explosões muito
próximas, olhou para fora por uma pequena vigia redonda e viu as vigas se
partirem, ação provocada por dispositivos pirotécnicos dispostos para uso em
caso de separação da nave.
Instantes depois da última explosão, Alfonso sentiu o corredor ser virado,
apontando para cima. Ele e o corpo sem vida do Professor Donatti, o grande
gênio da astronomia e descobridor de inúmeros cometas e nebulosas, caíram no
vazio, junto ao Telescópio Pedro II e toda a parte traseira em chamas do
dirigível experimentar Aurora.
Mas antes de atingirem o oceano ao largo do litoral sul de São Paulo, uma
devastadora explosão os consumiu.

Rogério chegou bem a tempo de testemunhar o horrendo ato de Rosário, e
tentou lugar com ela. A militar o dominou rapidamente, empurrou-o contra a
parede, e com o punhal atravessou seu ombro, deixando-o espetado contra a
parede.
O astrônomo gritava de dor, ao mesmo tempo se surpreendendo com a chegada de
Coimbra. Pelas janelas ele testemunhou a terrível explosão de metade do
Aurora, e gritou:
- Rosário, maldita, o que fez!?
O Almirante Coimbra brandiu seu sabre, e disse:
- Está louca? Você matou o Professor Donatti e todos que ainda estavam lá!
- Ordens, Almirante – disse a Coronel segura de si. – Temos um inimigo se
fortalecendo próximo a nossas fronteiras, e precisamos de uma motivação
plausível para lidar adequadamente com ele.
Ela apontou para fora, e o Almirante viu, pela janela, a chegada de um
dirigível bem menor pintado nas cores argentinas. A Coronel disse:
- Naturalmente está vindo para nos resgatar, e irá desaparecer tão rápido
quanto chegou. O plano sempre foi forjar um ataque ao Aurora. E que será
visto por um número adequado de testemunhas...
A guerra contra a Argentina. Era isso que um círculo cada vez maior de
militares e o novo Imperador queriam. Rosário ainda acrescentou:
- Sabe, tão bem quanto eu, Almirante, que guerra quer dizer progresso
tecnológico...
Coimbra brandiu seu sabre, mas a oficial era mais ágil, e já tinha seu
revólver na mão. Um tiro ressoou dolorosamente pela pequena câmara, e o
Almirante tombou atingido no peito.
Rosário apanhou a bolsa onde as principais fotografias estavam. Alguns
caixotes contendo as outras chapas estavam espalhados por ali. Novas
explosões sacudiram o que restava da nave, testemunhas de que o combate ao
fogo não estava sendo bem sucedido. A Coronel não prestou atenção a eles,
voltou-se para Rogério e disse:
- Até logo, senhor Daminelli, foi um praz...
Interrompeu-se em meio a frase, quando a ponta do sabre de Coimbra saiu pelo
seu ventre. O Almirante tombou morto em seguida a seu último ato.
Rosário começou a tossir sangue, largou a bolsa e caiu de joelhos. Rogério
não conseguiu disfarçar o sentimento de justiça e vingança que passou a
sentir, que auxiliavam a aliviar a terrível dor que sentia no ombro. Entre
um grito e outro, tentava se desvencilhar, quando ouviu passos.
- Aqui! – gritou ele entre um pico de dor e outro – Me ajude, por favor!
Para sua surpresa, Maria Celeste surgiu na porta. Rosário estendeu a mão a
ela, segurando a lâmina do sabre com a outra, e disse:
- Capitã... Maria... me ajude... por favor...
Maria aproximou-se de Rosário, e um estranho sorriso despontou em seus
lábios. Com uma maldade e satisfação que deu calafrios em Rogério, ela
disse:
- E você, sua negra arrogante, achou mesmo que era a principal cabeça neste
plano, não é mesmo?
A expressão de espanto de Rosário só não era maior que sua mostra de dor, e
Maria completou:
- O pior de tudo isso, foi fingir que era sua subordinada... É
impressionante, realmente acreditava que havia sido recebida junto a elite!
Espero que morra bem devagar...
Rosário tombou de lado, e seu corpo ficou inerte, os olhos arregalados
fitando o vazio. Maria aproximou-se de Rogério, depositou um apaixonado
beijo em seus lábios, e disse:
- Meu amado... é uma pena acabar assim...
- Por que? – perguntou Rogério sem entender.
- Porque é o que fazemos! É o que eu faço, meu querido. O que é necessário
para servir o Imperador.
- Aquilo lá no domo também foi para servir?
Ela sorriu, aproximou-se e acariciou seu rosto. Deu-lhe mais um beijo
apaixonado, explorando a boca de Rogério com a língua, antes de se afastar
e, com o mesmo sorriso triste, responder:
- Não, meu amado. Aquilo foi porque eu te amo e te quero. E agora, preciso
deixá-lo ir. Não se entristeça, você e o Professor Donatti serão heróis do
Império.
Ela apanhou a bolsa, lançou-lhe um último olhar e saiu andando. Rogério fez
novas tentativas de se livrar do punhal, sempre entremeadas de gritos de dor
lancinante, e quando achou que já não lhe restava mais forças, conseguiu se
libertar.
Correu tropeçando pelos compartimentos, e por uma vigia aberta viu Maria
atravessando uma corda jogada do outro dirigível, e sendo acolhida a bordo.
A seguir, a outra nave exibiu dois pequenos canhões, com os quais disparou
no Aurora antes de virar e se afastar.
Rogério sentiu os impactos, e o dirigível adernar consideravelmente.
Cambaleou até a sala de comando, que estava tomada pelo caos. A altitude
diminuía consideravelmente, pois quase todo o hidrogênio havia sido expulso,
numa tentativa de controlar o incêndio.
Gonçalves se virou para ele, o rosto coberto de fuligem negra, e perguntou
diante de suas roupas manchadas de sangue:
- O que houve?
Rogério hesitou, e por fim explicou tudo. Gonçalves era um tipo extremamente
controlado, e disse simplesmente:
- Mais tarde deverá apresentar esses fatos as autoridades, meu amigo! Temos
que tirá-lo em segurança daqui. Sargento!
Um dos auxiliares veio, e Gonçalves deu ordem de o jovem levar Rogério em
segurança para o chão com um dos planadores de bordo. Eram estruturas em
forma de asas de pássaro, construídas com telas e bambus, e que esperavam
fossem úteis para escapar de emergências a bordo de dirigíveis.
Mas não houve tempo. Assim que Rogério abriu a boca para dizer que havia
esquecido as caixas com as chapas fotográficas, uma explosão maior dividiu o
Aurora em dois.
O que fora o orgulho da Marinha Aérea, símbolo da capacidade tecnológica das
forças imperiais brasileiras, caiu em chamas no mar, cerca de quatro
quilômetros além da Base de Peruíbe.

Entre os poucos sobreviventes resgatados, estava o Coronel Gonçalves.
Bastante ferido, demorou meses para se recuperar. Quase nada havia restado
de sua antiga verve militar, e o pobre coitado claramente pareceu aos
especialistas em saúde perder as faculdades mentais. Foi internado em um
hospício de segurança máxima em Santos.
Na mesma semana em que a tragédia com o fabuloso dirigível experimental
Aurora fora anunciada pelos jornais, os primeiros dirigíveis de ataque
estratégico atacaram a Argentina. Os aeróstatos brasileiros sobrevoaram e
bombardearam Buenos Aires, fora do alcance das defesas portenhas. O
Imperador saudou os primeiros resultados como uma comprovação inequívoca da
capacidade científica e militar brasileira, e das novas tecnologias
desenvolvidas com o auxílio do Aurora.
- Perdemos, graças a infâmia de vizinhos traiçoeiros – disse o Imperador em
um discurso no Rio de Janeiro – o Aurora e as insubstituíveis vidas a bordo.
Mas esse sacrifício não foi em vão, pois foi com essa realização
inesquecível de nossos técnicos e cientistas que puderam ser criadas as
máquinas com que protegemos nossa grande nação. Esse legado, o dos heróis do
Aurora, viverá para sempre!
A Tenente-Coronel Maria Celeste era um dos oficiais de alto escalão que
acompanhavam o pronunciamento do Imperador.

Epílogo

Na quarta noite após a destruição do Aurora um barco de pesca a vapor
singrava o mar nas proximidades da Juréia, extremo sul do litoral paulista,
quando sua viagem foi interrompida por batidas no casco.
Os tripulantes foram ver, e viram muitos destroços na água. Procuraram
afastá-los com compridos arpões, quando alguns outros chamaram sua atenção.
- Veja, capitão, caixas! – apontou o imediato.
- Tem alguma coisa mais ali – disse um outro tripulante.
Deslocaram a embarcação para lá, e para sua surpresa, encontraram um homem
ferido agarrado a uma das caixas.
Puxaram o desconhecido a bordo. Estava muito pálido e magro, e logo o
secaram, tiraram suas roupas rasgadas e o cobriram em uma cama, além de
cuidar dos ferimentos. Enquanto isso, o capitão e o imediato examinavam ali
ao lado o conteúdo das caixas.
- São fotos, capitão, e parecem da Lua.
- Sim, fotos da Lua. Estranho, como vieram parar no mar? Onde foram tiradas,
sabe de algum telescópio capaz disso no litoral?
O imediato fez que não, e nesse momento ouviram agitação as suas costas. Os
homens seguravam o náufrago, que se agitava e tentava lutar com eles.
O capitão se aproximou, e disse que estava tudo bem, que eles o haviam
resgatado. O rapaz acalmou-se aos poucos, aceitou o copo de água que lhe
ofereceram, e o capitão ainda mandou preparar comida. Finalmente, o rapaz
disse com voz fraca:
- Senhor..., meu nome é Rogério Daminelli..., e preciso chegar a terra o
quanto antes...

E então, gostaram desta viagem ao finalzinho do século dezenove?
Outro link ao lado para o qual os convido é meu outro blog, Escritor
Proibido, onde está publicado um conto muito quente de minha amiga Roberta
Nunes!
E claro, meu livro, De Roswell a Varginha, não é steampunk!



Poderia ser alienpunk? Ufopunk?

Queria agradecer também ao Carlos pelo comentário:

http://radartrash.blogspot.com/2009/08/de-roswell-varginha.html

Bom, confiram e comprem nos links aí ao lado, da Tarja Livros, da Livraria
Cultura, ou da Martins Fontes. E se quiserem escrever e deixar emails para
combinarmos uma seção de autógrafos, fiquem a vontade. Até a próxima!

Contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 10h48
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