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VÓ NENA E OS CAÇADORES: NOITE FELIZ

Um Feliz Natal e um excelente 2017 a todos! Espero que gostem deste conto natalino e arrepiante...

 

VÓ NENA E OS CAÇADORES: NOITE FELIZ

 

Dia 26 de dezembro, plena segunda-feira e o retorno das atividades em um dos mais frequentados shoppings de São Paulo. Eram quase dez da manhã quando o vigia, ainda bocejando de sono, finalmente chegou à sala onde era feito o monitoramento das muitas câmeras de segurança do estabelecimento.

Estranhou encontrar a porta trancada, ainda mais porque ouviu barulho lá dentro. Chamou então o companheiro:

- Ô, Mané, é você? Abre a porta, caramba!

Os ruídos cessaram, e alguns instantes de silêncio se seguiram antes que a porta fosse aberta.

- Joca, entra rápido!

Depois que o colega entrou, incomodado com a expressão de medo dele, Mané voltou a trancar a porta. Rapidamente sentou-se diante de um dos computadores e se pôs a selecionar alguns arquivos. Enquanto isso Joca olhou ao redor, e descobriu o que estava fazendo aquele barulho.

Em uma mesa próxima havia dois pedaços de madeira sólida, um pesado martelo e pedaços de CDs estilhaçados. Joca se virou para Mané e perguntou:

- Tá doido? E se o gerente de segurança pega você destruindo as mídias? E ainda tá mexendo nos arquivos, para quê?

Mané continuou selecionando os arquivos, e depois transferiu todos para uma pasta. Já ia apertar o botão para deletar tudo quando olhou para Joca. Parou um instante, baixou a cabeça, voltou a olhar o colega e finalmente disse:

- Se você tivesse visto o que eu vi no dia 24, também faria a mesma coisa.

Diante do olhar de dúvida de Joca, Mané começou a contar a história.

 

Dois dias antes...

 

O shopping estava absolutamente abarrotado de gente na véspera de Natal, e Vó Nena teve que apelar:

- Ô cão dos infernos, vê se arruma uma vaga prá gente, P.!

Ela bateu no volante do Fusca azul, que acelerou pelos estreitos corredores. Uma mulher estava estacionando um utilitário esportivo em uma vaga para idosos, e chegando perto os faróis e os instrumentos do painel do Fusca se acenderam com um brilho vermelho. A mulher voltou-se para o carro antigo com olhar vidrado, deu ré quase batendo em outro carro que passava, e saiu rápido pelo corredor. Mais buzinas foram ouvidas adiante enquanto Nena rapidamente estacionava o Fusca.

- Detesto vir para esta M. de cidade, ainda mais nesta época! – disse a anciã. Os irmãos Samuel e Daniel e a namorada deste último, Tatiana, também desceram. Nena se virou para o Fusca e resmungou:

- E você, vê se fica de olho e pode arrebentar a coisa nojenta se ela aparecer por aqui.

Nena saiu andando apoiada em sua bengala feita de pau-brasil, e os jovens a seguiram. Ela continuava resmungando:

- Aquela filha da P. da Natália Neiva tinha que voltar a produzir essa P. dessa boneca, a vaca!

- Não deve ser culpa dela por aquilo que aconteceu nos anos 80, Vó - comentou Daniel.

- Não é culpa dela o C., moleque! Como acha que uma M. de um programa como o daquela loira aguada pôde ter feito tanto sucesso?

- A senhora acha que ela fez um pacto? – perguntou Tatiana, a vidente da equipe e que estava atenta a tudo.

- Se não foi ela, filha, foi algum filho da P. que trabalhava com ela. Só sei que deu um trabalho do C. caçar a maldita boneca possuída, teve até morte no meio, mas na época não era como hoje, com a internet onde as notícias correm num instante.

- E virou lenda urbana.

- Isso, filha. Pior que nunca conseguimos exorcizar direito a coisa, a P. da boneca se perdeu num incêndio, mas não sabemos se foi destruída ou não. Procuramos mas não encontramos nada.

- Mas mesmo com internet, Vó, muita coisa acaba sendo acobertada – comentou Samuel. – O funcionário que foi encontrado morto, por exemplo, dizem que ele escorregou, caiu de uma escada e bateu a cabeça.

O elevador não demorou muito, e com certo aperto diante da quantidade de pessoas dentro eles se acomodaram. Nena deu uma cutucada em Tatiana, que apanhou o celular, abriu a galeria e mostrou uma foto para os meninos:

- É estranho que uma queda de escada deixe alguém com a cabeça totalmente virada para trás desse jeito – completou a garota.

Algumas pessoas próximas os olharam com cara de espanto, e pareceram muito aliviadas quando puderam sair do elevador.

 

Dois funcionários de uma loja estavam em um dos armazéns do shopping arrumando caixas de brinquedos em dois carrinhos. O gerente já havia ligado para o celular de um deles para que retornassem o quanto antes.

- E aí, o que acha que aconteceu com o Zé?

- Sei lá, só soube do que comentaram, que deu um grito bem aqui no depósito, e a próxima coisa que viram foi ele caído, com a cabeça virada prá trás.

- Também ouvi essa. E disseram ainda que estava com cara de quem tinha visto o próprio capeta!

- Virgem santa, nem fale isso!

- Pois é... até a direção do shopping veio falar com a gente, dizendo prá não comentar. Essa crise da P. também, imagina se a notícia se espalha e todo mundo fica com medo de vir aqui.

- O que será que foi, hein?

- Deixa prá lá, vamos sair logo daqui que esse lugar me dá arrepio.

Sem que eles percebessem, uma pequena figura rastejou até próximo de um dos carrinhos. A lateral deste era em forma de grade, e nas grandes caixas de papelão visíveis era possível ler “Boneca da Natália Neiva”.

A figura ergueu o braço, encostou a mão de plástico em uma das caixas e amoleceu. O que parecia uma nuvem negra fluiu de seu corpo velho, queimado e com roupas rasgadas e esgarçadas pelo tempo, e penetrou na caixa. A coisa maléfica ainda teve mais um pensamento, e pequenas porções da nuvem negra flutuaram em direção a outras caixas.

Os dois funcionários terminaram de organizar os produtos e saíram empurrando os carrinhos. Ainda era de manhã, e teriam um longo dia pela frente.

 

A turma tinha dificuldades em andar pelos corredores lotados.

- Bando de filhos da P. sem educação! – reclamou Vó Nena. – No meu tempo o Natal era época de dar graças a Deus por estar com a família, não essa P. desse consumismo de M.

- A senhora parece a Dercy em seus últimos anos, Vó – riu-se Samuel.

A anciã deu risada, e completou depois de se desviar de um casal cheio de sacolas que parecia querer passar através deles:

- Pois a Dercy era uma grande amiga, meu neto! Sinto saudades dela, que Deus a tenha!

- Como a senhora conheceu a Dercy? – perguntou Tatiana.

- Filha, ela veio me procurar em um momento de necessidade, sempre foi uma baita atriz, mulher independente que não levava desaforo prá casa. Acredita que até magia negra fizeram contra ela? Mas eu dei um jeito nos filhos da P., e desde então ficamos amigas, sempre que estava na região vinha me visitar.

- Então foi ela que pegou os palavrões da senhora, né, Vó? – perguntou Daniel.

Nena ia responder, mas uma “patricinha” cheia de sacolas esbarrou com força nela, quase resultando em uma queda.

- Vá para a P. que pariu, sirigaita do C.! – gritou Vó Nena. – Olha por onde anda, biscate!

A moça olhou a anciã de cima a baixo e, sem largar o celular e deixar de equilibrar as muitas sacolas de roupas de grife, disse:

- Ah, não, querida, é esse povo estressado e deselegante que eles deixam frequentar o shopping. Mas você dizia...?

Vó Nena lançou um olhar ameaçador contra a mulher, e ela e os demais voltaram a caminhar em meio à multidão. Ela disse:

- Espírito de Natal é o C. Povinho besta que nem sabe o perigo que está correndo, com uma cria dos infernos à solta por aqui.

- A Dercy teve mesmo a quem puxar – brincou Samuel.

Vó Nena lhe acertou um cascudo bem no cocuruto, e o mais jovem da turma, que também era o mais alto, voltou a se perguntar como a avó, que mal chegava a 1,60 m, conseguia fazer aquilo. 

 

Vó Nena e os jovens encontraram o corredor onde ficava a entrada do depósito onde o funcionário havia morrido, e que era compartilhado entre várias lojas, inclusive todos os estabelecimentos que vendiam brinquedos do lugar. Contudo, a entrada era proibida a quem não fosse funcionário, e a anciã tomou rapidamente uma decisão:

- Daniel e Tatiana vão lá e tentem encontrar mais alguma pista. Eu e Samuel vamos até a loja de brinquedos mais próxima, depois veremos.

- Nós ligamos se encontrarmos algo, Vó – disse Tatiana.

Ela e Daniel seguiram pelo corredor, abriram a porta e deram com um homem de terno com crachá da segurança.

- Tão querendo o quê aqui? – perguntou o homem. – Só para funcionários.

Daniel estendeu um pedaço de papel e disse:

- Aqui está nossa identificação. Estamos no nosso primeiro dia como temporários e nem conseguiram nos fazer as camisas da loja, amizade, sabe como é a crise...

O homem olhou o pedaço de papel, depois lhes deu passagem. Daniel guardou a folha no bolso e disse:

- Papel da caderneta do Vargas, nunca falha.

- Mas sempre está impregnado com energias negativas, amor, não é bom usar sempre.

- E eu não sei? A Vó vive repetindo prá gente.

Eles chegaram ao depósito e se puseram a procurar nos corredores entre as pilhas de caixas de variados tamanhos, contendo inúmeros produtos, ordenadas conforme o tipo destes. Desviaram aqui e ali de carrinhos levados por funcionários de lojas que corriam para reabastecer os estoques, e finalmente encontraram o setor de brinquedos.

Vasculharam as caixas, e encontraram várias que continham exemplares da boneca de Neiva. Tatiana aproximou a mão de uma das superfícies de papelão, fechou os olhos e se arrepiou. Esforçou-se, contudo, para manter a concentração, e disse:

- Esteve aqui, Daniel. Sinto...

A vidente não aguentou mais. Recolheu a mão e abraçou-se, parecendo sentir frio. O rapaz a abraçou e disse:

- Tudo bem, meu amor. O que mais viu?

Tatiana abriu os olhos, parecendo procurar alguma coisa. Depois de virar o corpo apontou e disse:

- Por ali.

Seguiram por outro corredor, e logo ouviram vozes cochichando. Dobraram uma esquina de mais caixas de papelão, e deram com dois funcionários conversando sobre alguma coisa que um deles segurava:

- Por que não quer me dar isso?

- Eu achei, é meu!

O que teve seu pedido negado olhou fixamente para o outro, e finalmente avançou sobre ele. Os dois homens rolaram no chão, até que o objeto em disputa escapou e ficou em um canto.

- É ela!

Tatiana deu o grito ao reconhecer a boneca maldita que Vó Nena perseguira por anos. Daniel esforçou-se para separar os dois rapazes, enquanto a moça estendia a mão e apanhava o brinquedo rasgado, sujo e despedaçado.

Daniel não teve muito trabalho. Assim que se viram separados da boneca, os dois rapazes voltaram ao normal, coçando a cabeça e perguntando o que havia acontecido. Entretanto, o mesmo não poderia ser dito sobre Tatiana, que com uma voz cavernosa disse:

- Vão morrer, Caçadores, vão morrer gritando!

 

Continua abaixo



Escrito por Escritor às 16h24
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VÓ NENA E OS CAÇADORES: NOITE FELIZ

Continuação

 

O rapaz virou-se, e viu a namorada se contorcendo enquanto segurava a boneca. Daniel poderia jurar que viu um brilho vermelho nos olhos de Tatiana, mas no instante seguinte a vidente pareceu se recuperar e voltou a si, jogando a boneca no chão.

Os dois funcionários a tudo assistiam e se apavoraram quando a boneca, caída no chão de bruços, ergueu o busto nos braços e virou a cabeça, olhando diretamente para eles. Saíram correndo o mais depressa que podiam.

Daniel os ignorou e aproximou-se de Tatiana. Ela beijou o namorado e disse:

- Não é a coisa. Tinha somente uma parte muito pequena de sua essência.

A boneca continuava olhando para eles. Tatiana remexeu na bolsa, abriu um pequeno pacote e pegou uma pitada de pó branco com os dedos. Jogou o sal sobre a boneca, que caiu imóvel no mesmo instante. A vidente a apanhou e disse:

- Pronto, esta aqui não tem mais nada.

Estendeu-a para Daniel, que a guardou na mochila. A seguir fizeram uma vistoria no local, mas Tatiana não sentiu mais qualquer outra presença maléfica.

- Vamos avisar a Vó – disse. Daniel a levou pela mão enquanto ela chamava a anciã pelo celular.

 

Os funcionários ergueram uma pequena torre composta de dezenas de caixas da boneca de Natália Neiva. Era um dos brinquedos mais procurados daquele Natal, e precisavam repor as unidades que eram removidas da pilha com rapidez.

A boneca possuída pela coisa foi colocada na segunda fileira a contar do alto. Ela conseguia enxergar quase toda a loja de sua posição. Inebriou-se diante das inúmeras possibilidades ali, bem a seu alcance. Quanta inocência, quantos sonhos de esperanças, quantas almas jovens prontas para serem consumidas.

A coisa lançou sua visão cobiçosa sobre as várias famílias ali presentes, sentindo que seu momento estava chegando.

 

Vó Nena e Samuel entraram na loja a muito custo, abrindo caminho entre a multidão que tentava escolher o melhor brinquedo. Um funcionário solícito veio atender a anciã.

- A senhora procura algo em especial para seu neto?

- Sim, procuro sim. Procuro uma P. de uma boneca possuída que precisamos destruir antes que mate mais alguém nesta pocilga!

Vó Nena ignorou o olhar de espanto do rapaz, e seguida por Samuel conseguiu chegar ao setor de bonecas. Encontraram o lugar onde exemplares da boneca de Neiva eram disputados, e a anciã tentou com seu pêndulo determinar se alguma delas era a que fora tomada pela entidade negra.

Duas meninas passaram correndo, esbarrando em Vó Nena e no pêndulo.

- Mas que M. de pais que não tomam conta de suas crias! C., estamos tentando salvar a vida de vocês aqui, P.!

Samuel apanhou o pêndulo e o manteve no alto, distante das crianças que faziam uma autêntica arruaça. De repente o objeto místico apontou para a direção de uma funcionária da loja.

Eles abriram caminho entre a multidão e, ao chegarem ao lado da moça, a ouviram dizer:

- Muito bem, quem abriu esta caixa?

A moça agitava a caixa vazia na mão. Vó Nena a apanhou e examinou. O pêndulo que Samuel segurava apontou para a caixa girando, o que era um mau sinal.

- Está aqui, meu neto – disse a anciã.

- O que está aqui, minha senhora? – perguntou a moça.

- Uma coisa que pode matar todo mundo nesta P. de loja num instante, minha filha. Se quiser evitar isso peça para todo mundo sair.

- A senhora está doida, eu vou...

- Tá, fica lá no seu canto que a gente se vira – disse a anciã passando a ignorar a funcionária.

Nena seguiu Samuel, que tentava abrir caminho entre o mar de gente.

 

A coisa não tinha pensamentos, somente instinto. Foi se arrastando enquanto se ocultava pelos cantos, alheia à atenção da multidão que lotava a loja.

Algumas crianças pequenas subitamente cruzaram seu caminho, e acharam graça naquela boneca que andava sozinha. Uma menina estendeu as mãos para apanhá-la, mas a coisa escapuliu passando por baixo de uma das estantes.

 

- Papai, quero aquela que anda!

A conversa chamou a atenção dos dois Caçadores, que se aproximaram. O pai mostrou uma caixa com a boneca de Neiva, dizendo:

- Esta aqui, não é filhinha, como combinamos.

- Não! Quero aquela que passou andando prá lá – e a garota apontou.

Vó Nena e Samuel se apressaram a seguir a direção apontada pela menina.

 

O rapazinho não devia ter cinco anos, e brincava com um pequeno grupo de outros de sua idade. Em meio à bagunça, ninguém percebeu a boneca que se aproximava lentamente, com um cordão de luzes natalinas nas mãos.

A sombra que habitava a boneca, uma minúscula porção da monstruosidade original, não pensava nem agia conscientemente de qualquer forma. Mas tinha um forte e maléfico instinto, que lhe apontava a urgente necessidade de tomar uma vida inocente.

Estava a ponto de erguer o cordão, passá-lo pelo pescoço do garotinho e tomar sua vida, o que lhe garantiria plena existência, quando um forte golpe a lançou longe. Mais um chute e ela estava num canto isolado, e a última coisa que sentiu foi o frio do metal em suas entranhas.

 

Vó Nena agira bem rápido. Atingiu a coisa com a bengala de pau-brasil lançando-a para o lado. Samuel a chutou para um canto isolado ao mesmo tempo em que desembainhava o punhal cerimonial que havia pertencido a um dos maçons que fizera parte da Inconfidência Mineira.

Enterrou a faca mágica na boneca, e conseguiu até mesmo observar a essência negra sair do brinquedo e se desvanecer.

Samuel chutou a boneca destruída para baixo de uma das prateleiras, dizendo de si para si:

- Eu que não vou pagar por essa P. Bem, vamos dar as boas novas para Vó Nena.

Encontrou a anciã ainda com o grupo de meninos. Depois de recomendar que fossem bonzinhos e obedecessem aos pais ela acompanhou Samuel para a saída.

- Matei a coisa com o punhal, Vó, até vi a essência desaparecer.

- Nós que combatemos as trevas adquirimos essa visão mais apurada, meu neto.

- Mas e a senhora ali, de papo com os pirralhos?

Vó Nena sorriu e disse:

- Essa é uma época boa, os pequenos fazendo suas primeiras descobertas. Depois viram umas pestes que precisam ter rédea curta.

Nena deu um cutucão em Samuel com o cotovelo, e completou:

- Mas depois que crescem não param de nos dar orgulho!

Samuel atendeu sorrindo o celular que tocava, conversou rapidamente com Tatiana, guardou o aparelho e disse:

- Eles encontraram a boneca original e Tatiana acabou com o que de ruim ainda havia nela. Estão indo para a segunda loja.

- Vamos lá com eles, Samuel – disse Vó Nena decidida. – Essa coisa é pior do que eu pensava, e temos que ficar juntos. Vamos acabar com esse filho da P. de uma vez por todas!

 

Tatiana e Daniel entraram a muito custo na segunda loja. Era a menor das três que havia no shopping, mas igualmente lotada. Com esforço abriram caminho entre pais e mães estressados e crianças birrentas até a seção de bonecas.

Eles passaram pelo corredor onde meninas se digladiavam por um exemplar da boneca de Natália Neiva, e Daniel cochichou ao ouvido da namorada:

- Sente alguma coisa?

Tatiana fechou os olhos e tentou se concentrar em meio à bagunça. Levou alguns encontrões das crianças que caçavam seu presente de Natal, mas não conseguiu sentir nada ali. Abriu os olhos e fez que não para o namorado.

- E se formos ver na fila do caixa? – perguntou ela.

Gastaram mais algum tempo abrindo caminho e chegaram à fila, onde a balbúrdia era a mesma. Pediram licença enquanto discretamente Tatiana tentava captar algum sinal da presença maligna.

Um pai bufava de impaciência enquanto consultava o relógio, segurando a filha pela mão. A menina trazia embaixo do braço a caixa com a boneca, e Tatiana a princípio achou graça.

Contudo, algo em sua mente deu um sinal de alerta. E este chegou no exato momento em que os olhos da boneca faiscaram em uma sinistra tonalidade vermelha.

Tatiana agarrou o braço de Daniel, e os dois olharam fixamente para a boneca. A coisa virou a cabeça para eles, e o pandemônio teve início.

Com os braços a boneca forçou a caixa, e a menina ficou sem entender nada quando sentiu o movimento. Olhou perplexa a boneca virar a cabeça para ela e exibir os olhos vermelhos. O pai ainda comentou:

- O que é agora, já não conseguiu a droga da boneca...

Sua fala foi interrompida quando a coisa pulou direto em seu rosto. A boneca agarrou a gravata do homem e a apertou, tentando estrangulá-lo. As pessoas ao redor sequer se moveram, olhando espantadas para algo que não compreendiam.

- Saiam da frente!

Daniel berrou e se lançou sobre o homem. Agarrou a boneca, que continuava enforcando o sujeito. As pessoas próximas começaram a gritar, enquanto os funcionários dos caixas observavam a cena apáticos e sem nada entender.

Daniel finalmente livrou o homem, que caiu de joelhos respirando fortemente depois de quase sufocar. A coisa saiu correndo, e Tatiana a seguiu tentando se desvencilhar das pessoas do caminho. As pessoas se dirigiam para o local dos caixas tentando saber o que era aquela confusão, o que somente dificultava o trabalho.

Daniel abriu caminho com alguns empurrões e seguiu Tatiana. A vidente tinha uma boa dianteira, mas a fuga era evidentemente mais fácil para a boneca. Ela temeu que a coisa conseguisse sair ou pior, atacasse uma criança.

A coisa seguiu desviando-se dos montes de pernas à sua frente, passando sob expositores, e somente algumas crianças se deram conta daquela boneca andando sozinha. Seu instinto lhe dizia para continuar correndo, e estava quase alcançando a saída, quando foi atingida por algo duro.

A boneca bateu de encontro a uma parede livre, e a bengala de pau brasil de Vó Nena foi espetada em seu peito. A coisa ainda esperneou e lutou, mas se desvaneceu diante da forte reza da anciã, que havia chegado naquele momento junto com Samuel.

Tatiana ainda sentiu os últimos estertores da sombra maléfica antes que se descompusesse. Daniel chegou em seguida.

- Já resolveram? – perguntou.

- Sim, amor, era só uma sombra de novo – respondeu Tatiana.

As pessoas os olhavam com espanto, e dois seguranças desviavam apressadamente das pessoas no corredor do shopping para entrarem na loja. Funcionários se aproximavam do outro lado, e Vó Nena disse:

- O filho da P. deve estar na terceira loja.

- É no piso acima, gente, vamos lá – comentou Samuel.

Quando os seguranças conseguiram entrar na loja não encontraram nada de anormal. Ao mesmo tempo o homem atacado, massageando o pescoço e sem entender nada, saiu resmungando e levando a filha pela mão.

A menina chorava, pois ficara sem sua boneca.

 

Sua satisfação chegou a um grau como não sentia há muito tempo. Nos braços de sua nova possuidora, mesmo através daquele invólucro sentiu a inocência e a esperanças da jovem alma. A alegria contagiante, o frescor de quem está descobrindo o mundo, tudo aquilo emanava energias das quais a coisa agora poderia se alimentar por anos a fio.

O jovem casal tinha, além de sua nova dona, uma criança menor que estava nos braços da mãe. Estava tudo perfeito, pensou. Tantos sonhos, tantas almas que poderia sugar para se fortalecer e voltar a ser grande...

Não gostava de ser balançada e virada de lá para cá, nem de saltitar ou ouvir o barulho de dedos tamborilando na caixa. Porém a longa espera estava chegando ao fim, e em breve teria uma alma cheia de energia que sempre estaria perto, somente para seu desfrute e deleite.

 

- Essa coisa que caçamos, meus filhos, é um parasita – disse Vó Nena com voz cansada. – Suga as energias de quem estiver perto.

- E consegue separar partes de sua essência, como as que encontramos – completou Tatiana. – Essas partes não têm consciência, mas podem adquiri-la sugando as energias de uma alma. Por isso tentaram matar o menino salvo pela Vó e aquele homem na fila.

- Mas num ambiente mais calmo a coisa pode ir sugando aos poucos, crescendo e ficando mais forte, e criando consciência – disse Vó Nena. – Por isso é importante benzer ou exorcizar essa P. toda.

Nena e os jovens chegaram finalmente à terceira loja, precisando passar através de um numeroso grupo que deixava o estabelecimento. Tatiana se atrasou ao parar em meio às pessoas, de olhos fechados e cabeça baixa. Daniel percebeu e voltou para perto dela, perguntando:

- Amor, tudo bem?

Tatiana abriu os olhos e encarou o namorado, murmurando:

- Não sei... algo... melhor entrarmos, vamos!

 

Continua abaixo



Escrito por Escritor às 16h24
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VÓ NENA E OS CAÇADORES: NOITE FELIZ

Continuação

A coisa sentiu a presença ignóbil da mesma mulher que a havia caçado tanto tempo atrás, e pela primeira vez sentiu preocupação. Por muito pouco escapara daquela vez.

E havia algo mais, aquela outra... sentiu que representaria uma ameaça ainda maior. Mas quando as duas presenças se afastaram tranquilizou-se. Sua nova dona a apertava contra o peito, e as batidas daquele jovem e inocente coração prenunciavam ao menos anos em que o ser abjeto poderia se alimentar.

 

Nena e os garotos entraram finalmente na loja, e correram para a torre construída com as caixas das bonecas de Natália Neiva. Exemplares eram removidos a todo instante, e os funcionários se apressavam para repor as unidades. Os Caçadores rodearam o lugar várias vezes, sem obter qualquer resultado.

Tatiana parou depois de dar somente uma volta ao redor da torre de bonecas. Colocou as mãos na cabeça, fechou os olhos e se concentrou. Vibrações terríveis invadiram sua mente, a pura maldade que estivera ali presente finalmente surgindo nítida nas lembranças etéreas que conseguia acessar.

- Você tá bem, moça? – chegou a perguntar uma funcionária.

Tatiana abriu os olhos e encarou a mulher. Ignorando-a, a vidente saiu caminhando nervosamente em direção à saída. Os demais perceberam e correram a acompanhá-la.

- Acabou de sair, cruzamos com a coisa naquele grupo que estava saindo – disse Tati. – Sei onde está!

 

Depois da longa fila para pagar o estacionamento, a família aguardou mais algum tempo até conseguir entrar no elevador lotado. Dentro do compartimento, muitas das pessoas começaram a se sentir incomodadas com algo que não sabiam definir. Uma moça começou a ficar ofegante, e um senhor sentiu um terror como não experimentara havia anos. Um menino começou a chorar de medo, e sua mãe, tentando abafar o desespero que ameaçava tomar recantos que mal se lembrava no fundo de sua mente, se esforçou para consolá-lo.

Havia muito tempo que ela não se sentia assim. Seu poder crescia, e ela estava ansiosa para fazer o que de melhor conseguia. Aquele era somente o começo, e a coisa se deleitou com isso.

A família caminhou para o carro, fazendo comentários inofensivos sobre a visita ao shopping. A boçalidade e futilidade humanas sempre a aborreceram, mas era um preço insignificante a pagar pelo alimento que a nutriria, e que permitiria que voltasse a incutir terror nos corações daquelas miseráveis criaturas.

Súbito, a coisa voltou a sentir as repugnantes presenças que tanto a haviam incomodado. Não teve opção a não ser estender seus sentidos e enxergar além da fronteira opaca daquela ridícula embalagem de papel colorido.

 

Daniel e Tatiana se adiantaram subindo pelas escadas, enquanto Samuel ficou com Vó Nena, que já dava sinais de cansaço, aguardando o elevador. A vidente e seu namorado correram, orientados somente pelas habilidades dela.

Tati teve dúvidas quando colocou a mão na maçaneta da porta do segundo nível do estacionamento, mas por fim virou-se e correu para as escadas rumo ao terceiro nível. Daniel nada disse, temendo quebrar sua concentração, e somente a seguiu.

Correndo como dois alucinados entre os carros que circulavam buscando uma vaga para estacionar, eles finalmente viram no fim do corredor a família. Um jovem casal, a moça com um filho pequeno nos braços, e a menina de uns seis anos com uma caixa nos braços. Tatiana e Daniel correram mais.

 

Era ela! A nova e ameaçadora presença que havia sentido. Não! Justo agora que tudo seguia conforme seus desejos!

O casal não entendeu nada quando, conforme sua impressão, a menina começou a balançar a caixa descontroladamente. A mãe já ia dar uma bronca na filha, repetindo que somente à noite poderia abrir seu presente, quando o barulho de papelão e papel rasgando se somou à incompreensível visão das mãos da boneca saindo pelo buraco na caixa.

A menina soltou um grito, um grito de puro pavor. E não foi somente pelo susto de ver a boneca arrebentando a caixa e se debatendo para sair. Foi a certeza que surgiu em sua mente que aquele presente tão adorado escondia algo horrendo, pior que seus piores pesadelos.

A boneca finalmente se libertou e saiu correndo, diante do olhar incrédulo da família. Carros que passavam na procura por vagas frearam e xingaram Daniel e Tatiana, que passaram a perseguir o monstro.

Por onde a coisa passava as pessoas eram tomadas por um sentimento de horror que parecia sugar toda e qualquer esperança, sem conseguir determinar de onde vinha. A coisa irradiava ódio e medo, enquanto buscava fugir para algum lugar, qualquer lugar bem longe daqueles horríveis caçadores.

Pessoas na fila do elevador se assustaram com aquela pequena figura que passou depressa por eles, seguida por um rapaz e uma moça. De repente as portas do elevador se abriram e surgiram Samuel e Vó Nena, e a anciã ainda acertou um golpe de sua bengala de pau-brasil na coisa.

Os poderes daquela arma eram imensos, e o monstro voou longe. Caiu diante de um carro que passava, cuja roda a esmagou. Mas mesmo assim a coisa levantou e continuou sua fuga, arrastando-se o mais depressa que podia. Sentiu os Caçadores muito perto, e pela primeira vez o pavor a atingiu.

A seguir sentiu cada parte do corpo sintético que habitava ser esmagada por um terrível impacto contra uma coluna. O carro que a atingira recuou e a coisa ainda se debateu, antes de ser engolida para um compartimento escuro de lata, o metal estalando e se movendo a seu redor, até parar de vez.

O Fusca azul ainda irradiava um forte brilho vermelho nos faróis quando a lataria emitiu um último estalo e voltou ao seu formato original. Daniel e Tatiana chegaram correndo, conseguindo ouvir as batidas que vinham do porta-malas dianteiro. Samuel chegou em seguida, amparando Vó Nena que, exausta, abriu a porta direita e se acomodou no assento.

- Daniel, meu neto, você dirige na volta.

Todos respiraram aliviados, mas as batidas na dianteira do Fusca continuavam. Nena deu um tapa no painel do carro e gritou:

- E você fica quieto, parasita dos infernos, coisa ruim do C.!

O Fusca balançou, e as batidas pararam. Tatiana ainda sentia a presença horrenda ali, enfraquecida, mas que emanava um ódio crescente.

- Se preocupa não, filha – disse Nena segurando sua mão. – Tem arruda, trigo, e mais um monte de patuás aí na frente. O coisa ruim não escapa, não mais!

A vidente sorriu e ergueu o olhar, observando a família olhando para eles, vinda do corredor ao lado. Virou-se para a anciã, tirou algo da bolsa e disse:

- Vó, que tal a senhora...

Nena olhou o que a vidente lhe estendia e entendeu na hora. Fez uma reza e benzeu o objeto, que Tatiana em seguida levou para a menina.

- Desculpe você ter perdido seu presente, meu amor – disse, com todo o carinho que conseguia. – Espero que goste desta boneca, me fez muito feliz quando era criança, e vai fazer você também.

Tatiana estendeu uma pequena boneca de pano, antiga mas muito bem conservada, uma das que sua avó Esperança lhe fizera. A menina olhou para ela, pegou a boneca e a examinou por um tempo. Em seguida sorriu e disse “obrigada”.

Os pais da menina, ainda sem entender direito o que havia acontecido, também murmuraram agradecimentos. Tatiana sorriu e lhes disse “Feliz Natal” antes de voltar para o carro. Daniel deu partida e começou a circular, diante dos sons das buzinas dos demais veículos que se acumulavam atrás do Fusca.

- Agora vamos ter que ficar circulando até o Samuel voltar depois de pagar o estacionamento – disse ele.

- Que bonito o que fez, filha - comentou Vó Nena.

Tatiana colocou a mão no ombro da anciã, sentindo o coração leve novamente. O Fusca azul, circulando lentamente, passou por outra família, um casal com uma garota adolescente e dois meninos gêmeos menores. Um socou o braço do outro, que começou a reclamar para os pais antes de devolver o golpe.

 

Joca repassou a gravação da loja. A boneca andando sozinha. O rapaz metendo a faca nela.

Depois repetiu várias vezes o momento em que a boneca do estacionamento passava andando, até o Fusca a prensar contra a pilastra. O carro recuava, a frente toda amassada, antes de em poucos segundos voltar ao normal. A boneca ainda estrebuchava um pouco antes de o carro avançar e a “engolir” pelo porta-malas da frente.

Parecia coisa de cinema. Mas, como Joca sabia, Mané não entendia quase nada de eletrônica ou tecnologia. Aprendera a mexer naquele equipamento e só, nem tinha celular com internet.

Joca olhou para Mané. Este fechou na tela as janelas dos vídeos, procurou os arquivos das gravações e os deletou. Tirou os CDs, colocou-os sobre a mesa e os arrebentou com o martelo.

Jogou tudo no lixo, depois tirou o saco preto com os pedaços das outras mídias e os guardou na mochila.

- C., mano, que coisa foi essa? – perguntou Joca.

Mané colocou a mochila no ombro e olhou para o colega.

- Não quero nem saber, e pro seu bem acho que nem você quer. O gerente já deve ter chegado, vou lá pedir demissão, ir embora prá sempre desta P.

Saiu sem se despedir e nem olhar para trás. Joca ficou sozinho na sala, pensando se fazia a mesma coisa, e sentindo o terror tomar conta de seus pensamentos.

 

Ainda na noite daquele 24 de dezembro Vó Nena amarrou a boneca junto com folhas de arruda, mudas de trigo e alguns patuás de aprisionamento, depois de aspergir água benta na coisa. Tatiana sentiu o monstro se debatendo e proferindo as piores blasfêmias e ameaças, mas os feitiços já o haviam tornado impotente.

Em um pedaço consagrado de terra em um dos cantos da propriedade Samuel abriu um buraco, e ali enterraram mais um inimigo.

- Agora acabou – disse Vó Nena remexendo a terra com um ancinho. Jogou aqui e ali algumas sementes de grama.

- Será que sobrou alguma sombra dessa coisa, Vó? – perguntou Daniel.

- Se sobrou, meu neto, a menos que consiga parasitar alguma alma inocente, não temos com o que nos preocupar. Agora que esse filho da P. vai se desfazer aqui embaixo e voltar pro inferno do C. de onde nunca deveria ter saído, as sombras vão ainda ficar por um tempo por aí mas devem se desfazer também.

A última pá de terra foi jogada sobre a sepultura do monstro, e somente então Tatiana se descontraiu. Vó Nena se aproximou dela e a abraçou.

- Filha, muito bonito o que fez.

- Não foi nada, Vó. Vó Esmeralda me deu um monte de bonecas de pano, ainda tenho uma coleção delas no meu quarto.

Nena suspirou e disse, cheia de saudade:

- Esmeralda foi a maior vidente que conheci na vida, Tati. Como me ajudou nos anos que eu mais precisava! Fico muito contente por ter você aqui com a gente, nós te protegemos e você nos protege.

Nena a abraçou mais forte e acrescentou:

- Você já é da família, meu anjo!

Tatiana retribuiu o abraço com os olhos úmidos, e os dois rapazes se uniram a elas. Instantes depois Nena disse:

- Agora vamos parar com essa melação toda que eu quero mais é comer!

- Ô, Vó, e o espírito de Natal? – perguntou Samuel rindo.

Nena já se adiantava rumando para sua casa, e respondeu:

- Espírito de Natal o cacete! Fizemos o trabalho Dele, agora merecemos aproveitar! Tinha que ver nos bons tempos quando enchíamos a casa de gente, e o avô de vocês, que Deus o tenha, chamava prá bóia! Vamos lá, moçada, cinco minutos prá trocar de roupa e ir prá casa da mãe de vocês!

Minutos depois todos entravam no Dodjão, que disparou pelas estreitas vias da região, o motor V-8 roncando alto.

 

Primeiras horas do dia 25 de dezembro, a ceia transcorreu perfeitamente, todos trocaram presentes, seus tios e primos já haviam ido embora. A menina, feliz, deu boa noite para os pais e os três irmãos e foi dormir. Não demorou a pegar no sono.

Na cadeira próxima da cama, uma boneca da Natália Neiva estava sentada.

Subitamente seus olhos brilharam em uma tonalidade vermelho-vivo, e ela lentamente virou a cabeça para a cama, onde a menina dormia confortavelmente.

 

Vó Nena e os Caçadores retornarão.

 

Abaixo, as primeiras histórias de Vó Nena e os Caçadores:

Vó Nena e os Caçadores - Neculai e a Escuridão

Vó Nena e os Caçadores - Sheila e Ariele

Um Feliz Natal e um próspero ano novo!

Até a próxima!

 

Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 16h23
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