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Sexta eXtra

Quem precisa de terroristas, quando temos os torcedores de futebol?

Novamente, o noticiário e os jornais nos trazem a grande verdade!
Alienados e anormais, com certeza, somos todos nós, fãs de seriados e
filmes, especialmente aqueles de Fantasia e Ficção Científica!
Pois só pode ser coisa de anormal, vagabundo, desocupado e alienado vestir
camisetas de filmes e séries de tv, ou pior, ousar vestir uma fantasia
inspirada no traje de seu herói ou vilão preferido. O quê, ter em sua
estante bonequinhos ou naves, ou gastar mais do que pode com revistas, CDs,
DVDs? Meu Deus, esse maluco tem que ser internado, isso não é normal!
Organizar eventos em que há recolhimento de alimentos e roupas para
instituições beneficentes? Ou onde, não importa se você é fã de Arquivo-X,
Jornada nas Estrelas, Star Wars, Harry Potter, Senhor dos Anéis, ou de
qualquer outro universo fantástico, pode vir até com sua família que será
igualmente respeitado? Isso, com certeza, é coisa de ANORMAL!!!


Normal, claro, como os torcedores são-paulinos mostraram nesta última
madrugada, é sair comemorando o campeonato vencido por seu time com uma bela
depredação na Avenida Paulista!
Afinal, esporte é alegria, esporte é saúde, e o futebol é a paixão do
brasileiro! Viram que maravilha, tantos torcedores felizes, olha a saúde que
demonstram, extravasando sua paixão pelo futebol depredando lojas, bancos e
bancas de jornal, na avenida que é símbolo de São Paulo!
É absolutamente normal, a uma da madrugada, ouvir um energúmeno são-paulino
desses passar de carro buzinando e fazendo arruaça. Claro, anormais também
devem
ser as pessoas honestas e trabalhadoras, tentando descansar em suas casas
para mais um dia de trabalho. O pobre dono de bar que ouvi no rádio,
chorando diante de seu estabelecimento destruído pela turba de
subdesenvolvidos, obviamente é um anormal, alienado que é da grande alegria
do futebol!
Reclamar, acionar a justiça? Que justiça? Essa "justiça" que manda soltar
Gilhermes de Pádua e Suzanes Von Richtofen? Essa "justiça" tão rápida em
prender a sócia da Daslu, mas que permance ignorando o Waldomiro Diniz?
Mas tudo bem, afinal o futebol é a alegria do povo, e o Brasil é
PENTACAMPEÃO! Nada mais importa!
Não importa a corrupção dos petistas em seu projeto de construção de um
estado socialista e totalitário. Não importa a violência quase ao nível de
guerra civil, onde as associações de direitos humanos estão a um passo de
tornar as vítimas culpadas.
Seguramente não importam esses anormais, essas aberrações que gostam de
filmes e seriados que mostram valores tão inúteis, tão alienados da
realidade, valores como amizade, respeito, lealdade, capacidade de
sacrifício por um ideal maior, não é verdade?
O normal é vestir qualquer camiseta de time de futebol e sair por aí
depredando e matando, além do que, é tão mais divertido espancar até a morte
quem torce por outro time, não é? Isso é saudável, isso é o esporte, a
alegria do povo, isso é, definitivamente, normal!
Antes que eu me esqueça, como bom anormal, maluco e desocupado que sou, não
torço para nenhum time, pois destesto futebol desde que me conheço por
gente. Então por favor não me acusem de torcedor de time adversário. Amo
Arquivo-X, Jornada nas Estrelas, Star Wars, Stargate, Galactica, Harry
Potter, Senhor dos Anéis, Buffy, Batman, Homem-Aranha, X-Men, quase tudo que
seja do gênero fantástico, ou seja, sou sim, um anormal, e com orgulho!

Até mais e bom final de semana!



Escrito por Escritor às 12h37
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Quarta X

Ufos, nossos ou deles?
Tradução do texto apresentado em http://www.phenomenamagazine.com , de
autoria de Nick Redfern.

Por anos, rumores diziam que alguns ovnis eram o resultado de projetos
secretos construídos na Terra, ao invés de por civilizações alienígenas.
Certamente, o mais famoso de todos esses foi o Avrocar. Em 1953, foi
revelado pelo jornal Toronto Star que a Avro Canada estava trabalhando em
seu próprio disco voador. Como resultado, o Avrocar fez sua primeira e
mal-sucedida aparição em dezembro de 1959. Dois anos depois, mal se erguia
do chão, e o Departamento de Defesa Americano, que tinha grande interesse no
projeto e trabalhou junto a Avro, desistiu do projeto, como descrito na nota
abaixo:
"A partir de 1958, o Laboratório Aeronáutico teve dúvidas sobre a
viabilidade do projeto. Em vários testes, foi notado em fevereiro de 1958
que o Avrocar provavelmente não seria capaz de velocidades supersônicas.
Meses depois, foi determinado que o conceito era viável, mas muito trabalho
deveria ser feito para se tornar operacional, sobre os vários problemas além
de fatores de vôo desconhecidos".
Entretanto, existe evidência que leva alguns comentaristas a sugerir que o
Avrocar foi nada mais que uma tentativa de acobertamento para projetos
infinitamente mais secretos para construir aeronaves como os ovnis. Em
outras palavras, o Avrocar desde o começo foi programado para falhar, para
dar a impressão a União Soviética de que os americanos falharam em
desenvolver e colocar em serviço uma aeronave tão diferente. Essas
afirmações podem ser validadas até certo grau.
De 1952 a 1961, um Grupo de Projetos Especiais da Avro trabalhou numa série
de desenhos de discos voadores muito adiante do Avrocar. Um desses projetos
era conhecido como Y2, sendo encampado pela USAF e designado Projeto Silver
Bug. Um relatório técnico preparado em 15 de fevereiro de 1955 no Centro
Técnico de Inteligência Aeronáutica da Base de Wright-Patterson, Ohio,
revela a expectativa que havia então em torno das potencialidades
revolucionárias desse projeto muito além de seu tempo:
"Este relatório apresenta fatos e dados técnicos sobre o proposto projeto da
A. V. Roe Canada Limited, Projeto Y2 (secreto). Esta proposta é a segunda de
dois desehos que podem ser classificados como aeronaves radicais. O
propósito se divide em dois: corrigir as distorcidas imagens apresentadas em
informações anteriores, e informar a comunidade de inteligência para fatos
atuais, também alertando-os para qualquer informação que possa se tornar
disponível indicando interesse soviético neste campo".
É interessante o forte desejo dos envolvidos de distanciar-se de qualquer
comparação com informes de discos voadores:
"O projeto não deve ser associado a qualquer história envolvendo discos
voadores devido a sua aparência externa. A mesma é resultado de um esforço
de engenharia para resolver certos problemas. Um exame na proposta mostra
que o potencial para um sistema de armas de alto desempenho existe no futuro
não muito distante. A mesma oferece a USAF um sistema de armas avançado com
capacidade militar de decolagem vertical, mas existem numerosos problemas
técnicos que devem ser resolvidos antes que um desenvolvimento bem sucedido
possa ocorrer. A proposta é para o projeto de uma aeronave experimental
supersônica com uma plataforma circular e capacidade de decolagem vertical.
Uma versão deve utilizar motores de fluxo radial convencionais. Outra
característica incomum do projeto é o controle da aeronave pela seleção da
direção dos gases de exaustão, que elimina a necessidade de superfícies de
controle convencionais".
O trecho a seguir revela a crença de que a USAF poderia se beneficiar muito
pela construção de tal aeronave:
"Essa proposta pode solucionar o requerimento da USAF de ter bases
operacionais dispersas. Não parece haver nenhuma razão fundamental para esta
proposta não resultar em um sistema de armas, entretanto existem muitas
áreas técnicas que devem ser pesquisadas antes que um programa de
desenvolvimento total seja iniciado. A simplicidade da construção do corpo
da aeronave deveria facilitar muitos dos problemas logísticos e de
manufatura normalmente associados a novos desenvolvimentos aeronáuticos.
Baseados em tais conclusões, um programa de inteligência é justificado. O
mesmo deve buscar determinar se o Bloco Soviético está ou estava conduzindo
esforços de pesquisa em projeto similar, quando esse trabalho começou, e o
presente estado do desenvolvimento soviético".
O documento continua:
"Existe um requerimento da USAF em desenvolver meios de operar a partir de
bases dispersas. O requerimento salienta a crescente e possivelmente
catastrófica vulnerabilidade de bases convencionais. A maior característica
de tais bases é a pista de pouso e decolagem, que vem crescendo conforme as
aeronaves se tornam mais pesadas e velozes. As necessidades operacionais
levam a concentrações de  aeronaves, que se tornam alvos. A solução lógica
de bases operacionais dispersas levam a redução ou eliminação das pistas de
decolagem e pouso. Numerosas idéias foram propostas e estudadas, e algumas
desenvolvidas para reduzir a distância de decolagem de aeronaves. Entre
elas, injeção de água e pós-combustores nos motores, e foguetes de auxílio a
decolagem. Paraquedas e reversores de empuxo foram desenvolvidos para
reduzir as distâncias de pouso. Para eliminar a necessidade de pistas, foram
desenvolvidos helicópteros, convertiplanos e aeronaves VTO (vertical
take-off, decolagem vertical). Existem dois tipos dessas aeronaves, as de
pouso vertical sobre a cauda (tail sitters), e as flat risers, atitude
horizontal. A segunda decola em direção vertical e em atitude de vôo normal
horizontal, enquanto as tail sitters decolam verticalmente de uma posição a
90 graus da atitude normal de vôo horizontal. Exemplos de tail sitters são
os projetos para a Marinha Americana da Lockheed e da Convair que utilizam
turbohélices, e o projeto da Ryan Aeronautical Corporation para a USAF que
utiliza turbojatos. Como flat risers existem o projeto Flying Bedstead da
Rolls-Royce, e a aeronave VTO da Bell. O problema básico de projeto é como
conseguir uma aeronave VTO com capacidade militar. Uma possível solução para
o problema foi proposta pela A. V. Roe Canada Limited na forma do projeto Y2
(secreto)".
Os autores do documento mostram que havia duas versões para a aeronave VTO,
Projeto Y, um tail sitter, e o Projeto Y2, um flat riser. Durante os
estudos, o Projeto Y foi rejeitado em favor do Y2, devido ao fato de que
este incorporava muitos avanços pela utilização de "idéias radicais em áreas
fundamentais", que ao tempo ainda não haviam sido "adequadamente
investigadas". Muita pesquisa foi realizada para os motores e a cabine da
aeronave:
"O motor, ao contrário das aeronaves convencionais, não propulsiona a
aeronave perturbando o fluxo de ar com seu próprio fluxo de exaustão. A
cabine localiza-se no centro da aeronave, a fuselagem, tanques de
combustível e motores a turbina circulam a mesma".

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 12h24
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Quarta X

Continuação...

As características de decolagem e pouso verticais da aeronave combinam com
as descritas por testemunhas de discos voadores:
"A aeronave foi projetada para decolagem e pouso verticais enquanto em
atitude horizontal de vôo (flat riser). Como a aeronave decola verticalmente
de uma posição horizontal, não necessita de trem de pouso ou aparatos
auxiliares. Essas características vêm da exaustão periférica que produz um
efeito de empuxo muito potente. Esse é um dos fundamentos desse novo e
radical desenho de aeronave. Desde que a fuselagem e o motor têm uma
plataforma circular, e a exaustão do motor e as forças de empuxo serão
usadas para o controle da aeronave. Um sistema de controle unificado deve
ser projetado para produzir as mesmas respostas na aeronave, independente se
a mesma está em vôo estacionário, de transição, ou convencional. A
plataforma circular pode ser modificada para adição de superfícies de
controle, se as mesmas se provarem necessárias. As entradas de ar são
dispostas no círculo interno da face superior da fuselagem para a decolagem
vertical, enquanto outras entradas são posicionadas nas faces superiores e
inferiores para vôo horizontal".
O documento mostra que muito esforço de pesquisa foi despendido no projeto:
"A localização central dos tanques permite o uso do combustível como
isolante térmico da cabine contra o aquecimento pelo atrito aerodinâmico. Os
detalhes de engenharia não devem apresentar qualquer problema insolúvel no
desenho. Entretanto, o motor e sistemas de controle da exaustão parecem ser
dificuldades consideráveis. A estrutura básica é desenhada para facilitar a
produção em massa... Para a versão com vários motores podem surgir problemas
para o controle complexo de 8 motores e seus sistemas de combustivel,
lubrificação, etc...
A aeronave utiliza exaustão por meio de bocais ao longo da periferia
direcionados para baixo... Em vôo horizontal, o ar entra por entradas nas
faces superiores e inferiores, e a exaustão dos motores é feita por bocais
anulares localizados acima e abaixo, próximos da periferia da aeronave, e
por bocais situados nos lados da mesma.
O motor proposto para a versão de um motor é uma turbina de fluxo radial...
Os elementos rotativos de uma turbina convencional, o compressor, o eixo e a
turbina, foram reprojetados com formato discoidal. As lâminas do compressor
são montadas verticalmente no anel interno do disco. As lâminas da turbina
são montadas verticalmente em outro anel, e um anel de conexão é comparável
a um eixo convencional. Esse disco roda em um encaixe entre os tubos de
combustão inferiores e superiores..."
Certamente, o aspecto de mais difícil desenvolvimento foi o sistema de
controle...

Nota do Escritor
Bem, o texto vai um pouco mais além, mas creio que já podemos ter uma boa
idéia do assunto.
A verdade é que as evidências da existência de tais projetos são bem
escassas. Tentem procurar "Silver Bug" na grande rede, que irão achar, além
de boa quantidade de fotos de Fuscas de cor prata, algumas imagens
interessantes de discos voadores movidos a turbinas e com cockpits de avião
no centro da fuselagem.
O termo "naziufos" também faz aparecer inúmeras páginas na Internet, e essa
é outra grande controvérsia. São inúmeras as descrições de supostos projetos
secretos da Alemanha nazista, envolvendo aeronaves similares a discos
voadores. Eu mesmo utilizei algumas dessas informações como parte do pano de
fundo de meu segundo ebook na Hotbook, Inimigo Interior.
Alguns autores, até mesmo poucos brasileiros, afirmam que os nazistas
chegaram a operar tais aeronaves no final da Segunda Guerra Mundial. Alguns
chegam ao extremo de descrever a fuga de dirigentes e cientistas do Reich
para a Antártida, onde teriam ainda hoje uma base secreta de operações!
Delírio puro, claro!
Algumas dessas fontes ainda afirmam que desenhos, tanto americanos como
soviéticos, da época da Guerra Fria, seriam baseados em originais nazistas.
Infelizmente, como várias áreas da Ufologia, essa também é nebulosa, na
verdade bem mais que outros assuntos.
Russos e americanos utilizaram vários desenhos originários da Alemanha nos
anos 40, 50 e 60. A famosa Bomba V-2 foi utilizada nos pioneiros esforços
espaciais das duas nações, e seus caças MIG-15 e F-86, que se enfrentaram na
Coréia, eram variações de desenhos alemães.
A USAF e a CIA estudaram a fundo a possibilidade de os russos,
aproveitando-se de uma possível histeria em massa nos Estados Unidos durante
ondas de avistamentos de ovnis, lançarem um primeiro ataque. Da mesma forma,
silenciaram-se convenientemente quando seus aviões U-2 e SR-71 eram
avistados e descritos como ovnis.
Muitos projetos secretos sem dúvida existem, é só lembrar da controvérsia
recente quanto ao Projeto Aurora. Mas até que provas mais contundentes
encontrem-se disponíveis, devemos ter muito cuidado ao lidar com tais
informações.
Pois como disse Garganta Profunda, uma mentira torna-se muito mais plausível
entre duas verdades.

A Musa do Gênero Fantástico de hoje é Natalie Portman. Creio que não há um
único fã de Ficção Científica que não tenha a adorado como Padmé na Nova
Trilogia de Star Wars!



E aproveitando, não deixem de conferir o Intrepid, http://www.intrepid.com.br , está fabuloso!

Abaixo, o Espaço Literatura, que voltará na próxima segunda. E em agosto,
neste blog, tudo irá parar!
Até mais!



Escrito por Escritor às 12h23
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Segunda, ESPAÇO LITERATURA

IRMÃOS
Episódio 1

A noite estava escura, havia chovido por quase toda a tarde, e o chão ainda
estava úmido.
Naquela fazenda, nas proximidades de Limeira, tudo parecia tranquilo.
Os animais, vacas, bois, porcos, ovelhas, galinhas, haviam sido recolhidos a
seus cercados ou abrigos, e tanto na casa da sede quanto na pequena vila dos
colonos, todas as luzes estavam apagadas. Os únicos sons que se ouvia eram
os típicos da noite, feitos por insetos e outros habitantes noturnos da
região.
Ninguém percebeu o pequeno vulto, de pouco mais de um metro, que
esgueirava-se silenciosamente nas sombras.
E, por estar escuro, ninguém poderia reparar em suas mãos de três dedos,
terminados em compridas garras. Nem em seus afiadíssimos dentes, a cabeça
grande e ovalada, tampouco na fileira de pequenas barbatanas que percorria
suas costas.
Mas certamente, se houvesse alguma testemunha, esta poderia divisar, na
escuridão da noite, e em meio a um arrepio de medo, os olhos vermelhos do
ser. Olhos que brilhavam levemente e de forma incomum.
Olhos sedentos.
Olhos inumanos.
Ele foi se aproximando do cercado de ovelhas. Os animais foram despertando,
mas contrariamente ao que se poderia supor, ficavam em silêncio.
Talvez, um silêncio motivado pelo absoluto terror.
O simples trinco do cercado, que inclusive tinha teto, não representava
qualquer obstáculo. A mão, apesar das garras, era muito funcional.
O predador ficou diante de suas vítimas...
Na primeira casa da vila dos colonos, situada ao lado de um celeiro, um
casal, dois filhos naturais e dois adotados dormiam. Subitamente, estes
últimos acordaram, e sem ruído foram até o celeiro.
- Ele não está, disse a menina.
- Para onde será que foi?
Seu irmão mais novo olhou no mesmo instante para trás, para a porta dos
fundos do celeiro que se abria. A mesma deixou passar aquele ser. O casal de
irmãos percebeu imediatamente o sangue que ainda tingia os finos lábios da
boca.
Os dois se entreolharam, sem dizer palavra. O menino apressou-se a conduzir
o ser para o andar de cima, acomodando-o em um canto e cobrindo-o com uma
manta. A menina, com objetividade incomum para alguém tão jovem, disse:
- Ninguém pode saber disso...
Na manhã seguinte, um carro parou por alguns momentos defronte a entrada da
propriedade, a espera do capataz que veio correndo identificar quem chegava.
Reconheceu a moça, cujas visitas a fazenda haviam se tornado frequentes
aqueles dias, e acionou o comando que abria o portão. A moça sorriu e
conduziu o carro pelo caminho de pedras, sobressaindo no grande gramado, até
a sede.
Outra mulher veio recebê-la:
- Luciana Azevedo, não faz nem três dias desde sua última visita.
- Senhora Alessandra Ferreira, como advogada de seu irmão na partilha dos
bens deixados por seu pai, temo que minhas visitas ainda se prolonguem por
um bom tempo.
As duas mulheres entraram na casa, sentando-se na ampla sala de visitas.
Luciana não se cansava de admirar a portentosa propriedade. Quem sabe um
dia, poderia ter uma semelhante.
Começaram a tratar dos assuntos da partilha. Eduardo, irmão de Alessandra,
havia contratado os serviços de Luciana depois de se dar conta do grande
valor da propriedade. Nunca antes se interessara pela mesma, mas agora a
queria apenas para si.
- Meu irmão odiava, desde a infância, quando a família vinha para cá. Agora,
quer se apropriar de tudo apenas pelo valor! Esta era a paixão de meu pai,
será que entende, doutora? Ele amava isto aqui, o contato com a terra, a
natureza, a ajuda que sempre dava aos colonos...
- Deve entender, Alessandra, que ele tem direito a metade.
- Mas você está aqui representando a ele, Luciana! E ele, por diversas
vezes, já demonstrou sua vontade de tomar posse de tudo! Isso eu não vou
permitir, ainda mais sabendo que Eduardo não se importa nem um pouco com os
colonos.
- Você não pode saber...
Foram interrompidas pelo capataz, que parecia ter visto uma assombração:
- Dona Alessandra... Acho bom a senhora ver uma coisa...
A expressão do homem era tal, que sua patroa pediu licença e saiu atrás
dele. Luciana, curiosa, pois o homem parecia mesmo muito assustado, decidiu
acompanhá-los.
Logo chegavam ao cercado das ovelhas, onde um quadro de filme de horror
abriu-se diante deles.
De um total de trinta animais, nove estavam caídos ao chão, mortos sem
qualquer sinal de luta. O mais incrível foi quando seu Arthur, o capataz,
com a ajuda de outros trabalhadores virou uma das carcaças e a sacudiu.
- Não tem uma gota de sangue, patroa! Nenhuma delas!
Eles mostraram mais uma coisa. Todas apresentavam uma profunda incisão no
pescoço, por onde o sangue aparentemente foi sugado. Os outros animais
estavam todos encolhidos a um canto, sem ousar se aproximar dos corpos.
- Estive com o Celso, capataz da fazenda vizinha do seu Vladimir, e lá foram
as galinhas. O que será que foi isso, patroa?
Alessandra estava quase em estado de choque. Além de tudo, aqueles animais
somavam um prejuízo considerável.
Luciana, abalada, subitamente lembrou-se de conversas e alguns artigos de
revistas que seu irmão lhe mostrara. Disse de si para si que a simples idéia
de chamá-lo seria loucura. Mas diante daquilo, sua resistência se
enfraquecia a cada minuto.

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 12h42
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Segunda, ESPAÇO LITERATURA

Continuação...

Finalmente, Luciana e Arthur ajudavam Alessandra a caminhar de volta a casa.
A cozinheira foi pedido que preparasse um chá.
Vendo a agitação que se formou diante do cercado das ovelhas, as crianças
ficaram curiosas. Mas os adultos não permitiram que fossem até lá, e as
conduziram para o caminho que levava a escola, onde estudavam crianças
daquela e de outras comunidades.
O casal de irmãos que acordara na noite anterior olhou apenas brevemente
para a cena, e trocaram olhares entre si. Depois de uma última olhada para o
velho e abandonado celeiro, puseram-se também a caminho da escola.
Interessada nos estranhos eventos, Luciana pediu para acompanhar seu Arthur
enquanto este novamente se dirigiu para as propriedades vizinhas. Cerca de
duas horas depois, já de volta, lembrou-se de usar o celular e desmarcar
alguns outros compromissos do dia. Voltou a pensar naquela idéia,
impressionada com o que havia visto, enquanto ouvia o capataz dizer a
patroa:
- Dona Alessandra, o povo das redondezas anda comentando muito sobre o
chupacabras, e outras assombrações que gostam de matar os bichos. Para mim,
isso é coisa do capeta!
Alessandra, já recuperada, não queria dar ouvidos para “aquelas histórias
sem pé nem cabeça”, quando Luciana, por fim, disse:
- Alessandra... Bem, é um pouco complicado falar nessas coisas... Mas meu
irmão costuma pesquisar casos estranhos como esse... Poderia ajudar a parar
com esses boatos. Na verdade, ele já me disse que quase todos os ataques
assim são obra de cachorros ou outros predadores naturais.
Diante da dúvida da dona da fazenda, ela ainda acrescentou:
- Sou advogada de seu irmão, mas diante de seu apego a propriedade, poderia
contar pontos se esse assunto fosse resolvido rapidamente...
Pouco tempo depois, Luciana teclava um número em seu celular. Quando o irmão
atendeu dizendo seu nome, ela disse:
- Maninho, há quanto tempo! Sim, sei, há séculos não apareço... Pára,
Roberto, quero te contar uma coisa...

Continua abaixo...
Continuação...

Naquela noite, alguns homens saíram para tentar encontrar a onça, cachorro
do mato, ou qualquer outro responsável que estivesse causando as mortes. Um
grupo seguiu pela estrada asfaltada de pista simples que percorria toda a
região. Alguns quilômetros distante da fazenda, encontraram um acampamento
de sem-terra na beira da estrada, e pararam para averiguar.
Foram conduzidos, em meio a um clima de medo e desconfiança, até um local
desmatado onde mantinham alguns de seus animais.
A luz de suas lanternas iluminou a carcaça de um bezerro jazia próximo a
algumas árvores. Os sem-terra disseram que havia morrido há uma semana, e
não havia sinais de decomposição. Entretanto viram, no pescoço do animal, a
estranha marca da perfuração. Tudo ficava ainda mais misterioso.
E ficou mais quando, voltando para casa, encontraram o outro grupo que saíra
para investigar a pé. As lanternas dos dois grupos iluminaram uma vaca, que
agonizava.
Em seu pescoço, um profundo ferimento de origem desconhecida. Não havia
qualquer marca de sangue no chão.
Na manhã seguinte, um carro do tipo utilitário esportivo parou defronte ao
portão, e dois homens desceram. Um deles identificou-se como o pesquisador
enviado pela advogada, e ambos puderam entrar. Alessandra veio recebê-los:
- Deve ser Roberto, o irmão de Luciana?
- Eu mesmo, respondeu Roberto. Este é um colega pesquisador, Batista.
A moça cumprimentou o outro. Por hora, Roberto não revelou que Batista era
um dos três sócios de uma empresa de segurança em São Paulo e, mais
importante, junto a seus dois amigos editavam o jornal clandestino O Farol,
que tratava dos mais variados assuntos, especialmente conspirações e
ufologia.
Luciana havia descrito o caso como complicado, e Roberto considerou que o
melhor era vir com reforços.
Alessandra, feitas as apresentações, acrescentou:
- Uma pessoa que me presta serviços em Limeira conhece alguns pesquisadores
da região, que chegaram mais cedo. Estão examinando a vaca atacada ontem.
Os três encaminharam-se até o local, e de longe Roberto reconheceu seu
colega. Chegando perto, disse:
- Marcos Tavares, imaginei que havia uma chance de encontrá-lo...
Marcos voltou-se, e trocou um aperto de mãos com Roberto:
- E eu imaginei que você iria acabar aparecendo...
Quando Roberto apresentou Batista, Marcos disse:
- Batista? Por acaso...
Interrompeu-se em meio a fala. Era óbvio que não poderia terminar o
comentário. Mesmo não dando muito crédito ao que os “três malucos”, como
Roberto as vezes os qualificava, publicavam em seu newsletter.
Apresentou Renato, o mais jovem integrante de seu grupo,e que segundo Marcos
era o que mais se aproximava da mentalidade dos editores do Farol. Sem
perder mais tempo, lançaram-se ao trabalho.
A vaca morrera ao raiar do dia. Por mais que tentassem, não puderam
salvá-la. Batista encarregou-se de filmar e fotografar tudo, inclusive as
entrevistas que os ufólogos fizeram com as testemunhas.
O tempo clareou por volta do meio dia, e o sol brilhava quando um grupo de c
rianças, vindas da escola comunitária que servia a várias fazendas da
região, vinha andando pelo caminho. Dois dos colonos apressaram-se a seu
encontro para que elas fizessem um desvio. Ninguém queria que ficassem
impressionadas com a visão da carcaça.

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 12h41
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Segunda ESPAÇO LITERATURA

Continuação...

As crianças obedeceram, mas um dos garotos, o mais alto da turma, começou a
provocar:
- É culpa de vocês, esquisitos!
Começou a empurrar um menino bem menor. Nesse momento, por algum motivo que
não saberia explicar, Roberto teve sua atenção despertada, e correu para lá.
O “valentão” continuou sua provocação:
- Foram vocês que chamaram o chupacabras, eu sei! Todo mundo na escola sabe!
O grupo mais próximo fez um círculo, e alguns dos demais meninos começaram a
gritar, querendo que ocorresse uma briga. Um garoto que estava fora do
círculo, um pouco maior do que o que era provocado, aproximou-se e entrou no
círculo, falando com o brigão:
- Pára com isso, Beto! Rodrigo é meu irmão!
Beto, maior e mais forte, empurrou o recém chegado, dizendo:
- Você é um maricas, Jorge, e além disso ele não é seu irmão! Ele e aquela
idiota da irmã foram adotados! São anormais!
- Anormais, anormais, alguns dos presentes gritaram em coro.
Roberto acompanhou enquanto se aproximava, e já pensava em intervir, quando
uma garota, que havia se adiantado, voltou correndo e cortou-lhe a frente,
quase derrubando o jornalista e ufólogo.
Antes que ela chegasse e pudesse intervir na briga, entretanto, algo
inesperado ocorreu.
Jorge havia caído ao chão, e seu irmão adotivo foi ajudá-lo. Beto, o
valentão, o empurrou, e Rodrigo também caiu.
O menino menor pareceu chegar a seu limite, levantou-se e empurrou Beto.
O brigão foi parar quase dois metros adiante, caindo com o rosto na terra.
Todos começaram a rir quando se levantou.
Fez menção de avançar contra Rodrigo, mas deu com a irmã deste, Patrícia:
- Você não vai arrumar mais confusão hoje, Beto! Nem tente!
Roberto finalmente chegara a cena, e pode ver como a menina, um pouco mais
baixa, o fuzilou com os olhos, de um azul tão profundo quanto os do irmão.
O mais surpreendente foi ver a calça do valentão molhar-se pouco abaixo da
cintura. Enquanto as demais crianças riam, ele afastou-se correndo, passando
por Roberto com uma expressão de puro terror no olhar.
As crianças voltaram a caminhar para casa. Muitas delas ainda tinham uma
jornada de trabalho na lavoura pelo resto do dia. E Roberto ficou ali,
surpreendido pela cena que havia observado.
Quando voltou para junto dos colegas, as perguntas foram muitas, mas ele não
tinha qualquer resposta.
A tarde veio e passou, e enfim uma nova noite teve início. Por toda a região
se comentava sobre os acontecimentos, e as pessoas tinham medo de sair na
escuridão.
Entretanto, um grupo novamente formou-se, disposto a encurralar o misterioso
predador. Aquelas mortes de animais significavam um grande prejuízo, e todos
tinham medo de as próximas vítimas serem humanas.
- O que você acha, Batista?
O amigo de Roberto, que digitava algo em seu laptop sentado na parte de trás
da perua em que tinham vindo, assustou-se. Voltou-se, e deu com um dos
ufólogos do interior que Roberto conhecia:
- Ahn... É Renato, certo?
- Sim, lembrou de meu nome.
Sem mais, Renato pôs-se a admirar o equipamento que Batista trazia consigo:
- É uma conexão por satélite que está usando? Marcos me contou, em sua
narração do caso que investigaram há alguns meses, que Roberto usava um
igualzinho a esse! Você é um dos amigos hackers dele, não é?
- Ei, fale baixo!
- Ora, relaxe! Estamos só nós dois aqui.
Batista lembrou-se do que ouvia sobre o interlocutor. Realmente, Renato era
um “pentelho”!
- Roberto usava esse mesmo equipamento, disse ele.
- O quê?
Batista apontou para o laptop, a unidade de controle, e a pequena antena
parabólica no teto da perua.
- Ele veio até nós, eu e meus associados, e emprestamos esse equipamento.
Desta vez, decidi vir com ele, para não perder nenhum detalhe da “festa”.

Os personagens, conceitos e situações do conto apresentado baseiam-se em
obras de autoria de Renato A. Azevedo, registradas na Fundação Biblioteca
Nacional. É vedada a cópia ou reprodução por qualquer meio sem a prévia
autorização do autor. Esta é uma obra de ficção, e qualquer semelhança com
pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência. Contato pelo email
escritorcomr@uol.com.br .
Em agosto, neste blog, um país será paralisado!

Extra, Domingo nas Estrelas no Memorial do Imigrante.
Foi uma experiência extraordinária, de dar lágrimas nos olhos, ver um sonho
realizado após mais de 2 anos! Neste domingo 10, que realmente foi nota 10
com louvor, no encontro do Conselho Jedi São Paulo no Memorial do Imigrante,
pela primeira vez tivemos a presença de uma orquestra, e claro que os
leitores fazem idéia do que foi apresentado!
Foi emocionante e arrepiante escutar ali, ao vivo e a cores, o inimitável
tema de Star Wars, hino inquestionável da Ficção Científica mundial! E ainda
tivemos o prazer de também ver a execução dos temas de ET e de Super-Homem!
Esse era um sonho que eu acalentava havia 2 anos, desde a inesquecível
Jedicon 2003. Quero dar mais uma vez os parabéns aos amigos do Conselho Jedi
pela festa que arrumaram. Não há nada melhor que passar o domingo entre
amigos, curtindo uma paixão em comum. E claro, também muitos agradecimentos
aos amigos Adriana e Xavier do Memorial, e ao nosso grande fomentador e
agitador Alan, do blog O Sentinela, graças ao qual todas essas festas andam
ocorrendo, nesse espaço belíssimo que é o Memorial do Imigrante!
E aguardem neste blog anúncios de muitos outros eventos!
Até mais!



Escrito por Escritor às 12h40
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