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ESCRITOR COM "R"


Quarta X

Hoje falaremos mais de novidades.
Está nas bancas a edição 88 da revista SCIFI NEWS, e o grande destaque é,
claro, o filme Batman Begins, pronto para estrear!



Outros assuntos incluem uma extraordinária entrevista com Darth Vader, outra
entrevista com Scott Bakula, o Capitão Archer de Enterprise, infelizmente
cancelada, e claro, mais um conto da série A Lista. Abaixo, um trechinho:

Inflação de dez por cento ao dia ou as políticas populistas, "fiscais do
presidente" e outras bobagens, ele não sabia o que era pior.

E, como estamos falando de Quarta X, hoje os deixo com uma das maiores musas
da Ficção Científica, espero que gostem!



Abaixo, ainda podem conferir o Espaço Literatura.

Até mais!



Escrito por Escritor às 13h21
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Segunda, ESPAÇO LITERATURA

O DOSSIÊ
Episódio 1

Dia 1, segunda feira, 14:24 h.
Congresso Nacional, Brasília, DF.

O FAROL
EDIÇÃO 6, MARÇO DE 1997

“Caros leitores, novamente chegamos a vocês para informá-los acerca das
verdades que os poderosos, que delas se apropriam, não desejam que saibamos.
Mas a equipe investigativa do Farol não mede esforços para revelar essas
inconfessáveis, perigosas, e não raro, fascinantes verdades.
Nesta edição, apresentamos cópias de documentos, obtidos por meio de nossos
informantes, dando conta das ligações feitas e recebidas por diversos órgãos
federais, os mais importantes entre os mesmos, o Congresso Nacional, e o
Palácio do Planalto. Seguramente, os gabinetes nos mesmos estiveram muito
movimentados, no período que nos interessa.
Evidentemente, tal período e para o qual prestamos a maior atenção, foi nos
meses de outubro de 1995 a junho de 1996, mas fizemos questão de apresentar
os números dos meses imediatamente anteriores e posteriores a esse período,
para comprovar nosso ponto de vista.
Confirmamos, aqui, com total exclusividade, que a quantidade de telefonemas,
muitas vezes usando linhas protegidas e números secretos, aumentou
tremendamente, tornando-se especialmente elevada entre o final de dezembro
de 1995 e o final de março de 1996. Muitas ligações internacionais
igualmente foram feitas e recebidas nesse período, e para nós, da equipe
investigativa do Farol, tais informações somente podem significar uma coisa.
O governo brasileiro, desde o começo, sabia acerca da movimentação de
objetos voadores não identificados no sul de Minas Gerais, e não apenas os
militares. Estes, alertados pelo fato pelo Departamento de Defesa Americano,
o conhecido NORAD, informaram os ocupantes do centro de decisões do país
acerca dos acontecimentos, antes, durante e após a série de eventos que já
se tornou famosa na casuística ufológica mundial.
Tal série de eventos atende pelo nome de Caso Varginha, e essas provas
vocês, nossos estimados leitores, lerão a seguir...”.

- O senhor também recebe esse lixo, deputado?
Genebaldo Oliveira recostou-se na poltrona de seu gabinete, fitando o homem
negro, vestido impecavelmente, que largara o jornal sobre a mesa entre eles.
O influente político examinou seu interlocutor, percebendo nele as mesmas
qualidades que julgava possuir, em particular um extraordinário auto
controle. Respondeu:
- Na verdade, não. Quase todo mês, um jornal de minha propriedade, lá na
Paraíba, recebe esse tablóide. Interessei-me particularmente pelo mesmo,
deixe-me mostrar porquê...
Apanhou o jornal, procurou entre as folhas e finalmente encontrou o que
desejava. Pegou uma caneta e circulou uma pequena área, devolvendo a seguir
o tablóide ao outro homem. Este examinou o que o deputado queria
mostrar-lhe, e disse:
- Agora entendi, o nome do senhor aparece na relação apresentada. Está
explicado porque está me mostrando uma edição com data de mais de quatro
anos atrás.
- Sim. Naturalmente, eu e outros colegas também citados ficamos
horrorizados, tamanho o prejuízo com essa invasão. Evidentemente, todas as
providências foram tomadas para localizar os responsáveis.
- E tiveram sucesso?
Oliveira olhou para os olhos do interlocutor, e ficou alarmado com o que
viu. Melhor dizendo, com o que sentiu. Aquele homem parecia não ter
sentimentos. O deputado jamais havia encontrado alguém tão frio e metódico,
e isso chegava a ser fascinante. Mas também amedrontador.
- Infelizmente não, respondeu. Penso, aliás, que em seu ramo de atividades,
o senhor deve estar ciente das dificuldades envolvidas com esse tipo de
investigação.
O negro recostou-se na cadeira, mas Genebaldo percebeu que não relaxou.
Parecia, muito pelo contrário, ainda mais alerta e metódico do que antes.
Aquele homem era, com certeza, um perigo, e o parlamentar sentiu-se
satisfeito por tê-lo do seu lado. O dinheiro sem dúvida operava maravilhas.
- O senhor está contratando os serviços de nossa empresa a fim de rastrear
esses invasores?
Genebaldo riu, levantou-se e deu alguns passos pelo gabinete. Sentou-se na
beira da mesa, a pouca distância do interlocutor, que parecia não se abalar
nem um pouco com a proximidade, e disse a meia voz:
- Não, claro que não! Primeiro, isso foi há muito tempo, e as buscas sempre
mostraram-se infrutíferas. Na verdade, esses terroristas voltaram a
incomodar, caluniar e ofender a nós, nobres defensores do povo brasileiro,
em muitas outras oportunidades, e acredito firmemente que, mais cedo ou mais
tarde, serão encontrados e terão a punição exemplar que merecem!
O homem, sem deixar de encará-lo, abriu os braços e perguntou:
- Então, o que deseja de nossa empresa, deputado?
Genebaldo chegou ainda mais próximo, e disse quase sussurrando:
- Quero contratar seus serviços, para me proteger contra esse tipo de
espionagem! O senhor sem dúvida sabe que ano que vem, 2002, é um ano
eleitoral, e é nesse período que costumam acontecer denúncias infundadas,
todo o tipo de coisa suja que gente sem honra usa para atingir os outros.
O homem pela primeira vez sorriu, mas até isso parecia a Genebaldo ter sido
meticulosamente estudado. Cada vez mais, o político sentia medo daquele
homem. Mas, diante do que estava acontecendo, pensou que tratar com o mesmo
era um mal necessário.
- Temos exatamente o tipo de serviço que está procurando, deputado. Se
estiver de acordo, posso pedir a meu pessoal que lhe envie por e-mail...
- Prefiro que o senhor me entregue pessoalmente, se não for incômodo.
O negro sorriu novamente, e disse:
- De forma alguma, deputado! Se desejar, posso contatar meu pessoal e
trazer-lhe ainda hoje o contrato, com a descrição detalhada do serviço.
- Isso está excelente! Irei contatar meus assessores, e ligarei para o
senhor!
O homem levantou-se, apanhou a pasta e os dois apertaram-se as mãos. Foi
saindo, mas quando colocou a mão na maçaneta da porta, virou-se e perguntou:
- Só uma questão, deputado...
- Sim?
O homem aguardou um instante, e por fim perguntou:
- Quanto as denúncias do tal tablóide... O senhor de fato acredita no Caso
Varginha?
Genebaldo Oliveira olhou para o interlocutor como se este fosse verde,
pigarreou e lutou ao máximo para disfarçar o evidente incômodo que sentia.
Não teve sucesso na tentativa de dissimular, mas finalmente respondeu:
- Não, claro que não!

Continua abaixo...

Escrito por Escritor às 12h01
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Segunda, ESPAÇO LITERATURA

Continuação...

Riu, e acrescentou, sem que lhe fosse perguntado:
- Sabe como é, o tráfego de informações, telefonemas, essas coisas, sempre é
muito elevado. O senhor mesmo viu quantas vezes o telefone tocou durante
nossa entrevista... E é segunda feira, quando pessoas mal informadas ainda
pensam que quase nada acontece aqui em Brasília! Mas já temos movimento aqui
no Congresso, como o senhor pode ver...
O homem sorriu, e disse:
- Naturalmente, deputado. Desculpe, foi apenas curiosidade. Boa tarde,
aguardo seu telefonema.
Saiu e fechou a porta, deixando Oliveira sozinho no gabinete. Este tirou o
paletó, afrouxou a gravata e sentou-se. O ar condicionado estava
funcionando, mas mesmo assim Genebaldo parecia sentir calor.
Depois de agradecer a secretária do parlamentar, o homem negro saiu andando
pelos corredores do Congresso. Perto da saída, seu celular tocou, ele
atendeu e ouviu uma voz conhecida:
- E então?
- Conseguimos o contrato, Genebaldo deve me ligar mais tarde.
- E a conteúdo do HD do deputado?
- Ainda não tive tempo de analisar, Batista! Eu volto a ligar!
Leandro desligou e encaminhou-se para o estacionamento. Tinha pressa em
chegar a central provisória que mantinham na Capital Federal. Franco estava
a espera, e tinham muito o que fazer.

Dia 1, 15:41 h.
Por todo o Brasil.

Milhões de pessoas, por todo o território nacional, abriram seus e-mails a
partir daquele momento, e leram o seguinte:

Portador da Verdade
Edição 1

“Apresentamos aos leitores um novo conceito em jornalismo investigativo!
Verdadeira investigação!
Verdadeiros e autênticos fatos!
Como boa parte da imprensa brasileira e pessoas conectadas sabe, existe um
veículo de informações circulando clandestinamente por este nosso Brasil, há
mais de quatro anos, que se gaba de trazer para os senhores o que dizem ser
fatos e verdades que interesses poderosos não desejam revelar.
Isto, senhoras e senhores, é falso!
O dito veículo, intitulado O Farol, se foi uma publicação realmente atuante
em seus primeiros tempos, hoje é apenas sombra do que já foi.
Tornou-se burocrático. Patético. Vendido. Inútil.
Foi para resgatar o espírito daqueles primeiros tempos que foi reunida uma
equipe de insuperável excelência, para trazer a vocês o Portador da Verdade.
Este sim, feito e realizado por quem se preocupa com este país! Por quem,
antes de tudo, preza a lei e a ordem, expressas na Constituição, que ninguém
em posição de mando nesta nação respeita!
Temos o legítimo direito constitucional de acesso a verdade! Temos o
direito, também garantido pela Constituição, de nos expressar livremente!
E temos, está ali, na Carta Magna, na Constituição, o direito de saber quem
são os traidores do povo!
Gente corrupta, gananciosa e maquiavélica, como o deputado Genebaldo
Oliveira. O dossiê abaixo, a respeito de certas coisas que o nada nobre
deputado nunca quis divulgar, mostrará quem de fato zela pelo interesse de
vocês, caros leitores!
Um novo tempo se iniciou, graças ao Portador da Verdade!”.

Dia 1, 16:00 h.
BLF Informática, centro de São Paulo.

- Estou dizendo, Franco, não consigo rastrear!
Batista estava desesperado, e com razão. Aqueles malucos, que espalharam o
tal dossiê por aquele novo jornal clandestino, haviam sido tão cuidadosos
quanto eles próprios. Parecia que os Faroleiros tinham encontrado rivais a
altura.
Franco era a calma em pessoa. Quando alguma coisa “estourava”, o mais velho
do trio costumava variar muito de humor. Por vezes ficava irritado, por
vezes perdido. Mas, logo que a balbúrdia inicial passava, costumava se
aquietar, e não raro pensava melhor que os companheiros.
- Tenha calma, Batista...
- Calma!? Estamos prestes a fechar o contrato com o tal Genebaldo, que nos
dará acesso a muitos outros parlamentares, sem falar que a entrada de grana
sempre é uma coisa boa, e do nada surgem uns tipinhos inúteis como esses,
que...
- Naturalmente, sabe que tudo o que divulgaram sobre o deputado é verdade.
- Claro que é! Nós mesmos levantamos quase tudo!
- Está com receio de termos sido invadidos?
Batista, diante da pergunta de Franco, suspirou fundo. Via o amigo pela tela
a sua frente, por uma conexão segura a internet. Respirou fundo mais algumas
vezes, antes de dizer:
- Só me tranquilizei quando passei um diagnóstico geral, por três vezes, em
todo o sistema. Tive até que deixar nosso pessoal lá embaixo, dizendo que
surgira algo urgente, e que só os veria amanhã. Mas não fomos invadidos,
disso estou certo.
- Como disse, todo mundo sempre soube que o tal Genebaldo é um safado.
Apenas, não queríamos ainda que isso fosse divulgado. Não até ele assinar o
contrato conosco.
Batista suspirou novamente, checando a seguir o correio eletrônico.
Angelina, que ele chamara para ajudar, ainda não havia respondido. Franco,
afinal, disse:
- Leandro, depois de checar todo o sistema daqui, recebeu um telefonema do
deputado. Deve estar de volta a qualquer instante...
Mal ele disse aquilo, o terceiro integrante do grupo entrou, aproximando-se.
Sem cumprimentar os companheiros, foi logo dizendo:
- Ao menos, conseguimos que aceitasse as cláusulas. Evidentemente, tive que
dizer-lhe que o melhor seria aguardar a solução para o caso. Oliveira ficou
horrorizado com o tal Portador da Verdade. E adivinhem qual a primeira
tarefa que ele está querendo nos dar, uma vez que assinemos o contrato...
Claro que nem Batista nem Franco precisaram se manifestar. A hipótese de
largarem o caso chegou a ser aventada, mas não comentaram em frente a
Leandro. Sabiam que quando ele punha algo na cabeça, nada fazia com que
mudasse de idéia. Logo a conexão foi desfeita, e todos passaram a trabalhar
no rastreamento dos novos rivais.

Continua na próxima segunda, no Espaço Literatura.
Os personagens, conceitos e situações presentes no conto apresentado
baseiam-se em obras de autoria de Renato A. Azevedo, registradas na Fundação
Biblioteca Nacional. É vedada a cópia ou reprodução por qualquer meio sem a
prévia autorização do autor. Esta é uma obra de ficção, e qualquer
semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência. Contato
pelo email escritorcomr@uol.com.br .

Até mais!

Escrito por Escritor às 12h00
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