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ESCRITOR COM "R"


Sexta UFOlógica

"Em Brasília, a confusão era total. A Presidência negava ter conhecimento de
qualquer fato ligado a Montes Altos, e os ministérios militares repetiam a
mesma justificativa em uníssono. O Estado-Maior das Forças Armadas ameaçou
promover um inquérito, que entretanto nunca teve início. O Congresso
Nacional
estava igualmente paralisado com as discussões sobre o assunto, e
parlamentares clamavam pela instauração de uma comissão de inquérito para
discutir as consequências das revelações dos ufólogos, algo inédito no
mundo. No meio científico, havia um intenso debate entre os a favor e os
contra, mas estes últimos já estavam escasseando, diante das análises que
autenticavam os documentos. As pessoas citadas nos mesmos evitavam a
imprensa de todo o jeito."

A Ufologia já esteve de mãos dadas com a ficção por várias vezes. Arquivo-X,
claro, é a mais lembrada das produções baseadas no Fenômeno Ufo. Taken é a
mais recente.
Outros seriados já enfocaram casos ufológicos, como Jornada nas Estrelas,
DS9, no hilariante episódio Homenzinhos Verdes, em que os ferengis vão parar
em Roswell em julho de 1947.
O texto que começa esta Sexta UFOlógica, por sua vez, é de minha autoria,
parte de Contato em Methárion, meu primeiro livro, disponível gratuitamente
na editora virtual Hotbook, www.hotbook.com.br .

"Joaquim e Armando voltavam para casa a uns cinco quilômetros de Montes
Altos naquele 26 de agosto. O culto evangélico de que haviam participado
terminara tarde, e estava quase anoitecendo. Apressaram o passo por aquela
estrada de terra, já que a mesma não possuía iluminação. Conversavam
assuntos diversos, quando perceberam uma movimentação no mato ao lado da
estrada. Estranhando, pois não havia animais grandes na região, se
aproximaram cautelosamente.
De repente, um ser baixo e magro saiu correndo, quase os derrubando, e
parando do outro lado da estrada. Os dois rapazes olhavam a coisa muito
assustados. A criatura ficou parada, um pouco curvada para frente, como se
recuperasse o fôlego. Sua pele e roupas eram de cor cinza, era careca e
tinha uma cabeça muito grande em relação ao corpo. Armando dizia que devia
ser o diabo, e eles, apesar de assustados, foram se aproximando devagar.
Subitamente, o ser virou a cabeça para eles, exibindo a fraca luz do
crepúsculo enormes olhos inteiramente negros, e estendendo a mão de quatro
dedos em sua direção. Os dois jovens saíram correndo desabaladamente pela
estrada, sem saber para onde havia ido aquela coisa. A mãe de Joaquim se
assustou quando o rapaz chegou com o amigo em casa, gritando:
- Mãe, pelo amor de Deus, acuda! Nós vimos o diabo!"

Para minha surpresa, percebi há pouco tempo de que existe no Nordeste uma
cidade batizada como Montes Altos. De qualquer forma, minha fictícia Montes
Altos, no sul de Minas, foi inspirada em Varginha, e o Caso ocorrido naquela
cidade mineira em janeiro de 1996, inspirou-me na criação do Caso Montes
Altos, parte do qual é descrita acima, em um trecho de Lembranças, a segunda
sequência de Contato em Methárion, também disponível na Hotbook.
Uma das coisas que sempre me atraiu em Arquivo-X foi justamente esse
encontro entre a ficção e a realidade. E essa mesma característica acabou me
inspirando para escrever minhas próprias histórias, sempre buscando o
realismo, por mais que as situações sejam tão aparentemente absurdas, diante
do que a maioria das pessoas descreve como normal.
Estive relendo os excelentes artigos da maravilhosa e histórica edição 100
da Revista UFO, e é fantástica a capacidade do Caso Varginha em nos
impressionar. O mesmo, por si só, é um tratado de Ufologia em todas as suas
idiosincrasias, estranhezas, fatos incríveis, testemunhos conflitantes, e
simplesmente obrigatório para quem quer entender o fenômeno.
É interessante como existem inúmeras testemunhas nesse Caso, envolvidas
direta ou indiretamente, que se negam a aparecer em público. Evidentemente,
todas têm sua vida, que como a da maioria dos brasileiros, não é tornada
mais fácil pelo governo, por ninguém... E ver que essa mesma vida poderia
sofrer algum risco, por revelarem o que sabem, o que viram...
Isso, com certeza, é algo de que sofrem todas as testemunhas, seja de que
nível social sejam! O assistente mais humilde de um dos dois hospitais
envolvidos com o Caso Varginha, até o "doutor", personagem do artigo
excepcional que o descobridor do Caso, Ubirajara Rodrigues, assina na UFO
100.
De qualquer forma, penso que a ficção tem sempre muito a ajudar a Ufologia,
especialmente nas produções mais famosas, e mais bem produzidas.
Como já dito, Arquivo-X foi uma dessas, a recente Taken, outra.
E esse é o caminho que este autor está seguindo, mesclando Ufologia e Ficção
Científica, e felizmente, os resultados começam a aparecer. Só tenho a
agradecer aos amigos e amigas que têm me elogiado, e a luta continua.

Participe da campanha UFOs, Liberdade de Informação Já, da Revista UFO, em
www.ufo.com.br

Na segunda, claro, Segunda Literária, com o episódio 2 de Brasilis 2027!

Até mais!

Escrito por Escritor às 14h56
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QUARTA X

Esta semana é muito especial, pois foi comemorado o Dia do Rock. E, neste
dia em que discutimos Arquivo-X em especial, e Ficção Científica em geral,
vale a pena lembrar que o Rock tem muito a ver, sim, com nosso gênero maior!
É só lembrar quantas vezes o Rei, Elvis Presley, foi citado no Universo-X!!!
Mulder visitou Graceland no episódio Nunca Mais, os Pistoleiros por diversas
vezes citaram Elvis, com suas pesquisas para encontrar provas de que o Rei
estava vivo (alguma dúvida que sim!?), e até mesmo em um dos episódios de
seu seriado Jimmy Bond surgiu devidamente caracterizado como um cover dele!
Claro, além das incontáveis camisetas de bandas usadas por Langly!
Elvis com certeza foi um marco, um músico branco influenciado pelos ritmos
negros, isso em plena época de efervescência dos direitos civis. E ainda
existem aqueles energúmenos, senis e retrógrados neste país, que rejeitam
completamente a importância extrema, em termos mundiais, de Elvis Presley!
Bem, deixa prá lá...
O Rock, da mesma forma que a Ficção Científica, tem se caracterizado como
gênero que faz e vê serem realizadas muitas profecias!

A gente não sabemos escolher presidente
A gente não sabemos tomar conta da gente
A gente não sabemos nem escovar os dentes
Tem gringo pensando que nós é indigente
Inútil, a gente somos inútil

O que dizer dos versos de Inútil, do Ultraje a Rigor? É impressionante que
essa letra, de mais de vinte anos, diga tanto a respeito do Brasil de hoje!

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma prá viver

E quanto a Ideologia de Cazuza, então? Quantos enganos deploráveis estão
sendo cometidos hoje mesmo, já em pleno século 21, por quem segue ideologias
há muito mortas, enterradas, e destituídas de todo sentido?

A festa é boa, tem alguém que tá bancando
Te elogia enquanto vai se embriagando
E o tal do ego vai ficar lá nas alturas
Usar brinquinho prá romper as estruturas
Tem um punk se queixando sem parar
E um wave querendo desmunhecar
E o tal do heavy arrotando distorção
E uma dark em profunda depressão!
Sei até que parece sério
Mas é tudo armação
O problema é que tem muita estrela
Prá pouca constelação!

Até poderia encerrar esta Quarta X por aqui, com os versos impressionantes
de Muita Estrela, Pouca Constelação, de Raul Seixas. Não consigo imaginar
dizer tanto, com tão poucas palavras. E a mim impressiona essa capacidade
que o Rock tem de profetizar. Se bem que citar Rauzito é covardia!
Mas alguém consegue imaginar retrato mais fiel que esse, para uma tenebrosa
realidade em que atuais bandinhas descartáveis invadem a imprensa não com
seu último trabalho (se bem que qualquer trabalho de qualquer dessas
bandinhas é absolutamente irrelevante), mas com as baixarias protagonizadas
em locais públicos por seus integrantes?
Assim como a Ficção Científica é o gênero literário, televisivo e
cinematográfico que mais fala de nós mesmos, o Rock é o mais engajado gênero
musical!

There's so many different words
So many different suns
And we have just one word
But we live in different ones
Now the sun's gonne to hell
And the moon's riding high
Let me bid you farewell
Every man has to die
But it's written  in the starlight
And every line on your palm
We're fools to make war
On our brothers in arms

Versos de Brothers in Arms do Dire Straits, como hoje já não se faz mais!

(Continua abaixo)

Escrito por Escritor às 14h12
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QUARTA X

(Continuação)

Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes
Que me dera ao menos uma vez
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado
Quem me dera ao menos uma vez
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente.

Fica mais que evidente o parentesco do Rock com a Ficção Científica, na
utopia dos versos inimitáveis do poeta e meu xará Renato Russo. É, concordo,
comparar o que esse visionário fez, com o que é feito hoje, também é
covardia!!!
Mas, se ao menos os "artistas" de hoje se esforçassem um pouco mais, né...

Yeah, this could be heaven for everyone
This world could be fed, this world could be fun
This should be love for everyone, yeah
This world should be free, this world could be one
We should bring love to our doughters and sons
Love, love, love, this could be heaven for everyone
You know that
This could be heaven for everyone
This could be heaven for everyone
Listen -  When people do to other souls
They take their lives -  destroy their goals
Their basic pride and dignity
Is striped and torn and shown no pity
When this should be heaven for everyone

Mas, tanto em Heaven for Everyone da maior banda de todos os tempos, o
Queen, como em outras letras, fica ainda mais claro que o Rock também
difunde utopias, e tal qual a Ficção Científica, inspira aqueles que estão
preparados para entendê-los a fazer sua parte, tentando modificar e melhorar
o mundo. Sem dúvida, verdadeiros fãs, tanto da ficção científica quanto do
Rock, nada têm de alienados!
Por mais que a sociedade, com o falso igualitarismo do nivelamento por
baixo, a mediocridade cada vez mais se estabelecendo como triste e
deplorável realidade, a ditadura dos imbecis mais e mais tente nos fazer
calar!
Que alternativa resta?

We don't need no education
We don't need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teacher, leave them kids alone
Hey, teacher, leave them kids alone!
All in all, it's just another brick in the wall

Ser apenas mais uma pedra no muro?

Carruagem foi andando
E uma década depois
Nego dizia que indecência
Era o mesmo feijão com arroz
Eu não podia aparecer na televisão
Pois minha banda era nome de palavrão (...)
E do meu lado um hippie-punk me chamando de traidor do movimento
Vê se eu aguento! (...)
Já dizia o Eclesiastes
Há dois mil anos atrás
Debaixo do Sol não há nada novo
Não seja bobo, meu rapaz! (...)
E prá terminar com esse papo
Eu só queria dizer
Que não importa o sotaque
E sim o jeito de fazer (...)
Por aí os sinos dobram
Isso não é tão ruim
Pois se são sinos da morte
Ainda não bateram para mim
E até chegar a minha hora eu vou com ele até o fim
Ô, Rock N'Roll, yeah, yeah, yeah
Let's Rock N'Roll!

E, com Rock N'Roll do profeta Raul Seixas, mais uma vez deixo claro que vou,
com Rock e Ficção Científica, até o fim!
Até mais!



Escrito por Escritor às 14h12
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SEGUNDA LITERÁRIA

Hoje na Segunda Literária, apresento-lhes um Brasil diferente, um Brasil do
futuro! A partir de agora, em episódios semanais, veremos três corajosas
mulheres enfrentando poderosas corporações, tramóias políticas e
conspirações militares, em uma São Paulo decadente, dominada por colossais
arranha-céus, capital financeira e industrial de um Brasil que, graças a
guerra civil, tornou-se uma potência militar.
Os personagens, conceitos e situações presentes no conto a seguir baseiam-se
nos livros ainda inéditos, De Roswell a Varginha, A Invasão do Brasil, A Mãe
das Conspirações, 28 Horas para o Milênio, e Coletânea Filhas das Estrelas,
todos registrados na Fundação Biblioteca Nacional. É vedada a cópia ou
reprodução por qualquer meio sem a prévia autorização do autor. Esta é uma
obra de ficção, e qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido
mera coincidência. Contato pelo email escritorcomr@uol.com.br .

Brasilis 2027

Episódio 1

Em algum dia de abril de 2027.
Bairro-torre Novo Jabaquara, 8:10 h.

Raquel não estava satisfeita com aquilo.
Detestava aquela escola, detestava as futilidades daqueles adolescentes tão
diferentes dela.
Acima de tudo, detestava seus dons telepáticos ainda em desenvolvimento. Por
vezes, era muito difícil evitar perceber os pensamentos irônicos que uma e
outra menina lhe dirigia. “- Que cabelo escorrido, horrível!”, pensava uma,
“- Eu não usaria essa roupa nem morta.”, passava pela mente de uma segunda,
“- Se ela olhar pro Fábio, mato ela!”, pensou uma terceira.
Raquel virou-se, e jogou um olhar irônico para a colega que pensara por
último. A menina ficou espantada e desviou o olhar, como se sentisse ter
sido pega. Raquel, em seus 16 anos, sentia-se muito diferente daqueles
outros jovens. Ela sabia.
Sabia que não era de todo verdade tudo que aquele novo professor, que viam
pela primeira vez em substituição ao titular que tirara licença médica,
explicava com a ajuda da holo-lousa:
- Bem, como estávamos vendo, foi em 2010 que começaram grandes revoltas em
nosso país, orquestradas por antigos grupos organizados dos então chamados
movimentos sociais! Apoiados então por importantes partidos políticos, e
também por grupos de países vizinhos, esses grupos, entre os quais os que se
auto-denominavam sem terra e sem teto, afinal acabaram juntando forças com
entidades do crime organizado, especialmente no hoje separado do Brasil,
estado do Rio de Janeiro!
O professor era alto, jovem e até bem bonito, pelo ponto de vista de Raquel.
Ficara tão fascinada, aliás, por sua figura, que nem lembrou de que poderia
ler seus pensamentos e descobrir mais coisas a seu respeito além do nome,
Ivan.
Ivan prosseguiu. A luta armada fora deflagrada nos estados de Minas Gerais,
Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná em meados de 2010, e já no ano seguinte o
caos obrigava ao estabelecimento de um estado de sítio. Atentados
terroristas aconteciam quase todos os dias nas principais cidades, e a
romantização promovida por setores da imprensa a respeito daqueles
“lutadores sociais”, como muitos ainda os chamavam, apenas contribuíra para
o estabelecimento de uma guerra civil.
- O governo teve, afinal, que agir duramente, disse Ivan. Investimentos
pesados na segurança e na indústria de armas levaram a uma escalada no
conflito, mas afinal, por volta de 2016, a situação foi contornada, exceto
no Rio de Janeiro.
Na outrora Cidade Maravilhosa, o “lado social” do tráfico criara um novo
período de glamourização do crime, traficantes frequentavam as festas e
colunas sociais, e afinal não apenas a cidade, mas todo o estado, declarou
independência em 2018. Escaramuças continuariam a ocorrer pelos nove anos
seguintes, e a situação permanecia indefinida nesse front.
- Paralelamente, continuou Ivan, em 2022 grupos de mesma ideologia se
insurgiram na Argentina e Paraguai, motivando a intervenção armada
brasileira, sob protestos da OEA, mas apoiada pelos Estados Unidos. Estes,
após sofrerem os atentados ao final daquele mesmo ano, acabaram assinando um
tratado de cooperação com o Brasil no começo de 2023.
Raquel havia percebido que Ivan era diferente do professor anterior, Álvaro.
Este, com mais de 60 anos, era saudoso dos velhos tempos, e insistia sempre
que o que ocorrera havia sido um “movimento popular”, e que as “forças da
direita, aliadas ao imperialismo ianque”, haviam tomado o controle do
Brasil. Ainda existiam, em determinados setores da imprensa, escolas e
universidades brasileiras, certos grupos de resistência de esquerda radical,
que recusavam-se a perceber que o mundo, que já estava mudando com rapidez
no começo do século vinte e um, estava sofrendo mudanças ainda mais
aceleradas naquela última década.
Raquel pensou em tudo isso, na matéria que estava sendo exposta, e lembrava
de tudo que havia aprendido com suas companheiras nos últimos meses. E, por
isso mesmo, sabia que as explicações que no momento estavam sendo dadas por
Ivan para o conflito, misto de insatisfação social, a frustração pela morte
das ideologias, a destruição do sonho da revolução chamada de popular, eram
apenas parte da verdade.
Ela sabia, por tudo que vira junto as amigas nos últimos meses, que tudo
aquilo fora provocado por motivos muito mais inconfessáveis. Ninguém tentara
ou quisera explicar de onde haviam surgido os agentes virais utilizados nos
ataques terroristas. Todos se calavam diante dos relatos anônimos de
testemunhas aterrorizadas, acerca de indivíduos de grande força e estranhas
habilidades atuando nos conflitos.
E, acima de tudo, todos se calavam diante dos cada vez mais crescentes
relatos de objetos não identificados, sobrevoando cidades, instalações
militares e energéticas, que cada vez mais eram divulgados, tanto na
internet, quanto na mais nova moda, a holonet.
Raquel conhecia tudo isso, e muito bem. Por vezes, sentia-se importante. Mas
muitas vezes, a maioria das quais, aliás, gostaria de ser apenas uma garota
comum.
O sinal do final da aula tirou-a de suas reflexões. Fechou o pequeno
computador a sua frente e levantou-se, enquanto Ivan dizia para a classe:
- Turma, o professor Celso, de biologia, também teve que se ausentar hoje,
serei seu professor nessa matéria também.
Duas aulas com Ivan. Aquilo talvez contribuísse para melhorar o humor de
Raquel.
Ela por fim lembrou-se de sua telepatia, e tentou penetrar nos pensamentos
do professor.
Quando não conseguiu, ficou um tanto perturbada. E mais ainda, quando ele
olhou para ela com ar sério.
Raquel saiu rapidamente da sala, pensando se deveria ligar para Rosely ou
Renata.
Pensou melhor, e resolveu que não. Preferiu investigar por sua própria
conta, por hora.

No episódio 2, na próxima Segunda Literária:

Só não contou com os capangas que subitamente entraram de armas em punho, no
escritório.
Um soco derrubou o primeiro.
Para o segundo, Renata reservou um chute no queixo.
Ainda no ar, desceu a escada e aterrissou no peito do terceiro.

Até mais!

Escrito por Escritor às 12h41
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