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Novo conto e outras novidades
Olá, pessoas! Foram semanas movimentadas as últimas, o III Fórum Mundial de Ufologia, muita coisa acontecendo. Finalmente tive um tempo para respirar e atualizar o blog. Viram a Ufo 155? Essa capa traz magníficas recordações, esse lance de arquivos secretos... não é mesmo, excers? 
Aguardem a 156, já vi a capa, ficou sensacional, e tem nossa cobertura do Fórum lá em Curitiba. Por sinal, nos links de alguns posts abaixo podem conferir relatos iniciais de como foi esse grande evento. Mais novidades, se repararem na coleção de links aí ao lado, abaixo do histórico, tem um com o título O Escritor Proibido. É meu novo blog, com contos eróticos, ensaios com garotas maravilhosas e coisas afins. Naturalmente o próprio nome indica que é proibido para menores, então não reclamem depois, entendido? Espero que gostem, visitem e comentem! E conto novo! Se prestarem atenção verão gente já conhecida, tanto do conto Zé da Pinga, postado aqui anteriormente, quanto de meu livro De Roswell a Varginha. Por sinal, vejam também nos links ao lado onde adquiri-lo, garanto que não se arrependerão, e sequências bem quentes estão na fila! O CASO SANTA CRUZ DO CACHIMBO Passava da meia noite, e Armino e Celestino vinham caminhando pela trilha, depois de mais um longo dia. Como centenas de outras pessoas, haviam sido contratadas pela Madeireira Quintino para trabalhar no que estava sendo chamado de “projeto de reflorestamento”. A imprensa e organizações ecológicas vinham nos últimos dias denunciando que o tal projeto envolvia apenas a retirada de madeiras nobres como mogno e carvalho da região, sem qualquer controle. Os dois trabalhadores, humildes e pouco letrados como a absoluta maioria dos moradores da remota cidadezinha no meio da selva, pouco entendiam de toda aquela polêmica. O que importava era que, depois de um bom tempo, dinheiro estava movimentando a economia de Santa Cruz do Cachimbo. Os dois vinham caminhando pela trilha escura, auxiliados pelo luar e por um velho lampião a carvão, quando subitamente sentiram um arrepio. Histórias vinham sendo contadas nos últimos dias, e eles atribuíam as mesmas as velhas lendas do lugar. Alguns diziam que o boitatá estava assediando as redondezas, muitas vezes acompanhado pelo curupira. Um conhecido deles, Neto, havia tido um colapso nervoso, aparentemente após um arrepiante encontro com uma dessas entidades. Armino, que segurava o pequeno lampião, voltou a luz para todos os lados, mas não viu nada. Celestino agarrou seu facão, pronto para tudo. Mas ele não estava pronto para aquela figura magra e baixa, subitamente iluminada pela luz do lampião. De relance, perceberam o reflexo dos olhos vermelhos. Os únicos sons foram os gritos dos homens, o lampião largado de quebrando no chão, e os passos dos homens, que corriam desesperados afastando-se. O curupira fizera duas novas vítimas. Célia, Marcelo e Renato eram ufólogos de um grupo de Campinas, que haviam conseguido certo reconhecimento quando publicaram na revista Ovni, ainda no começo de 2000, o relato de um caso que pesquisaram no interior paulista. Haviam chegado ainda naquela manhã a Santa Cruz do Cachimbo, atraídos pelos estranhos fenômenos que assolavam a cidade, e especialmente a Madeireira Quintino, havia algumas semanas. - Então, foi um longo caminho desde que investigaram o tal mendigo lá em São Paulo, como era o nome mesmo? Zé da Pinga, né? Euclides Mourato, o único ufólogo da cidade e seu contato, fazia troça, mas ao mesmo tempo respeitava o trabalho deles. Estava particularmente impressionado com o material que haviam trazido, especialmente o laptop com conexão por satélite de Renato: - Isso vai deixar o povo daqui maluco, meu amigo. - Auxilia muito nas pesquisas, Euclides, respondeu o jovem ufólogo. Montei com a ajuda de uns colegas de São Paulo, capital. Marcelo, o líder do grupo de Campinas, não gostava muito de conversa fiada, e logo pedia mais detalhes: - Então, Euclides, você acha que o que está assustando os trabalhadores são ocorrências ufológicas? Euclides fumava, e soltou algumas baforadas de um cigarro de palha, antes de responder: - Sim, como sabem, vários pesquisadores dizem que certas lendas do folclore tem origem nos extraterrestres, não é? Acho que é o que está acontecendo aqui. Primeiro as testemunhas descreviam pequenas bolas de luz voando pela região, que afetavam motores e equipamento elétrico. - O boitatá, disse Célia, segundo a interpretação popular desse fenômeno. - É isso aí. Depois começaram as visões do Curupira... Euclides mostrou um desenho que havia feito, de acordo com a descrição das testemunhas, acrescentando: - Aprendi a desenhar justamente para poder representar melhor o que testemunhas descrevem. Aqui a nossa região é rica em avistamentos. Os três observaram o desenho. Uma criatura escura, magra e de cabeça grande, com imensos olhos vermelhos. Renato disse o óbvio: - Parece com as criaturas do Caso Varginha! Euclides ia responder, mas pareceu lembrar-se de algo, ligou o rádio na estante atrás de si, e pediu que todos escutassem. O anúncio inicial foi do bloco de notícias, mas as mesmas mais pareciam um filme de terror: - Nesta última madrugada, caros ouvintes, mais dois cidadãos de Santa Cruz foram aterrorizados, enquanto voltavam do serviço na Madeireira Quintino. - As duas testemunhas foram atacadas por uma estranha criatura, que identificaram como o misterioso curupira. Isso mesmo, caros ouvintes! As forças da natureza, irritadas e ultrajadas pela contínua agressão desses devastadores da Madeireira Quintino, estão começando a vingar-se da estupidez humana! Enquanto o locutor prosseguia com o clima de fim de mundo, Marcelo virou-se para Euclides e perguntou: - Quem é esse maluco? - É um tal de Bernardo Pontes, chegou faz uns dois anos e colocou muito dinheiro na Rádio Cruz, a única aqui da região. Depois de se desentender com o antigo dono, comprou a rádio, e agora faz essa pregação ecológica. - Mais parece eco-xiita, disse Renato. - Pela primeira vez, concordamos, brincou Célia. Isso não é jeito de tratar desse caso. Nem sabemos com o quê estamos lidando. Euclides concordou, e contou um pouco da história do lugar. Com pouco mais de cinco mil habitantes, Santa Cruz do Cachimbo era uma vila que ganhou status de cidade em 1998. Poucas ruas eram asfaltadas, e a cidade dependia quase em sua totalidade do que chegava em caminhões pelas precárias estradas da região, além de ocasionalmente pelo pequeno aeroporto, com pista de terra, que distava menos de dois quilômetros do centro da cidade. Bernardo havia ficado conhecido pela pregação ecológica, dizendo-se ligado a ONGs e até ao Greenpeace, e até argumentando que a natureza da região estava sendo cada vez mais agredida. As vezes, dizia que deveriam abandonar, pura e simplesmente, a localidade. Um barulho de avião ecoou pela cidade e os interrompeu, e olhando pela janela eles viram um grupo de quatro aeronaves passar a distância. Renato comentou: - São os Super Tucano, de treinamento e ataque da FAB. Deve ser comum aqui, afinal não estamos longe da Base da Força Aérea do Cachimbo. Euclides concordou, e Renato acrescentou: - Além do mais, correm informações que nessa base são realizadas experiências secretas, até mesmo com relação a ovnis... - Renato, melhor nem começar, disse Marcelo. Acho que temos que começar a investigar mais a fundo esses fenômenos. Mas antes quero dar uma palavra com o tal Pontes. Parece muito bem informado. Todos concordaram. Euclides disse que tinha coisas a fazer, mas que depois os encontraria na casa das primeiras testemunhas. Tudo combinado, seguiram seu rumo. Na Rádio Cruz, Bernardo e os poucos funcionários, todos fiéis a seu ponto de vista, ficaram satisfeitos em ver ufólogos na cidade, o que surpreendeu o trio. Feitas as apresentações e depois de conversas sobre amenidades, em que Pontes disse ser também do interior de São Paulo, o dono da rádio perguntou: - Então, estão aqui para investigar essas ocorrências? Os três se entreolharam, e Marcelo respondeu: - Faz algum tempo que mantemos contato com o Euclides, e diante do que ele tem nos descrito em seus emails, decidimos vir investigar. Parece tudo muito estranho. - Com certeza, disse Pontes. Acham mesmo que tudo isso tem a ver com discos voadores? - Achamos possível, respondeu Renato. Afinal, muitas teorias assinalam que certos aspectos do folclore podem ter origem no fenômeno ufológico. - Tal como o curupira ou o boitatá, que o povo daqui anda descrevendo? - Na verdade, interrompeu Marcelo, estamos interessados em discutir como obtém suas informações, e a forma como tem explorado o caso. Acabamos de ouvir pela rádio sua descrição dos eventos da madrugada passada. Bernardo se levantou, e parecendo empolgado disse: - Muito legal, hein? Olha, francamente não me importa nem um pouco uma explicação para esses tais fenômenos. Na verdade, minha opinião é que não passa de histeria. Sabe como é, o povo aqui é ignorante, preconceituoso... Depois de uma pausa, onde claramente o radialista nem se importou com a cara de espanto dos visitantes, prosseguiu: - Tudo que me interessa é que, quanto mais medo a população da cidade tiver, mais prejuízo aqueles malditos da Quintino terão. - Quer dizer que seu objetivo, perguntou Célia, é expulsar a madeireira daqui? - Mas pensei que isso estivesse claro! Lógico! Nos últimos cinco meses, esses cretinos já derrubaram pelo menos dois alqueires de floresta nativa. Isso é um crime, ainda mais que eles não têm qualquer licença ambiental. Já denunciamos ao Ibama, ajudamos de todas as formas os fiscais que vieram aqui faz dois meses, mas esses palermas só aplicam multas irrisórias, e tudo fica por isso mesmo! Marcelo não era de se perturbar por pouco, mas o fanatismo de Pontes já começava a incomodá-lo. Viu que era exatamente o tipo que Renato descrevera antes, e ficou torcendo para que o jovem colega se contivesse. Perguntou: - Mas a madeireira não está empregando pessoas da cidade, e movimentando a economia local? - Ele quase se arrependeu de ter feito a pergunta. Pontes ficou com os olhos vidrados e arregalados, e quase babando de indignação vociferou: - Oras, mas é claro que o prefeito e até o padre são totalmente favoráveis a esses calhordas! Tudo pela economia, empregos, “o progresso chegando a Santa Cruz” como aquele imbecil do prefeito Fortunato discursou recentemente. Mas e a natureza, como fica? Não temos o direito de destruir a floresta, o maior patrimônio do Brasil! Continua abaixo...
Escrito por Escritor às 12h12
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Continuação... Bernardo começou um discurso indignado contra as grandes corporações, mas Marcelo não se impressionou. Levantando-se e olhando o relógio, interrompeu-o e disse: - Lamento, caro Pontes. Nosso tempo aqui é curto, e temos muito a fazer. Quem sabe possamos conversar outra hora? Pontes obviamente não ficou nada contente com a interrupção, mas se conteve enquanto cumprimentava secamente o grupo. Depois que saíram, voltou-se para seu repórter e fotógrafo, dizendo que seguisse os três. Quando chegaram ao lugar combinado, os paulistas se surpreenderam com a multidão. Encontraram Euclides só depois de abrir caminho entre muitas pessoas. O ufólogo local falava com uma senhora: - Mas dona Gertrudes, isso não é motivo para... A senhora saía e voltava a entrar na modesta casa, carregando peças de mobiliário, eletrodomésticos e roupas, auxiliada pelo marido e pelos seis filhos. A mudança era colocada em um pequeno caminhão velho e com muitas partes enferrujadas. A dado momento, a mulher virou-se para Euclides e disse: - Olha, seu Euclides, primeiro meu marido e meu mais velho viram o boitatá lá na madeireira, e ontem a noite o curupira veio assombrar a gente! Nunca vou esquecer aqueles “oio” vermelho, da cor do fogo! Boa coisa não é, essa cidade está amaldiçoada, e nós “vamu” embora daqui! Nesse momento, chegaram em um carro oficial o prefeito, Astrogildo Nonato, e o padre Bartolomeu Ramos. Ambos desceram e conversaram longamente com dona Gertrudes, mas a dona de casa estava irredutível. Marcelo já havia reparado na expressão de medo nos filhos da mulher, e por precaução alertou Renato para que não saísse fazendo perguntas. O prefeito elevou a voz, para falar as dezenas de curiosos reunidos no local, dizendo: - Minha gente, bom povo de Santa Cruz do Cachimbo. Posso garantir que nada de estranho está acontecendo. Tudo continua em paz em nossa amada cidade, e se algo fora do normal está ocorrendo, é a intromissão de elementos de fora, como aquele radialista dos infernos! Diante dos aplausos de alguns que haviam chegado há pouco, e a indiferença da maioria, Nonato continuou: - Irei hoje mesmo entrar em contato com o governador de nosso estado e se não der certo com o próprio ministro das comunicações! Quero esse tal de Pontes bem longe daqui! O pequeno grupo de puxa-sacos, obviamente trazido até ali para puxar os aplausos, novamente fez barulho. Mas dona Gertrudes não quis mais conversa. Toda a família embarcou no pequeno caminhão, que logo sumia pela estrada poeirenta. Os ufólogos não tiveram muito a fazer. Entrevistaram aqui e ali algumas pessoas, que em sua maioria demonstravam medo. Mas algumas de fato confirmavam as estranhas visões, que andavam aterrorizando a pequena cidade. E todos acompanhavam as manifestações de Bernardo Pontes. - Pelo visto, esse cara tem muitos fãs na cidade. Renato disse isso, enquanto olhava ao redor antes de abrir um pequeno portão, no muro baixo dos fundos da casa de dona Gertrudes. Célia disse: - Você é maluco, o que pensa que está fazendo? Antes que pudessem impedi-lo, já estava dentro do terreno, e logo os chamava: - Ah, gente, acho melhor virem aqui... Todos viram afinal asa pegadas do que quer que tenha assustado a família que acabara de fugir da cidade. Pegadas grandes, de um pé que possuía apenas dois dedos grossos. No final da tarde, Euclides sugeriu que fossem a igreja da cidade para conferir o clima da missa: - Pode ser que encontremos mais testemunhas, sei que a maioria do povo tem ido mais a igreja. Quase se arrependeram quando viram que a mesma estava abarrotada. Para a multidão, o padre Ramos vociferava o sermão: - E alguns ficam dizendo que o curupira isso, o boitatá aquilo... Outros afirmam que é errado apoiarmos o desenvolvimento de nosso município, que tem trazido trabalho para tantos de nossos cidadãos. Mas essas são pessoas de pouca fé, meus amigos! Ele fez um intervalo e prosseguiu: - São descrentes, que renegam as palavras do Senhor, quando disse: “crescei e multiplicai-vos, e dominai a Terra”! Ninguém está aqui apoiando a destruição da natureza, até mesmo porque seria destruir a própria Criação! Mas os métodos de insuflar o medo na população, ou apelar para crendices que nada têm de cristãs... Minha gente, cuidado! O caminho para o próprio inferno está cheio de palavras sedutoras! Ramos não disfarçou nem um pouco ao voltar um olhar duro para os ufólogos. Euclides já havia comentado que andara tendo uns pegas com o homem nos últimos tempos. Acabaram decidindo ir embora, desistindo de entrevistar as pessoas. A casa de Euclides era pequena, mas suficiente para hospedar os três. Jantaram e ficaram discutindo os acontecimentos, quando a rádio novamente os interrompeu: - E tivemos notícias, durante a fuga da família da conhecida quituteira dona Gertrudes, que o grupo de ufólogos vindos de São Paulo deu seu aval aos estranhos fenômenos que tem ocorrido por Santa Cruz. É passada a hora de esta cidade realmente discutir os efeitos nefastos da presença da Madeireira Quintino, que com seus métodos predatórios está destruindo a floresta! - Vou acabar com esse cara, disse Renato. Marcelo ria, e com muito custo respondeu: - Deixe para lá, amigo. Esse sujeito é um palhaço, só quer saber de audiência. Até parece que não conhece o tipo. Acabaram indo dormir, deixando para a manhã seguinte a decisão de visitar ou não a madeireira. Clarinha namorava Everton escondido, e costumava sair por volta da meia noite para visitar o amado em sua casa. Aquela madrugada de paixão havia sido ótima, como todas as outras, e o casal se despedia com beijos ardentes ainda na porta de Everton, quando ouviram um ruído. Voltaram-se para todos os lados, e nada. Clarinha mostrava-se assustada com os últimos acontecimentos, e comentou que seu tio também havia tomado um susto quando luzes estranhas voaram em torno do trator que dirigia. Everton procurava encorajar a moça, quando o mesmo barulho voltou, agora bem mais perto. Olharam para o lado, e dessa vez viram. E o que viram fez com que gritassem de forma estridente. A rua inteira saiu ao mesmo tempo de casa, as pessoas de pijama assustadas e curiosas para saber o que era. Um e outro mais corajoso apanhou o revólver e dispôs-se a caçar o tal curupira. Clarinha, tremendo como se sentisse muito frio, aceitou um copo de água com açúcar da vizinha de Everton. Era a mesma rua da casa de Euclides, e naturalmente os ufólogos correram para fora. Nesse momento, tiros foram ouvidos. - Agora quero ver esse curupira dos infernos vir nos amolar de novo, gritou um espirituoso. Mas outros gritos de pavor foram ouvidos, agora da mata ao lado, onde três homens entraram para caçar o “bicho estranho”. Alguns acenderam lanternas e lampiões, e logo os três foram encontrados, caídos e desmaiados com expressão de absoluto terror nos rostos. Renato filmava e fotografava tudo, mas nem os ufólogos estavam prontos para o que veio a seguir. Luzes, cinco ou seis, percorriam o espaço sobre os telhados da cidade, fazendo as pessoas correrem apavoradas. Os desmaiados que tentaram caçar o tal curupira foram largados onde estavam, e todos corriam para se proteger. Até Euclides, Marcelo e Célia se abaixaram, mas sem deixar de observar os estranhos objetos. Ouvia-se os gritos de “boitatá” e “curupira” nos arredores. Renato, filmadora na mão, nem se importava com os rasantes dos objetos, parecendo fascinado com tudo aquilo. Alguém ligou o rádio bem alto, e eles puderam ouvir: - Atenção, caros ouvintes, esta é a Rádio Cruz, ao vivo para todo o sul do estado, transmitindo a invasão que está ocorrendo em Santa Cruz do Cachimbo. É incrível, senhoras e senhores! O povo apavorado diz que o boitatá e o curupira estão percorrendo a cidade, e perseguindo seus habitantes. Meu Deus! Uma luz impressionante, e muito veloz, acaba de passar pela janela de nosso estúdio, caros ouvintes! Depois de uma pausa, a voz de Pontes voltou a ser ouvida: - É uma invasão, caros ouvintes, disso não pode haver dúvida! As pessoas estão apavoradas, correndo e gritando pelas ruas, perseguidas pelos estranhos fenômenos. Isso só pode significar que algo ou alguém não está satisfeito, nada satisfeito, com a devastação ambiental promovida na área de nosso município. Não resta outra explicação! Nossa, novamente tivemos um objeto luminoso passando muito próximo da janela, senhoras e senhores! É hora de o bom povo de Santa Cruz do Cachimbo tomar seu destino em suas mãos, e decidir o que é melhor para a municipalidade. Deste repórter, já conhecem a opinião. A Madeireira Quintino tem que sair! Enquanto tudo isso acontecia, a menos de dois quilômetros dali uma tensa reunião estava acontecendo em um trailer que funcionava como escritório da Madeireira Quintino. Sebastião Torres, o gerente e principal responsável pela empresa, gritava com os funcionários. Não aguentava mais as constantes acusações do tal radialista, toda aquela confusão gerando uma tremenda boataria e empregados que se demitiam, mais as sucessivas visitas dos ficais do Ibama. - Já não temos como ficar molhando a mão de cada fiscal que aparece! O sujeito estava possesso. Os funcionários não sabiam o que responder. Evidentemente, o principal problema eram aquelas luzes que ninguém sabia de onde vinham, e o tal curupira. Um dos subordinados ainda chegou a tomar coragem e começar a descrever a aparição de que fora testemunha, apenas para Torres voltar a vociferar: - Essa bobagem não existe! Cale a boca, ou demito você agora! Nesse momento, o gerador que alimentava as instalações tossiu e parou, deixando tudo no escuro. Alguém ligou uma lanterna e correu para fora, voltando logo e dizendo que as baterias também não funcionavam. Logo gritos começavam a ser ouvidos, fazendo todos saírem. Ali estavam as luzes! Davam rasantes e lançavam fachos luminosos parecidos com laser. Torres e alguns outros estavam armados, e começaram a atirar. O gerente, fora de si, berrou: - Vamos agora mesmo acabar com o safado que está aprontando essa prá cima da gente! Saiu correndo sozinho, enquanto os demais, temerosos, só pensavam em se proteger daquelas coisas estranhas. Um subgerente afinal determinou que formassem duplas ou trios, e saíssem para investigar. Os tiros de Sebastião ecoavam pela escuridão. Torres estava fulo, e disparou várias vezes contra as luzes. Mantinha a lanterna paralela a arma, usando as duas mãos como já vira em tantos filmes. Só pensava em apanhar o cretino que estava por trás daquela farsa. Aproximou-se da caverna que haviam descoberto logo no início das operações. Por mais que não acreditasse naquelas histórias e crendices, aquilo realmente o punha para pensar as vezes. E ficou surpreso afinal, quando algumas das luzes mergulharam ali. - Agora te pego, bastardo! Pensou isso e aproximou-se, arma preparada para atirar, iluminando os arredores com a lanterna. Continua abaixo...
Escrito por Escritor às 12h08
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Continuação... Súbito, viu. As aparições de que o povo falava, ele soube imediatamente. E soube porque sentiu o mesmo pavor indescritível. Não gritou nem emitiu qualquer som. Apenas ficou de olhos arregalados diante deles. E depois não sentiu mais nada. Euclides, em um intervalo das surpreendentes aparições, foi conversar com Clarinha. A moça, ainda que muito abalada, descreveu o que vira, o mesmo ser que ele já descrevera aos colegas. Marcelo e Célia aproximaram-se fazendo mais perguntas. O filho da vizinha, que também trabalhava na madeireira, disse que na noite anterior luzes muito parecidas haviam surgido no começo da noite, apavorando a todos. - Eu é que não volto mais lá, disse o rapaz. Por mim a gente vai embora dessa cidade também, como a dona Gertrudes! Everton acabou trazendo sozinho os três homens que haviam sido largados na beira da mata, quando os que os carregaram até ali fugiram apavorados. Um por vez o rapaz trouxe-os até a calçada, onde outros presentes os ajudavam. As luzes voltaram, agora sem dar rasantes, mas mesmo assim assustando a todos. Renato filmava e fotografava sem parar. Havia um ponto de ônibus logo adiante, e chegou um coletivo de onde desembarcaram muitas pessoas. Duas luzes surgiram e deram novo rasante, fazendo vários dos recém chegados gritarem e correrem. Um rapaz se aproximou, mochila as costas, e diante do olhar espantado da vizinha perguntou: - Mas o que raio que é isso? Clarinha, mesmo abalada, quase conseguia acordar um dos homens, auxiliada pela vizinha, ergueu os olhos e viu. Era Everton que acabara de chegar. Estranhando sua cara de espanto, ele disse: - O que foi, meu bem? Precisei ir a Registro do Norte acertar umas coisas. Desculpe não avisar! Clarinha não falava, parecia mal respirar. Everton estava a seu lado, na porta da casa, enquanto um segundo Everton encarava o grupo, próximo a mata. Segundos de estupefação se passaram. Renato ainda apontou a câmera e bateu duas fotos, conseguindo captar os dois homens idênticos. Nisso, os olhos do que estava próximo a mata brilharam com tonalidade vermelha, e ele penetrou entre as árvores. Euclides e Renato, sem pensar duas vezes, correram em seu encalço, enquanto Clarinha desmaiava, e outras pessoas berravam. As luzes voltaram, novamente voando quase a altura da cabeça das pessoas. Muitos correram aterrorizados, outros se jogavam ao chão. Todas as luzes voaram para a mata, desaparecendo em um clarão mais forte, que vazou por entre a folhagem. Célia e Marcelo acompanharam tudo, e depois tentaram ajudar as pessoas. A tensão que sentiam ao pensar nos companheiros era insuportável, mas poucos minutos depois Euclides e Renato apareceram. O jovem ufólogo disse, em tom deslumbrado: - Meu, que viagem! Espero que a câmera tenha conseguido registrar! Ninguém mais conseguiu dormir aquela noite. Renato passara a câmera fotográfica para Euclides, que tirou fotos de algo muito luminoso entre a vegetação. A filmadora, por outro lado, registrara a junção de todos os objetos em uma única luz, rente a uma clareira que existia algumas dezenas de metros mata adentro. Em meio a elas, podia se ver um vulto, que parecia mudar de forma antes de a luz simplesmente se apagar, e mais nada poder ser visto. - Vou ver se consigo mandar para o pessoal de São Paulo! Renato estava entusiasmado. No beiral da janela assentou a pequena antena via satélite, e logo conseguia uma conexão. A imagem na tela do laptop tremeluziu, e logo surgia a imagem de Franco, um dos amigos de São Paulo, que fazia parte do grupo que alguns poucos conheciam como Faroleiros. - E aí, Franco, ninguém aí dorme, não? - Estou adiantando a próxima edição do jornal, amigo. Mas me diga, o que quer a esta hora? Pensei que estavam na região norte. - Estamos na região norte, meu! Olha, estou mandando uma filmagem e várias fotos, se puderem analisar, ficarei muito feliz. Franco disse que sim, e logo os arquivos eram enviados. Combinaram de se falar quando regressassem a Campinas. A notícia da morte do gerente da madeireira chegou logo que amanheceu. O posto de saúde da cidade estava longe de ser bem equipado, mas o médico de plantão atestou que Sebastião Torres morrera de ataque do coração. A cidade ficou dias comentando o que poderia ter causado o pavor em sua expressão. Euclides, Marcelo, Célia e Roberto visitaram o pátio da Madeireira Quintino, em meio a total desmontagem do local. A dona da empresa, uma empresária de Belém, estava sendo investigada pela Polícia Federal por uma série de irregularidades. Os agentes do Ibama regressaram, e lacraram tudo que os funcionários deixaram para trás na fuga precipitada. Os ufólogos ainda conseguiram conversar com alguns deles, que confirmaram que os mesmos fenômenos que assolaram a cidade também haviam ocorrido na madeireira. Com o agravante da falta de luz, mas antes de ser lacrado pelo Ibama, o gerador voltou a funcionar normalmente. Ninguém da empresa se importou com o corpo de Torres. Dias se passariam antes que parentes providenciassem a retirada do mesmo, levado para outra cidade por um pequeno avião alugado. Por mais três dias os paulistas seguiram buscando evidências e testemunhas, tendo algum sucesso na empreitada. Mas isso não acrescentou muito a investigação, permanecendo inexplicáveis os acontecimentos na região. A Renato surpreendia o desinteresse dos militares, e ele até conversou pela Internet com Franco a respeito, sem chegarem a qualquer conclusão. Também visitaram a tal caverna, que realmente era impressionante. Uma pequena entrada dava para um túnel que descia vertiginosamente, acabando em um “salão de cristal”, apelido que já circulava pela descrição dos poucos que haviam descido até lá. O Ibama fez uma apressada análise do local, e os agentes disseram que enviariam espeleólogos o quanto antes para estudar a caverna. Até o dia em que finalmente se despediram do amigo Euclides para retornar a São Paulo, não tiveram mais notícia de qualquer fenômeno estranho. Pelo rádio, Bernardo Pontes proclamava sem parar sua vitória. - E então, o que acha que aconteceu, Marcelo, perguntou Renato. - Acho que estamos diante de outro caso bem típico, como os que a revista Ovni publica sempre. O chefe do grupo não parecia muito animado. Diante da profusão de fenômenos estranhos, sendo que até chegaram a ficar frente a frente com..., alguém muito estranho, esperava que tivessem conseguido mais provas. Célia comentou: - Mais um caso bem pesquisado, Marcelo, isso você não pode negar! Reunimos todas as evidências que pudemos recolher, e tenho certeza que poderemos escrever muito a respeito. - Eu estou nisso para descobrir a verdade, Célia, respondeu Marcelo. E não descobrimos nada. - Mas fomos testemunhas de coisas incríveis, amigo. Renato parecia satisfeito, e não cansava de rever as fotos e depoimentos no laptop, enquanto seguiam a bordo do pequeno avião para Belém, e dali, para o sudeste. Naquela noite, Bernardo Pontes deixou um subordinado cuidando da programação, e fez questão dele mesmo ir investigar. Desceu do carro e contemplou satisfeito o pátio totalmente deserto onde funcionava a madeireira. Ele conseguira expulsar aqueles terroristas! Agora, iria terminar seu trabalho. Iria humilhar os tais ufólogos que o desprezaram, revelando a verdade sobre os tais fenômenos. - O povo jeca dessa cidade acredita em cada coisa! Deve ter sido algum funcionário descontente que aprontou essa peça, e todos caíram. Nem mesmo ele próprio acreditava muito em sua teoria, enquanto caminhava decidido na direção da entrada da caverna. Vira as luzes, que passaram rente a janela do estúdio. Por mais que pesquisasse na Internet, não conseguira descobrir uma forma de reproduzir aquele efeito. O que não significava que fosse impossível. Mandou centenas de emails nos últimos dias para especialistas, e tinha certeza que logo teria respostas. Entrou na caverna, certo de que conseguiria desvendar aquele enigma. Lamentou que nenhum repórter da Gazeta do Cachimbo, o único jornal da cidade, não quiseram acompanhá-lo. O azar era deles! Desviou o facho da lanterna, e surpreendeu-se pelo fato de que de lá embaixo, onde deveria ser o tal salão de cristal, vinha uma tênue luminosidade. Avançou cuidadosamente. Chegando no salão, ficou maravilhado. O local todo parecia mergulhado em uma luz suave, branco-azulada. Não se conteve: - É maravilhoso! Vira as fotos publicadas no jornal, enquanto batia as próprias com sua câmera, e aproximou-se de um grande cristal, de quase dois metros de altura. Ao lado e um pouco atrás dele, havia uma abertura. Pontes tinha certeza que aquilo não aparecia nas fotos. Aproximou-se, e viu que parecia uma porta aberta. Lá dentro reinava a escuridão, mas depois de alguns segundos, percebeu um débil ponto de luz ao longe. Certo de que em breve estaria de volta a rádio, anunciando um grande furo, saiu andando. Um chiado ou zumbido começou a encher seus ouvidos, e ele ficou ainda mais curioso. Finalmente, entrou na luminosidade que via a distância. Foi estranho, pois teve a impressão que a luz chegou de uma vez até ele, e não o contrário. Nesse instante, os viu. Soube imediatamente o que o falecido gerente da madeireira vira antes de morrer. Mas não era tudo. Clarinha estava com eles, parecendo totalmente a vontade. Pontes foi tomado pelo pavor quando ela o encarou. Se houvesse alguém parado na entrada da caverna, conseguiria ouvir um resquício de seus gritos de terror. Mas logo os mesmos silenciaram, e a noite escura permaneceu tomada pelos sons e mistérios da floresta. Gostaram? Então comentem! Os textos e contos aqui publicados não podem ser copiados sem autorização. Contato: escritorcomr@uol.com.br .
Escrito por Escritor às 12h07
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Saudade
Dizem que essa é a palavra mais bela da língua portuguesa, portanto é bem adequada para homenagear esse grande artista, que fez a alegria de tantas pessoas e fãs, e sem o qual o mundo amanheceu mais triste hoje. E acredito que, para homenagear verdadeiramente o já saudoso Michael Jackson, que parte tão precocemente, nada melhor que celebrar sua inimitável arte. 
Thriller http://www.youtube.com/watch?v=AtyJbIOZjS8
They Don´t Care About Us http://www.youtube.com/watch?v=gCqQ2JcQWGs&feature=fvst
Dirty Diana (quem é essa garota!?) http://www.youtube.com/watch?v=7Hg-IRZk4D0
Smooth Criminal http://www.youtube.com/watch?v=ex30DYwQlHU
O Céu deve estar em festa... mas aqui temos sua arte, que viverá para sempre.
Contato: escritorcomr@uol.com.br
Escrito por Escritor às 14h01
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Irã, Cultura, Ficção Científica e Ufologia
Não há como deixar passar os corajosos protestos pela liberdade protagnizados pelo sofrido povo do Irã, há 30 anos submetido a uma ditadura obscurantista e fanática. Mas, como certa vez o Embaixador G´Kar disse, em um dos mais memoráveis episódios da clássica série Babylon-5, "Nenhum invasor, conquistador ou ditador pode apagar a chama da liberdade". E o brilho dessa chama nestes dias atuais do Irã é representado por Neda, uma heroína na mais pura acepção da palavra. 
É trágico que muitos heróis morrem sem poder testemunhar as mudanças pelas quais lutaram, mas onde quer que esteja agora, Neda pode ter a certeza de que a queda dos fanáticos ignorantes que comandam o atual governo do Irã é apenas questão de tempo, e que depois disso, as portas da liberdade se abrirão para o povo iraniano.
Mas aqui no Brasil temos nossas tragédias, não tão intensas, mas suficientes para provocar muita indignação. Alguém pode me explicar por que o senhor Caetano Veloso necessita de incentivo cultural para uma turnê? O pior é que, cumprindo sua função, a Comissão Nacional de Incentivo a Cultura, CNIC, vetou o incentivo, pelo óbvio motivo de que qualquer coisa que o referido cidadão faça é mais do que comercialmente viável. Mas a grita dos privilegiados teve maior peso, e o segundo deplorável ministro da cultura desse DES-governo que aí está liberou o incentivo. Enquanto isso, milhares de produtores culturais Brasil afora continuam produzindo cultura literalmente com a cara e a coragem, e uma das figuras mais enojantes e abomináveis já surgidas na política brasileira, que certa vez afirmou que "mudaria tudo isso que está aí", e denunciou "os 300 picaretas" do Congresso Nacional, aliou-se a esses mesmos 300 subdesenvolvidos para manter os privilégios e a rapinagem com o dinheiro público, fornecido por nós, cidadãos que produzem. Dinheiro que a política cultural vigente manda direto para "artistas" já veteranos, com nome na praça, e que não teriam a menor necessidade de tais incentivos. E assim segue o Brasil-sil-sil, onde "nunca antes" o povo manifestou grau de aprovação tão alto a maior fraude da história da política...
Enfim, vamos desanuviar o ambiente, e tratar dos assuntos por definição deste blog! Vale a pena conferir Transformers: A Vingança dos Derrotados. Para variar, o título nacional não tem nada a ver com o original, Revenge of the Fallen, este último um dos Transformers originais criados milênios atrás.

O filme abusa um pouco de piadinhas de duplo sentido, o que cansa, e alguns velhos clichês bem poderiam ter sido dispensados. Mas sem dúvida vale a pena, pois tem momentos hilários, dramáticos, empolgantes e emocionantes até bem dosados.

E claro, tem Megan Fox... Lá no Aumanack apresentamos uma bela análise do filme, de autoria de nosso amigo Celso Kitamura, recomendo!
Finalmente, mais relatos sobre o III Fórum Mundial de Ufologia, cuja autoria divido com meu colega e amigo da Equipe UFO Paulo Poian, contando mais um pouco sobre esse maravilhoso evento. Este é uma síntese:
http://www.ufo.com.br/index.php?arquivo=notComp.php&id=4375
E este aqui, do qual muito me orgulho, é uma descrição de como foi a inesquecível e histórica manhã de 13 de junho, já apelidada de A Manhã dos Militares:
http://www.ufo.com.br/index.php?arquivo=notComp.php&id=4363
E, bem, até a próxima! Contato: escritorcomr@uol.com.br .
Escrito por Escritor às 14h25
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III Fórum Mundial de Ufologia
E finalmente pude voltar a escrever aqui no blog! Foram semanas intensas, as últimas. Preparação para a viagem até Curitiba, e depois a viagem em si para participar do III Fórum Mundial de Ufologia, que rolou de 11 a 14 de junho na bela cidade paranaense. Depois a volta, e claro, aprontar textos para descrever como foi esse grandioso evento, publicados tanto no site da UFO (e brevemente na revista) quanto no Aumanack. Por sinal, pode ir conferir: A viagem de ida foi um pouco difícil, o tempo estava ruim, chovia... mas a recepção, em plena porta do Hotel Promenade, onde foi o evento e a maioria do pessoal ficou hospedado, valeu demais, com direito a ida a uma churrascaria onde a comida e o papo estavam excelentes! Interessante, passei mais frio em São Paulo, depois da volta, do que lá em Curitiba! O evento em si foi simplesmente extraordinário, mesmo que eu seja estreante nessa "Jedicon da Ufologia". Foram 4 dias de palestras, debates, workshops, e excelente conversa nos bastidores. Este último, afinal, foi o melhor aspecto de tudo, o papo com amigos, conhecer aquele pessoal legal com que falamos todos os dias pela Internet, mas nunca havíamos visto. Foi muito legal ajudar lá no stand da UFO, ao mesmo tempo que me foi permitido disponibilizar meu livro, De Roswell a Varginha! Por sinal, os links para venda dessa obra-prima da Ficção Científica, sem falsa modéstia, estão aí ao lado, abaixo do Histórico do blog, vamos lá, pessoas, as sequências estão na fila aguardando! E uma grande vitória foi essa imagem, após o escritor aqui presentear ninguém menos que Stanton Friedman, o redescobridor do Caso Roswell, com um exemplar! É a Friedman, físico nuclear canadense e ufólogo de primeira linha, que vocês devem se lembrar cada vez que ouvirem o nome Roswell, a cidade do Novo México onde caiu um disco voador no começo de julho de 1947. Cada obra da FC que trata do assunto, a própria série Roswell, Taken de Steven Spielberg, o episódio Little Green Men de Jornada nas Estrelas Deep Space 9, Arquivo-X (LÓGICO!!!), até De Roswell a Varginha, deve a esse cara, reservado mas que é bem legal e muito paciente. Ele que conheceu em 1978, por puro acaso, Jesse Marcel, protagonista do caso em 1947, começando a desvendar a teia de segredos de um dos maiores acontecimentos do século vinte. Tinham que ver a quantidade de gente que vinha falar e tirar fotos com ele, numa mesa ao lado do stand da UFO! E claro que não poderia deixar de agradecer aos amigos Gener, Walcyr, Fernando, Marco e Rachel, Varela e tantos mais que adquiriram o livro, e que espero que estejam adorando! Um dos grandes momentos, para mim, foi a inesquecível Manhã dos Militares (deve já ter entrado lá no site da UFO meu artigo comentando com exclusividade essas magníficas apresentações), que aconteceu no sábado, 13 de junho. Falando na sequência, o Brigadeiro José Carlos Pereira (foi comandante do COMDABRA e da Infraero), o Coronel Antônio Celente Videira (membro do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra), e o Coronel Leônidas de Medeiros Júnior (comandante do Cindacta II) (acompanhados na foto pelo meu chefe na UFO e grande amigo A.J. Gevaerd), deram uma aula de competência e seriedade, e manifestaram total apoio a campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, em sua contínua luta pela liberação dos documentos secretos do governo e forças armadas sobre os discos voadores. Quero ver algum ceticuzinho vir aporrinhar agora... O próprio Stanton Friedman não chegou a apresentar novidades bombásticas, mas tanto seu workshop na noite desse inesquecível sábado (tema: Roswell), quanto sua palestra no domingo (tema: ovnis e ciência), foram corretíssimos e com uma riqueza enorme de informações. Já falei que o cara é físico nuclear? E que tal essa, ele foi colega de faculdade de Carl Sagan! Sim nosso herói e maior divulgador da Ciência em todos os tempos nunca chegou a ficar ao lado dos ufólogos, mas sempre debateu de forma civilizada, ao contrário dos Condon e Klass da vida. Uma coisa que me chamou a atenção na palestra de Friedman foi seu trabalho na General Electric na pesquisa de propulsão nuclear, e um exemplo foi exatamente essa figura acima, um protótipo de propulsão a jato nuclear. Bom, felizmente Stanton não brilha no escuro devido a radiação, ainda bem... Foi muito legal no café da manhã de sexta, eu já havia conversado rapidamente com ele antes, e não é que o homem veio sentar na mesma mesa onde eu estava? Dessa vez conversamos muito, foi sensacional, valeu, Stan! Outro que teve boa participação foi o italiano Roberto Pinotti, com quem também conversei muito, novamente em inglês! Ele é autor de OSNIs, livro da Biblioteca UFO (consultem o site aí ao lado), e posso garantir que o livro vale a pena, estou gostando, e meu exemplar naturalmente está autografado! Mas uma coisa esse Fórum deixou muito claro, a Ufologia brasileira não perde em absolutamente nada ao que de melhor se faz lá fora, e na verdade em muitos aspectos está bem adiantada! As apresentações de nossos pesquisadores foram nada menos que brilhantes, mostrando que em Ufologia o Brasil é sim, primeiríssimo mundo! Na foto, Marco Petit, Gener Silva, eu, Professor Rubens Junqueira Villela (primeiro brasileiro a pisar no pólo sul), Paulo Anibal e Ricardo Varela, time de respeito na Ufologia! Outra coisa que ouvi de vários dos estrangeiros é sua inveja de nossa revista UFO, a mais antiga do mundo, e atualmente com certeza disparado a melhor. E não, que eu saiba não havia nenhum alienígena presente! Bom, claro que não reparei se havia algum grey (na terminologia brasileira, tipo alfa), mas como eles possuem tecnologia avançada, podiam muito bem estar camuflados. Já quanto aos nórdicos ou tipo beta, na classificação nacional, não posso afirmar, mesmo porque esses só precisam vestir roupas iguais as nossas e falar nossas línguas para se misturar, pois são quase idênticos a nós. Mas tenho a impressão de que, se algum deles visitou o Fórum, deve ter saído bem satisfeito! Enfim, é isso, foi uma experiência maravilhosa, me diverti horrores, curti muito as paisagens na viagem de volta, passando pela estrada que cruza as serras do norte do Paraná e do sul de São Paulo e suas paisagens espetaculares, e... acabou, que pena! Quero deixar os maiores agradecimentos ao Gevaerd, a Família Cury, e a todos os amigos e amigas com quem estive durante o Fórum. Vou aguardar com muita expectativa o próximo!
Escrito por Escritor às 16h59
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Os Nerds Herdarão a Terra
Feliz Dia do Orgulho Nerd! A celebração foi criada em 2006, coincidindo com o 25 de maio pois há 32 anos, nesta data, estreava Star Wars, Uma Nova Esperança, que nem tinha o subtítulo A New Hope, e aqui no Brasil ainda era Guerra nas Estrelas. A Cultura Nerd, cujo óbvio e maior destaque são as produções de todas as mídias dentro da Fantasia e da nossa boe a velha Ficção Científica, vem inegavelmente crescendo em importância nos últimos anos, e no Brasil também. Uma das provas foi apresentada neste domingo no Fantástico. Alguém aí já chegou a sonhar com uma reportagem desse programa encerrando com a saudação vulcana? http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1164620-15605,00-NERDS+DECLARA\ M+SEU+VALOR+AO+MUNDO.html Simplesmente SENSACIONAL! Obrigado mais uma vez, Rede Globo, e é nossa torcida que esse espaço para os nerds só cresça nos próximos tempos, incluindo uma colaboração mais ativa entre os produtores culturais da Cultura Nerd. Claro, como um destes últimos, não posso negar um óbvio interesse pessoal nisso. Enfim, escancarem por aí seu orgulho em ser nerds, aproveitando até que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é um de nós, e os ilustres leitores podem se divertir nos links aí ao lado, conferir meu livro, as notícias lá no Aumanack e em todos os amigos aí representados. Que a Força esteja com vocês, concedendo-lhes vida longa e próspera, na busca pela verdade que está lá fora! Contato: escritorcomr@uol.com.br .
Escrito por Escritor às 13h53
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Star Trek e Carl Sagan
Nesta sexta, 8 de maio de 2009, houve mais um daqueles momentos para se contar daqui muitos anos e dizer, "eu estava lá". Estreou o décimo primeiro filme da maior franquia da Ficção Científica mundial, e como já havia adiantado no Aumanack, Star Trek de J.J. Abrams é sem dúvida o filme do ano! Grandioso, emocionante, profundo, sensacional, divertido, são muitos os adjetivos que se pode usar com essa maravilhosa produção. Mas o que a sessão que rolou as 20:45 de sexta teve de especial foi a presença maciça de fãs. Os fanclubes FFESP e Zona Neutra conseguiram lotar a sala 1 do Cine Bristol, com mais de 440 lugares, e vibraram muito com essa reinvenção do universo roddenberryano. E mais importante, fizeram isso sem qualquer apoio das empresas exibidoras ou detentoras dos direitos da franquia no Brasil, embora naturalmente houvessem tentado. Por incrível que pareça, ainda existem ignorantes sem capacidade intelectual de entender o que vem a ser Jornada nas Estrelas. E como lamentavelmente estamos no Brasil, país que costuma premiar a ignorância, mediocridade e incompetência, naturalmente um dos universos mais críticos contra essas mazelas se transforma em alvo, bem como seus fãs, não é mesmo? Mas não importa! Os fãs novamente, com UNIÃO, fizeram a diferença. É uma grande pena que outros setores ligados a Fantasia e Ficção Científica neste país ainda não tenham percebido isso. Mas o que importa é que todos se divertiram, vibraram, choraram, riram e se emocionaram muito com a primorosa versão desse danado desse J.J. Abrams para Star Trek. 
É absolutamente indescritível a emoção de ver toda uma sala de cinema explodir em aplausos entusiasmados! E que ocorreram primeiro com a primeira aparição da nave mais bonita do Universo, a USS Enterprise, e depois com a sempre marcante presença de Leonard Nimoy no papel que nasceu para interpretar, o de Spock! Nossa opinião sobre o filme está lá no Aumanack, na pasta de Star Trek, podem conferir nos links ao lado. De mais, foi sensacional, todos sem exceção saíram felizes e emocionados, e ainda querendo mais!
Vale a pena comentar também nova liberação de documentos ufológicos do governo e Forças Armadas do Brasil, e que pode ser conferida no site da revista Ufo, nesse link:
http://www.ufo.com.br/index.php?arquivo=notComp.php&id=4289
A quantidade de documentos é impressionante, e me divirto pensando no que os "fanáticos da não crença" que adoram repetir "não existem discos voadores" vão inventar agora para negar tudo, e tentar impedir as pessoas de pensar por si próprias.
E finalmente, a maior imbecilidade que esses pretensos céticos costumam dizer é afirmar que Carl Sagan era um deles. Sagan JAMAIS foi cético. Não como esses infelizes que, além de não aceitar discutir nada, ainda querem impingir suas equivocadas opiniões sobre as outras pessoas.

Uma das provas é a página 209 de sua obra-prima, Cosmos, onde Carl apresenta vários sistemas solares hipotéticos junto ao nosso. Esse gráfico foi traçado em uma época em que a maioria absoluta dos cientistas dizia ser bobagem procurar planetas ao redor de outras estrelas. Imagine o que diziam sobre procurar vida extraterrestre, o maior objetivo de Sagan, e pelo qual ele chegou a pagar com sua demissão de Harvard, em 1968. Ele teve que lutar e muito para finalmente ser reconhecido como o grande cientista e divulgador científico de impecável reputação que conhecemos. Para mim, pessoalmente, ter lido Cosmos na adolescência foi uma das maiores experiências de vida que já tive. Posso afirmar tranquilamente que graças a Carl Sagan me tornei um autodidata em assuntos científicos e astronômicos, e também um escritor de Ficção Científica.

Tenho um orgulho imenso de assinar um grande artigo para a edição 130 da revista Ufo, falando sobre sua vida e obra. Sempre lutei para mudar a imagem equivocada que muitos colegas ufólogos têm de Carl Sagan, e sem dúvida esse artigo auxiliou essa empreitada. Por cima, foi a única revista a, próximo do aniversário de dez anos de sua morte, apresentar essa homenagem a ele. Ter assistido Cosmos, então, não há palavras para descrever o que isso significou para mim, e ainda mais em uma época onde não existiam canais como Discovery, National Geographic ou History. E o mais importante, como Cosmos está para completar 30 anos em 2010, iremos realizar no próximo domingo, na Estação Ciência, um evento para antecipar essa celebração, e cuja apresentação é essa que segue.
Evento: Cosmos - 29 anos
Sem dúvida alguma, um dos maiores nomes da ciência é Carl Sagan. Quem com um pouco mais de 30 anos não se lembra da famosa minissérie na década de 80, onde um homem ousou mostrar que Ciência pode se aprender de uma maneira fácil e pela TV. Hoje, isto até parece coisa boba, já que temos tantos programas de documentários e emissoras com o mesmo tema. Mas devemos lembrar, que, mais exatamente, 1980, a realidade era outra. Cosmos passou no Brasil, em meados de 1982, na Rede Globo, e atraiu milhares de crianças e adultos, que hoje se transformaram no futuro da nação. Na época, eramos apenas entusiastas, sonhadores, de talvez, um mundo melhor. Carl Sagan, através de Cosmos, ousou desafiar políticos e cientistas, mostrando uma realidade que um dia, poderia ser dura. Um bom exemplo, é o efeito estufa, aquecimento global, a fome em larga escala. Mas ele também mostrou um mundo melhor, com novos inventos, a conquista espacial e alternativas para a humanidade progredir. E preparando para os 30 anos do lançamento de Cosmos (EUA), o grupo Cosmos Brasil está realizando um evento para relembrar um pouco mais da história da ciência, onde teremos o grande desfecho das comemorações em outubro de 2010, que utilizando o título de um famoso filme, podemos dizer com toda certeza, será o Ano em que Faremos Contato. Durante o encontro do dia 17 de maio, teremos um mini histórico de Cosmos nos seus 29 anos, com um vídeo no aúdio dublado da década de 80, uma biografia de Carl Sagan, bate papos com os temas "de Copérnico a Carl Sagan", "Fato vs Especulação vs Mito", e lógico, um bate papo sobre o décimo primeiro filme de Jornada nas Estrelas com o grupo FFESP e Zona Neutra, a final de contas, é através da ficção, também, que podemos continuar nossa Jornada rumo a novas fronteiras. Participem do evento, divulguem. Venham rever amigos, fazer amigos.
"- Para falar a verdade, o que me leva a acreditar que não existem habitantes nessa esfera é que me parece que nenhum ser sensato estaria disposto a morar aqui. - Bem, nesse caso - disse Micrômegas -, talvez os seres que a habitam não tenham juízo."
Um alienígena para o outro, ao se aproximarem da Terra, em Micrômegas: uma história filosófica, de Voltaire (1752).
- Extraído do livro "O Mundo Assombrado pelos Demônios - A Ciência vista como uma vela no Escuro", de Carl Sagan, capítulo 4.
Programação (sujeito a alteração), no site:
http://www.wa2s.com.br/cosmos.html
Dia 17 de maio - domingo Local: Estação Ciência Rua Guaicurus, 1394 - Lapa (Estação Lapa CPTM)
Entrada do evento - gratuita Pedimos que os participantes levem 1 kg de alimento não perecível. Os mesmos serão doados para a ACDDM de São Miguel Paulista.
Entrada da Estação Ciência: R$ 2,00 / R$ 5,00 (famílias até 4 pessoas) / R$ 1,00 (preço por pessoa para famílias com mais de 4 pessoas). Isentos: menores de 6 anos, maiores de 60 anos, portadores de necessidades especiais com um acompanhante, professores, comunidade USP.
Organização: Cosmos Brasil Parceria: Estação Ciência, FFESP (Federação da Frota Estelar de São Paulo), Grupo Zona Neutra, Aumanack, Revista UFO, Revista SciFi News e Coleciona, wa2s.
Então, até lá, e me despeço com mais uma saudação tradicional que remete novamente ao filme do ano: vida longa e próspera! Contato: escritorcomr@uol.com.br .
Escrito por Escritor às 20h54
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ZÉ DA PINGA
Lá pelos idos de 2002, escrevendo e batalhando para começar a ser conhecido como escritor e finalmente fazer por merecer uma oportunidade, tive essa idéia para um conto, uma cidadezinha no interior, uma onda de avistamentos de ovnis, um mendigo para o qual ninguém dava nada... acabei escrevendo tudo em apenas 3 dias. O resultado foi Zé da Pinga, ainda hoje um dos meus escritos preferidos. A essa altura, mostrei o conto pros amigos da revista Scifi News, onde já escrevia a coluna Espaço Ovni, e eles adoraram. 
O resultado saiu nessa edição de dezembro de 2002, número 62, e basta ver a capa para chegar a conclusão de que foi uma edição muito especial. Depois, decidi fazer algumas mudanças no conto, para quem sabe publicá-lo e outro lugar, coisa bem pouca. E escrevi outras histórias, que serviram para encaixar esses personagens no mesmo universo que começa com meu livro, De Roswell a Varginha.
Espaço marchand, os links para compra do livro estão aí ao lado, então façam o favor de colaborar, hein?
Até escrevi um conto, ainda inédito, em que os personagens de Zé da Pinga conhecem Roberto, personagem de DRAV. Eles estiveram juntos ainda em Irmãos, conto que publiquei neste blog, e que pode ser lido se consultarem os links aí ao lado. Então, deixo vocês com Zé da Pinga, um conto legitimamente brasileiro de nossa boa e velha Ficção Científica, espero que gostem!
Zé da Pinga
- É verdade, seu moço. A luz veio de lá do morro, “alumiando” tudo por estas bandas! - E “tumém” ali no fundo, na chácara de “seo” Armando, onde dizem que o “bicho” pousou. O casal, simplório mas muito solícito, explicava tudo o que haviam testemunhado três noites antes. Célia perguntou: - E os senhores têm visto essas luzes há quanto tempo? O homem coçou os ralos pêlos que cobriam seu queixo, e por fim disse: - “Óia”, dona, pelo que a gente se “alembra”, faz bem uns dez dias... Célia trocou olhares com Marcos. Renato digitava o relato do casal com uma rapidez fenomenal no laptop, enquanto os irmãos Kássia e Leonardo andavam pelos arredores buscando mais evidências. Salto do Avanhandava, pequena cidade do interior paulista a cerca de cinquenta quilômetros de Campinas, estava a poucos dias de comemorar os vinte anos de sua emancipação e transformação em município. Contudo, para alguns de seus pouco mais de seis mil habitantes, não era aquele o assunto principal naqueles dias, mas sim a grande quantidade de visões de estranhas luzes durante as noites. Na verdade, toda a região era assolada, há semanas, por uma onda de aparições de ovnis, mas, conforme o testemunho que acabavam de tomar de seu Waldir e de dona Iracema, sua esposa, há dez dias os fenômenos se concentravam nas menores cidades daquela região, em especial sobre Salto do Avanhandava. - O que os senhores acham que é isso? Seu Waldir perguntou com legítimo interesse, mostrando uma curiosidade típica da região para tudo que era novidade. Renato, no entusiasmo de seus 23 anos, respondeu: - É uma onda ufológica como há tempos não víamos, seu Waldir! Praticamente desde o Caso Varginha não temos nada assim! Pelo visto, os “extras” estão se animando de novo! - O padre Reginaldo diz que é tudo coisa do capeta, disse Iracema. Sem que ninguém pudesse impedir, Renato continuou: - Que nada, dona Iracema! Acreditamos que eles vêm de outros planetas, outros sistemas solares! Não tem nada do diabo nisso. Até mesmo o papa disse recentemente... - Renato, menos, menos, cortou Marcos, o líder do grupo. Não queremos tomar mais o tempo dos senhores, não é mesmo? Agradecemos pela ajuda. O jovem guardou o laptop a contragosto, e com os demais cumprimentou o pequeno grupo de moradores do Baixo Morro, bairro da periferia da cidade. Estavam entrando na perua, quando Waldir pareceu lembrar-se: - Ah, nós esquecemos de avisar, o pessoal aqui do bairro tá dizendo que um bêbado, que todo mundo chama de Zé da Pinga, tá sumido há uns dois dias. Eles voltaram a se interessar, pedindo mais detalhes. Ouviram que aquele homem costumava vagar pelo bairro mendigando, e era muito conhecido nos dois ou três bares das redondezas. Apesar de gostar de ficar de pileque, não incomodava ninguém, a não ser quando ficava mais animado, segundo diziam, e saía dizendo que “eles” chegariam em breve. - Quem são “eles”, seu Waldir? A pergunta de Marcos foi respondida com um erguer de ombros. Ninguém sabia mais nada sobre o Zé. Ele aparecera na região há uns quinze anos, e corriam boatos que tinha sido militar ou coisa parecida na época da ditadura. - Uns e outros ainda falam que ele “teve” envolvido com alguma coisa séria do governo, disse dona Iracema. Mas nós não “crerdita” muito, não, esse povo gosta de contar história. Agradeceram, e com todos a bordo da perua se encaminharam para o endereço de mais uma testemunha, logo na outra rua do mesmo bairro seguindo as indicações de seu Waldir. As ruas de terra batida dificultavam um pouco a marcha do veículo, e eles também haviam ouvido muitas reclamações sobre como o prefeito Eduardo não fazia nada para melhorar as condições de vida daquela parte pobre da cidade. Realmente, quando chegaram ali, precisaram pedir autorização para investigar o caso, e os funcionários e o próprio prefeito não foram muito prestativos. A única exceção fora o chefe da polícia local, capitão Flávio, que parecia ser a única autoridade na cidade realmente interessada em encontrar uma explicação para os acontecimentos. Passaram mais meia hora entrevistando pessoas no novo endereço, e todos os relatos coincidiam. Algo de muito estranho estava acontecendo, o que era ainda mais respaldado por algumas marcas no solo e folhas queimadas de árvores, que encontraram quando foram investigar a chácara de seu Armando. Este, um pequeno produtor rural, também mostrou-se muito simpático, dando os endereços de diversas outras testemunhas. Estavam nisso, quando viram uma pessoa chegar correndo pela rua, e reconheceram seu Waldir. O homem, esbaforido, disse quase gritando: - É o Zé da Pinga! Ele apareceu! Mais tarde, estavam no hospital da cidade, pequeno mas felizmente com capacidade de fazer um atendimento de boa qualidade. Zé havia aparecido com as roupas ainda mais esfarrapadas que de costume, e com um profundo ferimento na cabeça. Disse que havia caído depois que a “casa redonda” levantara vôo... - Será que o senhor poderia repetir para nós o que se passou, perguntou Célia com todo carinho. O médico que dava alguns pontos no corte balançou a cabeça em sinal de desaprovação, mas permaneceu calado. O homem voltou a contar sua estranha história. Disse que um grupo de “sacis” chegaram dentro de uma luz, e o convidaram para visitar sua casa. - E eu fiquei espantado, dona, porque a casa dos “bichinhos” era redonda! Tudo era redondo, e muito “alumiado”, mas eu não conseguia ver nenhuma lâmpada... Ele contou que os “sacis” como os chamava, fizeram um tipo de exame médico nele, em uma sala que foi descrita como semelhante a que se encontrava naquele momento. Depois, eles teriam contado muitas histórias para ele, e mostrado algumas imagens “numa espécie de televisão” segundo o Zé. - E o que mostravam essas imagens, Zé, e o que eles contaram para você? Ele olhou para Marcos, que do alto de seus quarenta anos e mais de vinte dedicados a pesquisa ufológica era o líder do grupo, e respondeu: - Olha, “seo” Marcos, eles me mandaram dizer só que logo logo eles e mais uma porção de outras “gentes” do lugar de onde eles vêm vão chegar na Terra, porque “nóis” não “tamo” cuidando bem dela, e vão nos ensinar muitas coisas. Os dois ufólogos se olharam, e até o médico havia parado para acompanhar as palavras, que soavam fantásticas e até loucas demais, mas eram ao mesmo tempo fascinantes. Zé ainda disse: - Eles me contaram mais uma porção de coisa, mas ainda não posso “contá” elas “proceis”. Só quando eles me chamarem de novo. - E quando vai ser isso, Zé, perguntou Célia. Ele olhou para a moça, que tinha vinte e cinco anos, e respondeu: - Logo, logo, dona... Deixaram-no descansando um pouco na enfermaria, e saíram. No corredor, o prefeito e o capitão da polícia aguardavam. - Gostaria de mais uma vez pedir aos senhores que terminem logo com isso! Não queremos que essas histórias se espalhem, e atrapalhem o aniversário da cidade. Aquela parecia a única preocupação de Eduardo. Mostrava-se muito ansioso. Marcos respondeu: - Temos algo estranho acontecendo, prefeito, e gostaríamos de continuar investigando. - Vão dizer que acreditam nessa bobagem? Por favor, o homem é um pobre-diabo, vive bêbado pelos cantos! - Mas ninguém o viu pelos últimos dois dias, prefeito, respondeu Célia. Todas as pessoas que entrevistamos disseram que Zé nunca sumiu por tanto tempo. Eduardo parecia muito contrariado. Ficou com a cara ainda mais fechada quando Flávio disse que muitas pessoas estavam assustadas, e portanto era sua obrigação tentar desvendar aquele mistério: - E, para isso, se pudermos contar com ajuda especializada melhor, não concorda, prefeito? Ele não parecia nada feliz, resmungou algo incompreensível, cumprimentou todos com um leve aceno de cabeça e retirou-se dali. Na saída, quase trombou com dois repórteres do único jornal local, que também ajudavam nas investigações. A moça, Maria, cumprimentou os presentes e o chefe de polícia que também saiu, e dirigiu-se aos ufólogos: - É, vocês conseguiram incomodar o prefeito. - Maria, por que ele está assim, perguntou Marcos. Afinal, são poucas pessoas que acreditam sequer que esses fenômenos estejam acontecendo. O outro repórter, Gustavo, chamou todos para um canto, e disse que a festa significava muito para o prefeito. O mesmo era de uma família de muita influência por toda a região, e se a mesma fosse um sucesso, poderia ser usada como propaganda eleitoral: - Logo vai haver eleições, e Eduardo quer se candidatar a deputado estadual. Além de tudo, correm boatos que muita coisa nessa festa foi superfaturada. Não temos provas, mas empresas de familiares e amigos do prefeito estão entre os fornecedores... Intrigas políticas, mais um complicador para uma situação já bem complicada! Eles trocaram mais impressões sobre o que parecia estar acontecendo, e já se dispunham a ir embora, quando o mesmo médico veio correndo, com uma radiografia nas mãos. Sua expressão dava mostras de profunda confusão. - Estava examinando novamente as radiografias que tiramos do Zé, e acabei encontrando isso. Nunca vi nada igual! Apontou diretamente para um estranho objeto na chapa, logo acima do osso da fronte do crânio do Zé. Todos puderam ver um estranho objeto alongado, de formato cilíndrico, alojado do lado oposto ao ferimento que acabara de ser tratado. Não havia qualquer sinal de um orifício de entrada. Os repórteres ficaram boquiabertos, enquanto os ufólogos se entreolharam pela enésima vez. O caso ficava mais interessante a cada nova pista encontrada. Enquanto os outros ficavam no hospital, Renato, Kássia e Leonardo resolveram ir assistir a uma das missas de padre Reginaldo. Mal entraram na pequena igreja e sentaram-se em três lugares vazios, e as cabeças que haviam se virado para trás para observá-los já se voltavam para frente, e um “zunzunzum” de conversas paralelas começou a ser ouvido. O padre interrompeu o sermão por alguns instantes com expressão contrariada, e logo voltou a falar, com muito mais veemência que antes: - E finalmente, aqueles entre vocês com idéias imorais, que se questionam sobre a Criação do Senhor, e até almejam acrescentar “coisas” a Sua Divina Obra, estejam avisados: nas Sagradas Escrituras está, há muito tempo, o relato do que irá acontecer ao Final dos Tempos! Está escrito que nos céus aparecerão prodígios, mas que são na verdade maquinações do Mal para dominar os fracos de espírito, para cobrir e denegrir a obra de Deus na Terra! Aqueles dentre vocês que derem ouvidos aos que espalham essas histórias de falsos prodígios padecerão na danação eterna, assim está escrito!
Continua abaixo
Escrito por Escritor às 13h52
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ZÉ DA PINGA
Continuação
Longe de se intimidarem com as ameaçadoras palavras do padre, aquilo divertiu os ufólogos. Renato, que gravava tudo com sua câmera digital, mal conseguia evitar de dar gargalhadas. Os outros insistiam aos cochichos para que se contivesse. Finalmente, depois da comunhão e dos ritos finais, a igreja ficou vazia, e os três foram falar com padre Reginaldo. - O que querem aqui? Esta é a Casa de Deus! Leonardo, o mais diplomático dos três, pediu desculpas, mas assegurou que não estavam ali para incomodar ninguém: - Desculpe, padre, não é nossa intenção trazer algo negativo para ninguém nesta cidade. Queremos apenas juntar provas, entender os fatos desses acontecimentos... - Não há nada para entender, cortou o padre rispidamente. O diabo pode se manifestar de muitas formas, como deveriam saber se estudaram a Bíblia Sagrada. Kássia, que trazia um crucifixo pendurado em uma correntinha, perguntou: - Mas padre, a mesma Bíblia não nos ensina as palavras de Jesus, que não devemos julgar para não sermos julgados, e devemos amar o próximo como Ele nos amou? O padre resmungou qualquer coisa, e ela ainda disse: - Pelo que sei, a Bíblia não cita nada sobre os dinossauros, mas já encontramos seus ossos e outros vestígios, e portanto sabemos que os mesmos existiram. O senhor nega isso? - E acho que se lembra há alguns anos, quando a NASA, a agência espacial americana, anunciou a descoberta de bactérias fossilizadas em um meteorito marciano, acrescentou Renato com todo entusiasmo. Vai negar isso também, padre? Os extraterrestres não existem só porque a Bíblia não os cita nominalmente? Renato já ia falar dos sumérios, que nos legaram um relato do Dilúvio milhares de anos mais antigo que o das Escrituras, quando Kássia gentilmente o cutucou. Leonardo prosseguiu: - Desculpe nosso amigo, padre. Aliás, nem é nosso trabalho convencer o senhor, nem qualquer pessoa, de nosso ponto de vista. Queremos apenas analisar os fatos. E ouvir todas as opiniões, foi para isso que viemos ouvir o que tem a dizer. - Já sabem o que penso de tudo isso. Agora vão! Com isso, estava encerrada mais aquela entrevista. O padre ainda lançou um olhar mal humorado para Kássia, que usava calças compridas, e retirou-se. Já haviam reparado que apenas as mulheres mais jovens da cidade vestiam-se daquela forma, e sabiam que uma razão para aquilo era exatamente os sermões de padre Reginaldo, que não admitia “pouca-vergonha” por parte de nenhum de seus fiéis, nem desvios do que chamava de caminho da virtude. Depois de enfrentarem outros olhares hostis e ameaçadores por parte de beatas e outros devotos que os esperavam fora da igreja, entraram na perua e foram ao encontro dos amigos. Estavam no começo da noite no pequeno hotel da cidade conversando e verificando os dados que haviam coletado: - Esta cidade parece parada no tempo, reclamou Renato. - Nosso amigo é sempre muito radical, mas agora estou com ele, disse Kássia. Imagine, as mulheres e senhoras ficam me encarando e olhando feio só por causa de como me visto! Sentiu isso também, Célia? - Acho que é isso que faz uma viagem dessas valer a pena, respondeu ela. Conhecer outras pessoas, outros lugares. O Brasil é tão grande, e é difícil imaginar que em nosso próprio país ainda exista gente que vive assim, não é? Marcos, estava no quarto comunicando-se com colegas por e-mail. Haviam levado o Zé do hospital para um lugar que o mesmo chamava de casa, um barraco nos fundos da casa de um vizinho do seu Waldir. Lá, tiveram a chance de examinar o único documento que ele possuía, uma identidade já muito desgastada pelo tempo. Era isso que Marcos usava em sua pesquisa. Subitamente, desceu as escadas correndo, e veio a seu encontro. Disse, quase sem fôlego: - Vocês não vão acreditar no que encontrei sobre nosso amigo Zé da Pinga! Rapidamente enfiou um disquete no laptop de Renato, e abriu o documento. Todos puderam ver a cópia de uma identidade militar datada dos anos setenta. Ali constava o nome verdadeiro de Zé da Pinga: - José Amaro de Freitas, chegou a patente de tenente na Força Aérea, serviu a maior parte da carreira no Pará, e deu baixa em 1988. Esse nome nos diz algo? Leonardo estava sem entender nada. Porém Renato, dono de uma memória prodigiosa para fatos ufológicos, logo pareceu ter um tipo de “iluminação”. Digitou mais rápido do que os colegas podiam ver algum comando no teclado, e logo outro documento luziu na tela: - O na época sargento José Amaro de Freitas foi um dos participantes de um projeto da Aeronáutica no sul do Pará que investigou ovnis no final de 1977, e que ficou conhecido como Operação Prato! Todos conheciam o caso. O comandante da Operação dera uma entrevista há poucos anos, detalhando tudo que havia acontecido na época. Infelizmente, mais dados sobre a mesma nunca foram revelados, nem mesmo a grande quantidade de filmes e fotos que os militares haviam obtido, e que deviam continuar ocultos nos arquivos da Aeronáutica. - Meu Deus, estão achando que José veio para cá... para fugir de algo com que tiveram contato naquela época? A pergunta de Célia tinha razão de ser. Entre os relatos que haviam colhido, alguns diziam que Freitas, ou Zé da Pinga, chegara a ter numa ocasião meia dúzia de seguidores, e iniciaram uma espécie de culto extraterrestre. Logo, porém, todos sumiram menos Zé que, abandonado, passou a beber e vagar pela periferia da cidade. - Gente, esse caso está ficando cada vez melhor! Por incrível que possa parecer foi Marcos, o mais ponderado do grupo, que disse isso cheio de entusiasmo. Decidiram que deviam voltar a encontrar Zé o mais depressa possível. No dia seguinte, forma procurar o Zé, mas não o encontraram em casa nem em lugar nenhum. Seu Waldir não sabia o que fora feito dele, até que uma outra vizinha disse que três jipes haviam chegado no meio da noite: - Saiu um monte de gente armada e com roupas do exército, parece, e levaram o Zé. Pareciam muito bravos com ele... Procuraram pela cidade, e finalmente chegaram a delegacia. De fato, três veículos com o tradicional verde, e com inscrições da força aérea, estavam estacionados defronte a mesma. Dois soldados montavam guarda na entrada, e não permitiram que entrassem. Suas reclamações e protestos deveriam ter sido ouvidos lá dentro, pois logo o capitão Flávio saiu, acompanhado por um homem em uniforme militar, que parecia oficial. Entretanto, tal como os soldados de guarda, o mesmo não trazia qualquer insígnia ou identificação na roupa. Foi Flávio que disse: - Lamento, mas tenho ordens de cooperar com o pessoal da FAB nesse caso. Devo pedir que se retirem daqui. O outro não dizia nada, apenas os observava com um misto de indiferença e aborrecimento. Marcos respondeu: - Capitão, o senhor é a única autoridade nesta cidade que mostrou um pouco de ética e respeito, tanto por nós quanto pelas pessoas que têm testemunhado esse fenômeno. Vai nos abandonar agora? Gritos, de repente, foram ouvidos vindos de dentro da delegacia. Kássia e Renato, indignados, responderam quase gritando: - Estão batendo nele? Estão maltratando o Zé? Mas o que ele fez? - Vou ter que pedir novamente que saiam, por favor, do contrário os prenderei por desacato. Flávio falou isso com firmeza, mas percebia-se em seu tom de voz que no íntimo a situação lhe repugnava. Sem alternativa, o grupo entrou na perua e afastou-se dali. Logo cruzaram com o carro do jornal que vinha em sentido contrário, e os repórteres fizeram sinal que os seguissem. Chegando a sede do mesmo, todos entraram, e Maria foi logo dizendo: - Aquele safado! Foi Eduardo quem chamou os militares! Parece que tem algum conhecido ou parente oficial. Gustavo ainda acrescentou: - Quando descobrimos que prenderam o Zé, já era tarde demais. Dá uma raiva não poder fazer nada! Eles pareciam hesitar em dizer algo que estavam guardando. Finalmente, Maria acrescentou: - De manhã, logo depois de voltarmos da delegacia onde também não nos deixaram entrar, havia um envelope enfiado por baixo da porta. Vejam só... Dentro do envelope, havia uma série de documentos, listas de compras, valores e números de telefone, tudo com carimbo da prefeitura. Todos puderam ver que aquilo era a prova que o prefeito havia beneficiado empresas de amigos e parentes na preparação da festa de emancipação da cidade, e em obras superfaturadas feitas para a ocasião. O anônimo autor da denúncia havia trabalhado direito. - Quase direito demais, será que ele mesmo teria participado da negociata, perguntou Gustavo. - O que vão fazer com isso, disse Leonardo. Marcos teve uma idéia. Conhecia muita gente da imprensa em Campinas e cidades vizinhas. Logo cópias dos documentos eram enviadas via faz e e-mail para as redações de diversos jornais da região. O explosivo material seria publicado no dia seguinte. - Com isso, pegamos o prefeito, disse Renato. Mas o que podemos fazer pelo Zé? Maria disse que só havia uma pessoa a quem recorrer: - Padre Reginaldo. Esperem, eu sei que ele não é muito de ficar do nosso lado, mas também sei que quando o próprio prefeito e alguns vereadores foram colhidos por denúncias que nosso jornal fez, ele ficou do nosso lado. Deve ser a pessoa mais respeitada da cidade, até o prefeito não se atreve a ignorá-lo! Claro que Reginaldo não concordou com eles a princípio. Relutou muito em usar sua influência para ajudar o Zé, e ponderou, com o que a maioria do grupo concordou, que os militares dificilmente o ouviriam. Finalmente o convenceram, e o padre disse que mais tarde, quando fechasse a igreja, iria a delegacia e tentaria fazer algo. Todos ficaram na expectativa, e duplas foram escaladas para alternadamente vigiar a casa onde a mesma funcionava, a fim de evitar que os militares fugissem com o Zé. Renato e Célia faziam sua ronda cuidadosa por volta das nove da noite. As ruas, como era habitual, estavam quase vazias, rotina de cidade pequena. Caminhavam nas proximidades da delegacia, quando a moça apontou para o céu: - Olha! Tem um ponto de luz lá no alto que está se movendo! Renato percebeu, e apontou a câmera. O ponto de luz foi crescendo, até que deixaram de vê-lo depois de mergulhar atrás da delegacia. O lado da rua em que a mesma se encontrava era formado por uma série de terrenos baldios, e contornava um morro. Era por trás do mesmo que a estranha luz tinha sumido. Resolveram se separar e ir investigar. Renato seguiu pela outra travessa que também contornava o morro, enquanto Célia voltava pela direção em que tinham vindo. Por isso, nenhum dos dois percebeu padre Reginaldo caminhando na direção da delegacia. O padre vinha apoiando-se em seu inseparável guarda-chuva, maldizendo-se por haver concordado com os repórteres e ufólogos. Afinal, os mesmos pareciam sempre estar correndo atrás de confusão. Mas, apesar disso, não concordava em absoluto que alguém fosse preso de forma arbitrária, mesmo que fosse um mendigo como o Zé da Pinga. Resolveu que seria muito duro com Flávio e os militares. Estava quase chegando, quando percebeu um foco de luz intenso vindo de dentro da delegacia. Aquilo definitivamente era fora do normal, e o padre ficou alerta, aproximando-se devagar. Estava a ponto de ficar adiante da porta, quando viu uma sombra que parecia sair da mesma: - Alô, disse suando frio. Quem está aí? Nenhuma resposta. Resolutamente, depois de segurar a grande cruz que trazia ao peito, avançou mais três passos e ficou diante da porta. Arregalou os olhos e ficou boquiaberto com o que viu, certificando-se em décimos de segundo que levaria aquela imagem consigo para o túmulo.
Continua abaixo
Escrito por Escritor às 13h48
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ZÉ DA PINGA
Continuação
Flávio, seus auxiliares e os militares estavam caídos ao chão, parecendo mortos. No centro da sala, havia algo, ou alguém... padre Reginaldo não sabia descrevê-lo. Aquilo deveria ter um metro e vinte de altura, uma cabeça grande em relação ao corpo, e o que pareciam dois grandes olhos negros. Foi tudo que o padre conseguiu distinguir diante da forte luminosidade que inundava o ambiente. Ficou ali, paralisado, sem conseguir esboçar qualquer reação. O ser virou-se para ele, e a seguir para outra porta, de onde saiu, cambaleando, o Zé da Pinga. O mesmo passou pelo padre depois de lançar-lhe um rápido olhar, seu rosto muito machucado pelas agressões de que havia sido vítima. Cruzou o umbral da porta e afastou-se pela rua. Renato e Célia vieram correndo, um de cada lado, depois de avistarem um brilho estranho sobre a delegacia. Renato sentiu um calafrio ao ver um vulto cambaleando pela rua, e arrepiou-se novamente ao reconhecer o Zé, todo machucado e sangrando. Perguntou-lhe como havia saído, sem obter resposta. Quando ouviu o grito de Célia, pediu que ele ficasse ali, e correu os pouco mais de cinquenta metros de volta a delegacia. Célia estava ajudando padre Reginaldo, que estava caído, apoiado na parede da casa. O homem parecia abobado, não falava coisa com coisa. Lá dentro, os militares continuavam caídos, mas Flávio já tentava se levantar, enquanto perguntava, gaguejando: - O..., o q-que... acont... aconteceu? Logo Marcos chegava com Kássia para render os companheiros, e ambos se mostravam espantados com o que havia acontecido. Finalmente, o padre disse: - Eu vi... eu vi... - O que o senhor viu, padre? Renato repetiu a pergunta em tom febril, mas Reginaldo só falava isso. Finalmente, o jovem ufólogo lembrou-se do Zé, levantou-se e olhou na direção em que o havia deixado, mas: - Cadê ele? Cadê o Zé? Eu o deixei bem ali! Estava todo machucado, esses canalhas devem tê-lo espancado horas a fio! Resolveram sair para procurá-lo. Marcos levou Flávio e Kássia no carro, enquanto o resto seguiu a pé. Mais de meia hora depois, este último grupo encontrou o mendigo caminhando a esmo, perto de um bosque. Célia gritou: - Zé, espere! Queremos ajudá-lo! Ele se voltou, e todos se arrepiaram novamente ao ver seus ferimentos. Apesar de ainda estarem amparando o padre, apressaram o passo. Zé estava a ponto de entrar no bosque, quando avistaram os faróis do carro se aproximando. Renato gritou novamente: - Zé, espere, podemos ajudar, vamos proteger você! Nisso todos ficaram ofuscados por um brilho intenso que subitamente saiu do bosque. Renato virou-se assustado, enquanto que, protegendo os olhos, Célia e padre Reginaldo viram um cone de luz cair sobre Zé. Ele olhou novamente para o grupo, e todos se espantaram, pois seu rosto estava limpo, sem um arranhão! - Como, como é possível? Padre Reginaldo olhava sem acreditar. Renato, recuperado do clarão, apontou a filmadora. O cone de luz que envolvia o Zé desapareceu, e ele mergulhou no bosque. Marcos passou a toda por eles, tentando alcançar o mendigo. Subitamente, as luzes do carro se apagaram, e o motor do mesmo deixou de funcionar. Parou bem antes de chegar ao bosque. Célia e Renato deixaram padre Reginaldo, que fora acometido por uma crise de tremedeira, e saíram correndo. Os ocupantes do carro também abriram as portas e tentaram alcançar o bosque, mas um novo clarão, emergindo por entre as árvores, fez com que todos parassem. Um objeto, de mais de dez metros de diâmetro e intensamente iluminado, começou a se elevar. Aquela única massa luminosa subiu rapidamente até ficar com um tamanho semelhante a lua cheia, quando disparou para o céu com uma velocidade extraordinária. Tornou-se um pontinho de luz, e desapareceu em instantes sem deixar vestígios. Voltaram na manhã seguinte bem cedo. Todos ficaram estarrecidos, mesmo padre Reginaldo, ao encontrar um grande círculo de grama revirada e em alguns pontos queimada, na clareira bem no centro do bosque. O círculo tinha um diâmetro de pouco mais de dez metros. Dentro do mesmo, quatro impressões redondas, obviamente resultantes de um grande peso. A terra dentro das mesmas estava bem compactada, confirmando aquela observação. Leonardo apressou-se a recolher amostras de toda a área, ajudado pela irmã, Kássia. Os moradores das redondezas foram unânimes em confirmar as observações do grupo. Estavam todos muito assustados, e recorriam ao folclore ou a crenças religiosas para explicar o que ocorrera. Os militares, depois de aparecerem no local pela manhã e rapidamente darem uma olhada fugaz em tudo, foram embora. Suas identidades e a unidade a que pertenciam não puderam ser determinadas. Subindo nas árvores que rodeavam a clareira, encontraram diversas folhas queimadas, e também recolheram amostras para análise. O contador geiger que trouxeram, contudo, não acusou presença de radioatividade. Padre Reginaldo, depois de passar boa parte da noite trocando idéias com Renato, e diante das evidências, fez um sermão muito diferente naquela manhã. Disse que a obra de Deus não pode ser nunca diminuída por nossas limitadas percepções, e que, segundo a velha sabedoria popular, “há muito mais coisas no céu e na terra do que sonha nossa vã filosofia”. Todo o grupo de ufólogos fez questão de assistir a missa, e retribuíram com alegria o sorriso de padre Reginaldo. Haviam conquistado um importante aliado, o que já compensava a viagem e toda aquela confusão. Os jornais de toda a região publicaram a documentação, comprovando as falcatruas do prefeito Eduardo. Dias depois, souberam que a câmara de vereadores, em tempo recorde, o havia afastado, e um processo criminal para que devolvesse os recursos de que havia indevidamente se apropriado fora instalado na comarca municipal. A identidade da pessoa que enviou a documentação não foi conhecida por algum tempo. Semanas depois, Maria lhes enviara uma edição do jornal, em que Flávio explicava as razões de seu pedido de demissão. Segundo o ex-chefe de polícia, “tinha que acertar contas com o passado, pagar por coisas das quais sabia, mas que não fiz nada para impedir”. Foi convocado como a principal testemunha de acusação contra o prefeito, mas a oposição já reclama da demora no processo, e não concorda que o mesmo seja conduzido por um juiz que é primo do ex-prefeito. Apesar de terem prolongado sua permanência em Salto do Avanhandava por mais dois dias, e buscado em todos os lugares possíveis, não havia sido encontrado qualquer sinal do Zé da Pinga, ou José Amaro de Freitas, antigo tenente da FAB, e que quando era sargento, por volta de 1977, teve contato com “algo” inexplicável no sul do Pará. Nunca mais ninguém da cidade viu ou ouviu falar nele, e muitos são os que agora sentem muitas saudades desse personagem. Outros, ao contrário, o consideram apenas uma lenda, “o mendigo que foi raptado por um disco voador”. A opinião de Renato, contudo, que escreveu o artigo que foi um dos destaques de capa da principal publicação brasileira do gênero dois meses depois, era bem diferente. O texto terminava assim: “Apesar deste caso continuar sob investigação, não sabemos se algum dia realmente teremos alguma notícia de Freitas, ou como era conhecido, Zé da Pinga. Ele teve contato com algo muito além de nossas pobres concepções, na Amazônia do final dos anos setenta. Talvez não estivesse preparado para tanto, pois os relatórios a que tivemos acesso dão conta que ele simplesmente sumiu logo após a Operação Prato ser desativada. Apesar de procurado, só foi encontrado pelos militares, aparentemente, quando da ocorrência dos fatos descritos neste artigo. Seu paradeiro permanece ignorado. Quanto ao que dizia, sobre a chegada “deles”, só o que nos resta é aguardar... Contudo, e se os leitores me permitem especular um pouco, talvez aqueles que o contataram em 1977 perceberam seu erro, perceberam o que o contato fez com o Zé, e finalmente vieram procurá-lo. Acreditamos que, vendo a forma como ele foi tratado por seus semelhantes, tenham concluído que levá-lo com eles fosse a melhor alternativa. Assim, é possível que Zé da Pinga seja, afinal, o primeiro embaixador da Terra em algum mundo distante. Fazemos votos, então, que fale de nós, de seu mundo, com a mesma tolerância, respeito e benevolência que muitos lhe negaram”.
Contato: escritorcomr@uol.com.br .
Escrito por Escritor às 13h46
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Monstros, alienígenas, liberdade
Hoje decidi atualizar o blog com múltiplos assuntos. Infelizmente, o primeiro não traz qualquer alegria, muito pelo contrário. O Exército brasileiro apresentou um modelo em tamanho real, na feira de defesa Laad 2009 (Latin America & Defense), do futuro carro blindado sobre rodas destinado a substituir o veterano Urutu EE-11. O veículo, identificado pela sigla VBTP (podem procurar por aí, aqui não será postada qualquer imagem deste), já foi chamado de Urutu 3, e será produzido pela Iveco, subsidiária da Fiat. Nada contra, claro, as Forças Armadas atualizarem sua tecnologia, especialmente devido a certos lunáticos que governam países instáveis com os quais o Brasil faz fronteiras. Mas o que causa muita, muita raiva, é que essa nova Estratégia de Dfesa Nacional está sendo implementada pelas mesmas pessoas que se encarregaram de sucatear a indústria bélica nacional. Um certo subdesenvolvido, enquanto candidato a presidente nas eleições de 1989, nos áureos tempos de pujança da indústria brasileira, afirmou categoricamente que era contra a exportação de nossas armas, "apenas" nosso maior produto de exportação na época. Isso e mais o discurso raivoso de quem iria rasgar contratos no primeiro dia de governo, fez com que novos contratos não fossem, obviamente, assinados. E um contrato com o qual a indústria nacional contava era o da Engesa, fabricante dos famosos blindados Cascavel, Urutu e Jararaca, além do jipe Engesa-4 que ainda é muito conhecido entre o pessoal que faz trilha, com a Arábia Saudita. O produto, que venceu uma concorrência para equipar o Exército daquele país, era o EE-T1 Osório, primeiro grande projeto de veículo principal de combate da empresa. E ele venceu a concorrência diante de modelos de primeiro mundo, como o americano Abrams e modelos da Inglaterra, França e Alemanha. Entretanto, o Brasil vivia o apagar das luzes de um dos governos mais populistas, incompetentes e imbecis de nossa triste história, com a ameaça de que um infinitamente pior a ele se sucedesse. Felizmente não foi o caso, mas todo o processo demorou o suficiente para que estourasse a primeira Guerra do Golfo. Naturalmente, a Arábia Saudita recebeu uma leva de tanques americanos, e nós ficamos chupando o dedo. Três anos depois, a Engesa estava falida. E o que o atual (des) governo faz? Encomenda material, frequentemente sucateado, lá de fora. Vejam o caso dos tanques alemães Leopard 1, que foram projetados nos anos 1960! Enquanto temos ainda coisa muito melhor, produzida aqui mesmo. E quem dá as cartas hoje, no executivo e legislativo? Os mesmos energúmenos que causaram a falência da maior indústria bélica que o Brasil já teve, exportadora e que dava emprego a milhares de trabalhadores, em diversas unidades espalhadas por todo o Brasil! Se não fossem esses paspalhos, poderíamos ainda hoje ter um produto altamente competitivo. Ah, e sim, é este Escritor que vos escreve que está na direção desse magnífico Osório. Uma pessoa ligada a mim era trabalhador da Engesa, um dos muitos que foi para o olho da rua devido a incompetência de certos subdesenvolvidos. E que agora anunciam pomposamente um novo plano de defesa, um castelo de cartas que irá desabar quando sua conveniência política passar, como tudo que é feito neste "país do futuro". Mas tudo bem, passemos a assuntos mais construtivos, e peço perdão pelo desabafo. Vi em certa banca de jornais o excelente número de março da revista Flying Magazine, cuja capa é essa abaixo: Na excelente matéria, a jornalista Lane Wallace conta como foi voar com uma lenda da aviação mundial, o Lockheed U-2. Esse extraordinário avião, que voou pela primeira vez em 1955, ainda hoje está servindo a Força Aérea dos Estados Unidos, e apenas agora suas capacidades foram igualadas pelos modernos aviões não tripulados. O U-2 voa a mais de 22.000 m, literalmente na beirada do espaço. Mas não confiem em mim, leiam a matéria, disponível na íntegra no site da revista: Realmente sensacional! Lane se pergunta, em certo trecho, o que faz um piloto, que pode voar os mais modernos caças, a ser voluntário para um dos aviões mais críticos, difíceis e desconfortáveis de voar, como é o U-2. A reportagem deixa claro o porquê. Assisti finalmente Monstros vs. Alienígenas, mais nova animação da Dreamworks. Simplesmente sensacional! Hilária, muito divertida, e repleta de citações a outros universos da boa e velha Ficção Científica, bela homenagem ao gênero. O único porém é que apenas uma sala, em toda São Paulo, tem uma cópia legendada. Tudo bem que é animação, e nossa dublagem em filmes costuma ser excelente, mas os exibidores bem que poderiam disponibilizar mais cópias no som original. Mas a burrice de certas empresas de mídia nem de longe tira o brilho do filme, que vale demais a pena ser conferido! E finalmente, por incrível que pareça ainda existem aqueles seres de mente fechada, que se auto-intitulam "céticos" mas que na verdade são fanáticos da não-crença, que não aceitam qualquer hipótese de discutir a Ufologia. Pois bem, mas agora essa matéria "não séria", segundo eles, faz parte do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas.  Lembram os subdesenvolvidos de que falamos acima? Pois é, são os mesmos que fazem juras de liberdade, democracia e transparência, mas que seguidamente atacam esses valores fundamentais de qualquer sociedade civilizada. E é contra isso, e pelo direito ao livre acesso a informações governamentais, que a Comissão Brasileira de Ufólogos, CBU, tem capitaneado desde 2004 a campanha UFOs, Liberdade de Informação Já. E agora o reconhecimento, pois nós ufólogos fomos convidados a fazer parte dessa iniciativa, ao lado de entidades tais como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Associação Nacional de Jornais (ANJ), Contas Abertas, Transparência Brasil, e várias outras. Confiram em: É, Ufologia não é nada séria mesmo, e nem devem ser todas essas entidades aí listadas, não é mesmo? Bom, por enquanto é isso. Ah, pequeno momento marchand, está disponível nos links aí ao lado tais como da Livraria Cultura e da Martins Fontes, além da Tarja Livros, meu livro, De Roswell a Varginha, falou? Então, até a próxima!
Escrito por Escritor às 18h15
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Páscoa e Ficção Científica
É isso mesmo, caros leitores! Estranharam? Acham que nos referimos a um feroz Coelhinho da Páscoa cibernético, futurista e com grande poder de fogo? Nada disso! Vejam bem, se quer dar um presente de Páscoa, que tal fazer acompanhar aquele grande e delicioso ovo de chocolate com o fino da cultura? No caso, do fabuloso gênero fantástico? 
Corra lá na Tarja Livros, e garanta já seu exemplar. Naturalmente gostaria de recomendar meu livro, De Roswell a Varginha, mas garanto que as demais obras são também especiais, como a maioria da literatura fantástica brasileira atual. Então, Feliz Páscoa! Contato: escritorcomr@uol.com.br .
Escrito por Escritor às 14h26
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Um monte de pequenas coisas
Olá, pessoal! Foi uma grata satisfação voltar a aparecer entre os blogs mais lidos do UOL. Obrigado a todos, e espero que continuem visitando e comentando. O pessoal dO Farol me pediu para avisar algumas coisas, já que andam atarefados com uma investigação a respeito da reunião do G20 lá em Londres. Primeiro, estão cientes que certos depoimentos que seriam prestados ao Congresso Nacional dia primeiro de abril foram adiados por uma semana. Vai ver essa data específica daria margem a certas piadinhas (que por outro lado, seriam merecidas...), especialmente quando o depoente, aquele delegado lá, dissesse que não sabia de nada, que foi tudo boato da imprensa, etc... Quanto a reunião do G20, o pessoal dO Farol me contou que sabem muito bem porque o presidente Barack Obama disse "é o cara", apontando para o presidente brasileiro. Eles não entraram muito em detalhes, mas vocês sabem como eles são, sempre a caça de conspirações, especialmente as relacionadas a temática dos ovnis. Aparentemente houve encontros de bastidores de que a grande imprensa não ficou sabendo, em que foi tratada a questão de liberação de documentos. Podem conferir desde outubro passado, a Inglaterra liberou (deu até na Globonews e no Jornal Nacional), a França publica todos os informes na Internet há tempos, a Itália os seguiu, a Dinamarca, e também o Canadá. No Brasil, a liberação segue em conta-gotas, lamentavelmente. O pessoal dO Farol promete revelações bombásticas para breve! Agora é sério mesmo, em Brasília rolou nos últimos dias o Seminário Internacional Sobre Direito de Acesso a Informações Públicas. É verdade que, como resultado da campanha Liberdade de Informação Já, da revista UFO, alguns documentos do governo já foram liberados para o Arquivo Nacional, mas falta muita coisa ainda. A Ufo 152, que está nas bancas, traz uma matéria relatando os últimos acontecimentos. E existem informações de que o presidente Obama está sob pressão de igualmente abrir os arquivos dos Estados Unidos. Uma pessoa de seu governo muito interessada no tema é a secretária de estado, Hillary Clinton. Amanhã acontece na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Pompéia uma mesa-redonda sobre literatura fantástica. Todas as informações minha colega Cristina Lasaitis publicou em seu blog, o link está aí ao lado, falou? Ainda o Dia do Fã edição 2009! Quem for estes dias na Estação Ciência pode apanhar seu exemplar do jornal interno O Telescópio, edição 24, com o artigo Ficção Científica... Ficção?, assinado por mim e minha amigona Silvia. E não costumo colocar aqui fotos de mim mesmo, mas vou abrir duas exceções. Uma, da mesa-redonda de Star Wars e Star Trek, que foi absolutamente sensacional. E duas, eu e a simpaticíssima jornalista da Rede Globo Zelda Mello, que foi cobrir o evento. De São Paulo para o Brasil, e o mundo que nos aguarde... E finalmente, nesta sexta circula a edição do jornal Folha de Londrina que traz uma matéria assinada pelo jornalista Francismar Lemes, realizada a partir de uma entrevista que ele fez comigo. Quem quiser conferir e não puder adquirir um exemplar em Londrina, pode clicar em: Falamos de meu livro, De Roswell a Varginha (vocês vão clicar ao lado nos links das lojas de sua escolha, e adquirir um ou mais exemplares, né?), de Ufologia e Ficção Científica em geral. Segue uma palhinha: "ETs invadem o Brasil O autor de ficção cientítica Renato Azevedo discute dois casos famosos sobre Ufos em um história de investigação e romance
O dia em que faremos contato com os extraterrestres não demora mais que algumas páginas na literatura de ficção científica de Renato Azevedo. Coeditor do site Aumanack, colaborador também da Revista Ufo, o paulistano lança o livro ''De Roswell a Varginha'' (Tarja Editorial), o primeiro de uma série inspirada em relatos sobre objetos voadores não-identificados.  A plataforma de lançamento dos leitores ao universo dos ETs na obra de Azevedo tem dois casos envoltos em mistérios e controvérsias. Um deles é o Roswell, no Novo México (EUA), em 1947, quando, supostamente, um grupo do exército americano teria tomado posse dos destroços de um disco voador.
A história ganha o cenário brasileiro com um dos personagens, Reynolds, especialista de inteligência militar, que teria ajudado a encobrir os fatos nos EUA e, anos depois, viveu no Brasil.
Ele é um dos nós que amarram as duas pontas da narrativa que tem no outro extremo o Caso de Varginha, um conjunto de acontecimentos ocorridos em 1996 que ganhou o noticiário das principais redes de TV do País.
O thriller tem ainda o envolvimento amoroso entre Roberto Monteiro, um jornalista que escreve sobre ufologia e a agente federal Lígia Barros.
Com uma trama recheada de conspirações e traições, o livro tem combustível para explorar o espaço editorial brasileiro, que verifica um crescimento do público interessado em ficção científica...". É uma grata satisfação ver um trabalho de anos assim reconhecido, mesmo que esse reconhecimento não seja o mais importante, e sim a certeza de estar contribuindo para a popularização de um gênero tão importante, único e especial. Bom, por enquanto é só. Está na hora de fechar a porta do disco voador, e partir para outras viagens, mas logo, logo a gente volta. Até mais!
Escrito por Escritor às 16h37
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O Plantão dO Farol
Edição extra, 31/03/2009
Caros leitores, mais uma vez trazemos até vocês as informações que não deveriam ser divulgadas, comprovando novamente que conhecimento é poder, e logo, na equivocada visão dessa gente, a verdade precisa ser mantida oculta da sociedade!
Neste dia primeiro de abril, o delegado federal que comandou a famigerada Operação Satiagraha, Percival Quintas, deverá comparecer perante o Congresso Nacional, a fim de explicar mais uma vez os fatos ligados a sua realização. Sugestiva a data do depoimento, em pleno Primeiro de Abril! Nós dO Farol estamos altamente céticos quanto a possibilidade de Quintas, conforme havia prometido, revelar tudo que sabe. O motivo mais contundente, claro, proteger os que lhe davam ordens, que vinham a ocupar diversos gabinetes no Palácio do Planalto.
Na verdade, os asseclas do governo que aí está, no intuito de sempre iludir, ofuscar e confundir, deflagraram mais uma verdadeira operação de guerra, a fim de desviar a atenção pública dos mandos e desmandos do verdadeiro desgoverno que se opera no Brasil. A quem interessa o imenso desprestígio em que está novamente incorrendo o Congresso Nacional? A quem interessa, vendo sua popularidade começar a cair como efeito da crise mundial (Que por sinal, não iria passar de uma “marolinha”. Se lembram? O Farol com certeza se lembra!), estabelecer a confusão, com discursos populistas, realizações estupendas que não passam de castelos de cartas, e acima de tudo, criando supostos “inimigos” com os quais irá em seguida fazer negociações clandestinas na calada da noite?
Sim, caros amigos, ouviram direito. Os poderosos de plantão criam “inimigos”, para depois trazê-los bem para perto e se aproveitar deles!
Conforme já alertávamos, em nossa edição extraordinária de 02/12/2008, o partido do governo, e especialmente a esquerda raivosa, retrógrada e inconsequente, sem um candidato viável para as próximas eleições, busca desesperadamente um “salvador da pátria”. Por qual outro motivo o delegado Percival Quintas e o juiz Felipe dos Santos, após seguidas e comprovadas quebras da lei, obtendo provas absolutamente ilegais, têm sido aplaudidos em palestras e outros eventos, patrocinados pela esquerda radical?
O objetivo desta sempre foi transformar o Brasil em um estado policial, caros leitores, estejam certos disso. De que forma um cidadão comprovadamente envolvido em incontáveis falcatruas, como o chamado “banqueiro bandido” Denis Demétrio, pôde escapar com dois habeas corpus? Apenas e tão somente devido a precariedade das provas ilegais obtidas durante a Operação Satiagraha. Provas obtidas a margem da lei, a mesma lei que nos protege a todos. Ou a lei vale para todos, ou não valerá para ninguém.
Em nossa mencionada edição extraordinária anterior, já explicamos o poder de Demétrio, logo não vale a pena voltar ao assunto. O que iremos denunciar é o poder crescente de certa facção dentro da Polícia Federal, comandada por ele mesmo, o juiz Felipe dos Santos. O alvo desta vez foi a Incorporadora Corrêia Camargho. A operação, agora batizada de Castelo de Areia, incorreu nos mesmos abusos da anterior, Satiagraha. Até mesmo os escritórios dos advogados do conglomerado, que de acordo com a lei não podem ser invadidos para preservar o sigilo profissional, foram vasculhados. Por que tanta urgência em “fazer justiça”, até mesmo descumprindo a lei?
O governo, naturalmente, já reclamou da “pirotecnia”, como se não fosse ele próprio o controlador da Polícia Federal! Vejam que interessante, diversos partidos aparecem nas informações como beneficiários de um esquema de doações de campanha supostamente ilegais, como sempre convenientemente “vazadas” para a imprensa, nenhum dos quais da vasta base aliada governamental! E logo após o corajoso senador Vasconcelos haver denunciado seus pares pela triste prática do clientelismo. Coincidência? Os ilustres leitores ainda acreditam em coincidências?
Podemos lembrar de muitos fatores, como sempre esquecidos na rapidez das notícias excessivamente “mastigadas”. A Corrêia Camargho é um imenso conglomerado, que participa da indústria de construção, de calçados, química, e mais dezenas de outros ramos. Os senhores se espantariam se confirmássemos, neste Plantão dO Farol, que essa empresa patrocina pesquisas em certos laboratórios de grandes universidades, de São Paulo e Campinas? Os mesmos laboratórios apontados por certos indícios, ligados a fatos ocorridos ainda em 1996? O Caso Varginha, imaginam vocês? E sim, nós confirmamos! Laboratórios especializados em biologia, genética e nanotecnologia, campos em que o Brasil experimentou um crescimento exponencial desde meados da década passada. Já confirmamos que de fato, não existem coincidências...
A troca de know-how, entre Estados Unidos e Brasil, tem se intensificado e muito nos últimos anos. É fato a presença, poucas semanas após os fatos naquela cidade mineira, do então secretário de estado americano Warren Christopher, e do então administrador da NASA, Daniel Goldin, visitando instalações do incipiente programa espacial brasileiro, ainda em março de 1996.
E outra informação que talvez não saibam. Muitos altos funcionários do governo de Barack Obama, incluindo a própria secretária de estado Hillary Clinton, são muito atentos e preocupados quanto a questão extraterrestre. O presidente já assinou uma determinação para a liberação de documentos antes ultra-secretos, e que perderam sua razão de sê-lo. Mas uma diretiva, tão genial quanto sub-reptícia, foi implementada naquele país desde o governo Richard Nixon, nos anos 1970. Trata-se de repassar a grandes corporações algumas das informações altamente confidenciais, oriundas do estudo de naves alienígenas capturadas, a fim de que estes conhecimentos sejam desenvolvidos, talvez até com aplicações comerciais. E o melhor, tal conhecimento absolutamente extraordinário, que poderia causar uma revolução na sociedade terrestre, ficaria então protegido, debaixo do conceito de patentes e propriedade intelectual...
E vejam só: as fontes dO Farol dizem que a mesma coisa começou a ser feita aqui! Naturalmente, as empresas que participam da iniciativa brasileira não foram informadas de onde vieram aquelas extraordinárias informações. Além do Caso Varginha, temos notícias de experiências realizadas nos anos 80, no Planalto Central, logo antes do famoso caso da Noite Oficial dos Ufos, em 19-20 de maio de 1986. O objeto dessas experiências seria outra nave, possivelmente tendo sido capturada durante a Operação Prato, nos três meses finais de 1977. Temos informações esparsas de que essa nave caiu nas proximidades da rodovia Acará-Moju.
Tudo ia bem, as pesquisas evoluíam, e o que houve? Empossamos um governo de gente que, apesar de todos os brados de transparência e democracia, seguidamente propõe controle sobre os meios de comunicação, festeja a abertura dos arquivos da ditadura, implantada após o golpe de 1964 que está, aliás, completando 45 anos, mas na verdade nada disso disponibiliza para o público. Informação é poder, lembrem-se disso da próxima vez que ouvirem falar sobre a necessidade de um “controle social dos meios de comunicação”. Não estamos aqui divulgando mentiras, o pouco apreço do próprio presidente pela imprensa, pela liberdade de expressão e pelo contraditório é mais do que conhecido.
Eis então o quadro geral, senhores. É confuso, sim. Apenas uma louca história? Ficção misturada a fatos concretos? Ou a mais aterradora verdade?
Controle de informação. Nuvens de fumaça. Confundir para controlar. Nada mais do que isso se trataram as operações Castelo de Areia e Satiagraha. Criar inimigos para culpar por todos os males, os mesmos inimigos com os quais os poderosos de plantão irão se deitar na calada da noite. E se nesse meio tempo ainda der para jogar mais um pouco de culpa nos adversários políticos, além de realizar as conhecidas negociatas e trocas de favores, quanto melhor!
Impressionante, mas a assim auto-intitulada “oposição” ainda não acordou para essa nova realidade. Os agentes do governo, temos que reconhecer, têm sido mestres na manipulação e distorção da verdade. Até mesmo setores da mídia, atentos a cortina de fumaça de fingidas disputas políticas, escândalos artificiais e a pirotecnia de operações com nomes engraçados, não conseguem ver nas entrelinhas, nem muito menos divisar o panorama geral.
Mas nós conseguimos. É por isso que O Farol continuará sua missão, de trazer aos senhores, ilustres leitores, toda a verdade que eles não querem que vocês saibam!
Novamente convidamos a todos para conhecer em detalhes o primeiro volume de nossas missões, sob o título DE ROSWELL A VARGINHA, disponível nos links ao lado direito.
Nota do Escritor com R
E o Dia do Fã edição 2009 continua a ser celebrado! Tivemos notícias de que nossos amigos do Vode An (aquele pessoal legal que veste armaduras que lembram a do conhecido Boba Fett), postaram em fóruns internacionais uma nota a respeito dessa grande festa. Vejam tudo em:
http://mercs.firespray.net/forum/index.php 
Obrigado especialmente a nossa amiga Mary! E enquanto o Dia do Fã edição 2010 não chega, vão se aprontando para a Jedicon, que acontece no segundo semestre, e continuem conferindo as notícias do mundo do entretenimento lá no Aumanack. Não tenham preguiça de clicar no link lá do lado direito, combinado? E antes que me esqueça, obrigado a classe política, e a certos juízes e agentes federais, por sempre proporcionarem tamanha inspiração!
Contato: escritorcomr@uol.com.br .
Escrito por Escritor às 17h43
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