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ESCRITOR COM "R"


AS PEGADAS DO UNA

Terça feira de manhã, tudo calmo na Pousada Gerânios em Peruíbe. O recente Congresso de Ufologia que durou de sexta a domingo havia sido um sucesso, e todos os participantes que ficaram ali já haviam retornado para suas cidades.
Flavia sempre ficava um pouco triste, pois gostava de ver a casa cheia de gente. Mas um pouco de sossego também valia a pena, e ela fora dormir decidida a acordar bem tarde. Mas isso não aconteceu, pois seu sono foi interrompido por volta de 7:30 da manhã pela campainha insistente.
Pensou que estivesse sonhando, mas o som era bem real. Conformada, vestiu uma camisa de flanela que estava jogada na cadeira ao lado da cama e desceu as escadas esforçando-se por terminar de acordar.
Aproximando-se da porta ouviu vozes familiares:
- Você não se meta a besta com a Flavinha, Batista! Nosso tempo aqui é curto!
- Só eu, né, Franco? Pior mesmo é ter idade para ser pai dela e ficar chavecando...
- Vocês dois querem parar? Vamos ver o que nossa amiga tem para mostrar, e depois ir para casa! Não gosto de deixar a central sem ninguém muito tempo.
- Como se não a monitorasse via satélite 24 horas por dia, Leandro!
Flavia abriu a porta depois de ajeitar o melhor que podia os belos cabelos loiros, e sorridente disse para os três amigos de longa data:
- Mas queridos, o Congresso de Ufologia já acabou! Será que estão tão ocupados desvendando tantas conspirações que se esqueceram?
Enquanto distribuía beijos e abraços para os três, e os convidava para entrar, Flavia acrescentou:
- Fiquei triste porque não vieram ficar aqui comigo!
Batista passou o braço pelos ombros da gerente da pousada, dizendo ante o olhar furioso de Franco:
- Fla, querida, tivemos problemas de última hora...
- É, um amigo nosso teve uns problemas, e fomos ver o que podíamos fazer – disse Franco pegando a outra mão de Flavia. – Infelizmente, não muito.
Enquanto a moça fazia o café e buscava um dos bolos que havia deixado na despensa, ouvia as histórias do trio, depois de perguntar:
- Mas então, e o amigo de vocês, porque não puderam fazer nada por ele?
- É complicado, Fla – disse Batista – pois ele foi declarado como maluco e internado em um sanatório de segurança máxima em Minas Gerais.
- Conhecemos esse cara faz tempo – comentou Franco. - Chegava mesmo a ser um pé no saco, nos perseguindo com suas teorias malucas. Via conspirações em tudo, até naqueles bueiros que explodiam no Rio de Janeiro!
- Mas descobrimos que algumas coisas que ele investigou podem ser verdade! – completou Batista.
Os dois literalmente competiam pela atenção de Flavia, coisa que fazia Leandro sorrir. Reparando nisso ao trazer o bolo, e conhecedora da sisudez do hacker negro, Flavia riu e comentou:
- Olha, meninos, não conheço nada desse assunto, mas vendo que Leandro, justo ele, está rindo de vocês... não sei não!
Os dois amigos olharam para Leandro com ar feroz, e ele respondeu com sua habitual expressão de pouco caso. Flavia, já se servindo de café, olhou na tela do laptop do hacker e perguntou, diante das notícias:
- Agora vocês estão acompanhando o caso desse tal de Cachoeira? Já estão preparando a próxima edição dO Farol, imagino. Vai sair também algum artigo sobre esse amigo de vocês?
Antes de responder, os três se serviram de café. Flavia já estava no bolo, e depois do primeiro bocado acrescentou:
- Meninos, O Farol fez um sucesso enorme aqui na pousada durante o Congresso! Na noite de sábado tivemos até um debate se o jornal de vocês tinha a mesma credibilidade da Revista OVNI! O pessoal ficou discutindo as notícias das últimas edições, acho que arrumei mais leitores para vocês.
Franco ia responder, mas Flavia ainda disse:
- Quando eu comentei que conhecia as pessoas que o publicam, então...
- Flavia, ficou doida!? – perguntou Leandro. – Já falamos com você para nunca mencionar nossos nomes, e...
O hacker olhou para os demais, e ficou claro que haviam percebido que Flavia estava brincando. A moça riu também, dizendo:
- Claro que eu não ia dizer, né!? Que amiga acha que sou?
Todos acabaram rindo, e depois de mais xícaras de café e pedaços de bolo, se acomodaram no sofá e nas poltronas da sala de entrada, e foi Batista que começou o assunto que os havia trazido até ali:
- Então, Fla, mas não foi só sobre O Farol que vocês comentaram sábado passado, não é mesmo? Da última vez que estivemos aqui, pesquisando os fenômenos estranhos de Peruíbe, vocês nos ajudou muito, e agora parece que viu algumas coisas esquisitas no mês passado, de acordo com o e-mail que mandou?
Flavia assentiu, e foi pegar seu próprio laptop. Abriu um arquivo, e foi mostrando uma a uma as fotos que havia tirado. Os Faroleiros imediatamente se interessaram, pois eram mesmo muito estranhas.
A moça ia mostrando as fotos na tela do computador uma a uma enquanto explicava. Em algumas das fotos aparecia o pé de Flavia dentro de uma pegada ao menos um terço maior que o dela, e como ela salientou também era bem funda.



- Como se fosse alguém muito pesado – completou Flavia. – E parecia um pé calçado, não havia sinal de dedos nem nada.
As outras eram ainda mais esquisitas. Eram pés pequenos, similares aos de uma criança de sete ou oito anos, mas separados por ao menos um metro e meio, que era o tamanho da passada.
- Um sujeito bem alto e provavelmente bem magro – disse Franco – e com pernas bem longas.
- Exatamente o que pensei! – concordou Flavia.



- E isso foi há um mês, Fla? – perguntou Leandro.
O hacker quase nunca a chamava assim, o que fez a moça sorrir e responder:
- Que bom que me chamou de Fla, querido! – disse rindo. – Sim, umas hóspedes queriam conhecer a Barra do Una, e lá fomos nós. Foi onde tirei as fotos. Aqui no fundo desta outra imagem podem ver o Rio Una, que demarca a Juréia. Cruzá-lo é proibido, só com autorização do Ibama.
- A Juréia é conhecida por suas lendas e fenômenos estranhos – disse Batista. – Fizemos algumas pesquisas lá, mas já faz bastante tempo.
Como os três estavam muito interessados, e inclusive logo arrumaram uma pen drive para copiar as fotos, Flavia perguntou se não gostariam de conhecer a região. Os Faroleiros concordaram, e ela pediu alguns minutos para tomar banho e se arrumar.
Minutos depois Flavia descia as escadas, vestindo bermuda, camiseta e uma blusa larga e esvoaçante por cima. Trazia ainda um chapéu e bolsa, e assim que trancou a Pousada entraram no carro do trio.
Era uma Kombi das antigas, ainda com o pára-brisa dianteiro dividido em dois vidros, e Flavia notou que tinha menos janelas que o habitual. Perguntou:
- Meninos, que Kombi diferente é esta?
O furgão tinha somente duas janelas em cada lateral, incluindo as das portas. Da metade para trás era fechado com somente pequenas aberturas de ventilação. Franco, que dirigia, foi explicando todo orgulhoso:
- Fla, esta é uma Kombi Camburão fabricada em 1973. Foi muito usada na repressão durante o período da ditadura militar. A parte de trás era fechada, e a terceira porta da lateral direita revelava uma porta interna com grade.
- Ou seja – intrometeu-se Batista – era uma cela móvel.
A Kombi tinha uma elegante pintura estilo saia e blusa, azul até a parte inferior dos vidros e branco na parte de cima. Por dentro era toda transformada, os assentos dianteiros eram altos e individuais, não havia a separação metálica atrás destes, e havia mais dois assentos individuais na metade dianteira do veículo. Na parte de trás, fechada somente por uma tela plástica de correr, os Faroleiros haviam instalado uma central de informática com computadores e equipamentos de vigilância.
- E uma pequena despensa com geladeira, além de banheiro químico, claro – completou Batista. – Nunca sabemos quanto tempo poder durar uma vigília ou vigilância, não é mesmo?
Flavia, sentada no assento dianteiro direito ao lado de Franco, riu enquanto ia indicando o caminho. Na parte de trás, Leandro não parava de mexer nos computadores, enquanto Franco ia explicando mais detalhes do veículo:
- O motor continua refrigerado a ar, mas agora é 1.6 com dois carburadores de 40 mm, colocamos rodas e pneus maiores e freio a disco. E temos ar condicionado inclusive!
- Um luxo só, hein, meninos? – riu Flavia.
O mais velho dos Faroleiros ainda explicou que no painel, ao lado dos simples instrumentos originais e restaurados da perua, havia no centro uma tela digital com mais informações como giro do motor e temperatura, e uma segunda tela onde eram exibidas as informações do GPS.
A Kombi andava muito bem, e logo eles subiam pela estreita estrada que levava ao Guaraú, uma das localidades mais conhecidas de Peruíbe. Batista se lembrou de uma coisa, e assim que viu o que procurava no paredão de pedra a direita deles, disse:
- Cuidado com o trânsito, Franco, e encosta aqui a esquerda!
Leandro ameaçou protestar, mas Flavinha olhou a direita e viu o que chamara a atenção de Batista:
- O Portal da Serpente, lógico! Vocês vão gostar, meninos!
- Como se já não o conhecêssemos – resmungou Leandro.
Os quatro desceram e ficaram diante do incomum desenho no rochedo. O Portal da Serpente era uma das atrações de Peruíbe, e corriam muitas lendas a respeito. Dizia-se que em determinadas noites era possível ver luzes estranhas e mesmo seres não humanos surgindo diante dele, além de alguns relatarem que bastava bater com a mão na rocha para constatar que era oca.
- E não é que é oca mesmo!? – exclamou Batista, impressionado. Era sua primeira vez visitando o local.
- Pode ter uma área oca bem onde está batendo, e dai? – perguntou Leandro, que de qualquer forma fotografava o grupo diante do rochedo. Eu e Franco já tínhamos constatado que o resto do Portal não é nada oco.
Por curiosidade, o hacker a seguir apanhou uma bússola simples que sempre trazia no bolso, e a aproximou do Portal. Os demais acompanhavam suas ações, e se admiraram quando Leandro exibiu uma expressão de surpresa. Ele disse que precisava ver uma coisa, e voltou para a Kombi, enquanto Flavia e os rapazes continuavam observando o Portal.
Eles logo perceberam que o motor da Kombi havia sido ligado, e Leandro a manobrou para estacionar bem diante da formação rochosa. Ligou o pisca-alerta e fez pouco dos demais veículos que passavam buzinando, enquanto falava com os demais pela janela:
- O detector MAD está sinalizando uma emanação eletromagnética vinda do Portal! É incrível!
Enquanto Batista entrava na Kombi para verificar, Franco explicou a Flavia que o MAD era a sigla em inglês de Detector de Anomalias Magnéticas. Aparelhos do tipo foram muito utilizados em aeronaves na Segunda Guerra Mundial pelos aliados a fim de localizar os submarinos nazistas no Atlântico. A seguir o mais velho dos Faroleiros disse a moça que a antena do aparelho havia sido colocada no teto da Kombi, na parte da frente da capota onde antes existia uma sirene.
Os demais logo se acomodaram e eles seguiram em direção ao Una, enquanto Leandro explicava que o campo magnético diretamente adiante do Portal da Serpente tinha uma intensidade um pouco superior ao campo normal da Terra.
- Será que as lendas locais são verdadeiras, e o Portal da Serpente é mesmo um portal?

Continua abaixo...



Escrito por Escritor às 17h48
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AS PEGADAS DO UNA

Continuação...

Menos de duas horas depois eles chegavam a Barra do Una. Evidentemente, um mês depois de Flavia haver visto as pegadas, não havia mais nada. Mas Leandro levou um detector magnético portátil, ao mesmo tempo em que Batista usava um Contador Geiger. A moça procurou se orientar, e finalmente apontou os locais na praia onde havia visto e fotografado as pegadas.
- O que mais pode contar, Fla? – perguntou Batista.
- Lembro que as pegadas pequenas com passadas longas vinham do mar, e seguiam em direção a mata – disse Flavia. – Já as outras, as pegadas fundas, iam na direção do mar, mas as duas terminavam de repente! Parecia que quem as fez simplesmente sumiu no ar!
Os Faroleiros confirmaram que havia leituras, a de radiação estava um pouco acima do normal mas sem ser perigosa, e o campo magnético variava segundo a mesma intensidade e frequência detectada no Portal da Serpente.
- O que aconteceu aqui? – perguntou Leandro.

O portal funcionou, e ele conseguiu cruzar.
Aquele mundo era estranho, mais estranho do que jamais poderia imaginar, e definitivamente mais do que as sondagens haviam revelado.
O traje, adaptado no formato esquisito dos nativos, era pesado e desconfortável. Para conseguir cruzar o abismo entre as realidades, foi necessário que o invólucro acondicionasse uma pequena porção de seu próprio espaço-tempo.
Saiu voando, observando as estranhas formações daquele mundo, e alguns dos nativos que andavam lá embaixo, seja por si mesmos ou com veículos primitivos. Decidiu pousar nas proximidades, em uma faixa de material granulado onde os suportes do traje afundaram bastante.
A própria consistência da camada fluida que envolvia aquele mundo era estranha, e ele definitivamente não estava disposto a se arriscar no fluido mais grosso e viscoso que observava a pouca distância.
Subitamente, de dentro desse fluido, saiu um pesadelo ambulante. Muito fino e alto, dando longas passadas com seus suportes corporais finos em sua direção. O ser indescritível parou diante dele, e em sua mente o visitante ouviu:
- Tenho certeza que você, como eu, não é natural deste mundo. Creio, aliás, que nem sequer nasceu neste universo, estou certo?
Ele se assustou. Era impensável que em sua primeira viagem conseguisse comunicação com um nativo daquela realidade. Perguntou:
- Como consegue se comunicar comigo?
- Um velho truque que minha raça possui. Somos experientes em fazer contato com outras culturas. O que o traz aqui?
- Pesquisa. Faço parte de uma equipe científica, e fui escolhido para fazer um primeiro reconhecimento. Não esperava me comunicar com ninguém.
- Imagino que tenha utilizado o portal da pedra...
- Se está se referindo a passagem acondicionada no material sólido, sim.



- Muito bem. Se suas intenções forem de exploração pacífica, podem continuar a visitar este mundo. Mas esteja alerta que os nativos ainda estão muito atrasados, e alguns deles podem se assustar muito. Também podem ser muito perigosos.
O visitante agradeceu, ao mesmo tempo em que um alarme começou a soar. A energia residual de seu próprio espaço-tempo, e que alimentava o traje, estava escasseando.
- Creio que é o momento de voltar para casa – disse o outro. – Faça uma boa viagem, e fiquem em paz.
Ele agradeceu, e acionou os comandos. Saiu voando, e desapareceu assim que voltou a cruzar o Portal da Serpente.
Astar concentrou-se, e sua forma cinza e longilínea, própria para explorar o oceano, voltou a transformar-se no ser pequeno e marrom, de olhos vermelhos e três calombos na cabeça. Ele acentuou a concentração, e no mesmo instante estava diante do Portal.
Sentira que as intenções daquele ser interdimensional eram verdadeiras. Por isso não se preocupou em fechar a passagem. Satisfeito, teleportou-se novamente para um determinado lugar na Juréia, pois como sempre tinha muito a fazer.

Flavia havia se trocado na Kombi, vestido um biquini e mergulhado no mar para aproveitar a brecha de Sol no dia nublado. Agora, sentada sobre uma toalha na praia, observava os rapazes.
- E aí, será que vale a pena entrevistar os moradores locais? – perguntou Batista.
- Segundo o que Flavia contou, as pegadas devem ter sido feitas de madrugada – comentou Franco. – É improvável que alguém tenha visto algo.
- Mas os dados são mesmo insteressantes – disse Leandro. – Sempre podemos retornar para fazer mais pesquisas. A Juréia é uma região que sempre me interessou, e vocês vão concordar que o Falcão recolheu dados interessantes em nossa última vigília aqui.
Falcão era um aeromodelo dotado de câmeras fotográficas e uma série de sensores que eles frequentemente levavam em suas investigações. Acomodado em um compartimento que era acoplado ao teto da Kombi, era montado e lançado em poucos minutos, e na visita anterior dos Faroleiros, captara estranhas leituras de energia em maio as matas da Juréia. Infelizmente, eles ainda não haviam obtido licença do Ibama para investigar a região a fundo.
- Então, meninos? – perguntou Flavia deitada de bruços na toalha. – Não vão aproveitar o mar?
- Não viemos preparados, Fla – comentou Batista sem graça, tentando não deter o  olhar muito tempo na bela visão da moça de biquini.
Conformada, Flavia levantou-se, agitou a toalha, e ao lado deles caminhou até a Kombi. Assim que entrou voltou a pôr a cabeça para fora, perguntando em tom de quem estava brava:
- Vocês não têm nenhuma câmera escondida nessa coisa, né?



Franco, gaguejando, garantiu que não. Os demais riram, e a loira sorriu e fechou a porta, terminando de se vestir em instantes.
Novamente com todos acomodados eles retornaram a Peruíbe. Passava de uma da tarde, e Fla sugeriu:
- Meninos, estão com fome? Tem um restaurante ótimo aqui no Guaraú.
Os Faroleiros concordaram, e foram todos almoçar. Enquanto comiam e conversavam animadamente sobre a aventura, não repararam em um rapaz de longos cabelos loiros, de camisa branca e calça jeans, que passou distraidamente diante do restaurante.
Astar sorriu diante de mais essa oportunidade em que ficava próximo dos Faroleiros. “Um dia, amigos, um dia”, pensou, e desapareceu em uma esquina.



Gostaram? Os Faroleiros e outros personagens estão em meus livros De Roswell a Varginha (Tarja Editorial), e Filhas das Estrelas (Estronho), e os links para comprá-los estão disponíveis neste blog. Apóie a literatura fantástica nacional!
Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 17h44
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LÁZARUS

Um mundo vampiresco como você nunca viu

Eu e Georgette Silen, a autora de Lázarus, ficamos amigos quando ela estava organizando a antologia da Editora Literata, UFO: Contos Não Identificados. Ela acabou me convidando para participar, e o resultado foi excelente, com todos os autores envolvidos criando contos muito bem construídos e interessantes, dentro do tradicional tema ufológico tão caro a nossa Ficção Científica Brasileira.



Na época ela já havia publicado Lázarus, pela editora Novo Século, uma narrativa de vampiros que demorei um pouco até adquirir (autografado, claro, hehehe), na magnífica Jedicon 2010 a que ambos comparecemos. E ainda demorei um pouco a começar a lê-lo, pois convenhamos, o subgênero vampiresco tomou de assalto nossa Literatura Fantástica, e as vezes enjoa um pouco pela imensa e quase onipresente quantidade de livros.

Mas finalmente comecei a ler, e não consegui parar mais! É verdade que a história da museóloga brasileira Laura Vargas, viúva e com uma filha de 16 anos, Cínthia, demora-se um pouco nas minúcias de sua trajetória, a decisão de mudar-se para Bristol e trabalhar no museu daquela cidade, todos os detalhes de tão complicado evento... mas realmente é nos detalhes descritos por Georgette que vamos nos apaixonando pela riqueza da narrativa.

Tudo começa a ficar mais interessante quando sabemos da onda de misteriosos assassinatos ocorrendo na cidade, e quando a própria Laura, em uma festa do museu, vê dois olhos vermelhos na distância, seu primeiro “contato imediato” com um mundo surpreendente...

Antes que me perguntem (ô, fama!), não, tais olhos vermelhos não são de alienígenas, hehehe. Além da chefe, Clementine, Laura conhece na referida festa Robert, com quem viverá um romance tão tórrido quanto impossível, já que... bom, o spoiler já está dado no prefácio assinado por Helena Gomes!

Uma coisa que sempre me chamou a atenção e virou clichê no mundo dos vampiros é que os romances normalmente sempre são do vampiro com a humana. Não lembro de uma história de vampira com humano (se bem que temos um no livro, mas não entro aqui em maiores detalhes por óbvias razões). Georgette seguiu esse clichê, mas existem autores que não sabem usar tais construções (né, James Cameron???), e outros que sabem. E Georgette foi de uma rara competência nesse sentido.

O que mais me impressionou em Lázarus veio de como o livro contradisse totalmente uma opinião minha! Sempre tomei os vampiros como criaturas de magia (tenho algumas vampiras de minha autoria, confiram aqui), por isso as vezes estranho o enfoque dado, por exemplo, em produções como Underworld, ou mesmo a ótima animação Batman versus Drácula. Aliás, para mim é esta última que melhor explora a faceta científica do vampiro.

Mas neste caso, essa contradição entre a forma como vejo o vampiro e a história escrita por Georgette foi uma agradável surpresa, e que me fez chegar a uma surpreendente constatação: Lázarus é, afinal, um livro de Ficção Científica! Muito mais que de Fantasia, o que de fato é surpreendente, e ainda lembro que a “pegada” do conto de Georgette em UFO é de Fantasia, mesmo sendo uma história com alienígenas.

Os vampiros de Lázarus são uma espécie a parte, e todo o contexto científico apresentado acaba explicando boa parte das lendas relativas a esses seres. Creio que posso dar um alerta: os vampiros de Georgette, em sua maioria, andam de dia! Mas calma, felizmente não brilham como purpurina, ou seja, são vampiros e não fadinhas, hehehe.

Essa agradável constatação surgiu quando li a descrição do riquíssimo mundo dos vampiros, com suas várias raças, diferenciando os que foram transformados, dos que já nasceram assim, e dos que foram concebidos... Dividimos a surpresa da própria Laura, o que só contribui para aumentar a identificação com os personagens, permeada por altas doses do “sense of wonder” tão perseguido por todos nós, escritores!

Também ficamos sabendo que existe uma Ordem que assinou há séculos um acordo de paz com os vampiros, prevenindo uma sangrenta guerra que custaria incontáveis vidas dos dois lados. Somos apresentados ao clã que existe em Bristol ao qual Laura se incorpora, e ficamos fascinados com a descrição de tipos exóticos em uma certa reunião que acontece periodicamente, entre a Ordem e os vampiros.

O núcleo humano, Cínthia, David, Georgiana, Jean e Ben convive muito bem com os vampiros Carlo, Josh, Morgana e... alguns dos nomes já citados! Outros surgem depois, com os quais imediatamente simpatizamos, como Solomon e Jamal. Tenho uma certa predileção pessoal por personagens antigos e sábios, como Carlo e estes dois últimos, e é importante dizer que a participação de todos é fundamental, com cada um encaixando-se e tendo função essencial na história.

As vezes, tive a impressão de que Georgette conseguiu elaborar um mundo paralelo tão rico e complexo de forma que lembra muito o de O Senhor dos Anéis do Professor J.R.R. Tolkien! Só faltou mesmo línguas específicas para os vampiros. Quem sabe nas sequências?

E nenhuma trama, claro, pode funcionar bem sem um vilão. E o líder supremo da Ordem, Avelar, é com certeza o tipo de vilão que amamos odiar. Frio, dissimulado, e absolutamente enlouquecido pelo poder, desde o princípio se interessa por Laura e esse interesse aumenta ainda mais quando nossa heroína tem o fatídico encontro com o Lázarus. O “dom” de Laura pode muito bem ser a gota que faltava para derramar o conteúdo do balde de traições e maquinações, e que provável e fatalmente levará a guerra.

Enfim, não há muito mais o que possa ser contado sem “spoilar” o livro. É evidente que, com tantas reviravoltas, a vida de Laura será preenchida com muita angústia e decisões dolorosas, especialmente para seu amado Robert. Georgette conseguiu produzir uma história de amor sem nenhuma gota de “melosidade” adolescente, e merece os maiores parabéns por uma trama inspiradora, instigante e emocionante! E sim, as sequências deverão se seguir muito em breve, pois a história de Lázarus está bem longe de terminar!

Fica a vontade de que as sequências sejam logo lançadas, para que saibamos o que será de Laura, Robert e seus amigos. Lázarus não é para corações fracos, e com certeza é um livro obrigatório para o fã de nossa querida Literatura Fantástica. Está mais que recomendado!

Até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br .



Escrito por Escritor às 17h55
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DIA DO FÃ, porque é bom ser nerd!

Hoje "todo mundo" é nerd
Mas não aceite imitações! Nerd que é nerd despreza tudo que é denunciado no post abaixo.
Nerd que é nerd aceita o outro e acolhe as diferenças.
Nerd que é nerd lê livros.
Nerd que é nerd adora ciência.

E como este é um blog nerd acima de tudo, alguns anúncios:

- Mais uma edição do Terrorzine, organizado por Ademir Pascale, está disponível, com o tema Big Foot, ou Pé-Grande, ou Mapinguari, ou algum de seus congêneres.

- Sobre Nibiru, 2012 e o fim do mundo, escrevi um post em meu blog da UFO que vocês acharão bastante esclarecedor. Em minha palestra no Dia do Fã abordarei o tema desses malucos profetas do juízo final.



- Já adquiriram De Roswell a Varginha? E Filhas das Estrelas? Que tal aproveitar e passar no Dia do Fã para pegar meu autógrafo?

E porque somos nerds, estamos sempre preparados!

 

Inclusive para viajar no tempo!


 


E finalmente, nerd que é nerd se encontra no DIA DO FÃ!

Data: 25 de Março de 2012 – Domingo
Horário: 9h00 as 17h00
Local: Estação Ciência Rua Guaicurus, 1394 – Lapa – São Paulo
Telefone: (11) 3673-7022 – fax: (11) 3673-2798
Estação Ciência: http://www.eciencia.usp.br
Como chegar: http://www.eciencia.usp.br/ec/localizacao.html

Ingresso:
O ingresso é apenas aquele cobrado pela estação, R$ 4,00 – R$ 2,00 meia entrada.
 
Ação Social no Dia do Fã: Pedimos que todos levem 1Kg de alimento não perecível. Os alimentos arrecadados serão doados para a ACEDEMSP, instituição que cuida de crianças e jovens excepcionais no bairro de São Miguel Paulista em São Paulo.



PALESTRAS E ATIVIDADES NO AUDITÓRIO
(PROGRAMAÇÃO SUJEITA A ALTERAÇÃO SEM PRÉVIO AVISO)

PATRULHA ESTELAR/YAMATO-EXIBIÇÃO DE EPISÓDIOS 9H ÀS 9:45H

PERRY RHODAN - COMPARAÇÃO ENTRE VÁRIOS OUTROS UNIVERSOS(VÍDEOS) 9:45H ÀS 10:30H

RENATO AZEVEDO -  2012: PROFETAS DO FIM DO MUNDO E APROVEITADORES  10:35H ÀS 11:25H

MESA REDONDA - O FUTURO DA FICÇÃO X O FUTURO DA REALIDADE - F.F.E.S.P. , CJSP, BSG E CONVIDADOS - 11:30H ÀS 12:20H

BATTLESTAR GALACTICA – EXIBIÇÃO DE EPISÓDIO - 12:20H ÀS 13:00H

SILVIA REIS - ASTERÓIDES, COMETAS E ATIVIDADE SOLAR. FIM DO MUNDO EM. 2012? DAS 13:00H ÀS 13:50H

CONSELHO BRANCO SOCIEDADE TOLKIEN – TOCA SP – O HOBBIT DO LIVRO AO FILME DAS 14:00H ÀS 14:50H

JOGOS VORAZES - ATIVIDADE SURPRESA - 14:50H ÀS 15:40H

SORTEIOS DOS FÃ CLUBES - 15:40H ÀS 16:20H

DESFILE DE FANTASIAS - 16:30H

Aguardamos vocês!

Até a próxima!
contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 18h10
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A semana em que nos trataram como idiotas

Bem, quer dizer, existem por aí (especialmente no governo), aqueles que nos tratam como idiotas 24 horas por dia, 365 dias por ano, não é mesmo?

Começou com a tal cena deprimente no programa mais deprimente da TV. Antes de mais nada, estupro é crime e tem que ser severamente punido.
Mas no Big Bosta, perdão, no BBB?
Respondo com outra pergunta: existe alguma coisa de verdade no BBB? Não está tudo no roteiro?

Toda a celeuma começou quando os vídeos disponibilizados no pay-per-view foram parar na Internet, e começaram a se espalhar os boatos de que Monique, inconsciente, fora estuprada por Daniel. A mãe do rapaz  exigiu satisfações da Globo, no canal aberto o sujeito foi tirado do programa sem satisfações ao público, e até o diretor afirmou que a acusação contra o rapaz era "racista". Aliás, houve sim satisfação, um tal de "comportamento inadequado". Ah, beber doses industriais de álcool nas festas do programa e protagonizar cenas constrangedoras, o que todos os participantes fazem, é adequado, então, né?

Enfim, como este blog é para todas as idades, irei poupar os ilustres leitores dos detalhes da investigação que já virou caso de polícia, fartamente explorado, aliás, pelos exploradores da desgraça alheia dos demais canais. Resta evidente que tudo faz parte do plano, claro, pois todos no BBB seguem o roteiro, e para comprovar que tudo seguiu o plano, vejam só:

Expulsão de Daniel faz ibope do BBB disparar 80%. Ou seja, tudo de acordo com o plano, hehehehe.

Mas falando de futilidade, eles se superaram com o caso "menos Luiza, que está no Canadá". Que a Internet é usada e abusada para espalhar porcarias todos sabemos, mas a nulidade passou de todos os limites, com as pessoas literalmente se comportando como gado, seguindo um atrás do outro para espalhar a frase por aí. O que não entendo é por que essa garota (nada contra ela pessoalmente), merece todo esse destaque?

O que ela produziu? Ou criou? Ou fez?

Nada.

E no entando, todos os telejornais falaram da tal Luiza. A Globo, de novo, exagerou, foi SP TV, Jornal Hoje, JOrnal Nacional e Jornal da Globo com a Luiza. Tantos produtores culturais que dão um duro danado e batalham por migalhas no espaço da mídia, e acontece isso, uma celebridade instantãnea surgida do nada por pura futilidade.

E já existe até marketing para se faturar em cima, como mostra o Estadão desta sexta! As cifras são mesmo espantosas!

Realmente não entendo marketing vendendo... nada.

Claro que há esperanças, como o recém criado site Senseaboutscience.org. Destina-se a explicar as barbaridades ditas pelas famigeradas celebridades palpiteiras!

O Senseaboutscience.org publicou um artigo intitulado Celebridades e Ciência 2011, listando os maiores equívocos científicos dos famosos, que frequentemente fazem afirmações sem qualquer cuidado ou conhecimento de causa. Por exemplo, o comentarista político Bill O´Reilly afirmou que não compreende como as marés funcionam. O apresentador Simon Cowell afirma injetar suplementos de vitaminas por via intravenosa, e a participante de reality show Nicole Polizzi disse que o mar é salgado devido ao esperma das baleias.

A iniciativa é mais do que válida, pois lamentavelmente as chamadas celebridades deveriam policiar-se mais e não dar declarações absurdas. Aqui no Brasil até mesmo a Ufologia teve sua cota de palpites infelizes por parte de famosos (extração de óleo negro de abduzidos, e o Ovni da Tiazinha que era o dirigível da Goodyear), e lembramos ainda o constrangedor vídeo de atores protestando contra a controversa usina de Belo Monte. Aliás, atorzinho reduzir a questão energética no Brasil a hora de assistir a novela quebrou o recorde, hein?

Aqui no Brasil, felizmente, começa a reação contra as idiotices das celebridades palpiteitas, como no vídeo Tempestade em Copo D´Água, produzido por gente que entende de números e fatos, e não de fanatismos e dogmas eco-fanáticos.

E para qualquer pessoa minimamente informada, complexos vitamínicos só são eficientes para quem tem severos problemas de saúde, as marés são causadas pela ação da gravidade lunar, e o mar é salgado devido aos milhões e até bilhões de anos da água dos oceanos dissolvendo rochas e minerais nas costas.

Mas felizmente a semana não foi só de baixarias e futilidades. A própria Globo (e não sou um dos que vêem a emissora como a encarnação de todos os males, de jeito nenhum), tem nos brindado com a sensacional minissérie O Brado Retumbante.

Um dos detalhes que me chamaram a atenção foram os caracteres com os nomes de locações "pendurados" e em meio as paisagens, lembrando bastante os de Fringe. E depois, claro, as sutis mas contundentes críticas a classe política! Vejamos algumas cenas:

No primeiro capítulo, quando o presidente Paulo Ventura chega para sua primeira reunião ministerial, vemos nas mesas as plaquetas com os MUITOS ministros presentes, representando suas pastas: Ministério da Economia Informal, Ministério da Criança, Ministério do Adolescente, Ministério da Pesca Fluvial, Ministério da Igualdade Racial (o ministro é branco), Ministério da Diversidade Racial (o ministro é negro). Típico de um governo que leiloa os ministérios para a "base aliada", não é mesmo?

Isso é que é herança maldita!

Lembrando, aliás, que O Brado Retumbante se passa em uma realidade paralela, onde a capital legislativa é Brasília, e a capital administrativa é o Rio de Janeiro, como acontece com alguns países.

O segundo capítulo abre com um vídeo sobre a vida de Paulo Ventura (Domingos Montagner, o Capitão Herculano da sensacional novela Cordel Encantado), que está sendo apresentado a ele como uma peça de propaganda. Ele desliga bruscamente, dizendo que tanta puxação de saco dói, e perguntando onde é melhor gastar o dinheiro público: em educação, saúde e segurança, ou em propaganda?

No terceiro capítulo, em discurso a nação, Paulo apresenta seu projeto da Lei de Responsabilidade Pública, ainda dizendo que as minorias organizadas estão contra ele, mas apelando para a maioria desorganizada fazer pressão a fim de que o projeto seja aprovado. No previsível resultado da votação, o clima muito se assemelhou ao da não aprovação das Diretas Já em 1984, sensacional! E graças ao voto secreto de Suas Excelências, introduzido na votação por manobra da oposição, que coisa! Parece um país nem tão distante...

O poderoso senador que comanda dos porões a República (não sabemos seu estado, mas pode ser o Maranhão...), vivido por Miele, e o ex-ministro preso por falcatruas mas que deu a volta por cima e agora é o presidente da câmara de deputados, vivido por José Wilker, são os grandes vilões. E claro, as tramóias de bastidores as vezes fazem o Sindicato de Arquivo-X parecer um bando de Papais Noéis inocentes...

Soa muito irônico o aviso colocado nos créditos finais: "Esta é uma obra coletiva de ficção baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade".

A série é ótima, a crítica a classe política brasileira bem contundente, com personagens claramente inspirados em políticos bem conhecidos, ou seja, a Globo merece os parabéns pelo serviço que está prestando ao Brasil com essa produção. Pena sermos obrigados a assisti-la tão tarde da noite, após o programa que mostra os rituais exóticos das subcriaturas.

E, para terminar o post, gostaria de sugerir uma visita ao Cranik, site do amigo Ademir Pascale, que publicou uma entrevista comigo. E claro, podem aproveitar os links disponíveis lá e aqui no blog e adquirir meus livros, DE ROSWELL A VARGINHA e o recém lançado FILHAS DAS ESTRELAS.

Até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 16h31
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Começando o ano... com A LISTA!

O ano de 2011 foi de altos e baixos, e devo ficar feliz pela carreira de escritor ter andado mais nos altos que nos baixos.
Um dos motivos de muita satisfação foi publicar novamente um conto dA Lista, na antologia A Fantástica Literatura Queer, Volume Laranja, da Tarja Editorial. Os amigos que leram devem ter se dado conta de que personagens e situações que não participam diretamente da trama de A Lista: Letras da Igualdade, são mencionados. Pois bem, alguns dos contos em que esses personagens aparecem foram publicados aqui no blog, entre os quais:

A LISTA 1;

A LISTA 4;

A LISTA 8.

Enfim, e uma das novidades é que estou trabalhando no livro dA Lista. Torçam para que fique pronto em breve!

Por fim, juro que havia publicado o texto abaixo aqui no blog, mas como não o encontrei, vamos a ele. Na verdade é uma fanfiction dA Lista, de autoria do amigão Alan Uemura, owner do AUMANACK do qual também sou colaborador e sócio. O O link está aí ao lado, não tenham preguiça.
Então, creio que sou dos poucos autores brasileiros que teve o privilégio de receber uma fanfiction baseada em sua obra, valeu, Alan!

Parece ficção
 
Carros correndo pela avenida, todos seguindo a mesma direção. Pessoas aflitas andando no meio dos carros.
O caos generalizado por boatos ou talvez não. Ninguém quer pagar para ver.
Até parece Impacto Profundo, com todos fugindo das cidades em busca de algum lugar mais seguro contra as ondas que irão varrer o planeta.
Ou até mesmo uma Detroit futurista, onde as gangues governam as ruas e a polícia nada pode fazer.
Mas o que nos falta nesta história é um Robocop, que possa vir e limpar as ruas e punir os corruptos.
Muito escutei que deveriam fechar todos os bandidos em lugar, com muros altos, ou até mesmo criar uma "cidade" prisão.
Alguém está lembrado de Fuga de Nova York?
Olhando todo o comércio fechando, crianças voltando mais cedo para a escola, ainda podemos fazer um paralelo com os velhos filmes de western, quando ao meio dia teremos o famoso duelo e o pai corre e pega a criança e o cachorro no meio da rua para não tomar um tiro perdido.
Mas infelizmente nada do que vemos nas ruas de São Paulo hoje é um filme de ficção. O caos tomou conta das ruas. Bandidos e facções criminosas mandam e desmandam em todos.
Nem mesmo a imprensa pode trabalhar. E isto não ficou restrito apenas nesta cidade. A tempestade se alastrou e levou sua fúria para o resto do país.
Portões de prisões caíram. Casas e comércio foram saqueados. O governo federal demorou para colocar o exército nas ruas. Quando 'pensou' em realizar, o país já não pertecia a mais ninguém, ou melhor, pertencia.
Já tinha um novo dono. A guerra entre as facções criminosas alastrou-se pelo país. O povo se revoltou. A ONU demorou e a única solução foi realizar o que alguns imaginaram no começo: um grande muro foi criado.
Nosso Brasil tornou-se uma gigante. A maior prisão nunca construída. Mas a primeira nascida.
Foi isto o que aconteceu a este país. Miséria era o controle de burocratas e políticos. "Brasileiro é assim mesmo... sofre mas sorri no outro dia". "Somos o país do samba". E no final, aqueles que sorriam com nossa desgraça, foram os primeiros a cair. O dinheiro não os salvou da morte e do esquecimento. Assim como nós, que hoje tentamos sobreviver como podemos. Nem queira saber o que isto se tornou.
Um país sem tempo, sem intento. Não temos regras, nem futuro. A tecnologia é para poucos que conseguem a esconder em buracos.
Comida? Nem imagine como conseguimos comer a cada dia. Nem o que comemos a cada dia.
Você nem imagina do que o ser humano é capaz quando está com fome. Somos uma raça hipócrita, que acredita que a horna estará conosco inclusive na nossa desgraça.
A única coisa que sei, é que o mundo também segue pelo mesmo caos. Notícias dizem que o grande gigante caiu pelas mãos de outro gigante.
O mundo que conhecemos não existe mais. Perdemos muito tempo brigando por nossas verdades em vez de nos unirmos pela verdade universal.
E qual é ela? Não sei, nunca parei para pensar nisso ou pensar no que diziam. Agora é tarde e os gritos de agonia informam que tenho que sair.
Abraços a todos da Lista.

Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 14h14
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LANÇAMENTO DE FILHAS DAS ESTRELAS, MEU SEGUNDO LIVRO

E finalmente, encerrando mais um ano, está chegando no próximo sábado, dia 10 de dezembro, o lançamento de meu segundo livro.



Mas antes, um parênteses para falar a respeito do bate-papo que aconteceu no místico dia 11/11/11 na Livraria Cultura do Shopping Bourbon. Clicando aqui vocês podem assistir ao vídeo. E a boa notícia é que a Tarja anunciou que novos volumes da antologia serão realizados, visitem o blog da amiga Cristina Lasaitis para maiores informações.

E mais um parênteses para falar da UFO Especial 60, dedicada ao tema dos ETs no Passado, e na qual está republicado meu primeiro artigo para a UFO, Mapas seculares indicam atuação de ETs no passado, que saiu pela primeira vez na edição 75. O assunto é um dos mais fascinantes da Ufologia, aproveitem.

E agora sim, está chegando Filhas das Estrelas, meu segundo livro, o primeiro de contos, pelo selo Estronho! O prefácio é do amigo Adriano Siqueira, e todas as informações estão abaixo, incluindo imagens, e uma amostra que pode ser baixada como arquivo PDF.

10 de dezembro de 2011 : 4º Encontro das Editoras Tarja e Estronho - Bagunça Literária, em São Paulo - com a presença de vários autores.

Lançamento dos livros Filhas das Estrelas de Renato A. Azevedo, Distúrbio de Valentina Silva Ferreira, Extraneus Vol. 3 - Em Nome de Deus (antologia) e Fragmentos do Inferno (antologia organizada por Rober Pinheiro e Sumaya Sarran) - todos estes da Editora Estronho.

Da Tarja Editorial os lançamentos são: FCdoB (edição de colecionador, panoramas 2006/2007, 2008/2009, 2010/2011) e Noite Sem Fim, de Roberto Campos Pellanda.

Local: Pier 1327 - Rua Joaquim Távora, 1327 - Vila Mariana - São Paulo - SP.
Telefone: (11) 2597-7231. Horário: de 18h30 às 22h.

Filhas das Estrelas, de Renato A. Azevedo, entrevista com o autor no Mundo de Fantas e informações.

Imagens e amostra.

Bom, aguardo todos lá no sábado, para encerrar o ano com chave de ouro, e a melhor Ficção Científica!

Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 11h56
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SE APROXIMAM...

... Dois eventos muito bacanas!

Nesta sexta, 11 de novembro, a partir das 19 horas, acontece na Livraria Cultura do Shopping Bourbon um bate-papo sobre a antologia A Fantástica Literatura Queer. Confiram o convite.

Aproveitando, meu conto no Queer Laranja, "A Lista: Letras da Igualdade", menciona outros contos de minha série A Lista, publicados na revista Scifi News entre 2004 e 2006. Se quiserem conhecer alguns deles, convido-os a clicar aqui e aqui.

Antes do próximo evento, mencionando de passagem o vandalismo de que a Reitoria da USP foi vítima, me revolta saber que os comunistinhas de butique, com suas roupas de grife e carros do ano, usufruem de todas as benesses do capitalismo apenas para cacarejar contra... o capitalismo!
São patéticos, defendendo uma ideologia assassina do século XIX. Esses animais escondem o rosto, agridem a imprensa, agem como terroristas estocando coquetéis molotov e gasolina, e acima de tudo não abrem mão de sua arrogância.
A PM de São Paulo está de parabéns pela ação que desentocou os comunistinhas de butique, e espero que a maioria silenciosa de estudantes DE VERDADE comece a reagir para tirar a USP das patas desses esquerdopatas.
Recomendo alguns textos a respeito, aqui, aqui, aqui, e aqui.

Finalmente, o segundo evento é a Hobbitcon, que acontece em 13 de novembro, domingo, no Bunkyo, na R. São Joaquim 381, Liberdade.

Nós, autores da literatura fantástica brasileira, estaremos lá autografando nossos livros, apareçam!

Contato: escritorcomr@uol.com.br



Escrito por Escritor às 15h53
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HALLOWEEN 2011

Dia das Bruxas! Seres fantásticos, sobrenaturais, tenebrosos e muito divertidos saem à caça! O que pode acontecer se um grupo deles decide se unir?
As lendas se tornam realidade! Aproveitem a noite, e prestem atenção aos ruídos nas sombras, pois quando menos se espera...



Halloween 2011

O Dia das Bruxas está chegando, e para comemorar esta tenebrosa noite, nada melhor que uma história com alguns dos mais frequentes personagens presentes em tramas macabras!

O grupo de adolescentes vinha batendo à porta de todas as casas da rua, gritando o bordão “gostosuras ou travessuras”. Chegaram finalmente àquela casa antiga, com ar de mansão mal-assombrada. Vultos eram visíveis pelas janelas acesas, através das espessas cortinas. O grupo bateu na velha porta de madeira, enquanto lá dentro se ouviam vozes:
- Bob, cacete, se esconde seu zé-ruela! Eles vão reparar nesse seu cabeção se ficar parado na frente da janela!
- Joca, sua finesse intelectual me surpreende... Só falta dizer que vai atender a porta...
- Mio-o-o-lo... – disse uma voz tenebrosa.
A turma deu de ombros, confiante que haviam chegado a uma festa de Halloween, e se animaram diante do que parecia mais um saque bem sucedido. Bateram de novo e repetiram “gostosuras ou travessuras”.
O que houve a seguir foi absolutamente inesperado. Do velho lustre que pendia do pequeno telhado sobre a porta de entrada saiu um cone de luz muito brilhante, e no mesmo instante os adolescentes se viram em outro local. Assustados se agarraram uns aos outros buscando proteção, e começaram a gritar diante das três figuras que os observavam.
Joca, o lobisomem, abriu as imensas mandíbulas e abocanhou o rapaz com fantasia de esqueleto. O alienígena cinza Bob olhou os recém chegados com as mãos nos bolsos da bermuda de surfista e voltou a dirigir-se para a mesa, onde um homem nu estava preso por correias e amordaçado. Já Zé, o zumbi, disse:
- Mio-o-o-lo...
E avançou contra a namorada do jovem fantasiado de esqueleto, começando a devorá-la sem se importar com seus gritos.
Vanda, a bruxa morena vestida com um tubinho preto e botas até o joelho, ergueu o o rapaz fantasiado de zumbi com o poder de sua varinha e o jogou no caldeirão onde uma poção verde-gosma borbulhava. Já a namorada desse infeliz, que usava caninos postiços se fazendo de vampira, foi agarrada por Nicolas, vampiro que nesta noite se vestia de motoqueiro, camiseta branca e calça jeans, além da jaqueta de couro, já mandando um xaveco típico e batido:
- Olá, a menina vem muito aqui? – ao mesmo tempo em que mostrava os dentes.

Denis, o serial killer, observou por um momento os amigos ocupados em seus afazeres, e voltou em seguida a dedicar sua atenção à vítima amarrada com fita adesiva a sua mesa:
- Pois é, caro ex-ministro Horlando Silveira, suas falcatruas e as dos seus pares, que custam bilhões dos impostos que o povo sofrido é obrigado a pagar, com certeza ceifam mais vidas que eu e meus amigos aqui... Veja estas reportagens, mortos nas filas dos hospitais, favelas proliferando na imundície, crianças sem escolas... Quem são os verdadeiros monstros, nós ou os responsáveis por tais calamidades, ou seja, vocês políticos? Eu poderia perguntar o que tem a dizer a respeito, mas este não é um julgamento, e sim uma execução.
Denis observou a comprida e afiada faca, enquanto o amordaçado Horlando lutava contra as amarras, desesperado com o fim chegando. O serial killer perguntou ao gray:
- Ei, Bob, tem certeza que encerrou com este aqui?
O alienígena se aproximou, postando-se junto à ponta da mesa, e tamborilando o crânio do ex-ministro:
- Caro Denis, já estudei o cérebro deste corrupto por tanto tempo quanto minha paciência permitiu, e devo dizer que não pude tirar muitas conclusões. São incompreensíveis os motivos deste indivíduo! Diante de tantos malfeitos, por exemplo, não apenas jurava inocência, como tentava fazer parecer que eles eram, na verdade, virtudes, passos necessários para o bem do povo ao qual servia. Muito peculiar... depois “céticos” como você, Kaijiro, perguntam qual o interesse que nós alienígenas podemos ter em relação a Terra! Este fenômeno é um grande desafio para nós!
Kaijiro Matsuda lutou contra as amarras que o prendiam à mesa, mas estava agora de bruços e com um instrumento peculiar introduzido em um lugar nada confortável. Denis aproveitou para perguntar:
- Bob, em primeiro lugar, os aspas quando disse “cético” pareciam quase visíveis. Não é o caso desse aí?
- Claro que não, meu caro Denis! Nosso amigo Kaijiro Matsuda é líder de uma comunidade cujos membros dizem ser céticos, mas que na verdade não estão minimamente interessados no debate! Querem é desmentir tudo e abafar os fatos, por ego, vingança, futrica ou coisa parecida.
- Aposto que esse frosô não vai mais dizer que você não existe, né, Bob? – perguntou Joca roendo um fêmur.
- Nunca podemos subestimar a estupidez humana, caro licantropo – respondeu Bob. – Mas até por isso não apliquei a meu amigo Matsuda aqui o apagador de memória. Faço questão de que se lembre de tudo!
Kaijiro tentou berrar contra a mordaça, sem sucesso. Zé, ainda lambendo o cérebro da vítima, disse:
- Mio-o-o-lo...
- E em segundo lugar – retomou Denis – qual é a dessa sonda anal? Para que serve?
Bob deu uma risadinha, apoiou o cotovelo na mesa, e a cabeça grande e oval na mão de quatro dedos, respondendo:
- Caro Denis, vou contar um segredo: para nada! Como dizem os terráqueos, é pura sacanagem mesmo, um arremate especial de um processo de abdução para quem merece, certo, Kaijiro? Eu e meus compatriotas tivemos a idéia depois de os terráqueos começarem a criar lendas urbanas a respeito.
O falso cético tentou berrar de novo, sem sucesso. Bob completou:
- Também fiz uma sondagem bem caprichada no Horlando aqui, que pareceu gostar bastante!
Ele e Denis riram, enquanto o ex-ministro se debatia. O serial killer finalmente se posicionou, ergueu a faca, e a enterrou no coração do corrupto. O sangue logo escorreu pela mesa, começando a cair ao chão recoberto por plástico. Vanda, ainda mexendo a mistura no caldeirão, disse:
- Denis, querido, não se esqueça que preciso da cabeça, hein? Esta poção necessita de cérebro fresco de corrupto!
- Mio-o-o-lo – disse Zé.
- Ah, não dá! – reclamou Nicolas. – Garota, para sua informação, se fantasiar de vampira, mas usar uma camiseta do Justin Bieber, não funciona nem neste e nem em nenhum universo! Aí, Zé, tá a fim?
- Mio-o-o-lo – respondeu o zumbi.
- Ah, sobremesa, você fica com o mio-o-o-lo e eu com o resto, Zé – riu Joca.
Zé bateu o crânio da menina no chão como se fosse um coco, e depois sorveu a iguaria que tanto apreciava produzindo uma trilha sonora de muitos “SCHLEPT” e “SLURP”. Joca por sua vez avançou nas tripas, miúdos, e depois palitou os dentes com o antebraço da menina, enquanto perguntava para Nicolas:
- Mas e aí, ô do sanguinho, por que diacho não quis a menina?
- Já disse, cachorrão, vampira fã de Justin Bieber não dá!
- Esse Justin Biba é aquele frosô que a mina da semana passada estava ouvindo?
O vampiro fez um ar de enfado, suspirou e respondeu:
- Esse mesmo. O que passa como música hoje em dia?! Ainda lembro dos show dos Beatles em Liverpool, e do Elvis em Los Angeles. Aquilo era música! E suas fãs eram especialmente suculentas...
- Mio-o-o-lo – disse Zé lambendo os beiços.
Bob, por sua vez, acionou alguns comandos depois que parte de seus instrumentos deixou de funcionar, e apanhou a arma de raios apontando-a para uma criatura de pele escamosa, grandes olhos e garras, e que saiu correndo e rindo, dizendo com voz esganiçada:
- Gizmo, caca!
No instante seguinte o ser explodiu diante da descarga da arma de Bob, que praguejou:
- Malditos Gremlins! Por pouco não desativam a camuflagem de casa mal assombrada de minha nave!
Depois de se acalmar, Bob aciona mais alguns comandos, e uma luz se acende sobre Kaijiro. O “ceticuzinho”, como o alienígena o chama, desaparece, e ele comenta:
- Pronto, devolvido, quero ver o que ele vai escrever em seu fórum da Internet depois dessa!
- O abestado deve ter ficado fulo, hahahaha – riu Joca. – Ei, Bob, e as roupas do cabra ali no canto?
Bob olhou para onde o lobisomem apontou, deu de ombros e respondeu:
- Que coisa, esqueci... depois jogo no reator da nave. Só o teletransportei para uns quatro quarteirões da casa dele, não será problema.

Nicolas ainda estava sentado no sofá todo largado, e Joca sentou-se a seu lado, dizendo:
- Ô, Nicolas, deixa de ser frouxo, homem! Largou uma menina toda gostosinha só porque ela gosta de cantorzinho que significa?
O vampiro cruzou os braços, olhou para Joca, e se manteve com cara de emburrado. Depois finalmente respondeu:
- Lobisomem caipira ninguém merece! Escuta aqui, Joca, nós vampiros temos classe e finesse, não basta ir enfiando os dentes, não! A sedução e o mistério fazem parte de uma boa caçada. São o tempero de uma farta e sangrenta refeição! A vítima, no fundo, tem de querer que suguemos seu sangue, entendeu?
- Pois o sanguinho dela tava bom demais, sô! E o resto também, hehehe – disse o lobisomem soltando um arroto caprichado.
Vanda apanhou a cabeça de Horlando Silveira, mas Denis fez questão de abri-la para a bruxa. Com um golpe certeiro o cérebro ficou exposto, e a bela morena o apanhou, comentando com uma expressão de asco:
- Eca, não é o primeiro cérebro humano, ou quase, que uso em uma poção, mas isto não deveria cheirar assim!
- Mio-o-o-lo – disse Zé, fazendo cara de criança a quem é negado um presente, quando a bruxa jogou o cérebro no caldeirão.
- Pois é, até nisso os corruptos se mostram diferentes, não é mesmo? – disse Denis abraçando a bruxa por trás. Nicolas, que se revezava com o serial killer na preferência dela, não tentou disfarçar o ciúme.
Vanda beijou a bochecha de Denis e fez com que ele a largasse, continuando a mexer a poção com um comprido bastão. Disse:
- Mas retomando o que vocês conversavam, verdade, meninos, a decadência dos humanos é algo espantoso! Vejam só nosso próprio caso, criaturas sobrenaturais e alienígenas, ninguém mais tem medo da gente! Viramos motivo de diversão, personagens da literatura, lendas urbanas, teorias da conspiração...
- O que está querendo dizer? – perguntou Bob.
- Quero dizer, cabeçudinho – respondeu a bruxa – que me assusto com isso. É verdade! Vejam o caso deste pulha, Horlando Silveira, por exemplo. Como Denis bem colocou, indiretamente ele e seus comparsas, e também colegas da política, mataram muito mais gente que nós. Bem mais!
- E aí, boniteza? – quis saber Joca.

CONTINUA ABAIXO



Escrito por Escritor às 20h51
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HALLOWEEN 2011

CONTINUAÇÃO

A bruxa largou o bastão, fechou o caldeirão e tirou as luvas, examinando a roupa para ver se não havia respingado. Depois dirigiu-se à poltrona vermelha, cujo revestimento de couro era artisticamente costurado em grandes gomos, os saltos altos das botas produzindo um agradável som a cada passo. Sentou-se, dando uma cruzada de pernas digna de Sharon Stone, e fez pose como se fosse a rainha daquele clube. Olhou para os amigos e finalmente respondeu:
- O que quero dizer é que tudo, absolutamente tudo que os humanos fazem, tem se tornado a cada dia menos inspirado, menos vibrante, e cada vez mais sem imaginação, medíocre mesmo! Minha amiga, Magali...
- Você sabe que a Magali é doida, né? – disse Nicolas. – Para quê uma bruxa precisaria de uma coleção de bolas de cristal, e outro tanto de baralhos de tarot? Essa mania de prever o futuro... Ela não tem se saído melhor que aqueles malucos, profetas do juízo final que ganharam o Ignobel esse ano!
Vanda o fulminou com um olhar penetrante, cruzou os dedos onde reluziam as unhas pintadas de esmalte vermelho berrante, e disse:
- Nicolas, meu vampirão gostosão, a questão não são as  previsões de Magali, mas o pano de fundo delas. Todos esses sinais, a mediocridade reinante, e nem preciso lembrar-lhes da classe política deste país, com quem nosso amado Denis faz um trabalho brilhante... – o serial killer sorriu para ela nesse momento – Quero dizer que tenho consultado minhas fontes, e algo parece estar mesmo se aproximando!
- Abestagem, fofa – disse Joca.
- Besteira! – discordou Nicolas.
- Não tenho opinião formada, e de qualquer jeito, matéria prima para fazer meu trabalho certamente nunca irá faltar – disse Denis alisando a faca.
- Mio-o-o-lo – concordou Zé.
- É claro que, entre os humanos – comentou Nicolas – existem monstros muito piores do que nós. Sempre existiram, e o mundo até hoje não acabou por isso. Veja o caso de Denis, por exemplo. Claro que ele presta um serviço público, mas seus atos não seriam aceitos pela lei humana. Sem ofensas, meu caro!
- Sem problema, amigo – disse Denis sorrindo, terminando de guardar suas mortíferas ferramentas.
- Pois é o que penso – reagiu Vanda. – Provavelmente até nós teremos com o que nos preocupar em 2012.
- Minha cara, não se preocupe. Não há nenhuma invasão alienígena programada para 2012, asseguro.
Vanda cruzou os braços, olhou para o gray e perguntou:
- E quem aqui falou de invasão alienígena, Bob? O que quer dizer com isso?
Com expressão de menino sendo pego fazendo alguma travessura, Bob olhou para Vanda, depois para os amigos, e finalmente voltou-se para sua tela holográfica, desconversando:
- Então... parece que a ronda dos aborrecentes caçadores de doces terminou.
- Eu soube que ia rolar um concurso de cosplay na praça aqui perto – comentou Denis.
- Poderíamos ir lá – animou-se Vanda.
- Ah, sim, ninguém iria reparar em nós – ironizou Nicolas.
- Pois seu abestalhado, não iam mesmo! – respondeu Joca.
- Isso é lógico, com todos fantasiados, poderíamos nos misturar à multidão sem problemas – comentou Bob.
– Viu? Até o Spock aí concorda! Tá a fim, sua boniteza?
O lobisomem ofereceu o braço para a bruxa, que aceitou depois de vestir um sobretudo, e ambos saíram em direção a porta. Zé foi atrás:
- Mio-o-o-lo...
Denis, Nicolas e Bob olharam um para a cara do outro, e decidiram acompanhar o resto do grupo. Saíram para a noite, enquanto passavam por eles crianças barulhentas com os pais, adolescentes com as mais variadas fantasias, e pessoas normalmente vestidas que só queriam ver o movimento.

- Fantasia legal, moço! – disse para Bob um menino que passou correndo. O garoto cutucou os amigos que acompanhava, e todos olharam para o alienígena sorrindo, levantando polegares em aprovação.
- Já esses dois – disse um dos moleques, apontando para Nicolas e Joca – que fantasias fraquinhas...
- A bruxa está gostosa, olha só – aprovou um terceiro.
Vanda, satisfeita, ajeitou os seios dentro do vestido muito justo, arrumando a gola do sobretudo que deixava o decote bem a mostra. Com o casaco fechado somente até a cintura, suas esculturais pernas calçadas nas longas botas sobressaíam enquanto andava. Depois de acompanhar Joca para fora ficou um pouco com Nicolas, e já estava de braço dado com Denis, que apenas sorria.
- E você, moço? – quis saber o menino que elogiara a “fantasia” de Bob.
- Ah, eu estou de serial killer, sabe, eles se parecem com pessoas normais.
- Tá bom – o garoto deu de ombros e correu para junto dos amigos. Deu uma olhada em Zé, que se arrastava atrás do grupo, mas não pareceu gostar do zumbi, que dizia:
- Mio-o-o-lo...
- Crianças de hoje em dia, não apreciam a classe, tudo tem que ser o mais espalhafatoso possível! – reclamou Nicolas.
- Esses moleques estão muito folgados, deveria dar é um corretivo nessas pestes! – revoltou-se Joca. O lobisomem ergueu as orelhas, e instantes depois disse:
- Acho que é lá na frente...

Os monstros chegaram a uma grande concentração de pessoas na praça. Um palco havia sido montado, e quem estava fantasiado ali subia para fazer algum tipo de apresentação.
- Pelo visto o concurso de cosplay já começou – disse Denis.
- Os pretensos vampiros presentes são uma ofensa à minha venerável raça – reclamou Joca.
- Se eu cruzar com um lobisomem frufru descamisado, o cabra vai lamentar o dia em que nasceu  - prometeu Joca.
- Que pena, nenhum alienígena, temo que assim eu acabe chamando muita atenção...
Os temores de Bob se mostraram verdadeiros quando os mesmos garotos se aproximaram correndo e o puxaram, praticamente o obrigando a subir ao palco. O gray não teve escolha a não ser ficar ali, enquanto muitos aplaudiam pedindo que fizesse uma apresentação.
Vanda e Denis ficaram preocupados, mas Joca uivando, e Nicolas aplaudindo, incentivaram o visitante a prosseguir. Zé, por sua vez, observava com expressão confusa os fantasiados de zumbis, dizendo:
- Mio-o-o-lo...
Bob, vencido pela insistência, finalmente disse:
- Caros terráqueos, é um prazer estar entre vocês nesta tenebrosa noite de Halloween. Preparem-se para ser abduzidos!
Ele apanhou sua arma de apagar mentes, apontando para a platéia que aplaudia entusiasmada, alguns gritando “já ganhou”. No último instante Bob decidiu não usar o instrumento, guardou-o e deu um pequeno aceno como despedida.
- Não tem medo de que os terráqueos ameacem sua missão? – perguntou Vanda quando o gray voltou para perto deles.
- Nem um pouco, minha cara. Como sabe é muito fácil para mim ler as mentes terráqueas, e todos acreditam que sou mesmo alguém fantasiado. Gravei todas as informações com meu dispositivo de vigilância, e elas talvez se revelem úteis – encerrou, apontando para o medalhão também de surfista que pendia de seu pescoço.
Uma garota vestida de bruxa subiu ao palco e, fazendo às vezes de apresentadora, anunciou o último grupo da noite. Um trio de jovens surgiu, uma garota em roupas normais de adolescente, um rapaz musculoso de calça jeans e sem camisa, e um outro jovem com maquiagem pesada que clareava bastante sua pele. A menina começou:
- Oh, Jacobi, eu gosto de você como amigo, mas amo o Edwaird!
O moço sem camisa agarrou o braço dela dizendo:
- Ele é um vampiro, e vai machucar você!
O outro garoto empurrou o primeiro, dizendo:
- Você não pode interferir no que existe entre mim e Bellah, lobisomem!
Nicolas e Joca se entreolharam, abriram caminho entre a platéia e subiram ao palco. A apresentadora protestou:
- Ei, o que estão fazendo? O concurso é somente para quem estiver com fantasias caprichadas!
- Ah, mesmo? – Nicolas cruzou os braços e ficou encarando a menina.
- Não gosta da gente, é guria? – perguntou Joca.
- Ei, é nossa vez aqui, ô, mané! – o “Jacobi” do trio já chegou empurrando o ombro de Joca. O lobisomem olhou seu falso congênere e disse:
- Seu lobisomem descamisado e abestado de araque, se encostar de novo...
- Vai fazer o que, mané, com essa máscara ridícula?
“Edwaird” também resolveu mostrar sua “macheza”, cruzando os braços e encarando Nicolas, dizendo:
- E você, que coisa ridícula! Vampiro de jaqueta de couro e com presas, ah, vá, que coisa mais out e fora de moda! É um mané também!
Nicolas o encarou também, enquanto o outro rapaz empurrou Joca mais uma vez, e os demais ficaram olhando. O lobisomem só olhava para o pulha, e suas orelhas tremiam de indignação pela afronta. O garoto estendeu o braço mais uma vez dizendo:
- E aí, mané, calou a boca?
No mesmo instante Joca abocanhou o braço, arrancando-o como se fosse de papel. O sangue jorrou forte, e por alguns momentos o silêncio só foi quebrado pelos gritos de dor de “Jacobi”. A seguir, todos começaram a berrar em pânico e correr desordenadamente para todos os lados.
Bob quase foi derrubado pela apresentadora, que corria como se Joca estivesse atrás dela. Mas o lobisomem jogou o braço do moleque atrevido no chão e avançou contra ele, terminando o serviço.
Nicolas agarrou a menina que interpretava “Bellah”, dizendo:
- Agora vai conhecer um vampiro de verdade, e não essa fadinha delicada e purpurinada!
Enterrou com vontade as presas. “Edwaird” berrou histericamente e saiu correndo, e depois de largar a menina, Nicolas saiu trás dele, dizendo:
- Não esqueci de você não, moleque, deixa eu te mostrar como um vampiro autêntico e com presas faz, venha cá, venha!

Minutos depois, os monstros andavam até em casa.
- Ainda bem que o ataque de Joca espantou o restante das pessoas – disse Bob. - De todo modo, as poucas cenas porventura gravadas por alguém vão acabar na Internet. Vi muitas câmeras e celulares funcionando.
- A coisa mais fácil é fazer truques com o computador, todos dirão ser uma fraude – comentou Denis.
- Mio-o-o-lo... – disse Zé, parecendo satisfeito pela refeição que teve no meio da confusão.
- Lobisomem descamisado é o  fim da picada! – reclamou Joca. – Essa gente abestada precisava mesmo de uma lição!
- Acredito que restauramos nossa reputação – comentou Nicolas.
Vanda ia comentar alguma coisa, quando parou subitamente ao ouvir algo. Os demais iam perguntar, mas ela fez sinais para pedir silêncio. Os murmúrios vinham de trás da cerca de uma casa, e ela caminhou para lá cautelosamente.
Os demais a seguiram, e todos puderam ouvir as palavras:
- Molokhai... maledictum... Nosferatus...materializandus corporalis... Diabólicus! Blasfemum! Abominabilis!
- Mio-o-o-lo... – disse Zé.
Gritos abafados foram ouvidos, e logo três meninas apareceram exibindo expressões assustadas. Uma delas disse:
- Vanda! Tudo bem? Que susto.. ei, que legal a fantasia de zumbi do seu amigo!
- Oi, Laurinha... pessoal – disse Vanda virando-se para os amigos – essa é Laura, uma amiga minha, e suas amigas.
- Que fantasias legais! Eu sou Michele.
- Olha que lobisomem e vampiro legais! Meu nome é Amanda.
Nicolas e Joca ficaram se “achando”, e o vampiro disse, dirigindo-se a Vanda:
- E você dizendo que a humanidade estava em decadência... anda existem aqueles humanos que nos têm em alta conta! Obrigado, minhas jovens!
- Mas o que estavam fazendo, Laura? – perguntou Vanda.
- Ah, estávamos lendo este livro, comprei essa semana em um sebo – respondeu a menina. – Tudo a ver com Halloween, né?
Vanda observou o grande volume exibido com orgulho pela menina, e subitamente sua expressão mostrou susto e medo. No mesmo instante raios e trovões encheram o ar, nuvens negras revolutearam sobre o lugar onde estavam, e uma imensa sombra surgida atrás deles percorreu o chão, finalmente cobrindo a todos de forma ameaçadora.
Eles se viraram, e Vanda constatou que o livro de Laura não era uma publicação qualquer. Aproximou as mãos, fazendo crescer um vórtice de energia mística azul diante do peito, enquanto dizia:
- Queridos, acredito que ainda teremos trabalho neste Halloween...
Bob apanhou o controle remoto da nave, acionando o comando de prontidão máxima de combate. Denis, que adorava crianças, afastou as meninas enquanto Joca e Nicolas se preparavam para a luta contra a presença gigantesca que se aproximava. Zé disse apenas:
- Mio-o-o-lo...

Gostaram? Espero que sim! Se gostaram, então gostaria de convidá-los a conhecer outras obras:

De Roswell a Varginha, compre aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui.

Ufo: Contos Nâo Identificados, compre aqui.

Histórias Fantásticas Volume 1, compre aqui.

Extraneus Vol. 1: Medieval Sci-Fi, compre aqui.

Imaginários 4, compre aqui.

A Fantástica Literatura Queer, Volume Laranja, compre aqui ou aqui.

Ainda aproveitando que hoje é o Dia do Livro, e a imagem a seguir é de autoria do grande amigo Adriano Siqueira.



Tenham um excelente Halloween!

Contato: escritorcomr@uol.com.br



Escrito por Escritor às 20h39
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JEDICON e COSMOS

Dois eventos, dois finais de semana seguidos!

Para conferir a programação clique aqui.

III Evento Cosmos: Terra e Espaço

Nascia há 31 anos uma das séries televisivas de maior sucesso mundial, Cosmos.
Criada por Carl Sagan e sua esposa Ann Druyan, ela foi veiculada pela primeira vez em 1980 nos EUA, chegando dois anos depois ao Brasil.
O grande sucesso da série não era a ficção cientifica com suas naves espaciais ou seres alienígenas. Era o contrário. Carl Sagan conseguiu manter pessoas no mundo inteiro assistindo aos episódios de uma série que falava sobre Ciências.
Em seus episódios, pudemos conhecer um pouco mais sobre outros planetas e as estrelas, mas também sobre a vida na Terra e problemas ecológicos, em uma época que poucas pessoas falavam sobre isso.
Cosmos antecipou problemas como o efeito estufa, aquecimento global, falta de água e tantos outros que vivemos atualmente.
Carl Sagan foi um homem sempre a frente de seu tempo, uma ser humano sem medo de errar e que ensinou a gerações a ter amor pela Ciência e acima de tudo, pela própria raça humana.

Serviço:

Data: 08 de outubro de 2011

Horário: 9h00 as 18h00

Local: Estação Ciência

Evento sem fins lucrativos. Pedimos aos visitantes que levem 1 kg de alimento não perecível.

Endereço: Rua Guaicurus, 1394 - Lapa - São Paulo (Ao lado da Estação Lapa da CPTM e do Terminal de ônibus, em frente ao Shopping Center Lapa)
Entrada: Será cobrado o valor da própria Estação Ciência, R$ 4,00 (veja valor atualizado no site da Estação). Estudantes e portadores de necessidades especiais - meia entrada. Isentos: Professores (com comprovação); monitor, agente ou guia de turismo (com registro Embratur); comunidade USP (com carteirinha válida na catraca); menores de 6 anos e maiores de 60 anos.
Mais informações: http://www.eciencia.usp.br/

Programação*

- 9h00 – Abertura do evento
- 9h05 – Episódio 10: “O Limiar da Eternidade” série Cosmos - legendado
- 10h00 – Palestra: “Extraterrestres: Ficção, Ciência e Polêmica”. Palestrante: Renato Azevedo – site Aumanack
- 11h00 – Palestra “Presente de um mundo distante”. Palestrante: Douglas Camillo-Reis Grupo de Ficção Científica Alpha
- 12h00 – Episódio 9: “A Vida das Estrelas” série Cosmos - legendado
- 13h00 – Palestra "Evolução e Extinção" Palestrante: Átila Oliveira
- 14h10 – Palestra “Buracos negros – vilões do universo?” Palestrante Sílvia Reis – Grupo de Ficção Científica Alpha
-15h20 – Palestra “Os ônibus espaciais e a conquista do espaço - O Fim de uma Era” Palestrante Denis Zoqbi – Clube de Astronomia de São Paulo
- 16h30 – Palestra “A verdade sobre um ponto de vista: As mudanças e os modos como às pessoas interpretam a ciência". Palestrante Alan Uemura - site Aumanack
- 17h45 – Sorteio
- 18h00 – Encerramento

*programação sujeita a alterações

Sinopses:

- O limiar da eternidade: Neste episódio Carl Sagan apresenta diferentes teorias acerca da origem e destino do Universo, desde lendas e crenças à astrofísica. Para tanto, Sagan apresenta noções básicas de físicas, explicando a questão das 3 dimensões e a possível quarta dimensão (tentando exibir o que seria um Tesseract), bem como o efeito Doppler e sua repercussão para o teoria do universo em expansão, descoberto através das observações esmeradas de Milton L. Humason e Edwin Hubble. Ao tratar do big bang, faz uma regressão às explicações cosmológicas do hinduísmo, especialmente a "dança cósmica" do deus Shiva, numa escultura do Império Chola.

- Extraterrestres: Ficção, Ciência, e Polêmica: Ao longo de mais de um século, os extraterrestres têm capturado a imaginação da humanidade. Desde a publicação de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, as pessoas fazem à pergunta: eles existem? Na ficção, produções literárias, televisivas e cinematográficas têm explorado a exaustão as mais variadas facetas da vida extraterrestre. As descobertas científicas parecem indicar que é questão de tempo a comprovação da existência de vida fora da Terra.
Mesmo assim, as polêmicas ainda existem, a exemplo das recentes declarações do astrofísico Stephen Hawking, alertando que a chegada de alienígenas à Terra podem ameaçar nossa espécie. Nesta palestra, será traçado um panorama a respeito das múltiplas formas com que enxergamos aqueles que Carl Sagan
descreveu como "nossos irmãos e irmãs no Cosmos".

Renato Azevedo é Engenheiro, jornalista e escritor. Autor de "De Roswell a Varginha" (2008). Consultor da revista UFO e colaborador da revista Sci-Fi News, coluna Quem conta um conto..., publicando a série de contos A Lista. Co-editor do site Aumanack. Autor convidado nas antologias Ufo: Contos Não Identificados (2010), e Medieval Scifi (2010). Participante das antologias Histórias Fantásticas Volume 1 (2010), Imaginários 4 (2011), e A Fantástica Literatura Queer (2011). Escreve o blog Escritor com R (http://escritorcomr.blog.uol.com.br).

- Presente de um mundo distante: "Como a Humanidade se apresentará perante a Galáxia. Em havendo alguém mais na vastidão do oceano cósmico para compararmos notas, descobertas, alegrias e arrependimentos, de que modo os seres que surgiram e cresceram no pálido ponto azul que chamamos de Terra se expressarão sobre sua existência e suas intenções futuras? Os cientistas da NASA, entre eles o renomado Carl Sagan, buscaram responder a esta indagação, e produziram um dos mais belos trabalhos unindo arte e ciência.", como o Disco de Ouro da Nave Voyager e a Placa da nave Pioneer desenhada pelo próprio Carl Sagan.

Douglas Camillo-Reis é escritor de ficção científica e roteirista do Grupo de Teatro Zona Neutra, a divisão de teatro do Grupo de Ficção Científica Alpha.

- A vida das estrelas: Neste episódio, Carl Sagan parte do simples ato de fazer uma torta de maçã para falar de átomos e partículas subatômicas. Muitos dos ingredientes necessários são compostos de elementos químicos, formados durante a vida e morte das estrelas, resultando em gigantes vermelhas e supernovas, que colapsam em anãs brancas, estrelas de nêutrons, pulsares e buracos negros, e produzem vários tipos de fenômenos.

- Evolução e Extinção: O universo é extremamente dinâmico e nada nele é eterno. Mesmo as estrelas nascem e morrem. O próprio cosmo teve um início. Não poderia ser diferente com a vida no planeta Terra. Os seres vivos que o habitam nem sempre foram iguais ao que são hoje. Isso se deve em parte ao fato da história da Terra apresentar cinco episódios de extinção em massa, onde a vida literalmente quase acabou. E ela encontrou maneiras de repovoar-se após todos os cinco, por meio da evolução e diversificação dos tipos sobreviventes. Portanto, não seria errado afirmar que as extinções ajudaram (e ajudam) a moldar a evolução da vida em nosso planeta. Contudo, muitos especialistas hoje reconhecem que estamos passando por um sexto episódio de extinção em massa, que não deixa nada a dever a nenhum dos anteriores, e com um grande diferencial: dessa vez a mão humana parece ter sido um agente fundamental.

Átila Oliveira é biólogo e educador. Autor do blog Pegadas de Um Dinossauro do Século XXI (atilassauro.blogspot.com) sobre zoologia, paleontologia e evolução biológica, combatendo o criacionismo e outras formas de pseudociência. Colaborador do site Aumanack e Biomania.

- Buracos negros – Vilões do Universo? Buracos negros são um dos objetos mais misteriosos do universo, exercendo fascínio e por vezes temor. Hoje a ciência estima que toda galáxia tenha um em seu centro. Mas como surgem e qual seu papel na evolução do Universo? Qual seu raio de ação? Seria possível viajar no tempo através deles, ou criar um microburaco negro em laboratório? Serão abordadas essas e outras questões como a diferença entre buracos negros, buracos brancos e buracos de minhoca, bem como a confiabilidade das informações científicas a que temos acesso.

Sílvia Reis é astrônoma amadora, pedagoga, psicopedagoga e autora de 10 livros na área da educação. Fez a assessoria pedagógica e a co-roteirização da sessão “Uma aventura pelo Sistema Solar” do Planetário Municipal de São Paulo. É integrante do Grupo de Observações Avançadas do Clube de Astronomia de São Paulo, onde é coordenadora. Presidente do Grupo de Ficção Científica Alpha e Grupo de Teatro Zona Neutra: http://alphafiction.wordpress.com/ e www.grupozonaneutra.com

- Os ônibus espaciais e a conquista do espaço - O Fim de uma Era: Graças ao domínio das tecnologias dos vôos tripulados, a conquista do espaço deu um enorme salto em busca de requinte e sofisticação. Novas plataformas de trabalho como a Estação Espacial Internacional, novos equipamentos e até telescópios espaciais só puderam ser colocados em órbita graças aos vôos dos ônibus espaciais. Veículos que trouxeram luz à ciência, e tragédias que ensinaram o homem a repensar sua história.

Denis Zoqbi é radioastrônomo amador e instrutor de Astronomia junto ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - INCT e atualmente coordena os cursos de Iniciação em Astronomia do CASP - Clube de Astronomia de São Paulo.

- A verdade sobre um ponto de vista: As mudanças e os modos como às pessoas interpretam a ciência: Durante os séculos a ciência evoluiu. De um mundo cheio de monstros aos monstros tecnológicos. O que ontem era visto como "verdade", hoje foi derrubado e damos risada de nossa ingenuidade. A ciência e o mundo são desta forma, um "ponto de vista" do nosso conhecimento e cultura em que vivemos. Nesta palestra, queremos mostrar como algumas descobertas cientificas muitas vezes dependem apenas de um ponto de vista.

Alan Uemura é jornalista, editor do site Aumanack: www.aumanack.com e Nippak Online: www.nippak.com.br

Organização: Site Aumanack e Grupo de Ficção Científica Alpha

Apoio: Estação Ciência


Como adendo, ainda gostaria de salientar minha enorme satisfação com o fato de a Rede Globo, devagar, vai se rendendo a temática com elementos fantásticos. A infelizmente encerrada novela das 18 horas, Cordel Encantado, além de divertida e com muita crítica social, também se inspirou em várias obras literárias de temática se aproximando do fantástico, com resultados excelentes!



Esse é o primeiro capítulo, e até dá para ver algumas referências discretas a Senhor dos Anéis, ou não!? E aquele objeto caindo, com a cratera fumegante, me dão muitas idéias... Gostei bastante, quem sabe a Globo passe a abrir espaço para o fantástico, lembrando que há muitos autores extremamente competentes em nossa literatura de Fantasia e Ficção Científica. Estou as ordens neste último caso, claro, hehehe.

Nos vemos na Jedicon e no Cosmos!
Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 16h09
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PERRY RHODAN 50 ANOS

Hoje é um dia muito especial para todos quantos amam nossa boa, velha e querida Ficção Científica! Há 50 anos nascia na Alemanha, em plena Guerra Fria, uma série literária que se tornaria a mais longa de todos os tempos: Perry Rhodan!

Por obra de Karl-Herbert Scheer e Walter Ernsting (que adotava o pseudônimo de Clark Dalton), aos quais logo se uniram Klaus Mahn (pseudônimo de Kurt Mahr) e Winfried Scholz (assinando como W.W. Shols), os livros traziam as aventuras do personagem-título, que no universo da série foi o comandante do primeiro vôo lunar em 1971. A nave em questão, a Stardust, era similar ao ônibus espacial americano, mas movida por propulsão nuclear. Vejam que nossa realidade superou amplamente a dessa ficção, pois a missão Apollo 11 ocorreu dois anos mais cedo, e com meios muito mais modestos.

Na Lua, Rhodan e seus amigos descobrem a imensa nave esférica acidentada dos arcônicas, conhecem Crest, o cientista-chefe, e a maravilhosa Thora, a comandante, e graças a sua tecnologia infinitamente superior, conseguem impedir a eclosão da Terceira Guerra Mundial.

Minha experiência pessoal com a série começou em 1983, quando o volume 201, Estação Sideral no Nada, veio como brinde em uma edição da saudosa revista Ciência Ilustrada, a melhor revista científica que o Brasil já teve (com possível exceção da também saudosa Astronomy Brasil). Me apressei a adquirir outros volumes, e logo descobri que, a partir do 200, faziam parte do Quinto Ciclo, o primeiro a ser composto por cem volumes.

Imediatamente me apaixonei, mas por variados motivos nunca completei o Quinto Ciclo. Ao mesmo tempo, a editora Ediouro, que publicava Perry Rhodan na época, relançou a série a partir do Primeiro Ciclo, e acabei adquirindo o volume 21, A Guerra Atômica que Não Houve. E isso foi uma revelação, pois os volumes do Quinto Ciclo transcorrem a partir do ano 2400, quando o Império Solar da Humanidade já domina boa parte da Galáxia. Já o Primeiro Ciclo (volumes 1 a 50), se passam de 1971 a 1984, e vemos um ambiente similar a Guerra Fria abalado pela presença da Terceira Potência, o poder fundado por Perry Rhodan graças a tecnologia dos arcônidas.

O mencionado impedimento da Terceira Guerra Mundial ocorre no volume 2, A Terceira Potência, e posso dizer tranquilamente que é uma das histórias mais tensas, espetaculares e maravilhosas que já tive o prazer de ler! É indescritível sentir a humilhação suprema das superpotências, quando seus mísseis nucleares caem sem ação graças a ação de Rhodan. Evidentemente que a Terceira Potência a seguir realmente conseguiu seu intento, de unir a Terra... contra Rhodan!

Por sinal, essa beleza acima é uma nave terrana classe Solar, de 500 m de diâmetro, semelhante a dos arcônidas que Rhodan encontrou na Lua. As naves auxiliares esféricas medem 60 m, e os pequenos discos voadores no hangar inferior, 35 m. Sonho de consumo...

Mas eles sobrevivem a todas as tentativas de destruição orquestrada pelos poderes mundiais, e a forma como enfrentam uma ameaça alienígena convence a humanidade que a Terceira Potência realmente tem como principal interesse a defesa da Terra e da humanidade. Por sinal, de todos os volumes que li, os melhores e mais emocionantes são os nove primeiros, os quais costumo qualificar de “primeira tríplice trilogia de Perry Rhodan”. Escrevi um texto para o site Aumanack a respeito, espero que gostem.

Aliás, devo recomendar outros textos, como um sobre a série de minha autoria, publicado em meu blog da UFO, e também um artigo sobre fanfilmes, dos quais um deles é o magnífico Atlan, O Solitário do Tempo, baseado no volume 50 da série. Essa produção, aliás, foi realizada no final dos anos 1970, sem os recursos de hoje, isso é que é fã de verdade! O colega escritor e divulgador da Ficção Científica, Roberto Causo, também publicou dois textos sobre Perry Rhodan: Planetas Desgarrados e Space Opera.

A Revista Literatura também publicou um magnífico artigo sobre a série, e essa edição pode ser comprada no site deles.

Gostaria também de retornar ao volume 21. Na trama, a Terra ficou estremecida pela ausência por algum tempo de Perry Rhodan, e quando ele retorna encontra o Bloco Oriental (a então União Soviética), governado por uma cúpula fascista e corrupta (parece um país nem tão distante...). Os russos ameaçam provocar uma guerra no intuito de que Rhodan os deixe em paz, mas após uma série de aventuras de seus agentes, e mais sua decisiva intervenção junto aos governos da Terra, é finalmente criado um tribunal mundial, amparado na Carta dos Direitos Humanos das Nações Unidas, e eles finalmente prendem e julgam os ditadores do Bloco Oriental.

No nosso mundo, francamente, creio que não iria sobrar nenhum governante...

Outra trama sensacional é a do volume 6, O Exército de Mutantes. Após rechaçar um ataque alienígena, a Terceira Potência consegue o respeito das nações da Terra. O problema é que o projeto de Rhodan precisa de dinheiro que eles não têm. Assim, enquanto seus agentes recrutam pessoas dotadas de capacidades especiais ao redor do mundo, para formar o Exército de Mutantes (bem antes dos X-Men de Stan Lee, portanto), Rhodan convoca um gênio financista chamado Homer G. Adams, a fim de que consiga influir na economia mundial para obter os recursos de que necessitam.

E como eles fazem isso? Projetando hologramas simulando uma invasão extraterrestre. E vejam só, foi exatamente a mesma coisa que sugeriu recentemente o Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman em entrevista na CNN!

Quanto a desunião tão fortemente combatida por Perry Rhodan em seu universo, vemos que, analisando nosso próprio, há motivos mais que suficientes para considerar a série muito atual em seu cinquentenário!

Enfim, não resta muito aqui a dizer, mesmo porque a série é tão monumental que seria impossível descrever suas diversas fases. Acrescento somente que, no Brasil, Perry Rhodan foi publicado pela Ediouro e mais recentemente pela SSPG, e que na Alemanha, na data de hoje, está previsto o lançamento de Perry Rhodan Neo.

Essa nova série, a ser publicada paralelamente a série clássica, destina-se a cativar uma nova geração de leitores. Assim, a viagem do personagem para a Lua agora acontece em 2036, dando um reboot a esse clássico da Ficção Científica mundial.

Só tenho a agradecer aos criadores e editores de Perry Rhodan, em seu país natal e aqui no Brasil, pois a leitura dessas fabulosas aventuras foi decisiva para que também me tornasse um escritor (por falar nisso, alimentem os escritores: os links para a compra de meu livro De Roswell a Varginha estão aí ao lado, combinado?), e ainda hoje me divirto muito com essa fabulosa saga.

Parabéns, Perry Rhodan, e que venham mais 50 anos de sucesso!

Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 17h00
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Harry Potter e livros

Nesta segunda fui conferir Harry Potter e as Relíquias da Morte, parte 2.
Sensacional!
Como prometeram nos trailers, um final realmente épico, emocionante, encerrando uma das sagas mais legais do cinema em todos os tempos.
Estive conversando com amigos e amigas, todos nós fãs de Fantasia e Ficção Científica, e o sentimento é de nostalgia. Como essa década passou rápido, hein?

Venho pensando que Harry Potter é o último dos universos clássicos (quem diria, Harry Potter virou clássico!), o último universo presente aos grandes eventos de fãs de 2001-2003 a ser completado. Lembro especialmente da Jedicon e da Scificon de 2003, três dias maravilhosos de pura maluquice de fã.
Sim, amiguinhos, a Jedicon 2003 rolou sábado e domingo!
E nesses dois grandiosos eventos que marcaram época estiveram presentes fãs representando inúmeros universos, e destaco Guerra nas Estrelas (dã, na Jedicon não poderia ser diferente, né?), JOrnada nas Estrelas (a saudosa Frota Estelar esteve presente), Arquivo-X, Buffy (e seus vampiros DE VERDADE, hehehehehe), O Senhor dos Anéis e lógico, Harry Potter!



Possuo em minha biblioteca os três primeiros livros da série, e claro que pretendo adquirir e ler os demais. O que já li me satisfez enormemente, e estou ansioso para complementar a experiência dos filmes.
Esse oitavo filme foi ótimo, emocionante, dramático, tudo que uma conclusão deve ter. Grandes revelações, muitas tragédias, e um doce gostinho de justiça em muitos momentos.
Particularmente, o discurso épico de Neville foi uma das melhores, ou a melhor, cena do filme! É gratificante ver a evolução no desenvolvimento do personagem. E os atores foram fabulosos, fazendo essa despedida ser ainda mais especial.

E agora? Vamos virar fãs de quê? Tivemos alguns universos legais por aí, especialmente na TV, mas que infelizmente não se sustentaram como parecia que conseguiriam. Atualmente estou acompanhando The Big Bang Theory e Falling Skies, e o fato desta última ter sido renovada para uma segunda temporada é uma boa notícia.

Nos livros a coisa anda muito bem, a literatura fantástica nacional está em efervescência e ótimos autores têm sido revelados. Incluindo este que vos escreve, claro, hehehe.



Por sinal, tenho a satisfação de participar de mais um projeto do amigo Ademir Pascale, de incentivo as editoras e autores nacionais. Basta clicar aqui, e nos apoiar. Ainda dá tempo!

Até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 18h04
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Algumas novidades

E chegou finalmente a hora de mais uma atualização no blog!

O lançamento de A Fantástica Literatura Queer, anunciado nos post abaixo, foi um sucesso! Presença de muitos amigos e leitores, além dos numerosos autores participantes. Os contos que já consegui ler foram uma grande surpresa, é muito bom ver o estágio de excelência atingido pela literatura fantástica nacional.
 
Falando em literatura fantástica, mais uma antologia! Formaturas Macabras é o nome do projeto, organizado pela incansável Georgette Silen.



O lançamento será em dezembro, e todas as informações estão aqui.

Agora chegou o momento de... interrompemos nossa programação para mais um...

O Plantão dO Farol

Edição extra 13/07/2011

E não existem conspirações!?

Caros leitores dO Farol, novamente cumprimos o dever de lhes trazer as notícias que eles não querem que vocês saibam!
Eles sempre usam de toda força, autoridade, legitimidade e credibilidade que pensam que têm para afirmar com falsa segurança que não existem conspirações, e que movem-se única e exclusivamente pelo interesse de bem servir o povo que os elege.
Eles estão mentindo!
E, quando apanhados em flagrante ato de imoralidade administrativa e especialmente financeira, dizem que não sabiam de nada!

Temos um exemplo disso acontecendo agora mesmo, com a crise no Ministério dos Transportes. Primeiro caíram vários funcionários da cúpula, e depois o próprio ministro Nascimento, fulminado diante do fabuloso enriquecimento da empresa de seu filho, inigualável em todo o mundo capitalista. Talvez o Brasil tenha, afinal, o que ensinar ao mundo!
Por cima, diante da lambança, primeiro o Ministro da Justiça afirma que a pasta dos Transportes tem estado sob investigação pelo Ministério Público, mas é muito interessante que não surjam aquelas mesmas gravações comprometedoras, como por exemplo no escândalo do “Mensalão do Dem”.
Ou seja, essas gravações nunca surgem quando os corruptos a serem investigados são do partido do governo ou dos partidos da base de apoio, não?
Agora, os honrados homens públicos que têm um apetite insaciável pela verba obtida por meio dos impostos que pagamos, e que também têm a coragem de dizer que seu partido é “da República” (res publica quer dizer precisamente coisa pública, mas aqui no Brasil criou-se a tradição política de que dinheiro público não tem dono), agora ameaçam a presidente Roussef, deixando claro que, se caírem, o governo cairá com eles.
É mesmo muito espírito público!

Ainda existem aqueles colunistas políticos inocentes, que enxergam uma “crise de convivência” entre a presidente Roussef e o ex-presidente Inácio. Nada mais falso, pois embora Roussef tenha recebido a única e verdadeira herança maldita de Inácio, o fato é que ela é a marionete dele no governo. Esperem para ver em 2012, durante a campanha para a eleição municipal!
O maior legado de Inácio é esse, é óbvio que não foi seu partido, que alguns já denominam “OS PETRALHAS”, o invetor da corrupção. Mas foram eles que institucionalizaram sua prática, em nome da tal “governabilidade”.
Há dois intuitos nessa, como é óbvio para todos, grande conspiração.
Primeiro, tornar os escândalos coisa tão comum que a sociedade quase nem mais liga para eles, o que praticamente já foi conseguido.
E segundo, o retorno de Inácio candidato a presidente nas eleições de 2014. Alguém tem dúvida?

Mas não são unicamente esses os “patriotas” sobre os quais exercemos nossa vigilância. Igualmente nos preocupa a “dona” do tema do verde e da preservação da natureza no Brasil de hoje, a senhora Marina Silva.
Em clima de festa, ela anunciou sua saída do partido no qual foi candidata nas eleições 2010, em nome de um novo projeto, “verde e cidadania”.
É interessante ver a senhora Marina criticar indistintamente toda a classe política em sua sede de poder, mas qual foi mesmo a razão de sua saída do partido? Não foi exatamente a busca por um poder hegemônico, ao qual a cúpula do partido resistiu?
Basta ouvir com atenção as palavras e gestos da senhora Marina, inclusive quando ataca o Código Florestal e afirma que “ele não deve ser discutido no âmbito do Congresso”, para perceber a veia absolutamente autoritária e fascista de suas palavras.
Se os congressistas eleitos não têm legitimidade para debater o Código, quem tem? A senhora Marina e seus “marineiros”?
Os ecofanáticos ainda conseguem ir mais longe. Por exemplo, quando exigem (já deixaram de pedir há tempos), a internacionalização da Amazônica como única forma de preservá-la. E o que esses “defensores do planeta” propõem? Que essa imensa, estratégica e riquíssima região fosse administrada por um conselho composto de ONGs tais como Greenpeace e WWF. Como eles são altruístas, não?
Lembramos que além de minerais estratégicos como ouro e urânio, a Amazônia possui a maior biodiversidade do planeta, objeto de cobiça da parte de incontáveis empresas farmacêuticas e afins.
Perguntamos: que país no mundo aceitaria ceder parte de seu território para “preservação do verde”, como querem os ecofanáticos? Que país do mundo pode se equiparar ao Brasil em termos de preservação, quando agricultura, pecuária, cidades e infraestrutura ocupam somente cerca de pouco mais de 27 por cento do território nacional, dados disponíveis no IBGE, Ibama, Incra, Funai e CNA?



É evidente que nós dO Farol defendemos a preservação do meio ambiente e o combate ao desmatamento, mas de forma racional e prejudicando o mínimo possível as vidas das pessoas e a economia do país. Da forma fundamentalista que a senhora Marina Silva e seus “marineiros” e “verdes orgulhosos” estão propondo, a preservação do verde deve estar acima até das vidas das pessoas.
Não bastam as barbaridades cometidas pelo governo e Supremo Tribunal Federal com relação a Reserva Raposa Serra do Sol em Roraima? Agricultores e índios, dois anos após a polêmica da demarcação, vivem em condições de absoluta miséria graças a vontade desses senhores de “servir a causa social”. E lembrando das famigeradas ONGs que estão doutrinando os índios do Brasil, da Venezuela e da Guiana para que seja criada na região abrangendo a reserva e territórios desses países vizinhos uma “nação indígena”.
Perguntamos, a quem interessa isso?
Finalmente, aproveitamos para fazer uma pergunta crucial, diante da eterna cobrança da senhora Marina por ética e transparência da parte dos políticos e governos: quem paga suas contas? Quem paga suas viagens e sua assessoria, senhora Marina?
A versão fundamentalista do Código Florestal, como queriam Marina e seus seguidores, inviabilizaria a agricultura no Brasil.
Agricultura que é muito competitiva, e contra a qual os agricultores americanos e europeus lutam a base de subsídios de seus governos.
Mesma agricultura contra a qual ladram as ONGs estrangeiras em “defesa do verde”. Até lembramos que o cineasta James Cameron, aquele de Avatar, veio ao Brasil criticar nossas hidrelétricas, mas jamais o vimos fazer protesto contra a matriz energética dos Estados Unidos, cuja maior parte é constituída de usinas termelétricas a carvão, incomparavelmente mais poluidoras.
Convidamos então vocês, leitores, a somarem dois e dois. A resposta parece muito clara, sobre quem paga as contas da senhora Marina Silva.

Estamos nisso, caros leitores! Uma conspiração aberta para trazer de volta Inácio, também conhecido como o Apedeuta, em 2014, e talvez quem sabe a senhora Marina Silva a seguir. Lembrando que essa senhora é contra a energia nuclear (será contrária a medicina nuclear também, que tantas vidas salva anualmente?), contra hidrelétricas, ou seja, aparentemente deseja nos ver famintos, na miséria, e no escuro!
Por cima, em seu projeto “sonhático”, afirma que um novo partido político não é o primeiro objetivo, o que faz sentido: poderá assim pairar “incorruptível” e “acima da corja política”, dando seu apoio aos candidatos mais identificados com sua causa. E o fato de a causa ser nobre, como a preservação do meio ambiente, a torna muito menos suscetível de críticas. Quem pode ser contra a proteção das florestas, não é mesmo?
Novamente vemos um cenário do tipo “ou estão comigo ou estão contra mim”, e lembramos que quase toda ditadura começou com os mais nobres princípios.

Eles continuam dizendo que não existem conspirações. Depois das informações que acabaram de ler, caros leitores, perguntamos: vocês acreditam neles?

Permaneçam atentos, caros leitores! Eles sempre buscam manipular e distorcer a verdade, pois seu amoral modo de vida necessita disso. Mas a verdade sempre será revelada, e esse será sendo sempre o objetivo desta equipe investigativa. Até o próximo Plantão dO Farol!

Bem, como puderam ler, os editores dO Farol estão vigilantes, ainda bem!

Do que mais haveríamos de falar? Claro, a Audi venceu, com o R18, as 24 Horas de Le Mans, e já produziu um magnífico vídeo, que pode ser visto aqui. Contudo, parte da festa também foi para as comemorações dos vinte anos da primeira vitória de um carro japonês em Le Mans, com o magnífico Mazda 787B! O vídeo é da volta no lendário circuito francês, 20 anos depois, conduzido por Johnny Herbert, piloto britânico que foi um dos condutores na história vitória de 1991, até agora a única de um carro japonês em Le Mans.





Se clicarem aqui, verão uma galeria de fotos, a ficha técnica, e a história do belíssimo Mazda 7487B. Lembro muito bem naquele ano, acompanhando na medida do possível a prova sem Internet nem TV a cabo, fiquei muito feliz pela vitória da Mazda. Eram tempos em que o saudoso Grupo C estava mudando, e dos motores de cilindrada livre de Porsche, Jaguar e Sauber-Mercedes, iriam utilizar somente aspirados de 3,5 litros, iguais aos da F-1 na época
Somente a Peugeot e mais tarde a Toyota ficaram no campeonato, também conhecido como Mundial de Marcas, que se encareceu e acabou sendo extinto ao final de 1992
Em Le Mans em 1991 já valiam essas regras, mas os carros antigos poderiam correr, com limitação de consumo de combustível e peso de 1.000 kg. A Peugeot quebrou logo, e o domínio ficou com a Mercedes.
A Mazda, devido a seu motor rotativo Wankel, foi permitido correr com menos peso, 850 kg, e como resultado consumia bem menos. Tudo porque os "donos" do automobilismo na época, os detestáveis senhores Ecclestone e Balestre, achavam a marca japonesa carta fora do baralho.
Só que a Mercedes quebrou, ha, ha, ha, e a Mazda merecidamente venceu!

Falando em marcas, estreou um tal de Campeonato Brasileiro de Marcas, mas que do saudoso torneio que existiu nos anos 1980 só tem nome. Os carros das montadoras participantes são mesmo carros de rua, e não as gaiolas mortíferas da Stock Car, mas é pura enganação, pois os motores são os mesmos!
Campeonato de Marcas que é monomarca de motor, só no defunto automobilismo brasileiro mesmo!

Muito bem, por hoje é só. Brevemente mais novidades, incluindo entrevistas na UFO, outros projetos, e quem sabe até contos inéditos, combinados? E acompanhem meu blog na UFO também!

Lembro que links para a compra dos livros DE ROSWELL A VARGINHA, Histórias Fantásticas Volume 1, Extraneus 1 Medieval Sci-fi e Imaginários 4, estão todos nos posts anteriores e nos links ao lado, combinado? Aproveitem e comprem A Fantástica Literatura Queer, volumes laranja e vermelho, que estão muito legais.

Até a próxima!
Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 17h14
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A Fantástica Literatura Queer

Complementando o post abaixo, eis que saíram as capas dos dois volumes de A Fantástica Literatura Queer!



No site da Tarja, a descrição da obra com depoimentos dos participantes. O meu é este:

RENATO A. AZEVEDO

A Lista: Letras da Igualdade

Quando soube do lançamento de A Fantástica Literatura Queer, considerei esta uma ótima oportunidade de retornar as raízes da ficção científica. Este sempre foi o gênero que mais combateu a estupidez humana, incluindo evidentemente os preconceitos. Escrevi meu conto não apenas com o intuito de discutir o preconceito homofóbico e como combatê-lo, mas também várias outras formas de discriminação. Incluindo, claro, o preconceito contra a própria ficção científica (muito comum aqui no Brasil), além do preconceito contra aqueles que como nós, autores desta antologia, desfrutamos de cultura e conhecimento. E para os que perguntam, também de maneira preconceituosa, o que nós que temos cultura e conhecimento fizemos por este país, uma das respostas é: produzimos contos que incentivam a discussão e o combate aos preconceitos!

E os volumes já estão em pré-venda na loja da Tarja.

As informações sobre o lançamento estão no post abaixo, então compareçam!

Contato: escritorcomr@uol.com.br.



Escrito por Escritor às 10h54
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