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Lançamento de De Roswell a Varginha
Finalmente marcada a data!

Quero aproveitar e dar os maiores agradecimentos a meus editores, Richard e Gian, por acreditarem no potencial desse projeto!
Escrito por Escritor às 18h12
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De Roswell a Varginha, atualizando
Meu livro já em pré-venda, na Tarja Livros:
http://www.tarjalivros.com.br/detalheprod.asp?produto=26
Espero que gostem, este é apenas o começo!
Contato: escritorcomr@uol.com.br
Escrito por Escritor às 16h10
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De Roswell a Varginha
LITERATURA SCI-FI COM SOTAQUE BRASILEIRO
Mercado de literatura fantástica apresenta romance investigativo sobre extra-terrestres
EM SINTONIA COM CRESCIMENTO DA LITERATURA DE FICÇÃO ENVOLVENDO A TEMÁTICA DE ALIENÍGENAS E CONSPIRAÇÕES GOVERNAMENTAIS, AS EDITORAS RETOMAM A PUBLICAÇÃO DESSE NICHO DA LITERATURA DE FICÇÃO E INOVAM COM TRAMAS REGIONAIS.

Na ponta dessa tendência, a Tarja Editorial lançou o livro "De Roswell a Varginha", do escritor Renato A. Azevedo, que apresenta uma história sobre OVNIS, que remonta ao famoso caso de Roswell, nos EUA, e o relaciona ao caso Varginha, no Brasil. Os alienígenas são um dos temas mais freqüentes nos meios televisivos e impressos, com milhares de referências e suposições apenas nos últimos 50 anos. Em janeiro de 1996 o Brasil foi o pilar de uma das maiores investigações sobre o tema, quando ocorreu o avistamento de vários seres extraterrenos na cidade mineira de Varginha. Toda a documentação a respeito desse caso foi arquivada sob sigilo e afastada do conhecimento público. Hoje, a Casa Civil da Presidência da República, está sendo pressionada para efetuar o acionamento da Lei 11.111/2005, que trata da salvaguarda de documentos sigilosos. Vários documentos estão para serem liberados. Antecipando-se a alguns deles, Renato Azevedo preparou um romance, onde trata desses temas polêmicos e, mais do que nunca, atuais. Unindo especulação a dados reais, é possível criar uma trama onde as Forças Armadas Brasileiras e até mesmo o governo norte-americano são esmiuçados e pressionados a apresentarem toda essa documentação e, acima de tudo, explicações sobre os casos de Roswell e Varginha.
Autor Renato A. Azevedo é engenheiro, e entusiasta da Ficção Científica e Fantasia. É membro do Conselho Editorial da Revista Ufo, como consultor de Ficção Científica, ciências e astronomia. Em 2001 tornou-se colaborador da Revista Scifi News, onde foi responsável pela coluna Espaço Ovni. Além disso, também é co-editor do site Aumanack, e escreve periodicamente para o blog Escritor com R. Já escreveu oito livros de Ficção Científica e duas coletâneas de contos. De Roswell a Varginha é o romance que inicia um novo universo de sua criação.
A Editora: A Tarja Editorial é a maior editora exclusiva de Ficção brasileira, e para este próximo semestre irá lançar no mercado seis novos títulos dentro dessa linha editorial, sempre apostando em novos nomes da literatura fantástica brasileira.
Escrito por Escritor às 18h07
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A Lista: A Copa dos Clones
A Lista: A Copa dos Clones
“Esporte é saúde, esporte é alegria. Futebol, a alegria do povo. Mentiras, nada mais que grosseiras mentiras, repetidas a exaustão até que se tornem verdades, como o Brasil é o país do futuro, caldeirão cultural exemplo de convivência, tantas incontáveis imbecilidades que os pobres de espírito aceitam sem questionar!”. Rubens olhou para a tela onde o texto luzia. Em outra janela, os inúmeros emails que recebera, a maioria absoluta o xingando e amaldiçoando, e alguns mais exaltados até contendo sórdidas ameaças de morte. Acendeu um cigarro e soltou largas baforadas. Sabia que retomara um péssimo hábito, mas desde a prisão de seu amigo e mentor, Ademar, era a única forma que encontrava para relaxar. Felizmente, uma pequena mas consistente porcentagem das mensagens, pelo contrário, o encorajava. Manifestavam apoio incondicional, várias vindas de estudantes muito aplicados, com notas excelentes em matemática, física ou química, mas que foram mesmo assim reprovados e impedidos de se formar. Acontece que havia uma nota para educação física, e outra específica para futebol. E pelo Brasil afora, aqueles que não eram íntimos da bola, e nem queriam ser, estavam mais e mais se tornando cidadãos de segunda classe. Rubens lembrava-se das Olimpíadas, dois anos antes. Revoltados com os privilégios para a delegação do futebol, os demais atletas competiram em protesto pela bandeira olímpica. O governo fez de tudo para que a transmissão do evento se concentrasse no futebol, mas após poucos dias de medíocre audiência, a cobertura voltou a normalidade, sob protestos oficiais. “Aqueles atletas desonram a tradição esportiva nacional e seu próprio país”, afirmaram raivosamente os ministros da Casa Civil, Cultura e Comunicação Social. Tentaram por todos os meios colar nos atletas a pecha de antipatriotas e traidores. A seleção de futebol não chegou ao pódio. O restante da delegação quebrou novamente o recorde de medalhas conquistadas. Rubens lembrava-se do começo de tudo. Vinte anos de ditadura militar e crescimento econômico medíocre, o povo queria viver, queria liberdade e alegria. Coincidentemente com a abertura democrática, o futebol conquistou dois títulos em duas copas seguidas, e o Brasil se tornou pentacampeão. “Os bons tempos de Pelé e tantos craques estavam de volta”, diziam peças publicitárias da época. Depois tudo arrefeceu, e o jejum de conquistas foi ligeiramente aplacado por outros esportes. O sucesso dos mesmos, ao mesmo tempo em que o futebol vivia em crise, motivou uma reação dos cartolas. Aproximando-se da classe política, conseguiram vários privilégios negados a outros esportes ou manifestações culturais. O resultado era o que se via na última década. Tudo, absolutamente tudo, para o futebol. O resto... era o resto! Campeonatos cada vez mais onipresentes. Cada jogador, disputado pelos times a peso de ouro, sempre com salários milionários. Espaço na mídia, dinheiro, poder. Faltava apenas mais uma copa, e finalmente, depois de anos de preparativos, e da formação de uma nova geração de jogadores, eles estavam prontos! O time brasileiro, liderado pelos atacantes Reginaldinho, Edinho e Marcinho, era chamado de imbatível, estelar, e outros vocábulos inventados por comentaristas sem imaginação. Chegara o dia da final da Copa da Alemanha contra a Argentina, e na imprensa internacional o clássico duelo latino era um dos destaques. O outro grande destaque era o julgamento, sob acusação de alta traição, de Ademar, o amigo e mentor de Rubens. Este, ao mesmo tempo em que redigia seu texto, enviava tudo para a Lista. Fora apresentado a mesma pelo amigo, e mesmo agora enquanto escrevia, duvidava. Aquela coisa de múltiplos mundos era nada mais que Ficção Científica para ele. Mas ficava inquieto diante de certas mensagens. Ocorreu que Ademar descobriu que boa parte do time brasileiro havia sido especialmente preparada, e de formas até então inimagináveis. Alguns jogadores foram tratados com terapia genética, e ele conseguira provas de que o próprio Pelé foi levado a uma insuspeita clínica para coleta de material biológico. O mesmo ocorreu com outros craques, cedendo em segredo material para a grande experiência. Que, de acordo com uma fonte de Ademar dentro da CBF, e que desapareceu misteriosamente antes de depor como testemunha de defesa, havia sido iniciada muitos anos antes. Dezoito anos, na verdade, a idade do próprio Edinho, que disputava com Reginaldinho a artilharia da Copa. Outros jornalistas levaram fotos do jovem para especialistas, comparando-as com as de Pelé na mesma idade, e o resultado, assombroso, foi uma das provas utilizadas pela defesa. Clonagem, era essa a arma brasileira, para espanto e protesto do resto do mundo. O próprio governo alemão protestou, ameaçando com o cancelamento da Copa. Outras confederações igualmente manifestaram seu repúdio, e algumas seleções deixaram a competição. Nada disso abalou a seleção, nem tampouco a CBF ou a FIFA. O governo reagiu prendendo e processando Ademar, colocando contra o mesmo toda a engrenagem legal disponível. Naquele dia, o mesmo da final da Copa, seria data a sentença. Até mesmo os Repórteres sem Fronteira compareceram. Defesa e acusação se enfrentavam: - Esse senhor, traindo os princípios da imprensa, de forma sórdida manchou o bom nome de nosso amado país, e em uma de suas manifestações mais ricas, que, da mesma forma que sua música, faz com que nossa grande nação se sobressaia mais e mais no exterior! Este é um atentado contra a auto-estima de nosso povo! - O nobre colega apenas está fazendo coro com a propaganda oficial! Pois fazer do futebol ou da música questão de orgulho e afirmação nacional, como se fossem drogas de entorpecimento coletivo, inclusive com o fim de perpetuar-se o status quo de atraso que prejudica imensa parcela da população, constitui-se em um eterno motivo de atraso para nosso país, do qual os corruptos aproveitam-se para seu usufruto egoísta! A batalha começava a ficar feia no tribunal, enquanto naquele mesmo instante a final da Copa acontecia. O juiz teve que pedir moderação aos debatedores, e por fim houve uma pausa para que todos pudessem assistir a partida. Tão confiante estava a seleção, que nem sequer treinaram. Muitos comentaristas concordavam, “nossos craques são os melhores”, diziam. Primeiro tempo, sem gols. O juiz aproveitou o intervalo para as deliberações finais, e Ademar foi considerado culpado apenas de calúnia contra um símbolo nacional, sob protestos da acusação. O segundo tempo começou, e somente depois seria dada a sentença. Silêncio pelos seguintes 43 minutos. Aos 45, a Argentina marca. Durante os dois minutos de acréscimo, o time brasileiro tenta, na base do “talento individual”, sem sucesso. A Argentina é campeã. Reginaldinho, substituído quase ao final, sai chutando tudo pela frente, reclamando de Edinho que não passa a bola: - Só porque é clone do Pelé e tem privilégios, se acha o máximo! Por isso perdemos! Ao final os argentinos se abraçam, e poucos brasileiros falam. Marcinho foi um desses. Disse que de nada valeram as injeções, “Prá quê isso, diziam que íamos jogar como os craques de antigamente. Grande coisa!”, encerrou. Reclamou como outros dos privilégios de Edinho. A acusação exigiu o imediato desligamento dos televisores. A defesa pediu o arquivamento do processo. O juiz, confuso, disse que precisava de mais tempo para novas deliberações. Ademar foi conduzido pelos guardas, aplaudido pelos colegas. Sorriu para Rubens. Este sentia-se inseguro. Não sabia que desdobramentos poderiam esperar. Mas o fato de as máscaras haverem caído como o fizeram talvez fosse suficiente.
A Lista foi uma série publicada originalmente na revista Scifi News. É vedada a cópia ou reprodução por qualquer meio sem a prévia autorização do autor e da equipe da revista. Esta é uma obra de ficção, e qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência. Contato pelo emails escritorcomr@uol.com.br e redacao@scifinews.com.br .
Escrito por Escritor às 14h46
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Céu de Guerra: O Último Dia
Os personagens, conceitos e situações do conto a seguir baseiam-se em obras de autoria de Renato A. Azevedo, registradas na Fundação Biblioteca Nacional. É vedada a cópia ou reprodução por qualquer meio sem a prévia autorização do autor. Contato pelo email escritorcomr@uol.com.br .
Era o dia 7 de maio de 1945, e o dia estava claro e ensolarado sobre a Alemanha. O major Ricardo Almeida comandava a patrulha de dois caças a jato Dumont D-115, tendo no outro aparelho o apoio do americano tenente Stephen Armstrong. Aqueles inovadores caças a jato de três motores eram a mais recente criação da Aeronáutica Dumont, a sempre surpreendente empresa brasileira que estava ajudando a fazer a diferença na guerra. Todas as opiniões que Ricardo ouvira nos últimos dias, como comandante de operações do Esquadrão Ouro, a mais avançada unidade de elite dos Aliados, concordavam em serem aqueles os últimos dias da guerra. As imensas formações de bombardeiros da Oitava Força Aérea do Exército americano estavam reduzindo a pó as últimas instalações industriais da Alemanha nazista, e a combalida Luftwaffe não era nem sombra da força que aterrorizou a Europa, no começo da Segunda Guerra Mundial. Ricardo voava distraído, enquanto cruzavam os céus a 5.000 m de altitude, a uma velocidade de mais de 900 km/h. Impulsionado por três turbinas do confiável modelo Mattarazzo J-3, o D-115 era um assombro para pilotar, deliciando seus pilotos. Nem mesmo o inglês Gloster Meteor ou o americano Republic XP-80 chegavam perto do caça brasileiro em performance. Claro que Ricardo sentia saudades de seu Mustang P-51, cuja manobrabilidade era incomparável. Mas o gênio técnico do Esquadrão Ouro, Matheus Kirk, continuava buscando maneiras de melhorar o desempenho dos jatos, que traziam no nariz e no leme traseiro o amarelo vibrante que identificava o Esquadrão Ouro. O brasileiro, que havia começado a combater na Europa durante a Batalha da Inglaterra, pouco antes da formação do Esquadrão Ouro, lembrou-se da longa e perigosa trajetória até então. Dos amigo que perdera, as duras missões de escolta com os Mustang P-51, e até mesmo os assombrosos acontecimentos do ano anterior. Acontecimentos que, se resolvidos de maneira diferente, teriam mudado o curso da guerra, em um rumo nada favorável aos Aliados. Mas não tinham certeza de que não haveriam outros homens malucos como o que havia enfrentado, o cientista louco Doutor V. A Inteligência Aliada proibida que se referissem a ele pelo nome, determinação com a qual Ricardo não concordava, apesar de acatar. E concordava menos ainda com aquele mundo cheio de segredos que estava surgindo com a aproximação do final do conflito. Os americanos estavam imersos em sua Operação Clipe de Papel, caçando os maiores cientistas e segredos dos alemães. Os soviéticos, cada vez mais arredios, começaram sua própria caça aos segredos nazistas, e o major brasileiro temia que um novo conflito estivesse nascendo aí. Por cima, os boatos e rumores que circulavam davam espaço para as mais malucas histórias. O grupamento especial baseado na Ilha da Ascenção, no Atlântico, detectara sinais de intensa atividade submarina, e chegara mesmo a afundar alguns submarinos alemães tentando fugir. Falava-se até que o Alto Comando nazista tentava escapar, talvez pretendendo se refugiar na América do Sul. E Ricardo temia que isso fosse verdade. Os acontecimentos de 1944 também afetaram profundamente o Brasil, e segundo Kirk comentava de seus constantes contatos com o Professor, o grande sábio brasileiro estava muito preocupado com alguns elementos, os quais nunca esconderam sua simpatia pelos regimes fascistas que estavam desmoronando. E ainda outros rumores, vindos do front russo, davam conta de que Hitler até já estaria morto. O Alto Comando Aliado tentava desesperadamente conseguir a confirmação dessa informação. Kirk, que atualmente vivia entre a Inglaterra e os Estados Unidos, como contato de Churchill junto a um certo programa americano chamado Projeto Manhattan, enviara um relatório afirmando que se não terminassem com aquela guerra logo, os americanos o fariam, com uma nova e terrível arma. Ricardo lembrou-se da carta pessoal que o amigo engenheiro lhe enviara, afirmando que tinham mesmo que encerrar a guerra, do contrário a tempestade de fogo que o Projeto Manhattan deflagraria seria terrível demais para imaginar. - Major, contato no radar. As palavras de Armstrong ecoaram pelos fones de seu capacete, e Ricardo acompanhou a leve curva para a esquerda de seu ala. Os dois jatos manobraram para localizar visualmente dois pontos que surgiram nas telas. O D-115 estava revolucionando o conceito de guerra aérea, mesmo ainda sem ter travado um combate real. Em instantes, as silhuetas inconfundíveis de dois caças a jato Messerschmidt Me-262 se tornaram bem distintas, logo abaixo deles, e os dois manobraram, ainda curvando, a fim de entrar logo atrás dos alemães. Stephen comentou: - Será que são do JV 44, Rick? Depois de um bom tempo servindo juntos, era comum no Esquadrão Ouro os membros se tratarem pelo primeiro nome, independente até da patente. Ricardo, que também convivia com o fato de usarem a versão em inglês de seu nome, respondeu: - Mas parece que o JV 44 se rendeu há poucos dias em Salzburgo, Stephen. Acho incrível que os nazis ainda tenham jatos operando... A menos que... Outros boatos davam conta de que um novo grupo havia sido formado, nos moldes do velho Jagdverband 44, que fora comandado pelo lendário Adolf Galland, um dos melhores ases alemães e que formou a unidade com os mais hábeis remanescentes da Luftwaffe em fevereiro de 1945. A unidade teve curta duração, mas abateu uma grande quantidade de aviões aliados. Os rumores diziam que esse novo grupo, formado a sua imagem e semelhança, se intitulava os Tigres do Reich. - Veja, são eles mesmos, gritou Armstrong. Veja os detalhes na pintura, lembrando tigres! E olhe o líder... - O nariz pintado de vermelho, Stephen, respondeu Ricardo. É o Whernstrong! Até então, pouco se sabia sobre o Kommando Whernstrong, essa nova unidade apelidada de Tigres do Reich, apenas o nome de seu líder. Helmutt Whernstrong fizera parte tanto do JV 44 de Galland quanto do Kommando Nowotny, outra famosa unidade de Me-262. Fanaticamente nazista, era um dos maiores ases alemães, com 218 vitórias, e admirador confesso de Manfred Von Richtoffen, o Barão Vermelho da Primeira Guerra Mundial, daí a pintura vermelha no nariz de sua aeronave, que usava desde o começo da guerra. E outra coisa que Ricardo sabia, fora Whernstrong que abatera Vincent Spencer, um de seus melhores amigos na guerra, ainda na Batalha da Inglaterra. Os D-115 continuaram sua longa curva descendente, mas os dois alemães perceberam os inimigos e viraram para o outro lado. Certamente já conheciam as façanhas do Esquadrão Ouro, e um combatente do mesmo era sempre uma presa especial para um piloto alemão. Começou um mortífero jogo de gato e rato, pelas informações que dispunham o primeiro combate aéreo totalmente a jato da História. Os quatro aviões faziam um longo círculo no céu, e os Me-262 se esforçavam para manter sua trajetória o mais fechada possível. Mas o D-115 era mais ágil, tendo como vantagem decisiva o formato canard, com pequenas asas postadas ao lado do longo nariz, e as asas curtas com bordo de ataque enflechado, e bordo de fuga quase reto. A força G foi aumentando, e Ricardo ouviu os sons do mecanismo pneumático injetando ar em seu macacão de vôo. Aquilo era uma novidade, o traje anti-G, que com aquele sistema comprimia as pernas e o ventre dos pilotos, impedindo que o sangue descesse da cabeça em manobras acentuadas e ocasionasse problemas fisiológicos e até perda de consciência. Ricardo e Stephen colocaram força em seus manches, e foram fechando mais e mais sua curva, e estavam a ponto de ter os Messerschmidt nas miras, quando algo incrível aconteceu. Dos bocais de exaustão das turbinas dos alemães longas flamas saíram, e os jatos deram um salto e uma virada súbita a direita. Os dois aliados reagiram quase instantaneamente, mas os alemães conseguiram mergulhar e ganhar velocidade, ao mesmo tempo em que se separavam. - Rick, eles têm pós-combustão! - Estou vendo, Stephen. Estão se separando, vamos atrás do líder! “- Que diabos!”, pensou Ricardo. “- Será possível que ainda existe algum cientista maluco, quem sabe até discípulo do Dr. V, inventando coisas para os nazistas?”. Entretanto, ele não tinha tempo de pensar a respeito. Uma luta de vida e morte estava se desenrolando. Os dois foram atrás de Whernstrong, acreditando que o ala alemão havia feito uma manobra errada, e decidira se afastar. Mas, surpreendentemente, balas traçantes passaram ao redor deles, e Ricardo e Stephen precisaram manobrar de forma caótica para escapar. O brasileiro olhou ao redor e subiu, tentando obter uma melhor visão da luta. Nisso, reparou em um brilho estranho em meio ao azul do céu, bem ao longe, e numa interferência em seu radar. Aquilo era similar ao que ocorrera antes com ele, havia menos de um mês em outro vôo com o D-115, mas Ricardo não tinha tempo de investigar, pois ouviu pelo rádio: - Rick, estão me perseguindo, preciso de ajuda! A transmissão igualmente estava cheia de estática, mas ainda compreensível. Ignorando aquilo, ele acelerou ao máximo seus três motores, e finalmente localizou Armstrong, perseguido pelos dois Messerschmidt. Ricardo inverteu o avião e mergulhou, em uma longa curva descendente que o levaria em uma trajetória de encontro a eles, em direção contrária. Ricardo sentiu a pressão, mas conseguiu ver que o indicador de velocidade já superava os 1.000 km/h. Percebeu que chegou a sorrir, quando se lembrou que aquela nem de longe era a maior velocidade que já havia experimentado. Afastou as lembranças enquanto dizia pelo rádio: - Stephen, quando eu disser, vire com tudo para a direita e para baixo. - Rick, você está louco? Está vindo direto contra nós! Quer... - Quer fazer o que mando? - Sim, major...
Continua abaixo...
Escrito por Escritor às 17h02
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Céu de Guerra: O Último Dia
Continuação...
Seu ala vinha literalmente dançando no ar, tentando escapar dos projéteis de 30 mm dos quatro canhões dos Me-262. Ricardo acelerou as três J-3 ao máximo, e sentiu seu D-115 balançar pelo esforço, ao mesmo tempo que sua visão começava a ficar turva. A dificuldade para respirar era imensa, mesmo com o traje especial, mas ele conseguiu gritar, logo após virar novamente seu caça: - Agora! Stephen virou e mergulhou para a direita como ordenado, e vindo de frente, Ricardo atirou a queima-roupa no Me-262 do ala alemão. Conseguiu mal e mal passar pela direita, no mesmo sentido de Stephen mas em uma curva muito mais aberta, enquanto Whernstrong virava para o outro lado. Atingido pelos dois canhões de 20 mm situados nas raízes das asas do D-115, o Me-262 do ala explodiu em chamas. Stephen gritava pelo rádio: - Você é louco, Ricardo! Como inventou uma manobra dessas? Podia ter nos matado! - Meu amigo Tony Reynolds não reclamou quando fiz a mesma manobra para salvá-lo ano passado, tenente! - O Tony também nunca bateu bem da bola pelo que ouvi dizer, major! Ah, eles de qualquer forma me atingiram, vejo óleo vazando, os controles estão muito duros. Ricardo olhou para trás, e constatou que o alemão fazia uma longa curva e vinha atrás deles. O avião de Armstrong deixava uma fina trilha de fumaça escura, o óleo do sistema hidráulico escapando. Não teve dúvidas: - Temos um teto máximo de serviço mais alto que o Me-262, Stephen. Suba o mais que puder e saia daqui. - Mas major... - Você está em um jato, tenente, e não conseguirá puxar muitos G´s com esse problema hidráulico. Vá para casa! Armstrong afinal cumpriu a ordem e subiu com as três turbinas no máximo, rumando para a fronteira com a França. Ricardo olhou novamente para o alemão que estava cada vez mais próximo. Pensou: “- Agora somos só nós dois, Whernstrong!”. Girou o caça para a esquerda, e depois começou a subir preparando-se para mergulhar sobre o Me-262 inimigo. Mas se surpreendeu quando viu que o alemão mergulhou, e depois começou a subir. Cruzaram-se no ar sem conseguir mirar no respectivo adversário, e os papéis se inverteram. Ricardo fez uma ampla curva por baixo, e Whernstrong por cima, na manobra conhecida como tesoura rolante. Cruzaram os caças mais duas vezes antes de ambos perderem velocidade. Ricardo acionou as turbinas ao máximo e afastou-se, e com o canto dos olhos percebeu que o alemão fazia o mesmo. Eram dois ases, um tentando suplantar o outro. O radar era de pouca valia naquele momento, e Ricardo pensou que devia desligá-lo, não sem antes perceber que a estática havia aumentado muito. Virou o caça para verificar, e viu que o alemão havia desistido de prosseguir com a manobra anterior, passando a perseguir um grupo de três ou quatro estranhas luzes distantes. Aquele era o maior mistério do final da guerra. Desde meados de 1943 pelo menos, tripulações de bombardeiros e caças aliados voando sobre a Alemanha descreviam encontros com estranhas luzes que acompanhavam os aviões. Os objetos estranhos se evadiam com impressionante facilidade das tentativas de interceptá-los ou abatê-los realizadas pelos aliados, e muitos comandantes diziam que deveriam ser uma nova arma alemã. Essa opinião tornou-se dominante quando surgiram as primeiras informações sobre a bomba voadora V-1, o míssil de longo alcance V-2, o Messerschmidt Me-163 impulsionado a foguete e o Me-262. Mas fora novamente o Esquadrão Ouro, em arriscadas missões de inteligência sobre o território inimigo, que descobrira que também os alemães estavam sendo perseguidos por aquelas coisas, e o mais incrível, as descreviam como armas secretas dos aliados! Os primeiros relatórios foram recebidos com incredulidade pelos comandantes aliados, mas quando as informações foram se acumulando, dando conta do estado de confusão que os objetos, já apelidados de foo-fighters pelos americanos, causavam aos alemães, os comandantes afinal se convenceram. E ali havia uma prova disso, e Ricardo tratou de acionar as duas câmeras na parte inferior do nariz do D-115 logo abaixo do radar, a fim de registrar o que estava presenciando. Whernstrong perseguia os objetos e atirava neles enquanto tentava alcançá-los, mas as luzes simplesmente brincavam com ele. Ricardo, no encontro anterior com aquelas coisas, tentou o mesmo sem sucesso, e agora apenas acompanhava os esforços do inimigo. Alguém estava monitorando a guerra, disso o brasileiro já tinha certeza. Mas quem seria esse alguém ele não conseguia nem imaginar. O fato que presenciava pela segunda vez lhe dizia que aqueles foo-fighters superavam em muito qualquer coisa que tanto os aliados quanto os nazistas tivessem. As luzes, depois de muito brincar com o alemão, finalmente acabaram se afastando e desaparecendo com uma rapidez espantosa. Whernstrong pareceu de repente lembrar-se que estava em um dogfight, e manobrou seu caça procurando Ricardo. Os dois ases voltaram a realizar um grande círculo deitado no céu, fechando a curva cada vez mais e tentando um ficar na posição seis horas do outro. Ricardo era muito auxiliado pelos equipamentos de que dispunha, mas o alemão sem dúvida era um excepcional piloto. A tensão foi subindo enquanto os jatos ficavam cada vez mais próximos, quando Ricardo ouviu um chamado pelo rádio, agora sem estática: - Atenção todos os pilotos! Atenção todos os pilotos! Não disparem! Cessar fogo! A guerra acabou! Repetindo, cessar fogo, a guerra acabou! Aquilo era inacreditável. Ricardo simplesmente não sabia o que sentir. Um misto de ódio, alegria e alívio se apossou dele, e por instantes esteve quase ausente do que ocorria a seu redor. Mas depressa se recompôs, pois ainda estava em perigo. Lembrou-se muito bem de ler o arquivo de Whernstrong, e sabia que ele falava inglês. Sintonizou as frequências que os nazistas usavam, e igualmente ouviu uma voz falar em alemão e em tom muito urgente. Mas o adversário não saía de sua perseguição. Continuava desenhando o círculo junto com Ricardo, em voltas cada vez mais fechadas. O brasileiro não teve dúvidas. Na frequência em que sabia que o adversário estaria ouvindo, disse: - Você não ouviu? A guerra acabou! Cessar fogo! Nenhuma resposta. Ricardo repetiu o chamado, e finalmente ouviu, em inglês: - Não acabou para mim! Whernstrong havia tomado sua decisão. A guerra duraria mais alguns minutos para eles. Ricardo, fechando a curva ao máximo, finalmente conseguiu enquadrar o Schwalbe, apelido do Me-262, e disparou. O alemão realizou uma curva a esquerda, e começou a subir. Almeida percebeu que ele dava início a uma nova tesoura rolante, e não teve alternativa a não ser mergulhar e entrar no jogo. Os dois caças se cruzaram durante a manobra por quatro vezes, sem que qualquer dos pilotos conseguisse enquadrar o inimigo. Enquanto isso, Ricardo ainda conseguiu enviar uma rápida mensagem e dar sua posição. Soube então que um grupo do Esquadrão Ouro fora enviado e deveria chegar em poucos minutos. Os aviões finalmente perderam velocidade, e Whernstrong afastou-se. Ricardo seguiu na direção oposta, mas olhando por cima do ombro viu que o inimigo fazia a volta para a direita. O brasileiro fez o mesmo em direção oposta, e finalmente eles tornaram a se cruzar nos céus, sem conseguirem disparar. Iniciava-se uma nova tesoura. Ricardo subiu com seu D-115, inverteu e mergulhou, e lá estava o Me-262 subindo. Os caças tornaram a se cruzar muito próximos, e o brasileiro se lembrou de seu primeiro encontro com o jato alemão. Mesmo especialmente equipado, os P-51 Mustang do Esquadrão Ouro não conseguiam alcançar os Schwalbe, mas os alemães na ocasião cometeram o erro de entrar em dogfights, onde o Mustang era o mais temível adversário. De um grupo de oito, três Me-262 caíram, contra apenas um dos doze Mustang do Esquadrão Ouro. De volta para a base, por dias a fio não se falou em outra coisa, todos temendo que o jato alemão pudesse virar a maré da guerra, o que felizmente não aconteceu. Whernstrong, forçando ao máximo, conseguiu completar sua curva superior em menos tempo, e por instantes o D-115 de Ricardo ficou sob sua mira. Disparos de 30 mm passam rente ao jato brasileiro, e Ricardo acelera, chegando ao limite do equipamento. Chegou a sentir a vista escurecer por causa da pressão, mas conseguiu sair da mira do alemão, e tornou a mergulhar, subindo em seguida. Mas se surpreendeu ao ver que Whernstrong passou a subir vertiginosamente, com longas chamas saindo pelos escapamentos das duas turbinas. Era um chamado final. O alemão estava confiante que, graças a seus pós-combustores, conseguiria se manter subindo por mais tempo que Ricardo. O brasileiro seguiu o Me-262 apontando seu avião para cima, e os dois aviões subiam e potência máxima. Normalmente, as turbinas Jumo 004 não permitiam que os Me-262 subissem a mais de 12.000 m. Disso muito se aproveitaram os pilotos do Esquadrão Ouro, que com seus aviões especialmente equipados com as confiáveis turbinas J-3 para impulsão de emergência, conseguiam atingir altitudes maiores. Agora Ricardo pilotava o D-115, e em testes já havia conseguido atingir os 14.000 m. O brasileiro torcia desesperadamente que o modelo experimental de que seu inimigo dispunha não lhe desse vantagem. Os jatos foram subindo, e Ricardo chegou a ter Whernstrong na mira por um instante, disparando brevemente seus canhões de 20 mm, mais como desafio do que para atingi-lo. Os dois aviões agora subiam quase emparelhados, e os pilotos se olhavam fixamente através das capotas. Já haviam passado dos dez mil metros. Depois onze mil. Doze mil e subindo... Ricardo olhou por um instante para o altímetro, e viu os treze mil metros chegando e passando. Os quatorze mil metros se aproximavam, e uma luz começou a piscar no mostrador de rotações da turbina número 3. O motor começava a falhar. Mas o brasileiro manteve a pressão. A guerra já havia acabado, mas Whernstrong nem pensava em abandonar a batalha. Ricardo sabia que o alemão iria matá-lo com muito prazer, e talvez até pensasse em depois se entregar aos pilotos do Esquadrão Ouro que chegavam. Já deveria saber que os aliados andavam atrás da tecnologia alemã, e quem sabe pensasse em trocar seus serviços por sua liberdade no pós-guerra. O brasileiro estava decidido a não permitir que isso ocorresse.
Continua abaixo...
Escrito por Escritor às 16h58
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Céu de Guerra: O Último Dia
Continuação...
A luz do motor número 1 começou a piscar, o altímetro marcava 14.200 m, mas algo aconteceu com Whernstrong. Ricardo conseguiu ouvir, vindo do Me-262, um barulho como um estrondo abafado, e subitamente suas duas turbinas apagaram. Whernstrong ainda se manteve no ar por uma fração de segundo, e por fim seu caça virou e caiu. Ricardo ainda subiu por alguns segundos, e por um instante contemplou o negrume do céu, algumas estrelas até se tornando visíveis, e ao longe, a curvatura do planeta. Finalmente, manobrou o D-115, e partiu no encalço de Whernstrong. O alemão girava descontroladamente, e chamas saíam de maneira alternada pelos motores. Ele tentava ligá-los, mas as turbinas não respondiam. Mas Whernstrong ainda era perigoso, e disparava sempre que via o borrão, representando o D-115 de Ricardo, adiante de si. Ricardo procurou mirar com todo o cuidado, ao mesmo tempo esquivando-se dos disparos dos mortíferos 4 canhões do Me-262, quando subitamente sentiu algo batendo em seu caça. Um instante depois, uma dor lancinante atravessou seu ombro. Whernstrong, mesmo caindo, conseguira acertar alguns disparos, e estilhaços entraram na cabine. Um deles penetrou no ombro de Ricardo, que gritou de dor. Mas procurou ignorá-la, e concentrando-se ao máximo, finalmente enquadrou o Me-262 em sua mira. Pensou em dar ao alemão uma única chance, mas decidiu que ele não merecia isso. Apertou o gatilho, e disparos de 20 mm atingiram em cheio o jato alemão, que passou a soltar fumaça. Mas Ricardo não parava de atirar, mergulhando atrás do alemão a mais de 1.000 km/h. Atirava e atirava, arrancando grandes pedaços do inimigo, e finalmente o caça perdeu uma das asas. No instante seguinte foi coberto pelas chamas, no exato momento em que acabava a munição de Ricardo. Continuando a ignorar a terrível dor, ele reduziu a potência e curvou suavemente a esquerda, a tempo de ver o Me-262 explodir em chamas. Ricardo deu uma longa volta e finalmente viu o que restava do jato alemão cair ao solo e produzir uma grande bola de fogo. Não havia pára-quedas visível no ar. O brasileiro sentiu a vista escurecer novamente, mas em um último esforço controlou-se, apontando finalmente seu jato avariado rumo a França. Ao longe, divisou quatro pontos escuros, que logo se revelaram como dois XP-80 americanos, escoltando dois D-84, o bimotor multifuncional que fora o maior sucesso da Aeronáutica Dumont na guerra. Ainda naquela noite, e depois de uma visita a enfermaria da base, Ricardo foi enviado para a Base Ouro, nas proximidades de Oxford, na Inglaterra. O dia 8 de maio de 1945 amanheceu radiante e ensolarado, e todos os soldados e oficiais do Esquadrão Ouro estavam perfilados diante do hangar principal da base. Um palanque fora rapidamente montado, e nele estava boa parte do Alto Comando britânico. Winston Churchill fez questão de estar presente, e em seu discurso relembrou os momentos desesperados mas gloriosos na Batalha da Inglaterra, quando foi concebido o Esquadrão Ouro como um grupo de pesquisa de elite, para anular a vantagem tecnológica nazista. - E, se hoje celebramos o fim da guerra e a vitória da civilização sobre a barbárie, boa parte do mérito cabe a vocês. Por isso, muito obrigado, e parabéns! Essa vitória é de todos nós! Ricardo, com o braço enfaixado mas usando a farda social como todos os outros, se une as palmas arrebatadoras e ao clima de celebração. Nunca ele havia visto tantos dos companheiros caírem no choro, e sentiu as lágrimas encherem seus olhos ao lembrar dos amigos que não estavam ali para celebrar o final da guerra, mas também de alegria pelo fim daquele drama de tantos anos. Kirk aproximou-se dele, também com os olhos vermelhos, e os dois amigos finalmente se abraçaram, ficando assim por longos minutos. Nenhuma palavra era necessária. Os sentimentos eram quase dolorosamente óbvios. O próprio Churchill veio ter com eles. Seus companheiros ao redor tentaram avisá-los, mas o Comandante pediu que os deixassem. Finalmente, Kirk e Almeida se largaram, ficaram em posição de sentido e bateram continência. - Tenho uma última coisa para você, meu caro Ricardo... Churchill estendeu-lhe uma pequena caixa, que Ricardo apanhou agradecendo. Dentro, um conjunto de insígnias, que o próprio Churchill apanhou e colocou em sua farda, dizendo: - Parabéns, coronel Almeida. Você mereceu. Uma homenagem sem dúvida pequena, diante de nossa eterna gratidão. Quem estava ao redor bateu palmas, e o primeiro-ministro tomou a iniciativa de abraçar o oficial. Ficaram assim alguns instantes, e Churchill murmurou “obrigado”, visivelmente emocionado, ao menos três vezes. Ricardo e Kirk acompanharam o primeiro-ministro e seu staff. Churchill precisava encontrar-se com o Alto Comando Aliado. Muitas decisões precisavam ainda ser tomadas, como organizar o pós-guerra na Alemanha, sem esquecer que a guerra no Pacífico contra o Japão ainda continuava. - Rapazes, vocês merecem um descanso, disse o primeiro-ministro a Kirk e Almeida. Tirem uns dias de folga. Ricardo parecia distante, e Churchill, antes de entrar no carro, perguntou: - Ricardo, meu bom jovem, o que foi? O brasileiro tinha uma expressão cansada, e finalmente respondeu: - Desculpe, Comandante. Estes últimos dias foram extenuantes. E ontem, realmente... - Sei, meu amigo. Mas o perigo nazista passou, todos esperamos! Considere-se em férias, mas gostaria que se mantivesse nas proximidades. Nunca se sabe, podemos precisar de suas habilidades novamente. - É mesmo, Ricardo, disse Kirk. - Ninguém é insubstituível, meus caros, respondeu Almeida subitamente. Todos ficaram surpresos, e o brasileiro completou: - Primeiro-ministro, estou muito cansado. Parece que todo o peso do mundo caiu sobre mim, após ouvir a notícia do final da guerra. Comandante, se não se importa, gostaria muito de voltar para casa, ver minha família... Churchill a princípio exibiu uma expressão carregada. Mas em seguida, surpreendendo a todos, voltou a trocar um longo abraço com o amigo brasileiro, e em seguida, completou: - Espero que nos vejamos novamente, e em breve, meu jovem! Ricardo agradeceu aquela legendária figura, e respondeu: - É uma promessa, Comandante! Churchill entrou finalmente no carro, e logo sua comitiva se afastava. De todas as partes chegavam notícias sobre as comemorações com o final da guerra. O pessoal do Esquadrão Ouro, encerrada a celebração, foi tratar de suas responsabilidades, enquanto Kirk e Ricardo andavam um tanto sem rumo pelo pátio da base. - E então, Ricardo? Ou devo dizer Coronel Almeida? O que vai ser a seguir? Que tal irmos visitar o Professor no Brasil? Ricardo lançou um olhar ao redor, que se demorou mais em algum ponto indefinível no horizonte, e finalmente respondeu: - Agora, que a guerra acabou, temos um mundo novo e bem diferente diante de nós. Apenas isso é desafio suficiente. Os dois amigos concordaram, enquanto acima deles um grupo de aviões de todos os tipos, que participaram da revoada da vitória sobre Oxford, passaram em rasante brilhando ao Sol. A vitória contra a tirania finalmente havia chegado.
Notas:
A ficção de história alternativa se baseia na premissa “o que aconteceria se...”. Imaginar, por exemplo, como seria se outro houvesse chegado ao Brasil, e não Cabral. E se os nazistas tivessem vencido a Segunda Guerra? Ou se John Kennedy não fosse assassinado? E se a República não houvesse sido proclamada no Brasil? Ou se a emenda das Diretas Já fosse aprovada em 1984? É disso que se trata esse tipo de ficção especulativa, investigar uma linha histórica diferente, não necessariamente melhor ou pior, do que a nossa. Este conto foi inspirado em meu livro Céu de Guerra, devidamente registrado na Fundação Biblioteca Nacional, onde estão narrados os fatos dessa linha histórica, e porque a mesma é diferente da nossa. Contatos pelo email escritorcomr@uol.com.br . O D-115 foi obviamente inspirado em famoso caça da Ficção Científica, com alguns detalhes do XP-55 Ascender, projeto norte-americano que não entrou em serviço, e do magnífico F-104 Starfighter. Os primeiros testes com pós-combustão ocorreram na Inglaterra, ao final da guerra, utilizando o Gloster Meteor. Os chamados foo-fighters se constituem em um dos maiores mistérios da Segunda Guerra Mundial. Estranhos objetos luminosos que seguiam as formações aliadas que seguiam para bombardear o coração da Alemanha nazista, foram inicialmente considerados armas secretas do inimigo. Porém, após a guerra, ao consultar os arquivos alemães descobriram que estes encontraram as mesmas coisas nos céus, atribuindo-as a armas secretas dos aliados.
Escrito por Escritor às 16h57
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Caminhos do Coração, Fanfiction
A trama e os personagens de Caminhos do Coração pertencem ao autor Tiago Santiago e a Rede Record de Televisão. A história a seguir constitui-se apenas e tão somente em um exercício de imaginação, com o fim único de entretenimento, e sob nenhuma hipótese foi escrita com o propósito de auferir qualquer espécie de lucro. O autor (contato pelo email escritorcomr@uol.com.br ) pretende unicamente com a mesma prestar tributo aos atores, autores, e a toda a equipe responsável pela histórica novela Caminhos do Coração, a primeira verdadeira produção de Ficção Científica no horário nobre da TV brasileira.
Caminhos do Coração Fic 2
O Legado de Júlia
Ilha do Arraial, como talvez devesse ter sido a partida de Eric
Eric, Fernando e Juanita vinham correndo pela praia. Após o tiroteio com Maria e seus amigos, Velociraptor havia aparecido e foi cada um para um lado. Seu barco estava logo adiante, e os dois homens puxaram o bote para a água, depois de retirá-lo do matagal onde o haviam escondido. Fernando jogou suas coisas dentro, e foi avisar Juanita que, de revólver em punho, vigiava os arredores. A mulher-serpente disse: - Aí, guri, a gente que sair logo daqui. - Tá cheio de mutante perigoso, mana, e tem ainda aquele Velociraptor. - Na verdade, Cobrão e Jibóia, ainda tem outro servicinho prá fazer pela Chefia... Quando os dois irmãos se voltam, vêem Eric apontando duas armas, uma em cada mão, para eles. Juanita instintivamente aponta seu revólver, e Fernando faz o mesmo com sua pistola, perguntando em tom ameaçador: - Quê qué isso, Lobão? - É, guri, que negócio é esse, acrescenta Juanita. - O negócio, diz Eric com seu habitual sorriso debochado, é que a Chefia mandou exterminar todos os mutantes. Todos eles! E lamento dizer que isso inclui as duas minhoquinhas aí, que ficam todas cheias de dedos prá dar um fim até na Sereia! - Pô, Eric, diz Fernando revoltado, a Iara é muito gostosa, um desperdício dar fim numa princesa daquelas. - Cala a boca, Fernando! A Chefia mandou acabar com os mutantes, e vocês viraram mutantes-cobra, e ainda por cima não têm me ajudado em nada! - A gente vai atirar em você, guri, somos dois contra um! Juanita dá um sorriso bem cínico, troca um rápido olhar com Fernando que também sorri, e ambos fazem mira contra Eric. Apertam os gatilhos. Nada acontece. Eles ficam desesperados, tentam repetidas vezes e nada. O bandido careca ri e mantém as armas apontadas, e finalmente diz: - São muito burros mesmo, vocês dois! Acham mesmo que com as ordens da Chefia de exterminar todos os mutantes, eu ia dar mole e deixar vocês ficarem com as armas carregadas? Tremendo e gaguejando, Juanita joga a arma na areia e faz menção de se aproximar, dizendo: - Ô guri... Não faz isso... a gente se divertiu tanto... - A gente se divertiu, sim, Juanita, mas só o que me importa é cumprir as ordens da Chefia, e claro, receber meu pagamento. Os dois irmãos olham aterrorizados, enquanto Eric sorri sadicamente.
Bloco com Dicas de Auto-Ajuda da Tia Simone
Apenas brincadeirinha...
De volta a praia da Ilha do Arraial
- Então, Fernando e Juanita, a gente se vê no inferno... Eric contempla satisfeito os corpos caídos, os grãos de areia ao redor tingidos de sangue. Depois vira as costas, joga suas coisas no bote, empurra-o para o mar e liga o motor, chegando rapidamente no barco. Ainda havia muito a fazer.
Casa de Guiga
O Leão não parava de rugir e ameaçar todos os presentes. As meninas gritavam em pânico. - Tati, use seu poder, gritou Eugênio. - Não consigo! Estou travada, diz chorando a telecineta. - Eu vou devorar vocês todos, urra Leão. - Saia da minha casa ou eu atiro em você! Guiga aponta o revólver, e como o mutante continuava a se aproximar, atira. As meninas berram mais, mas o tiro pega apenas no ombro do monstro. Leão dá um salto, quase rápido demais para a vista acompanhar, e com um tapa, joga longe o revólver de Guiga. O mutante pula sobre o dono da casa, e desfere mais uma patada. Guiga é atingido no rosto, e cai inconsciente. Teófilo, que brandia seu facão, ataca o mutante e consegue fazer-lhe um profundo corte na lateral do corpo, abaixo das costelas. Leão ruge mais alto e dá um golpe, jogando o pescador longe. - Ah, eu vou acabar com todos vocês, urra o monstro, caindo sobre Teófilo e mordendo-o. Aquiles grita e sai correndo, tentando distrair o monstro. Leão também é ágil, e derruba o garoto. Ágata grita em desespero: - Deixe meu irmão em paz, seu monstro! Leão se volta para ela e diz: - Menina bonita, você é a próxima. Clara, num acesso de coragem, larga a mão de Érica e se aproxima, dizendo: - Eu posso te curar com os poderes do amor... Mas o monstro salta e fica diante dela, dizendo: - Eu não quero cura. Quero comida. E você é um ótimo aperitivo, menininha... Ele urra, Clarinha berra de pavor, e Leão estende as mãos em garra para apanhá-la. Nesse instante, Tatiana se adianta, abre os braços e olha furiosamente para o mutante. Leão começa a levitar, e sem entender nada, se debate furiosamente, enquanto Clara corre para os braços de Érica. Leão percebe que é Tati usando seu poder, e urra: - Me coloca no chão, menina, ou eu acabo com você! Tati mostra uma intensa concentração, as luzes da casa começam a acender e apagar, e alguns vidros se quebram com estrépito, enquanto a menina ergue a mão em garra e diz: - Eu é que vou acabar com você, monstro! Leão começa a sufocar, leva as mãos ao pescoço e diz palavras desconexas. Clarinha grita de pânico, e Ângela se aproxima de Tati e diz: - Tati, não, a gente formou a Liga do Bem... - Ângela, ele é um monstro, que vai matar todos nós se a gente deixar... Érica ainda tenta dizer algo, mas com um impulso maior, Tati arremessa o monstro longe. Leão atravessa inerte a vidraça, e vai cair lá fora inconsciente. Clara, mais que depressa, vai socorrer o pai, enquanto Ágata corre para o pai e o irmão. Aquiles já se mexe, e Eugênio o ajuda a levantar, dizendo: - Aquiles, você poderia ter dado um jeito no Leão muito facilmente. - Pô, Eugênio, você não viu? O cara é forte prá caramba, e aliás, onde ele está? - A Tati jogou o monstro para fora, Aquiles, responde Ágata. Os dois irmãos se voltam para o pai. Teófilo está inconsciente e ferido. Clarinha, depois de curar Guiga, ajoelha ao lado do pescador e novamente usa seus poderes, enquanto Aquiles insiste com Eugênio, já abraçado e aos carinhos com Ágata. - Então, Eugênio, eu só consigo me regenerar e correr muito rápido, como eu poderia dar um jeito no Leão? - Muito simples, Aquiles, diz o garoto gênio, com a energia cinética. - Energia cinética? - É, Aquiles, diz Ágata. A energia dos corpos em movimento. Quando maior a velocidade, maior a energia cinética. - Muito bem, Ágata, diz Eugênio. Você viu, Aquiles, quando você corre, você armazena muita energia cinética. Se conseguir acertar um golpe, um soco ou chute, enquanto se move muito rápido, esse golpe será muito forte, quase devastador. - Você é tão inteligente, Eugênio... Ágata sorri e dá um olhar carinhoso para o garoto. Ele retribui e diz: - Sou porque sou um mutante, Ágata querida. Mas você sabia a resposta, você é inteligente por esforço e mérito seu. Os dois se beijam pela primeira vez, e Aquiles um tanto enciumado vai ajudar o pai a se levantar. Enquanto isso, Guiga se aproxima de Leão, estirado lá fora todo cortado pelo vidro da vidraça, de arma em punho. Sacode o mutante várias vezes, e por fim toma seu pulso. - Não temos mais que nos preocupar com ele, diz por fim. Está morto. - Tati, você matou o Leão! - Clara, com seu poder do amor é que não daria para fazer nada! Ele ia matar todo mundo! Tatiana senta-se no sofá, seus olhos ainda faiscando ódio. Eugênio senta-se ao lado dela, passa um braço por seus ombros e diz: - Pois é, Tati, você fez o que achou certo. Tomou o único curso de ação que achou que poderia nos salvar. E nos salvou mesmo. - Eugênio, diz Guiga, mas não é por isso que devemos matar outra pessoa. - Pai, responde o garoto, era uma situação impossível. O Leão estava a ponto de atacar a Clarinha. Se não fosse a Tati... Guiga se abraça a família, e por fim diz: - Muito bem. Em casos extremos, por uma questão de sobrevivência, pode até ser. O que não pode é virar um hábito. Tati faz que sim, e Guiga e Teófilo conversam sobre o que fazer com o corpo de Leão. Eugênio completa, por fim: - O fato é que, com os mutantes se espalhando, os humanos normais se sentirão cada vez mais ameaçados. Pode chegar um momento em que os mutantes serão caçados indiscriminadamente. Talvez em nome da sobrevivência, qualquer um de nós tenha que tomar outras atitudes drásticas assim novamente. Todos ficam pensativos. Ninguém queria admitir a possibilidade de uma guerra de extermínio. Mas no fundo, quase todos sabiam que, a menos que houvesse uma grande virada de maré nos últimos acontecimentos, esta seria praticamente inevitável.
Continua abaixo...
Escrito por Escritor às 18h34
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Caminhos do Coração, Fanfiction
Continuação Esconderijo de Eric na Cantareira e a Grande Revelação (Que mais do que provavelmente não combinará com a revelação verdadeira que será apresentada em Caminhos do Coração, e portanto se constitui apenas em uma teoria de fãs da novela)
O bandido chega finalmente em casa, deixa a bagagem em um canto e se atira no sofá. Está cansado, sabe que não tem tempo a perder, mas decide deixar para voltar a pensar na missão apenas na manhã seguinte. Um rápido lampejo de luz o alarma e o faz pegar a arma, vira-se já com a pistola engatilhada, mas relaxa ao ver quem acaba de chegar. Joga a pistola sobre a mesa, volta para o sofá e diz: - Chefia, há quanto tempo! Olha, dei cabo de todos os mutantes que consegui lá na ilha, incluindo aqueles dois babacas dos irmãos-cobra, e até exterminei como brinde um grupo da Polícia Federal... - Sei, meu fofo, o Depecom, Departamento de Pesquisa e Controle de Mutantes. Claro que eles vão remontar o departamento. - Como você... Ah, esquece. Esqueci que pode viajar no tempo. Sabe, o que não entendo é porque tantas de suas ordens são urgentes. Para alguém que basta pensar numa época para se teletransportar para ela, você tem pressa demais. Eric vai até o frigobar, tira a camisa no meio do caminho, apanha uma garrafa de água e começa a beber. Logo sente braços o envolverem por trás, e com um movimento rápido se afasta, dizendo: - Ô, chefia, eu faço o serviço, você me paga, e estamos bem assim. Não quero saber desse lance se frutinha não! - Ai, Eric, como você é preconceituoso, diz Danilo deitando no sofá. Sabia que no futuro o casamento gay será algo super comum, meu gostoso? - Olha, vamos combinar, você me paga para fazer o serviço, que de forma muito profissional modéstia a parte eu faço e muito bem, e está bom assim. Vê se mantém distância, ou eu me demito com minha pistola que está bem ali, hein? Danilo se coloca de pé, diante de Eric, admirando seu corpo. Depois ri e pergunta: - Muito me admira, seu bofe, que fale uma coisa feia dessas. Apenas o fato de eu estar aqui é prova suficiente que você não levou sua ameaça a sério; - As pessoas agem por impulso, “Danilinho”. Eu sempre posso pegar a pistola e te dar um teco bem na testa! - E quem garante, meu lindo, que você não estaria matando seu próprio pai, antes mesmo dele transar com sua mãe para te conceber? Eric hesita por um momento, termina a garrafa e joga ela por sobre o ombro. Dá risada por fim, e diz: - Você tá de brincadeira comigo! - É claro que estou, fofo. Mas pode ter sido eu que apresentou seus pais, já pensou nisso? E pode ser que eu ainda vá viajar ao passado e fazer isso, quem sabe? Se me matar, você nunca irá nascer, será apagado da existência! Eric fica com expressão zangada, e por fim decide desfazer sua bagagem. Enquanto organiza as armas sobre uma mesa, para depois limpá-las, pergunta: - Isso é que não entendo. Se pode viajar no tempo e simplesmente apagar da existência quem precisa ser apagado, incluindo os mutantes, por que precisa de mim? Danilo senta-se novamente no sofá, arruma a franja com as pontas dos dedos das duas mãos, e com cara de enfado responde: - Pela mesma razão de eu não poder voltar ao passado e matar Hitler, impedindo que ocorra a Segunda Guerra Mundial e milhões de mortes, lindo. A linha temporal é algo muito delicado, e me custou muito tempo para aprender isso. A Dra. Júlia, por exemplo. Nem pensar que podemos nos arriscar a matá-la. Vou precisar muito das criações dela no futuro. Eric nem tenta fingir que entende, mas deixa Danilo-Chefia falar: - Ai, nem gosto de pensar como perdi tempo nesta época, antes de descobrir meus poderes. Só então comecei a usá-los, viajar no tempo e tentar desvendar o mistério dos assassinatos. Demorou, claro, para eu perceber que eu mesmo era o responsável. Isso, quando encontrei a mim mesmo, e expliquei para mim todo o plano. Um luxo de plano, aliás, tudo! - Esse negócio de viajar no tempo, ir para frente e para trás, isso me dá dor de cabeça só de pensar. Francamente, é melhor mesmo a gente ficar só nos emails. Você precisa do serviço me avisa, eu confiro no computador, despacho quem precisa ser despachado, você me paga, e todo mundo fica feliz. - Muito bem, Eric meu fofo. E falando nisso, minhas ordens anteriores continuam valendo. Nada de preguiça, hein? Ainda tem muito mais tutu de onde saiu tudo que você já recebeu. Bom, o futuro sempre está mudando, e tenho que voltar para que tudo não vire um horror, credo! Danilo se coloca de pé, ajeita a roupa passando as mãos para alisar o tecido, arruma novamente os cabelos, fecha os olhos e desaparece no tecido do espaço-tempo em um breve lampejo de luz. Eric começa a desmontar uma das armas enquanto olha para onde Danilo estava há um instante: - Quem diria, a Chefia seria o Flufs o frutinha... Bom, ele está me pagando, eu faço o serviço. A seguir o bandido olha para a foto luzindo na tela do computador, e diz: - A próxima é você, vagabunda, traidora, safada! Você não perde por esperar. Helga aparecia na foto sorrindo. Estava linda. Mas isso eram outros tempos. Eric tinha um serviço a fazer, e iria fazê-lo, aproveitando também cada momento em sua vingança.
Quinze anos depois
A avenida Água Espraiada, na zona sul de São Paulo, levava até a sede da Progênese, num luxuoso prédio ao lado da antiga Marginal Pinheiros. E havia se tornado uma praça de guerra. A situação ficara insustentável. Os mutantes havia ressurgido em um novo surto, e vampiros e lobisomens se multiplicavam pela cidade. A polícia e as forças especiais dos militares haviam se concentrado ali. Mas eram milhares deles, surgidos como do nada. Atacavam indiscriminadamente uns aos outros, e a todos os humanos que apareciam, saídos dos prédios construídos na última década e meia naquela avenida. As pessoas corriam e gritavam pelas ruas, e muitas vezes se livraram por um triz de serem atacadas por um lobisomen, apenas para caírem nas garras e nas presas de vampiros. Os dois grupos de mutantes também se atacavam mutuamente. Os vampiros costumavam levar a pior em combate individual, pois os lobisomens eram muito mais fortes. Só que os lobos estavam em muito menor número. Os policiais e soldados não conseguiam colocar ordem no caos, mas continuavam tentando. E em meio a tudo, um pequeno grupo abria caminho a força. Um grupo de dez vampiros reparou na beleza das meninas e veio correndo. Uma força invisível os agarrou e ergueu dezenas de metros no ar, largando-os e fazendo com que caíssem adiante. Os mutantes não voltaram a se mexer. Tatiana havia se tornado uma moça linda, mas triste, e seu rosto não mostrava qualquer expressão. Um lobisomen se aproximou por trás dela, e antes que percebesse, alguém passou voando e agarrou a fera. O bicho peludo se debateu muito, até ser jogado contra a vidraça de um prédio próximo. O lobisomen rolou pelo pavimento e parou, inconsciente e já transformado em humano de novo. Ângela voltou a pousar, suas imensas asas abertas em todo seu esplendor, os longos cabelos loiros também emoldurando seu rosto triste. Tanto tempo havia passado, tantas lutas e tragédias, que custava a ela crer que aqueles tempos felizes e ingênuos, na casa de seu pai no Guarujá, sequer tivesse existido. Clarinha, ao contrário da irmã e da amiga, há muito tempo usava os cabelos escuros cortados curtos, e terminava de usar seu poder em um super-vampiro. O monstro era diferente dos vampiros derivados do legendário Vlado, o primeiro desses seres criado pela Dra. Júlia, tinha um focinho comprido onde se sobressaía a bocarra com imensos dentes, orelhas compridas e uma força descomunal. Contra eles, nem o poder de Clara propiciava a cura. A garota só podia enfrentá-los com seu poder reverso, que removia a energia vital da vítima. O monstro caiu morto ao chão, e Clara se reuniu ao lado das demais, observando o caos. Tati não perdeu a oportunidade: - Nesses tempos não dá mais para usar seu “poder do amor”, hein, Clarinha? - Você vai mesmo ficar me amolando com isso para sempre, né, Tati? - Deixa eu pensar... ah, acho que vou, sim! Ângela nem disse nada. As duas viviam as turras havia anos, mas todas se gostavam. Clara pensava na mesma coisa. Ainda sentia arrepios quando lembrava como havia descoberto seu poder. Eric havia acabado de assassinar Guiga e Érica, e nem mesmo seus poderes foram suficientes para salvá-los. Sentindo um ódio que nunca julgara capaz, Clara avançou contra o bandido e o tocou, literalmente sugando a vida de seu corpo. Quando um Eric mumificado se desfez em pó a seus pés, Clara gritou, e ficou gritando por muito tempo até ser consolada pela irmã e pela amiga. Ela ainda dava graças a Deus por esse ter sido o momento mais aterrador de sua vida, quando descobriu que além de curar, também tinha o poder de matar com apenas um toque. Elas e outros mutantes ainda faziam parte da Liga do Bem, mas tudo havia ficado muito menos claro depois de todos aqueles anos. Caçaram incessantemente a Dra. Júlia, e Tati era uma que sempre dissera que ia matar a cientista louca na primeira oportunidade. Mas, pensando bem, era devido a ela que todos existiam, que todos haviam se conhecido. Daí resultou a Liga do Bem, e isso acabou sendo uma coisa boa. Ou ao menos, esperavam que fosse uma coisa boa. Pois era difícil se lembrar disso as vezes, como agora, em que um grupo de pessoas comuns, fugindo dos mutantes, reparou nas asas de Ângela e vinha correndo contra elas. Alguns já gritavam: - Vejam, outros mutantes! - Vamos acabar com elas! - Ei, elas são gostosas, vamos aproveitar! Clara e Ângela se prepararam, mas sabiam que não havia necessidade. Tati estendeu os braços, lançou um olhar duro para a turba, e uma onda de energia cinética foi lançada contra os humanos. Todos foram derrubados e ficaram desnorteados, e a garota ainda gritou: - Caso não tenham reparado, estamos aqui para salvar vocês, idiotas! Nisso, outro grupo de vampiros e lobisomens se jogou contra os humanos. Ângela saiu voando, pegou dois de uma vez e os lançou longe. Tati olhava um de cada vez, jogando alguns longe, sufocando outros até a inconsciência, e as vezes até partindo alguns pescoços quando os monstros já se atracavam com as vítimas. Clara usava seu poder alternadamente, curando os que podia e matando os demais, além de curar os ferimentos dos humanos. As outras duas faziam um cordão de isolamento ao redor, mas eram muitos. Mesmo que vampiros e lobisomens continuassem a se atacar uns aos outros, seu número crescente era demais para as meninas. Súbito, duas figuras surgiram, atacando os monstros com golpes e chutes mais rápidos do que os olhos podiam ver. Toni e Cléo eram veteranos da Liga, e chegavam para ajudar junto com Perpétua, cuja presença fora denunciada pelos raios de eletricidade que cortavam o ar. Logo, aquelas redondezas estavam silenciosas novamente, e os últimos feridos eram curados por Clara. Mas a garota estava cansada. Depois de curar uma mulher, que a encarou de olhos arregalados, caiu nos braços de Toni, enquanto Ângela, depois de jogar longe o último lobisomen, pousou e disse para a mulher: - É melhor ir correndo para casa enquanto ainda pode. A mulher murmurou um “obrigado” e saiu correndo. Anos de propaganda anti-mutante, apesar dos esforços da Liga, ainda faziam as pessoas olhar com desconfiança para qualquer mutante, mesmo aqueles com boas intenções. Com Clarinha inconsciente nos braços, Toni disse: - Pessoal, é melhor a gente continuar avançando. Preocupada com a irmã, Ângela disse: - Não podemos invadir a Progênese sem a Clara. - Ela se recupera, Ângela, disse Cléo. - Pode ir, Anjinha, disse Clara abrindo os olhos. O apelido carinhoso dos tempos de paz animou a belíssima mutante de asas. Tati chegou, e perguntou: - Onde está o... Uma sombra passou a seu lado, parando a seguir ao lado de Cléo. Aquiles sorriu, e Tati completou: - Ah, nada. - Fiz um reconhecimento da área da Progênese, disse Aquiles, e os guardas da empresa estão lá. - Eles não são de nada, disse Cléo. - Não mesmo, concordou Perpétua.
Depois de percorrerem o resto do caminho, passando pelos escombros da ponte que ligava aquele ponto ao outro lado da Marginal, a Liga do Bem estava diante dos portões da Progênese. Ali dentro, os guardas já em formação, com armas em punho. Agora, as apontavam para os mutantes. - E aí, perguntou Aquiles. Eu pego os cinquenta do meio? - Eu fico com os da esquerda, disse Perpétua com esferas de eletricidade brilhando nas palmas das mãos. - Então os últimos cinquenta, os da direita, são nossos, disse Toni. Tati, atrás dos três, disse que se encarregaria dos que sobrassem e protegeria os outros dos lobisomens que já haviam visto se aproximando. Sem qualquer aviso, o portão foi destruído, e Aquiles passou com imensa velocidade, quase invisível e derrubando cada guarda que encontrava. Perpétua disparava contra cada grupo que tentava se aproximar, e Toni, Cléo e Tati cuidavam dos demais. Os guardas não tiveram a menor chance.
Não muito longe dali, no alto de um prédio do outro lado da Marginal, Ágata olhava a ação dos amigos. Em pouco tempo se voltava a Eugênio, que se ocupava com seu laptop. - Eles já controlam a entrada do prédio, meu amor, disse a moça. Ágata havia virado uma mulher linda, uma das poucas alegrias que Eugênio tivera naqueles anos. Depois de trocarem um beijo apaixonado, ele, que era o cérebro da Liga do Bem, disse, apontando para a tela: - Clara e Ângela já pousaram no teto, e estão distraindo os guardar. Isso vai dar tempo... - Do quê?
Continua abaixo...
Escrito por Escritor às 18h32
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Caminhos do Coração, Fanfiction
Continuação Marcelo havia chegado. O único humano remanescente da Liga do Bem vinha fortemente armado, e ao lado de Eugênio era responsável pelo planejamento estratégico de suas ações, bem como proteger os líderes do grupo. Eugênio respondeu: - Agora, é com a Maria...
- Eles estão atacando o prédio da Progênese... Não tiveram o menor problema com os guardas. Janete, toda de preto, incluindo a maquiagem, ia descrevendo o que via. Cris a observava. - Agora Maria entrou no prédio... Assim é fácil, pode passar através de paredes, as balas das armas dos guardas a atravessam, e ela os derruba com apenas um toque... Nada mais havia da moça doce de outros tempos. Agora, convencida que jamais haveria uma completa aceitação dos mutantes pelos humanos, ela estava do outro lado. O único lado que, assim ela acreditava, poderia proporcionar a sobrevivência de todos. - Clara e Ângela descem desde o telhado... Clara até pode matar sem tocar, isso é impressionante! E pensar que eram menininhas tão doces e meigas... - Janete, disse a voz autoritária de uma mulher, não quero saber de nada disso. Maria chegou ou não ao centro do complexo? A Progênese, desde anos antes, havia se expandido, e agora o luxuoso prédio era apenas a face mais conhecida da empresa. Todos os arredores foram tomados por edificações menores, laboratórios e centros de estudos e reprodução humana, onde eram criados os mais incríveis e aterrorizantes tipos de mutantes. O próprio governo brasileiro virou um cliente da empresa, quando foi necessário uma raça de soldados invencíveis para combater os vizinhos. - Sabe, meus amores, sempre lembro daqueles patéticos governantes dos países vizinhos, achando que poderiam sobrepujar o Brasil! Ha! Que piada! Seus poucos soldados que sobreviveram devem ter pesadelos até hoje, graças as minhas criações, minhas belezas. Meus prodígios! A Dra. Júlia levanta da poltrona, e caminha pela sala principal de seu bunker, localizado em algum ponto da Avenida Paulista. Por meio de Janete ela acompanha tudo a distância, e Cris é o segurança das duas. Janete finalmente diz: - Chegou. Maria atingiu seu objetivo. Júlia olha para Janete, estende a mão e acaricia seu cabelo. Diz, por fim: - Finalmente. Os patéticos Mayer irão sair do meu caminho, e para sempre!
A muito custo, Maria havia chegado diante da porta blindada. Logo surgiam Clara e Ângela, um tanto sem fôlego, mas vivas e bem. - Fiquem atrás de mim, queridas... A porta era de aço reforçado. Maria poderia facilmente atravessá-la. Mas não teria a mesma graça. Com um chute, a porta envergou, as dobradiças que a ligavam a grossa parede de concreto cederam, e a pesada porta caiu com estrépito. Lá dentro, um complicado maquinário, que se unia por grossos cabos a um mastro que subia até o teto. Este último estava aberto por meio de duas portas horizontais que se abriam para os lados, deixando passar uma antena de aspecto complicado. Gor estava sentada em uma poltrona, usando um capacete ligado por meio de finos cabos ao maquinário. A seu lado, Metamorfo e Meduso, e um pouco para trás, ao lado de Lucinha já exibindo os dentes de vampira, a famosa Chefia. Danilo, o viajante do tempo. - Isso acaba agora! Maria se adiantou com os olhos faiscando. Meduso tirou os óculos e disse: - Ah, vá, até parece que, em nosso momento de glória, quando vamos dominar todo o mundo, a gente vai deixar você estragarem tudo! Apontou para Maria, e disparou. Ela ergueu a mão, e uma barreira telecinética se ergueu, não apenas bloqueando os raios, mas os refletindo. A cabeça de Meduso explodiu, e um corpo sem vida caiu ao chão. - Vai pagar por isso, disse Metamorfo ficando invisível. Sua risada irritante ecoou no ambiente, e as três mutantes do bem ficaram alertas, olhando para todos os lados. Invisível, o mutante achou que teria vida fácil e já se preparava para atacar Maria, vindo de lado, quando ela estendeu o braço e o agarrou pelo pescoço. Maria ergueu Metamorfo no ar, que lutava desesperadamente por respirar. Perguntava: - Como... como fez... isso...? - Dã, pensou que eu não conseguia te ver, babaca? A seguir Maria o lançou de lado sem o menor esforço, dizendo: - É com você, Clarinha! Clara segurou a cabeça de Metamorfo com as duas mãos, e disse: - Isso é pelo que você fez com o Lupi... Em instantes um corpo ressecado e sem vida caía ao chão. Lucinha veio rosnando e mostrando os dentes, dizendo: - Você não vai atrapalhar nossos planos, Maria, sua pobre, sua artistazinha de circo... - Ah, cala a boca! Ângela deu um curto vôo, agarrou Lucinha e bateu sua cabeça na parede. A vampira caiu inconsciente. As três se reuniram. Só faltava Danilo, e Maria disse: - Primo, é melhor você parar com isso. Mesmo viajando no tempo, você nunca conseguiu nos vencer. - Ah, minha querida, mas tenho todo o tempo do mundo para continuar tentando. E, falando nisso... “Flufs”, como era chamado por muitos, desapareceu. Não tinham muito a fazer, a não ser voltar-se para Gor, ainda recostada na poltrona e se concentrando. Maria se aproximou, disposta a jogá-la longe com cadeira e tudo. Sabia que era imune a seus poderes hipnóticos, e disse: - Gor, sei que pode me ouvir. Essa instalação se destina a lançar sua onda hipnótica pelo mundo todo, controlando toda a população da Terra. Mas garanto a você desde já que não vou permitir que faça isso. Aproximou-se cautelosamente, enquanto dizia: - Sabe muito bem que sou imune a seus poderes. É melhor desistir, antes que... Todos na Liga do Bem usavam pequenos comunicadores dentro do ouvido. Foi por isso que ouviram quando Eugênio chamou: - Maria, está ouvindo? Liga do Bem, estão todos aí? - O que foi, Eugênio, perguntou Maria, sem deixar de olhar para Gor um instante que fosse. - Deve ter sido uma mudança na linha temporal. Peguei algo no radar que há um instante não estava lá... Maria tirou rapidamente um pequeno laptop da mochila, e elas observaram a imagem enviada por Eugênio. Um trio de bombardeiros se aproximava, podendo ser visto mesmo a ainda dezenas de quilômetros de distância. Ágata já havia confirmado que eram aparelhos americanos, e que carregavam ogivas nucleares. Nesse instante, Gor abriu os olhos e disse: - Então, Maria, o que vai ser? Seu jovem gênio deve saber muito bem que esses não são os únicos bombardeiros a caminho. Eles têm centenas de outros, e muitos mísseis também. Já deve estar sabendo o que aconteceu. Estamos em outro marco temporal. - Danilo, vociferou Ângela. - Ele deve ter mudado alguma coisa no passado, disse Clara. - E agora estamos a instantes de sermos aniquilados, completou Maria. - Assim sendo, Maria, voltou a dizer Gor tranquilamente, essa máquina que você está a instantes de destruir é nossa única chance de sobreviver. Apenas se eu influenciar todas as pessoas que pretendem nos atacar, nos varrer do mapa com suas armas nucleares, é que podemos continuar vivos! Maria olhou para Gor, e a seguir para suas jovens amigas. Coisas como aquela já haviam acontecido antes. Danilo, com seus poderes de viajar no tempo, já colocara desafios inimagináveis diante da Liga do Bem. Mas aquele era o maior de todos. Com o tempo passando rapidamente, Maria sentia o peso da decisão que devia tomar.
Escrito por Escritor às 18h31
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Caminhos do Coração, fanfiction
A trama e os personagens de Caminhos do Coração pertencem ao autor Tiago Santiago e a Rede Record de Televisão. A história a seguir constitui-se apenas e tão somente em um exercício de imaginação, com o fim único de entretenimento, e sob nenhuma hipótese foi escrita com o propósito de auferir qualquer espécie de lucro. O autor (contato pelo email escritorcomr@uol.com.br ) pretende unicamente com a mesma prestar tributo aos atores, autores, e a toda a equipe responsável pela histórica novela Caminhos do Coração, a primeira verdadeira produção de Ficção Científica no horário nobre da TV brasileira.
Caminhos do Coração Fic 1
Os prodígios de Júlia
Maria estava feliz de poder voltar a casa de Gudi e Bené depois de tantos dias. Não sabia o que era pior, o medo da perseguição dos que a queriam morta, viver fugindo da polícia, ou a falta de contato com os que amava. Bené fez o possível para acalmá-la, mas isso não foi possível quando Marcelo chegou. Eles conversaram rapidamente a respeito das últimas investigações do policial federal, antes que este perguntasse a Bené: - E então, o que essa sua amiga quer nos contar? Bené distraiu-se um pouco, pensando em como Marcelo era atraente. Mas como também já era nítido para ele que Marcelo e Maria sentiam algo muito forte um pelo outro, conteve-se, e respondeu: - Bem, policial Marcelo, essa minha amiga da faculdade, a Cléo, é filha de uma das vítimas, o dr. Josias, e irmã da Regina. - A filha sequestrada da última vítima, Platão, disse Marcelo. - Já mataram outra pessoa, meu Deus, diz Maria. Marcelo pega a mão da moça, movimento que Bené ignora com um leve sorriso. O rapaz continua: - Pois então, antes de morrer, o dr. Platão deixou uma mensagem para a Cléo, que ela diz que é um dossiê sobre a Progênese. - A empresa do dr. Sócrates, diz Maria. - A empresa que está de alguma forma ligada a todos os assassinatos, completa Marcelo. Alguém da diretoria sem dúvida quer ocultar as experiências proibidas que ocorreram lá, e para isso quem sabe algo a respeito dos mutantes está sendo eliminado. Ele se volta para Maria e diz: - Os próprios mutantes estão em perigo, pois eles continuam tentando atacar você, Maria, e minha filha Tati. Bené continua: - Pois a Cléo conhece esse jornalista, que disse que há tempos está investigando a Progênese e a dra. Júlia, a cientista que realizou as tais experiências... Olha, devem ser eles! A buzina de um carro os interrompeu, e logo Cléo e Lucas são recebidos, acompanhados por um homem um pouco gordo, de óculos e carregando uma pasta. Depois de se cumprimentarem Cléo o apresenta: - Esse é o jornalista Roberval, um amigo meu que tem investigado a Progênese. Um fato não escapa a Marcelo que comenta: - Acontece, Cléo, que você é uma das herdeiras do dr. Sócrates. E a mãe de Lucas, Cassandra, é uma das sócias. Como vou saber que não é uma armação de vocês? Lucas presta atenção, lendo os pensamentos dos presentes. Sabe que Marcelo está desconfiado, mas também que suas preocupações são legítimas. Ele diz: - Policial Marcelo, meu pai morreu por causa do segredo da Progênese. - Meu pai também, interrompe Cléo. Como pode pensar que queremos algo que não seja a verdade? Maria e Marcelo trocam olhares, ela coloca a mão em seu ombro e cochicha que quer ouvir o que eles têm a dizer. Finalmente todos se sentam, e Roberval começa sua exposição, tirando da pasta um livro de capa azul conhecido de todos: - O livro do dr. Walker. Quando pela primeira vez vi a ligação entre mutantes, experiências proibidas e a Progênese, achei que era ficção, coisa de X-Men! Muito louco, cara! Olha ao redor para as expressões de dúvida dos presentes, e Cléo explica: - O Roberval é grande fã de seriados e quadrinhos, não reparem. Continue, Roberval! O jornalista pigarreia, e diz: - Então, comecei a ler, e vi que o dr. Walker faz ligações muito surpreendentes, mas que ao mesmo tempo confirmavam muito do que eu vinha investigando sobre a Progênese e a dra. Júlia. Das experiências dela eu já tinha conhecimento, mas que essas realmente produziam mutantes, essa foi novidade para mim. Essas experiências vêm sendo feitas há 30 anos, e já produziram dezenas de mutantes. Alguns, claro, foram abortados, mas já sabemos que existem ao menos 20 deles. Lucas sabia que Roberval falava a verdade, pois não se distraia dele um segundo que fosse. O jornalista continuou: - Tenho investigado a Progênese há quase doze anos... - E nunca publicou nada, pergunta Marcelo. O que acho estranho é que essas experiências proibidas ocorrem há trinta anos, e ninguém soube delas até há pouco tempo! - Como tem se tornado bem claro nos últimos tempos, policial Marcelo, responde Roberval, essas pessoas são muito poderosas. Há muito dinheiro nesse jogo, e muitos interesses também. Confrontar essas pessoas é perigoso! Nós estamos no encalço de uma conspiração que não faria feio em Arquivo-X! - Lá vem você falar de novo nas suas histórias em quadrinhos, Roberval, diz Cléo impaciente. - Arquivo-X, amiga, foi na verdade uma série de grande sucesso, que chegou a liderar a audiência do canal onde era exibida, nos anos 90, viu? - Será que podemos voltar ao que interessa, pergunta Maria. A verdade é que os mutantes existem, e nada disso, por incrível que pareça, é ficção científica! - Claro, claro, diz Roberval. Como podem imaginar, já andei conversando com meu editor no jornal a respeito, mas apesar das evidências que possuo, incluindo o livro do dr. Walker, as mortes dos últimos tempos, ele ainda não acredita que algo assim seja possível. Eu mesmo ainda não quero publicar nada, enquanto não tiver provas definitivas nas mãos. - Mas você tem, diz Lucas. Eu sou um mutante, consigo ler pensamentos. A própria Maria suspeita que é mutante, não é mesmo? Maria passa a mão nos cabelos e baixa os olhos. Marcelo olha para ela e diz: - Explicaria sua força, Maria, e sua agilidade, a forma como você luta... Roberval fica interessado, e eles contam rapidamente o episódio da fuga da cadeia. O jornalista fica animadíssimo: - Uau, cara, parece coisa da Mulher-Maravilha! Maria, você deve ser uma ninja! Igual a Elektra! Todos o olham, e Roberval diz: - Tá, tudo, bem, vou procurar me conter... - Conta aquela outra coisa, Roberval, pede Cléo. - Que outra coisa, pergunta Bené. Tem mais? Meu Deus do céu! - Muito mais..., diz Roberval. Ele começa, dizendo que desde 1996 persegue uma pista de Júlia. Ela teria se ausentado por todo o primeiro semestre da Progênese, e o rastro que Roberval descobriu acabou por fazê-lo seguir os passos da cientista até a Unicamp. - Unicamp, pergunta Marcelo. Por quê?
Continua abaixo...
Escrito por Escritor às 10h34
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Caminhos do Coração, fanfiction
Continuação...
- Não apenas a Unicamp, policial Marcelo, mas também ao sul de Minas Gerais. Mais especificamente, consegui evidências que a dra. Júlia esteve, em algum ponto dos meses de abril e maio daquele ano, tanto em Três Corações, como em Varginha! Todos se entreolham, e Maria tem a idéia de observar Lucas. Sabia que o rapaz lia os pensamentos de Roberval, mas o tom pálido de sua pele e sua expressão de espanto a surpreenderam. O que o telepata teria descoberto? Maria não teve que esperar muito. Marcelo perguntou: - Três Corações e Varginha, por que a dra. Júlia visitaria essas cidades? - Hello, turma, o que aconteceu no sul de Minas, em janeiro de 1996? Com exceção de Cléo, com quem o jornalista já conversara rapidamente antes, ninguém parecia saber, e finalmente Roberval respondeu: - Bem, nem todo mundo participa de listas de discussão de ufologia, o estudo dos discos voadores, na Internet. Em 20 de janeiro de 1996 começou o, aparentemente não tão famoso a julgar por suas expressões, Caso Varginha. Três meninas da cidade viram uma estranha criatura, e logo os ufólogos descobriram que parece ter caído uma nave extraterrestre lá, com a captura de ao menos dois seres estranhos. A recuperação da nave e dos alienígenas teria ficado a cargo da Escola de Sargentos das Armas, de Três Corações, cidade vizinha a Varginha. Ninguém dizia nada, e o jornalista, depois de retirar da pasta algumas folhas que eram o dossiê que havia conseguido sobre a Progênese e os mutantes, também colocou sobre a mesa algumas revistas de ufologia da época, narrando o caso. Roberval prosseguiu: - Minhas investigações revelaram que, sendo uma das maiores autoridades brasileiras em pesquisa genética, mesmo sendo obviamente uma maluca de pedra, a dra. Júlia foi convocada a ajudar no estudo das tais criaturas. Até consegui que os ufólogos me apresentassem a uma das testemunhas que a viram, no hospital da Unicamp, na época, trabalhando lado a lado com o famoso dr. Badan Palhares. - O mesmo do Caso PC Farias, pergunta Cléo. - Ele mesmo! Desde o começo do caso, os ufólogos encontraram evidências que o ligam aos acontecimentos. E eu descobri o envolvimento de Júlia. Mas isso não é o melhor! Roberval parece curtir o suspense, observando a expectativa nos rostos dos presentes, e finalmente completa: - Como parte de seu envolvimento com o caso, a dra. Júlia teria conseguido ressenquenciar o DNA dos alienígenas, e cloná-lo. - Você está querendo dizer que os mutantes podem ser... alienígenas, pergunta Lucas apavorado. Roberval dá um sorriso tranquilizador, e diz: - Não, meu jovem. Ao menos, não você e Maria, e decerto também não a filha de nosso policial Marcelo, ou o tal menino-lobo, o Vavá. Descobri que Júlia andou experimentando combinar DNA humano e alienígena desde o segundo semestre de 1996. Quase todas essas novas experiências teriam dado origem a fetos deformados e completamente inviáveis. Mas recentemente, descobri provas de que na mesma clínica do Guarujá, nasceram há pouco tempo os primeiros bebês cujo DNA contém porções de genes alienígenas. Cléo não aguentou. Levantou-se e começou a caminhar nervosamente pela sala, dizendo: - Essa louca! Maluca, insana! Ela está acabando com a empresa do meu tio Sócrates! E se esse escândalo vier a tona? A Progênese vai acabar! E as pessoas que a clínica ajuda, vão ficar desamparadas? Lucas também se levantou, abraçando a garota que chorava. Cléo ainda disse: - Eles mataram meu pai para essa louca continuar essas experiências! Nem os nazistas fizeram coisa semelhante! Louca! - Calma, Cléo, tenta consolá-la Lucas. Meu pai também morreu porque sabia demais sobre tudo isso. Temos acima de tudo que manter a calma. - O Lucas está certo, diz Marcelo. Se tudo isso for verdade, gente muito graúda está envolvida. Todos estamos correndo perigo, e precisamos planejar nossos passos com muito cuidado. Maria olha para Roberval e pergunta: - O governo e os militares, segundo o que você disse, se envolveram com o Caso Varginha. Será que eles também estão envolvidos com a dra. Júlia e as experiências? Roberval olha para a moça, parecendo inseguro, e finalmente responde: - Olha, minha cara, uma coisa me espantou muito quando entrevistei, ao lado de meus amigos ufólogos, essa testemunha. Ela disse que todos ali morriam de medo da dra. Júlia. O próprio Badan Palhares saía de perto quando se falava no nome dela. Pelo que apurei, muita gente se arrependeu de ela ter sido chamada para esse projeto. - Mas decerto o governo deve saber de alguma coisa sobre as atividades de Júlia, disse Marcelo. - Você não entendeu, federal, respondeu Roberval. Mesmo que a dra. Júlia tenha tido sucesso, ajudando o programa de investigar a biologia dos alienígenas com a clonagem de seu DNA, o fato é que ela depois passou a realizar suas experiências com ânimo revigorado. Júlia, por tudo que apurei, nunca conheceu limites! Se quer minha opinião profissional, não perca tempo investigando as ligações do governo com ela. As experiências de Júlia são tão “cavernosas”, tão absurdas, que sem dúvida nem os militares, muito menos o governo, querem ter algo a ver com as mesmas. Todos ficaram pensativos e em silêncio, abalados pelas estarrecedoras revelações. Maria segura o braço de Marcelo e apóia a cabeça em seu ombro, enquanto o policial federal observa a capa de uma das revistas de ufologia trazidas pelo jornalista. A mesma exibia um desenho em cores, mostrando um militar observando médicos, ocupados em examinar uma criatura de pele marrom, cabeça grande com três protuberâncias no topo e grandes olhos vermelhos, que jazia em uma mesa cirúrgica.
A dra. Beatriz percorre nervosa os corredores da clínica da Progênese no Guarujá. É começo da noite, e fazia um bom tempo desde que ela pedira para Marli ir verificar Cris. O bebê havia entrado em coma, imediatamente antes de um novo episódio de crescimento acelerado. Na verdade, nem fazia mais sentido se referir a Cris como bebê. Seu tamanho já era o de um menino de dez anos. A médica não conseguia compreender os estranhos eventos que ocorriam naquela clínica. A morte de Ruth contribuiu para instalar um verdadeiro clima de terror, entre os poucos que estavam informados das assustadoras experiências da dra. Júlia. Beatriz não aprovava o comportamento de Ruth, como não aprovou o de Rosana. Mas quanto mais ia descobrindo, mais ficava claro para ela que Júlia era uma louca. Beatriz finalmente chegou ao quarto de Cris, bateu de leve na porta e entrou, logo dizendo: - Marli, eu não disse a você para vir falar comigo assim que verificasse o estado do paciente? O que continua fazendo aí parada? Beatriz via a cama, com Cris deitado inconsciente, ligado a vários aparelhos de suporte de vida, e Marli de costas para ela, parada em frente ao leito e com a cabeça um pouco baixa. Beatriz estranhou, e chamou de novo: - Marli, o que está acontecendo? Por que você não me responde!? A médica se aproxima, começando a ficar alarmada com a insólita situação. Marli ali parada, sem fazer um movimento. Aproximando-se Beatriz repara que a enfermeira está ofegante, mas mesmo assim, parece lutar para respirar, além de estar suando muito. Chegando a seu lado, Beatriz olha para o rosto de Marli e se assusta. Ela está lívida, e com os olhos vidrados no garoto inconsciente. A médica olha para os aparelhos, que nada mostram de anormal. Isso até chegar ao eletroencefalograma, que mostra leituras que ela jamais viu na vida. - Beatriz...
Continua abaixo...
Escrito por Escritor às 10h33
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Caminhos do Coração, fanfiction
Continuação...
A médica se assusta com a voz de Marli, que sai fraca e sussurrada. E mais que isso, o que apavora Beatriz é o tom de absoluto terror em Marli, quando a enfermeira, a muito custo, se volta para ela e suplica: - Corra... Os aparelhos começam a apitar, e Beatriz, cada vez mais desesperada, passa os olhos por eles. Quando olha finalmente para Cris, o garoto abre os olhos e os fixa na médica. Um brilho avermelhado emerge deles, parecendo envolver Beatriz. Sem conseguir se mover, ela de repente vê. Vê toda a verdade, e se apavora com as arrepiantes e irresponsáveis coisas que Júlia fez, e continuava fazendo. Desesperada ela tenta fugir dali, mas está hipnotizada e paralisada pelo brilho vermelho daqueles olhos inumanos. Um grito lancinante ecoa finalmente pelos corredores da clínica.
Cena extra 1 - Enfim, César, como você, apesar de seus chiliques de que está virando lobisomen, o que já lhe garanti que é impossível, está me servindo bem, decidi lhe mostrar minha sala de troféus. O advogado sua frio, pensando no que a cientista pode estar falando. Júlia passa um cartão no leitor da fechadura, e logo depois digita uma senha no teclado. A porta se abre, e Júlia completa: - Um dia, espero que todas essas magníficas peças façam parte de um museu, que enalteça minhas realizações em prol do melhoramento da raça humana! César adentra a sala trêmulo. A mesma é iluminada por uma difusa luz azul, e nada contém, com exceção de prateleiras de vidro em todas as paredes. Dispostos cuidadosamente ali, dúzias de frascos contendo fetos. - Oh, meu Deus... oh, my God... oh, mon Dieu... César não consegue se conter, e passa a tremer cada vez mais. Criaturas horrendas flutuando nos fracos são uma visão aterrorizante. Júlia apanha um deles e o mostra para o lívido César, dizendo: - Este foi o primeiro que chegou próximo do nascimento, resultado da nova fase de minhas experiências. O primeiro em que foi bem sucedida a técnica de clonagem e recombinação genética. A gestação foi interrompida para que eu pudesse estudar sua fisiologia. Veja como os membros são proporcionais, a conformação geral, combinando perfeitamente as fisiologias humana e extraterrestre. - As cri... cri... criaturas de V-V-V-Var... Varginha, você me disse? - Isso mesmo! O que há com você, César, parece que viu um fantasma! Tome, segure este um pouco, quero lhe mostrar outro... César tremendo muito, precisa segurar o frasco com muito mais força que o normal. Não quer, por nada nesse mundo, que o mesmo se espatife no chão, colocando-o em contato direto com aquela coisa alienígena. Sabe-se lá que tipo de doença extraterrestre aquela coisa poderia transmitir? Júlia lhe mostra outro frasco, contendo um ser semelhante, mas muito mais magro, e praticamente idêntico aos desenhos que ela lhe mostrara antes, das criaturas de Varginha: - Admire, César, um marco na ciência brasileira e mundial! O primeiro clone de um ser de outro mundo! Obra minha, como todos os meus troféus aqui! Meus prodígios! Mais que aquele show de horrores, o que realmente aterroriza César é o indisfarçável orgulho que Júlia demonstra ao falar de “seus prodígios”. Sua estarrecedora segurança ao comentar o que descreve como seus esforços para melhorar a raça humana: - Aqui, meu caro e querido César, temos um vislumbre do futuro. Um futuro onde todos serão especiais, e a raça humana estará preparada para qualquer desafio. Um futuro que será obra minha, e pelo qual eu serei sempre lembrada, imortalizada ao lado dos maiores gênios da história da humanidade! César, aterrorizado e enjoado, só consegue pensar em uma coisa: “- Meu Deus, estou trabalhando com uma louca!”. E o sorriso largo e satisfeito que Júlia dirige a ele comprova sua impressão.
Cena extra 2 Haviam navegado quase toda a madrugada, mas finalmente Ágata, Aquiles e Vavá chegaram a praia da ilha misteriosa. A garota a havia visto há alguns dias, utilizando suas habilidades de olhar muito mais longe do que qualquer outra pessoa. Ágata também conseguia ver coisas microscópicas, mas depois de alguns incidentes, passou a ocultar dos outros essa habilidade. Não queria que olhassem para ela como uma aberração, e além do mais, após os recentes eventos, seus pais andavam mais apavorados do que nunc |
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